Capítulo 0128: Quem é Asher Lawgard?
Siegfried já estava exausto quando Lili sentou no seu rosto e fez o rapaz lhe beijar a vagina. A mão direita enrolada no seu cabelo, controlando-lhe a cabeça como bem desejava.
“Ah! Isso! Aí mesmo! Não para!”
Mas enquanto a garota fantasma se afogava em prazer, Siegfried se afogava em outra coisa. Mal haviam se passado trinta segundos desde que o rapaz começou, mas deve ter acertado uma área bastante sensível, porque ela logo gozou.
Suas coxas apertando a cabeça dele com força, enquanto uma mão lhe agarrava os cabelos e a outra buscava apoio na cama, para não cair.
“Aaaaahhhhhnnn!!!”
E esguichou.
Quando terminou, o rosto molhado era a menor das preocupações de Siegfried. O rapaz tinha a língua dormente, o couro cabeludo ardendo e o pescoço dolorido — quase como se tivessem lhe acertado a nuca com uma pedra.
Mas Lili parecia radiante.
Ela deitou ao seu lado, com a cabeça apoiada no seu peito, enquanto o abraçava e dizia:
“Uma garota pode se acostumar com isso.”
— Mas não vai!
Siegfried tinha passado metade da noite fodendo Lavina e a outra metade, Lili. Estava tão exausto que bastou fechar os olhos para dormir, mas não antes de sentir um beijo na testa e ouvi-la dizer:
“Durma bem, meu cavaleiro sombrio. E nunca se esqueça, eu sou sua e você é meu. Agora e para sempre.”
E apagou.
Naquela noite, assim como nas noites anteriores, sonhou com o vilarejo em chamas e a mulher da cabana — linda como sempre, mas nunca de um modo sensual ou provocante. Não era luxuosa ao ponto de parecer uma princesa, mas faria inveja à maioria delas.
Siegfried entrou na cabana ao lado do cavaleiro negro e viu a mulher cair de joelhos bem na sua frente quando se aproximaram. Ela sempre fazia isso. Era sempre para ele que implorava, mesmo que fosse o cavaleiro quem tivesse a espada.
“Eu não posso ajudá-la”, disse.
Os olhos dela eram castanhos, mas se tornaram negros como carvão quando ouviu suas palavras. Sua pele embranqueceu até que estivesse pálida como um cadáver, enquanto lágrimas escorriam pelas suas bochechas e os lábios tremiam.
Mesmo então, ela ainda sorriu.
Um sorriso triste.
Siegfried sentiu uma agulha de gelo perfurar seu peito. Um frio intenso que o congelava de dentro para fora, enrijecendo seus músculos e tornando difícil respirar. Quando deu por si, estava de joelhos.
A mulher o abraçou.
O cavaleiro balançou sua espada.
E Siegfried acordou assustado quando alguém lhe tocou o braço. Suado e ofegante.
O instinto fez com que buscasse pela sua espada ao lado da cama, mas encontrou Lavina aninhada em cima dele — o impedindo de alcançá-la —, por isso não teve outra escolha senão usar a sua mão livre para pegar o invasor pelo pescoço.
Ainda tinha a vista um pouco embaçada do sono, mas bastaram cinco segundos para perceber que era apenas Will vindo acordá-lo, então o soltou.
— Will?! O que houve?
O pequeno escudeiro não respondeu. Estava um pouco ocupado demais tossindo e recuperando o fôlego do breve estrangulamento. As lágrimas lhe escorrendo pelas bochechas e o pescoço com as marcas avermelhadas onde o rapaz apertou.
— A-ave — disse, ainda um pouco rouco. — Uma ave chegou pro senhor… H-hoje de manhã…
E lhe entregou uma carta lacrada, com o selo do barão Kessel estampada nela. Aquilo o pegou de surpresa. Siegfried se sentou na cama e quebrou o selo:
“Que se faça destas as palavras de sua graça, o barão Ragnar Kessel do Salão Solitário, senhor de Cidade Pequena.
O lorde Kessel expressa à Siegfried os seus mais sinceros agradecimentos no importante papel que desempenhou na captura do Salão Branco. Após cuidadosa deliberação, fica decidido que os seus serviços são necessários de volta à Vila do Lobo.
Em seu lugar, fica nomeado como novo castelão do Salão Branco, pelo tempo que for necessário, o barão Asher Lawgard do Castelo Asher, senhor de Vila dos Corvos.
Pelas mãos de Adrien Dalton.”
Siegfried leu e releu as palavras mais de uma vez, como se esperasse encontrar nelas algum tipo de mensagem oculta ou criptografada… Não que ele fosse capaz de decifrá-la, mesmo que houvesse. Mas tinha de tentar. Nada daquilo fazia sentido.
Nunca ouviu falar desse Asher Lawgard. Por que o lorde Kessel estaria lhe entregando o comando do Salão Branco? Não estamos falando de algum lugarejo qualquer, mas da última linha de defesa que tinham. Se o Salão Branco caísse, estariam presos no condado de Essel, sem uma forma de escapar.
Confiava tanto assim nesse estranho?
E os fidalgos? Deixaria a jovem condessa Alethra Gaelor e seu filho — o herdeiro do conde Theron — nas mãos dele? A própria baronesa Whitefield e sua filha também?
E o que foi feito do conde Essel?
Da última vez que ouviu falar dele, tinha tomado a Vila do Lobo e posto o Castelo Silvergraft sobre cerco. Mas e agora? Siegfried não tinha soldados o bastante para arriscar enviando batedores perto demais das linhas de defesa Essel. Sabia apenas aquilo que os refugiados que conseguiam fugir do massacre lhe contavam. E havia cada vez menos deles.
Nos primeiros três dias, chegavam às dúzias. Uma semana depois, teriam sorte se encontrassem um ou dois. A partir do décimo terceiro dia, não viram mais ninguém.
— Catapultas — disse o último refugiado que os seus homens capturaram. — Várias delas. Estão derrubando a floresta inteira pra construí-las. E nos fazem trabalhar nelas até a morte. Vi alguns soldados conversando. Disseram que o conde ia pôr os muros abaixo antes do verão terminar.
E agora faltavam apenas três dias para o fim do verão.
O que aconteceu? O conde Essel terminou suas armas de cerco a tempo? Ou o barão Kessel fez alguma coisa? Talvez ele tenha atacado o conde na calada da noite e derrotado suas tropas? Ou será que eles chegaram a algum acordo? Seria possível que a guerra pelo condado Essel tenha terminado?
A carta não dizia nada.
Então percebeu: e se aquelas não fossem de fato as palavras do barão Kessel?
Foi Adrien quem as escreveu. Até onde sabia, os homens do conde Essel o capturaram e forçaram ele a escrever aquela carta. Bem poderia ser uma armadilha.
Talvez esse Asher Lawgard seja um dos vassalos do conde Essel. E por que não? Siegfried utilizou a mesma tática para tomar o Salão Branco. Tudo o que teve de fazer foi se passar por um aliado. Depois que os portões estavam abertos, não teve qualquer dificuldade em render os moradores.
“Pode ser que ele tenha pensado em fazer o mesmo.”
Siegfried amassou a carta e se virou para o seu escudeiro:
— Chame Gelo e os outros. Vamos receber um convidado.
O barão Lawgard chegou dois dias depois.
E não veio sozinho.

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