Olá, segue a Central de Ajuda ao Leitor Lendário, também conhecida como C.A.L.L! Aqui, deixarei registradas dicas para melhor entendimento da leitura:
Travessão ( — ), é a indicação de diálogos entre os personagens ou eles mesmos;
Aspas com itálico ( “” ), indicam pensamentos do personagem central em seu POV;
Aspas finas ( ‘’ ), servem para o entendimento de falas internas dentro da mente do personagem central do POV, mas não significa que é um pensamento dele mesmo;
Itálico no texto, indica onomatopeias, palavras-chave para subverter um conceito, dentre outras possíveis utilidades;
Colchetes ( [] ), serão utilizados para as mais diversas finalidades, seja no telefone, televisão, etc;
Por fim, não esqueça, se divirta, seja feliz e que os mistérios lhe acompanhem!
Capítulo 50 — Aposta Fáustica
Calli segurava o livro com dedos trêmulos, mas firmes, como se sua alma estivesse dividida entre a curiosidade insaciável e o medo primordial que agora permeava o ar. Ele sentia o peso da decisão iminente como uma lâmina prestes a se cravar em sua carne. A voz, antes sussurrante e distante, agora era uma presença sólida, pulsante em sua mente, o ar ao redor parecia vibrar com a sua existência.
— Até ela? — Calli murmurou, sua voz era quase inaudível.
A lembrança de Morgiana era uma dor viva. O sorriso cálido, as mãos calejadas que sempre encontravam o jeito perfeito de segurar as suas. Como podia resistir a essa promessa?
‘Ela também’, a voz respondeu, sua cadência lenta e enigmática. ‘Nada está além do meu alcance, Calli. Nem mesmo aqueles que foram consumidos pela vastidão do esquecimento.’
A promessa soava como mel escorrendo, doce e irresistível, mas havia algo mais: uma espécie de gume cortante sob a doçura. Calli sentia, mas não podia desviar o olhar do livro, nem ignorar o poder que emanava de suas páginas.
— E o preço? — Ele finalmente perguntou, a garganta estava seca como areia.
A voz riu, um som grave que parecia ecoar pelas paredes da cozinha, embora Calli soubesse que a origem era muito mais profunda. ‘Ah, sempre o preço. Tão mortal da sua parte. Todos querem o prêmio, mas temem pagar por ele. Contudo, meu caro jovem, o que é o preço senão uma parte do jogo?’
— Não desejo jogos, apenas respostas. — Calli tentou soar firme, mas havia um tremor em sua voz que traía sua dúvida.
‘Respostas exigem sacrifícios, Calli. Não se pode abrir as portas trancadas sem deixar algo de si mesmo como oferenda. O conhecimento que te ofereço… desvendará mistérios que você nem sequer ousou sonhar. Mas para cada revelação, você perderá um pedaço de si mesmo.’
A mão de Calli apertou o couro frio da capa. Ele engoliu seco, com o coração batendo como temores de guerra em seus ouvidos.
— Que pedaços?
A voz ficou em silêncio por um tempo, e o ar ao redor pareceu crescer pesado, como se segurasse a respiração. Então, ela falou, lenta e calculada.
‘Memórias, Calli. Elas escorrerão de você como areia entre os dedos. Cada vez que utilizar o conhecimento que lhe concederei, parte do que você é tomado como troca. Pequenos fragmentos no início, como grãos insignificantes. Mas com o tempo… oh, com o tempo, você mal saberá quem é.’
— Isso é loucura… — Calli murmurou, mas suas palavras soaram vazias, como se falasse apenas para convencer a si mesmo.
‘É o preço do conhecimento. Daquilo que nenhum outro poderia sonhar em alcançar. Escolha, Calli. Retorne para a escuridão sem saber sobre os segredos do mundo, para o vazio do ordinário… ou abra a porta que apenas o conhecimento pode te propor.’
A penumbra parecia respirar ao seu redor, uma força invisível que aguardava, expectante, a escolha dele. Calli fechou os olhos, buscando, na escuridão interna, algum resquício sequer de clareza. E tudo o que encontrou foram memórias que ardiam em sua mente: o abraço da avó, seu sorriso belo, as brincadeiras com Leo, os dias que não voltariam mais.
