Capítulo 2: É Por Que Bebi Demais?
Levantei-me, indo em direção ao freezer mais uma vez. Peguei outra cerveja que estava ali dentro. Todas as minhas bebidas estavam indo pro bucho naquela manhã!
Ah, que droga. Tinha que parar com isso.
— Uh… — Movendo um pouco os alimentos, pude ver uma cena ainda mais estranha. — Por que minha carteira está aqui?
…
Por que diabos ela estava no freezer?
— Por acaso eu enlouqueci? Cacete! Que coisa mais estranha de se fazer. Vai ver foi quando estava bêbada ou algo parecido. — Coloquei-a no bolso, sentindo o gelado em minha calça. Minha espinha arrepiou! — Será que Aisha esteve em meu apartamento? Faz um pouco de sentido… Lembro-me de ter dado a minha segunda chave para ela. Ou será que foi pro Oliver?
Ah, que se dane! Estava cansada demais para ficar pensando nessas coisas.
Fui andando até a mesa, um passo de cada vez. Contando a cada levantada de pé que o caminho precisava.
No final de tudo, foram 7 passos até a mesa. Incrível, não é? Alguns diriam que minhas ações são idiotas, mas não passam de pessoas loucas.
Assim que me sentei, pus meu celular ao lado, pegando uma papelada que havia em cima do móvel.
— Ainda está incompleto… Vou lembrar alguma hora de terminar essa bomba — disse, jogando os papéis para longe.
“Plim!”
Virei meu smartphone, esperando receber alguma notícia boa. Talvez um “Você ganhou na Mega-Sena!”, ou… “Um rico te deixou dinheiro e uma viagem para as Maldivas. Venha receber”?
— O que é isso…? — indaguei, olhando para a notificação que acabara de chegar em meu celular. — “Você está demitida.”
Mas que merda!
Era uma mensagem privada do chefe, informando meu desligamento total daquele supermercado. Por mais que eu já quisesse me demitir, eles não poderiam fazer isso!
Perde toda a graça se eu não fizer essa parte… Argh!
— Não foi por justa causa, então, devo ganhar alguns dinheiros com isso… Ehehe…
Logo após, abri outra latinha.
Passou-se muito tempo e continuei nessa. Abrindo latas e tomando-as quase no mesmo instante. Tinha certeza de que era forte para bebidas!
…
Eu achava só.
[●●∘∘∘∘∘∘∘∘ 20%]
De repente, um holograma apareceu em minha frente. Algo que só via em filmes! Quero dizer… alguns animes também.
— Bebi demais? Tô vendo umas paradas meio estranhas agora! — disse, olhando para a estranha tela. — Bizarro, não é, Juninho?
A vassoura se chamava Juninho… Que nome ridículo para se dar a um objeto. Em principal quando se está bêbada!
— “20%”? Que bizarro. Essa é a porcentagem do quão embriagada estou? — perguntei, bebendo um pouco mais da cerveja. — Acho que os nerds chamam essa bosta de sistema… Hehehe…
O holograma desapareceu após alguns segundos, sem nem me dar chances de colocar o dedo naquela coisa. Imagina se me dá alguns poderes meio loucos?
— Ah… Eu gostaria de controlar o metal. Imagina que foda seria modificar todos os metais nessa sociedade baseada neles? — Dei algumas risadas de canto. — Só estou louca mesmo! Deveria parar de beber um pouco.
Levantei da mesa, indo em direção ao banheiro. Era pequeno, mas muito confortável. Nele continham uma pia, o vaso sanitário e um box com chuveiro.
Não havia nada melhor, viu? Era mais fácil de limpar!
Peguei minha escova de dentes, colocando a pasta nela. Aquele processo era muito chato, ainda mais quando via seis escovas e sete pastas de dente.
— Hehe… Que quantidade engraçada — disse, enquanto escovava minha boca. — Devo dizer isso aos meus amig–
Ah…
Foi nesse momento que lembrei o que havia acontecido. Minha memória não estava muito boa esses dias, mas esquecer algo assim?
Só de pensar nisso, fiquei sóbria. Toda a sensação de embriaguez havia sumido em segundos, e tudo que havia ficado era um gosto amargo na boca.
— O acidente de carro. É mesmo…
Que droga.
Que droga!
Que droga, que droga, que droga!
Joguei fora o excesso, limpando minha boca com água. Gargarejando e repetindo o processo mais uma vez.
A toalha já estava no banheiro, o que me poupou bastante tempo. Logo, estava decidida a banhar naquele momento.
Foi algo rápido, apenas para enxergar um pouco as mágoas em uma água quente. O suficiente para me deixar mais calma depois de uma flechada em meu coração.
Apenas para dizer para ele que não foi minha culpa.
O espelho já estava todo borrado após o vapor quente inundar todo o cômodo.
Me aproximei com passos calmos, olhando para minha cara manchada. E, em movimentos lentos, limpei o espelho numa linha.
O rosto apareceu.
Era… feio olhar pra ele todos os dias.
— Não gosto dessas marcas. Elas já me trouxeram tanto terror — murmurei. — Ah…
O silêncio.
O silêncio de estar sozinha.
Ninguém falava além de mim. Ninguém queria falar comigo além de mim mesma.
Mas eles falariam.
Espero que estejam em um lugar melhor agora.
— É. Talvez eu não entre no mesmo lugar que vocês — disse, indo em direção ao quarto.
Nele, acabei vestindo uma roupa confortável que havia encontrado. Camisa branca social e um colete por cima.
Algumas pulseiras e brincos foram postos em meu corpo, deixando apenas o óculos que gostava de usar na estante.
Hoje não usaria. Tem looks melhores que esse…
— Bem, vamos nessa! Sem pensar tanto no passado. — Sorri, olhando para a foto que estava pendurada na parede.
Três pessoas juntas.
“Amo vocês, seus bobos!”, era a mensagem que estava logo abaixo. Adorava esse lado de Aisha.
Seus presentes eram os melhores.
E, por fim, saí do quarto, sem olhar para trás.
A rua era barulhenta. Os carros andando para lá e pra cá só me deixavam muito mais irritada que o normal.
Mas o que poderia fazer? Nada, não é!? Isso é frustrante!
Escutar as buzinas da cidade e as gritarias no trânsito não era tão agradável. Ainda mais quando sou uma pedestre!
Deveriam inventar um isolante sonoro para as ruas. Os cientistas deveriam anotar essa ideia, sério.
Ou talvez eu devesse me tornar a cientista que vai transformar isso em realidade…?
Hmmmm…
Não me parece ser uma péssima ideia.
A parada se localizava próxima ao bloco de apartamentos. Não podia pedir coisa melhor! Pegar o ônibus perto de casa era um conforto em tanto.
Imagina agora na volta? Muito mais incrível. Milhões de vezes mais!
Assim que cheguei à parada, sentei-me no banco, esperando o ônibus chegar. Não sabia se estava próximo ou se estava longe, só tinha uma única certeza nisso tudo: o dia seria bom.
Se a manhã foi ruim, todo o resto seria perfeito. Essa é a regra! O universo nunca desrespeitou ela, sabe?
— Espera um segundo… E se aquela tela de sistema for real? — pensei alto sobre minha breve alucinação. — Nah! Com certeza era só uma alucinação.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.