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    “Você quer ir mesmo atrás dela, Five?”

    Essas palavras marcaram aquele dia. Meu cérebro pensava em mil coisas, e todas pareciam respostas certas para essa situação.

    Tudo teria que ser resolvido uma hora, então, a resposta certa é…

    “Sim, eu quero. Deixe-me com esse trabalho.”

    Queria ter dito não se eu soubesse o que isso me traria. A dor de cabeça seria pior nesse momento!

    — Por que você vai embora, Five? Eu não quero! Você não vai embora, viu! Não vai embora… — Eight se agarrava com todas as forças em meu corpo. — Já vai me abandonar, meu amor? Não quer mais ficar perto de mim, é isso? Tá me traindo, idiota?!

    Braços e pernas se entrelaçando com um único propósito: me manter sentado na cama de meu quarto. 

    — Eight… eu não vou pra morte — respondi, minha voz era quase um sussurro. Ela estava assim há horas, mas nesse ponto nem me importava mais.

    Se ela quisesse me matar… asim já teria feito. Algum dia eu descubro seu objetivo com tudo isso.

    — Eu vou pra morte desse jeito! Como eu vivo sem ficar do seu lado? Quero dizer… Você vai morrer se não ficar do meu lado! — Ela me balançava de um lado para o outro. Os olhos quase chorando, mas algo a impedia.

    — Pensei que você me odiasse… — falei.

    Desde sempre achei que ela fizesse isso apenas para me importunar. Afinal, a benção da Investigação é um nêmesis do Mistério

    Ah… Dane-se!

    — Eu não te odeio — murmurou, fazendo biquinho. Uma lágrima escorreu por seus olhos. — Minhas ações não foram o suficiente para deixar claro o que sinto?

    Que?

    Ela acabou de…

    Olhei diretamente para seus olhos, tendo os meus escondidos pela máscara. Eight parecia ter percebido a situação, tirando-a logo depois.

    — De novo…?

    Nossos olhos se encontraram mais uma vez. Eight abria um leve sorriso, mas carregado de sentimentos.

    O sol batia em seu rosto, iluminando seu melhor lado. Tudo naquela cena parecia belo, muito belo. O vento entrou pela janela aberta do quarto, bagunçando seu cabelo.

    Cheirava a amendoim.

    Pfft!

    Amendoim…

    Combina com ela.

    — Já falei que te acho muito melhor sem essa máscara? — Eight a segurava com as mãos, seus olhos fechados por conta do sorriso que se estendeu por seu rosto. — Eu te a–

    Dei um peteleco na sua cabeça antes que pudesse completar a frase. Eight largou a máscara, deixando-a cair na cama macia.

    — O que você está fazendo? Sabe que não pode fazer isso — disse.

    Não aguentava mais me esconder atrás dessa…

    — Ahhh! Não precisava ser tão mal, assim! — resmungou. Suas mãos se direcionaram à área do peteleco. 

    Incrivelmente, ela não tinha enlouquecido desde a conferência. Vai ver é uma mulher mudada… ou não.

    — Eight — disse —, você poderia me largar?

    — Hmmmmm… — Colocou a mão no queixo com uma expressão pensativa. — Já escutei isso antes, viu! Cê pensa que me engana, mas eu que tô no controle.

    Pfft! — Uma pequena risada escapou de minha boca. Ela percebeu… Óbvio que percebeu.

    Isso foi muita idiotice minha!

    Por que eu soltei uma risada?

    Não… Ela vai pensar que estou zombando de sua cara! Eight, por favor, não enlouqueça!

    Ela abaixou sua cabeça, cobrindo o rosto com cabelo. Apenas o reflexo dos óculos se sobressaíram em minha visão.

    Parecia brava.

    Ou melhor, ela estava brava.

    Nesse ponto, nem tive tempo de suplicar por minha vida ou suar frio de preocupação. Apenas fechei meus olhos e aceitei o destino cruel que me esperava.

    — Agora mesmo que você não vai embora, seu merdinha! Como ousa querer me abandonar? Bosta, merda, filha da ████! Ah… Vai se ████, Five! Você não vai embora ████ nenhuma! — Ela começou a me balançar com mais força.

    Minha visão ficava zonza, enquanto Eight destruía meu ouvido por completo.

