Capítulo 105: Pura Felicidade
A manhã avançava lentamente, diferente da minha mente que não parava.
Os últimos dias tinham sido… diferentes, de algum jeito.
Escrevendo e procurando novas ideias para a minha história. Uma jogada ocasional com Seiji e Rintarou. Conversas no grupo da turma sobre uma possível saída antes do Natal chegar… e, me acostumar com a presença do meu pai em casa.
Nada parecia fora do lugar, mas mesmo assim eu não conseguia me concentrar na história à minha frente.
Claro, tinha um motivo pra isso.
Eu estava sentado na escrivaninha, o computador piscando a tela do documento, repleta de ideias soltas que precisavam ser ligadas. No entanto, meu olhar ainda se desviava para a tela do celular ao lado.
Eu esperava… ansiosamente por uma mensagem.
Suspirei, passando a mão pelo cabelo e me encostando na cadeira. Já faltava pouco para o Natal. Sabia que as revistas seriam distribuídas pelas bibliotecas e lojas antes da data marcada, para estarem disponíveis no tempo certo.
E só de pensar nisso, meu coração acelerava.
No entanto, nenhuma mensagem dele chegava.
Uma mensagem de Arata.
Arata, junto do patrão, disseram que eu poderia tirar uma folga vez ou outra, visto que eu… tinha me tornado um escritor… de verdade. Claro, ainda precisava aparecer por lá e coisas assim, mas isso me deixava sem saber quando a nova remessa de livros e revistas chegaria.
Apenas Arata…
— Vou pegar algo pra beber… — murmurei pra mim mesmo, levantando da cadeira.
No entanto, parei no meio do caminho quando ouvi algo apitar.
Meu celular.
Meu corpo congelou, e logo senti uma mistura de expectativa e reconhecimento.
Por um lado, poderia ser realmente uma mensagem de Arata, dizendo que já estava disponível. Mas por outro… poderia ser Seiji me chamando pra jogar com ele.
Respirei fundo, e peguei o celular.
“Por favor…”
Liguei a tela, e o nome de Arata brilhou.
— Finalmente…! — exclamei, sentindo meu coração disparar e as mãos tremerem de leve. Desbloqueei a tela e rapidamente abri a mensagem.
“Pode vir! Acabou de chegar!”
Um sorriso involuntário cresceu no meu rosto. Esperei tanto tempo por aquilo… e finalmente tinha chegado. Minha barriga gelou, mas meu peito aqueceu.
Sem pensar muito, peguei um casaco correndo, peguei as chaves e enfiei rapidamente no bolso e desci as escadas. Meus pais e Hana estavam na sala, vendo TV, e pareceram confusos e surpresos com a minha pressa pra sair.
Mas não tinha tempo pra explicar.
— Tô indo! — disse, já abrindo a porta.
O vento gelado me envolveu, mas não ligava pra isso. A única coisa que sentia era felicidade misturada com o som do meu coração batendo intensamente.
Eu iria ver…
Eu realmente iria ver.
Comecei a correr levemente, ainda com o sorriso bobo no rosto. O céu estava levemente cinza, o vento gelado espalhando as folhas pelo chão, que eram pisadas rapidamente por mim.
“Rápido… rápido…”

Após algum tempo correndo, finalmente cheguei na biblioteca. Pousei a mão na maçaneta gelada, tentando recuperar o fôlego, e, enquanto isso, meu olhar escapou para dentro.
Alguns clientes se preparavam para sair, e Arata, junto de outro funcionário, os atendiam com o típico sorriso no rosto.
Após recuperar o fôlego, girei a maçaneta, entrando no local. O ar quente da biblioteca me envolveu, contrastando com o frio de fora, e aquilo me disse que ela tinha chegado.
A hora da revista tinha chegado.
Ele olhou para mim, após despedir dos poucos clientes que passavam por ali, e piscou. Ele foi até a sala dos fundos, onde normalmente passávamos as pausas, e trouxe de lá uma caixa de papelão.
Eu me aproximei do balcão, o coração acelerando cada vez mais.
— É isso aqui. — Arata pousou a caixa no balcão, encostando o cotovelo nela.
Eu me sentia nervoso.
Mesmo tendo visto o exemplar teste da revista com Shihei, aquilo era… a coisa real. A revista verdadeira. A que todos poderiam comprar, ler, folhear… comentar.
E só de pensar nisso, meu rosto esquentava.
— A revista… tá aí dentro… — murmurei.
Arata parecia ter escutado, e, com um sorriso, se preparava para abrir a caixa. Até que fomos interrompidos pelo sino da porta, indicando que algum cliente havia chegado.
O ar frio envolveu rapidamente a biblioteca, enquanto algumas pessoas entravam.
— Caramba, que frio!
— Não é? Mas ainda bem que aqui dentro tá quentinho…
— Silêncio, estamos em uma biblioteca…
Virei o rosto lentamente, reconhecendo aquelas vozes familiares.
Não podia ser.
— O quê…!?
Rintarou.
Seiji.
Kaori.
Entraram com um sorriso, olhando ao redor, enquanto limpavam os pés no tapete da entrada. Eu fiquei surpreso. O que eles estavam fazendo ali?
Justo naquele momento?
— Mas o que que… como vocês sabem desse lugar? — perguntei, genuinamente surpreso.