Remoendo-se, ele temia ainda mais, mas parecia ter obtido uma resposta para suas dúvidas.
— Eu aceito.
A resposta saiu antes que pudesse se conter, mas a voz a acolheu como um trovão vitorioso.
‘Então, que assim seja.’
O livro brilhou intensamente, lançando uma luz dourada que inundou o ambiente, cobrindo tudo com uma aura surreal. As páginas começaram a se virar sozinhas, movidas por uma força invisível, como se buscassem algo com propósito e urgência. O som seco e ritmado das folhas ecoava na penumbra, até que, por fim, pararam na penúltima página.
Ali, no âmago do livro, repousava um símbolo que cintilava com uma beleza opressiva, tingido de um dourado tão radiante que parecia rivalizar com as constelações do firmamento. Ele parecia vivo, pulsando em um ritmo lento e constante, como se respirasse. No centro, um olho estilizado brilhava intensamente, guardando um diamante que reluzia como uma estrela caída. Havia algo naquele olhar imóvel — vigilância, sabedoria e um aviso mudo de forças insondáveis.
Linhas sinuosas se estendiam do núcleo, como tentáculos dourados ou línguas de fogo divino, se contorcendo em uma simetria hipnótica. Pontas afiadas e arabescos intrincados emergiam como uma dança entre ordem e caos, convergindo em uma estética de poder absoluto. Ele parecia flutuar em uma ausência de espaço e tempo, como se não pertencesse ao mundo terreno.
Cada curva e aresta parecia contar uma história — de ascensão, de domínio, de pactos eternos firmados em silêncio e dor. Havia algo solene e inevitável naquela figura. Não era apenas um símbolo. Era um selo, uma promessa e um presságio. Observá-lo por tempo demais trazia um peso aos ombros, como se a própria gravidade conspirasse para lembrá-lo de que ali, naqueles traços dourados, habitava o infinito — e o preço que ele cobrava.
Calli sentiu sua respiração se acelerar enquanto observava aquela forma. Cada curva parecia narrar uma história esquecida — de conquista inimagináveis, de pactos antigos e de sacrifícios tão profundos que ressonavam em sua alma. O peso do infinito parecia se condensar naquele símbolo. Não era apenas um símbolo qualquer. Era um juramento. Uma promessa. E uma sentença.
De repente, algo mudou. O símbolo começou a emitir um brilho ainda mais intenso, como se reconhecesse Calli, e então, sem aviso, ele sentiu uma ardência em sua pele. Foi como se pequenos raios de eletricidade pulsassem por suas veias. Os símbolos que pairavam ao redor dele começaram a se mover, dançando em um balé caótico e fascinante antes de mergulhar, um por um, em seu corpo. Ele tentou resistir, mas era inútil. As marcas se fixavam nele, tecendo uma tatuagem viva que serpenteava por seu braço, começando nas pontas dos dedos e se espalhando lentamente até o antebraço. Cada traço pulsava com um ritmo cadenciado, como um segundo coração.
Ele ergueu o braço direito, observando, com uma mistura de fascínio e horror, as marcas brilhantes que agora adornavam sua pele. O dourado reluzia de maneira sinistra, como se o próprio conhecimento proibido fluísse por aquelas linhas. Ele não precisava de explicações. Sabia, no fundo, de sua alma, que algo irrevogável havia sido selado naquele momento. O conhecimento prometido estava ao seu alcance, mas o peso daquilo que havia entregado em troca começava a se insinuar, como uma sombra silenciosa.
O brilho do livro começou a enfraquecer, retornando à penumbra. A sala mergulhou novamente no silêncio, a marca, aos poucos, foi perdendo a sua cor, desaparecendo quase que completamente de vista, invisível aos outros, mas Calli a sentia ainda vividamente, junto a um novo entendimento.
— Asharoth… — Calli sussurrou, o nome saindo de seus lábios como se tivesse sido plantado ali por forças além de sua compreensão. Não era uma palavra que ele escolhera pronunciar, mas uma que parecia arrancada do âmago de sua alma, uma nota há muito esquecida de uma melodia cósmica.
‘Esse é o nome que me deram’ a voz de Asharoth respondeu, envolta de uma serenidade que era tanto reconfortante quanto aterradora. ‘E agora, Calli, ele ecoa em você.’