    — Eight, Isso dói! — gritei. O complexo tinha essa censura irritante… De alguma forma, era possível perceber suas reais intenções através das palavras.

    A censura mais inútil que já presenciei. É assim que posso classificar.

    — Eu vou com você! — respondeu.

    Após isso, a sala foi inundada com um silêncio constrangedor.

    Eight não estava séria e muito menos triste, apenas um sorriso bobo, como sempre.

    Não, não!

    Ela não pode vir comigo! Isso vai estragar todo o plano. Mas… como eu digo isso para ela?

    — Não vou deixar você procurar uma mulher por aí! Isso é traição, sabia? Você tem que ser meu, só meu! — Eight continuou. Seus olhos fixados ao teto enquanto me balançava.

    Gritos agora inundaram a sala, deixando-a mais animada do que o normal.

    Aah!

    Como eu posso sair dessa situação?

    Não sei se eles permitem dois irem! E se ela for, vai piorar meus planos! Não quero. Não quero mesmo.

    Estava ficando confuso, minha visão ficando turva de tanto ser balançado. O capuz que cobria meu rosto logo caiu para trás, revelando meus cabelos negros.

    Não aguentava mais.

    Se for para ela ir, que se comporte. Não quero ser impedido enquanto concluo meu objetivo… muito menos pela valentona que me intimida diariamente.

    — Tudo bem, eu aceito! Você pode ir! — vociferei. Minha voz sobressaiu seus gritos. 

    Queria me esconder naquele momento… Que vergonha! Será que vão pensar algo de mim após escutar tantos gritos vindo do meu quarto? Não gosto disso!

    — Sério? — Eight parou de me balançar, largando-me lentamente da sua chave de perna. — Você vai me deixar ir mesmo? Pensei que não ia…

    — V-você pode ir, viu? Não t-tenho problemas com isso — disse. Meu rosto estava vermelho, meu corpo? Quente.

    Não aguentava dizer essas palavras, era muito constrangedor, ainda mais sem máscara.

    — Você fica tão bonito assim! Eu realmente te a–

    Levantei num instante.

    Eight caiu para trás na cama, deitando-se na maciez do móvel. 

    Não estava pronto para escutar essa frase, afinal, ela estava vindo de uma intimidadora profissional! Meu coração está em jogo aqui, e eu não gosto disso.

    — Precisamos nos arrumar, Eight. Já que você quer vir comigo, ajeite suas coisas o quanto antes — disse, coçando meus olhos. Tentava retornar a realidade.

    — Hehehehehehehehe… — Ela se perdeu em pequenas risadas. — Vou lá, então. Não se esqueça de mim!

    Seu rosto estava vermelho, muito vermelho. 

    Por que ela estava assim? Ah… Vai saber.

    Seu corpo logo começou a se desmaterializar, como a poeira voando sob o ar. Em questão de segundos, Eight havia desaparecido do meu quarto.

    Essa é uma habilidade tão boa, queria eu ter algo parecido. Imagina poder ir pra qualquer lugar? Nossa, seria bom demais!

    Meu corpo voltava ao normal diante seu sumiço.

    Deixando isso de lado, ainda tenho algumas coisas para resolver.

    Cheguei na cama, pegando minha máscara e colocando no rosto logo após. Minha visão logo esverdeou pela coloração das lentes.

    Ajeitei os limitadores dela, deixando em algo próximo a cem por cento.

    Tossi. 

    — Que droga… Vou ter que pedir pro velho fazer uma nova — resmunguei. Meus olhos se direcionaram ao armário do quarto.

    Andei até o móvel, passos cadenciados e lentos, abrindo-o assim que cheguei ao destino. Passei minhas mãos na borda do guarda-roupa, procurando o botão.

    Estava tão velho… a madeira rangia como nunca. Precisava de uma manutenção nisso urgente.

    Até que escutei um leve clique.

    — Achei.

    Saí do armário, estalando os dedos da mão.

    Estava na hora de trabalhar um pouco mais nesse caso. Todo o mistério que ronda esse mundo é tão intrigante e… impossível de concluir. Se nem Eight tentou encostar um dedo nesse assunto.

    Bem.

    Eu vou para casa a qualquer custo.


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