Foi então que Seiji abriu aquele sorriso idiota.
— Isso é segredo.
Kaori riu baixo, em seguida, fazendo um sinal de silêncio.
— Você não precisa saber — disse, dando uma risada junto de Seiji. E Rintarou apenas suspirou.
Olhei de volta para Arata, que apenas piscou pra mim, como se ele tivesse combinado com eles pra aquele momento.
Mesmo que não se conhecessem…? Como eles realmente chegaram ali? Espera, eles já se conheciam?
Eram tantas perguntas, mas decidi ignorar elas… pelo menos durante aquele momento.
Os três se aproximaram de mim, perto do balcão, e logo voltei ao nervosismo e ansiedade inicial. Nós encaramos a caixa, e Arata, que abria a caixa com bastante calma, e então… retirou a revista.
A revista.
Ela estava ali.
Arata pousou ela na mesa, afastando a caixa de lado, e eu fiquei hipnotizado. Todos nós ficamos em um silêncio, como se todos admirassem a revista e a sua beleza.
Eu quase nem respirava.
Mesmo já tendo visto antes… mesmo já sabendo que adicionariam mais detalhes… era tudo tão perfeitamente feito.
Arata empurrou levemente a revista pra mim.
— É toda sua — disse, dando um pequeno sorriso.
Eu olhei para ele, surpreso, e então voltei o olhar pra revista. Engoli em seco, os dedos tremendo levemente ao tocar a capa firme da revista. E então, lentamente, virei a primeira página.
Eu vi.
E o mundo ao meu redor desapareceu. Eu congelei.
Ali estava. O meu nome. Meu trecho da história. Uma pequena entrevista que havia dado no dia do concurso.
Tudo.
Era tudo tão… mais detalhado, bonito e real, do que quando Shihei me mostrou o exemplar.
“Eu… não…”
Meus olhos começaram a arder, a visão ficando levemente embaçada. Meu rosto queimava e… minha garganta apertou.
Era tudo tão… perfeito, e eu estava ali, no meio disso.
Eu ainda não conseguia acreditar.
E então… o mundo voltou, junto das vozes deles.
— Cara…! — Seiji praticamente gritou, dando um tapa nas minhas costas que me fizeram ir levemente pra frente. — Você conseguiu mesmo! Isso tá incrível, Shin!
— Parabéns, Shin. Você realmente merece tudo isso — disse Rintarou, com um sorriso genuíno e raro no rosto.
— Só não esquece da gente quando ficar famoso… — Kaori disse, rindo enquanto cutucava meu rosto.
— E a primeira página ainda…? É melhor já pedir um autógrafo antes que se esqueça mesmo da gente. — Arata disse, rindo mas parecendo… orgulhoso.
As vozes deles se misturavam, me cercando. Eu olhei para o rosto de todos, havendo um sorriso na cara de cada um.
“Droga. Não vou conseguir segurar…”, pensei, olhando levemente para o teto.
E eu… só queria conseguir absorver aquele momento.
Meu nome estava ali, na primeira página, junto de autores que eram admirados por todo país. Minha história… impressa, ao lado deles.
Não só isso, mas mais importante, eles estavam comigo. Meus amigos me apoiaram durante todo o processo. E eles estavam tão felizes quanto eu.
Apertei a revista, sentindo o papel levemente rígido, apenas para confirmar para mim mesmo que era real.
Eu me sentia… tão feliz.
Foi nesse momento que, senti algo pulsar dentro de mim. E eu não consegui segurar.
Aquela voz alta e clara, que surgiu após o calor no meu peito.
— Eu consegui! — minha voz ecoou pelo local, mais barulhenta do que deveria…
“Ah.”
Houve um momento de silêncio na biblioteca. Todos me encaravam, com surpresa evidente no meu rosto.
Foi então que senti a vergonha queimar dentro de mim….
“Que embaraçoso…”
— A-ah… desculpa, foi só… — comecei, mas logo fui cortado.
Fui interrompido pela risada e energia deles, que me envolveu completamente.
— Seu idiota! — Seiji me puxou, bagunçando meu cabelo.
— Deixa de ser bobo! Você merece isso! — Kaori sorriu, sincera.
— Exato. — Rintarou completou. — Estou realmente orgulhoso de você.
Olhando para eles ao me redor, enquanto Seiji ainda bagunçava meu cabelo, sentia nada mais que gratidão por ter eles ao meu redor. Vendo o rosto de todos ali, olhando para mim, fez meu peito ser preenchido por algo que mal conseguiria descrever.
Mas se tentasse dizer, seria algo como…
Pura felicidade.
Seiji interrompeu o momento, parando de bagunçar meu cabelo, e logo ergueu a mão.
— Bora ir comemorar agora mesmo! — disse, animado, envolvendo seus braços ao redor do meu pescoço.
— Vamos ir comer algo! Que tal um bolo!? Ou talvez um… — Kaori começou a pensar.
Rintarou assentiu, rindo baixo, e Arata sorria também ao ver todos animados.
Meu olhar, novamente, foi até a revista. O reflexo da luz na minha página parecia brilhar mais forte do que antes.
Ah…
Era isso…
Eu sentia que tudo estava no seu devido lugar. O mundo inteiro… estava onde deveria estar.
E então, me lembrei das palavras dele.
Isso tudo… era apenas o começo de algo muito maior.

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