O ar na sala ficou mais denso, como se o próprio espaço estivesse dobrando ao redor do nome pronunciado. As paredes, antes opacas, tremeluziam, como se estivessem à beira de se dissolver em um abismo dourado. Calli sentiu um peso cair sobre seus ombros, mas não era físico; era como se algo invisível estivesse se enraizando dentro dele, alimentando-se de algo que ele nem sabia que possuía.
‘Bem-vindo, meu querido portador. Que os segredos do universo sejam a sua recompensa… ’ — Asharoth continuou, sua voz suave e envolvente, como o toque de uma promessa feita às brisas do vento.
Mas então, no mesmo instante, algo estranho e terrível aconteceu.
Os pensamentos de Calli começaram a desaparecer, um a um, como folhas arrancadas por uma ventania voraz. Seus ideais, aquelas convicções que ele guardava com o conhecimento que lhe dera, começaram aos poucos se apagar, como velas apagadas por uma escuridão que não podia ser detida. Ele tentou agarrá-los, segurá-los em sua mente, mas era inútil. As palavras e imagens que definiram seus desejos evaporaram, junto ao conhecimento dos malefícios de seu contrato. Ele piscou, confuso, mas incapaz de lembrar os malefícios do contrato e do porquê o teria feito.
O que Asharoth havia proposto? Ele já não sabia. Seus objetivos, seus sonhos momentâneos, começaram a parecer distantes, irreais, como se pertencessem a outra pessoa. A ideia do porquê fazer o pacto era agora apenas uma sombra, uma lembrança que desaparecia a cada segundo.
A voz de Asharoth ecoou novamente, mas dessa vez havia algo a mais nela — uma risada abafada, um toque de satisfação.
— Não se preocupe, pequeno portador. Esquecer é o primeiro passo para aprender. O preço de segurar o infinito é sempre perder um pedaço de quem você é.
Calli caiu de joelhos, o coração pesado com uma sensação de perda que ele não conseguia explicar. No fundo, de sua mente, ele sabia que algo irrevogável havia acontecido, mas, ao mesmo tempo, não conseguia lembrar exatamente o que. Era como tentar segurar água com as mãos — quanto mais tentava, mais elas escorregavam.
Bom, esse é o fim do arco introdutório, inesperado até agora, não? Eh… Sei nem como começar isso direito, uma conquista dessas, 50 capítulos, hein? Para quem pensava que desistiria em algum momento.
Mas enfim, esse não é o motivo pelo qual estou aqui, afinal, sejamos mais felizes!
Gostaria de agradecer aos meus amigos — e colegas — por essa trajetória, com obras que aprendi muito lendo durante esse tempo como autor, embora não comentasse direito, kkkk… Aí vão elas!
E diversas outras que, aos poucos, montaram o meu acervo de conhecimento. Escrever, para mim, não é apenas focalizar em seu mundo, é aproveitar de coisas boas e ruins que observa em outras obras e compilar ainda mais o seu conhecimento… Nisso, realmente há caras que eu respeito muito, como o Glauber, Snow, David, Stuart, Leodib, Hassini, H0lw e diversos outros… Ah, principalmente a tira, não posso esquecer dela e o Douglas e Escriba, que avaliaram meu primeiro texto e comentaram o que achavam.
Bem, é isso? Obrigado, Rody por suas planilhas, Porta por disponibilizar os capítulos que o Vento some, Asu por brincar comigo, Val e suas piadas extremamente necessárias, Vento por descer a pika no YEisu, digo, por ser um ótimo tradutor, Moonlich por seu conhecimento em webnovels, Scholar por ser um ótimo designer, Miltil por ser meu “professor” e Vinigo, o caba que entende bem das IA. Quarta-feira provavelmente retornamos com o início oficial do primeiro volume!
E não pensem que eu esqueci de vocês, leitores, que fizeram ASDI bater 5k de views, fazendo 8 dias que bati 4k, isso foi sem sombra de dúvidas astronômico! Holanda, Mero Leitor, J!, Andoryouu, Perleyvales, Moreira, Zartelacreatura, PillarOfCreation e principalmente o Roxinho, vocês estão no meu coração!

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