Capítulo 83 - Escorpião (2/3)
Assim que todos os preparativos foram concluídos, Zach e Zorian foram até o endereço que Quatach-Ichl havia fornecido para contatá-lo.
Eles já haviam discretamente verificado o local mais cedo e sabiam que se tratava apenas de uma pequena loja de esquina aparentemente inofensiva. O antigo lich nunca lhes havia dado nenhuma frase secreta ou método de contato, então eles estavam um pouco intrigados sobre o que deveriam fazer ao chegar lá. Bastava chamar por Quatach-Ichl pelo nome? No entanto, acabou que não precisaram se preocupar. O homem atrás do balcão pareceu saber imediatamente quem eles eram e o que eram no momento em que os viu. Ele os direcionou para uma porta que dava para o depósito, que na verdade não era um depósito, onde Quatach-Ichl já os aguardava. Seu esqueleto negro, com aparência metálica, estava sentado em uma cadeira em um canto da sala, tamborilando os dedos no osso da perna e observando-os enquanto se aproximavam.
Bem. Isso foi meio assustador. Como diabos o lich sabia que eles estavam vindo? Certamente ele não havia passado o dia inteiro ali, só por precaução, caso eles resolvessem aparecer…?
“Nossa, você estava nos esperando esse tempo todo?” Zach disse em voz alta, chamando a atenção para o fato de forma direta. “Nós realmente devemos significar muito para você.”
“Deixei um corpo reserva aqui e ‘saltei para dentro’, por assim dizer, quando fui informado de que vocês viriam”, disse Quatach-Ichl, levantando-se da cadeira e fazendo alguns gestos casuais no ar. Uma nuvem de ectoplasma se condensou rapidamente ao redor dos ossos negros e então se solidificou em uma forma carnosa familiar. Ele sorriu levemente para eles. “Mesmo assim… admito que estava ansioso por isso. Depois de falar com vocês naquele dia, não pude deixar de verificar algumas coisas e devo dizer que vocês são ainda mais incomuns do que eu imaginava.”
“Ah, é?” Zach respondeu.
“Por exemplo, não há nenhuma evidência de que vocês sejam algo além de adolescentes humanos comuns”, disse Quatach-Ichl. “Antes de ver vocês de perto, pensei que fossem metamorfos ou entidades possessoras em corpos de adolescentes. Mas, tendo visto como suas almas se encaixam perfeitamente em seus corpos, posso descartar essa hipótese. Também consegui observar melhor o que vocês estão fazendo e devo dizer… vocês são ainda mais capazes do que eu imaginava. É realmente curioso que tenham conseguido acumular tanta habilidade mágica, dinheiro e contatos sendo tão jovens… e, ainda mais importante, passando despercebidos por quem está de olho nessas coisas.”
“Bem, essas pessoas claramente não são muito boas no que fazem, porque alguém conseguiu organizar uma invasão inteira bem debaixo do nariz delas”, disse Zach, com ironia. “Em comparação, ignorar um casal de adolescentes precoces é fichinha, não acha?”
“Ha! Tem muita verdade no que você está dizendo”, riu Quatach-Ichl. “A segurança por aqui é terrível. Mesmo assim, a única razão pela qual conseguimos realizar isso é que temos muitas autoridades locais infiltradas e que eu secretamente cuido de… elementos problemáticos. Não somos completamente indetectáveis como vocês dois parecem ser. Além disso, estamos operando de uma maneira ‘impossível’, usando magias que ninguém sabe que são possíveis, e só recentemente intensificamos nossas atividades para o nível atual.”
“Nós também”, apontou Zach. “Se vocês têm observado nossas atividades tão de perto quanto alega, certamente percebeu que só começamos a intensificar nossas ações depois de ver vocês fazerem o mesmo.”
“Essa é uma forma curiosa de colocar as coisas”, disse Quatach-Ichl, inclinando a cabeça para o lado em um gesto interrogativo. “Pelo que eu posso perceber, vocês não apenas intensificaram suas atividades… é mais como se vocês mal existissem até algumas semanas atrás. E muitas das coisas que vocês estão buscando não têm nenhuma conexão concebível com o objetivo de nos deter.”
Houve um breve silêncio enquanto ambos se estudavam em silêncio, analisando as reações um do outro.
“Bem”, disse Zorian por fim. “Espero que não espere uma resposta nossa a esse respeito.”
“Oh, não, claro que não”, disse Quatach-Ichl, balançando a cabeça. “Só estou pensando alto, só isso. Então. Presumo que vocês tenham uma proposta para mim, certo?”
“Sim”, Zach assentiu. “Queremos que você nos ajude a invadir o tesouro real de Eldemar e recuperar o artefato imperial que está guardado lá.”
Quatach-Ichl lançou-lhes um olhar incrédulo.
“Certo, vocês me pegaram”, disse ele depois de um segundo. “Honestamente, eu não esperava por isso.”
O que se seguiu foi uma exaustiva sessão de perguntas e respostas de duas horas, na qual Zach e Zorian tentaram provar ao antigo lich que não estavam loucos por tentar realizar tal feito. Eles mostraram a Quatach-Ichl as diversas plantas do edifício e outras informações que haviam reunido sobre o tesouro real no passado, salientando que já haviam realizado a maior parte do trabalho e que só precisavam da ajuda dele para superar alguns obstáculos finais.
Eles também não estavam mentindo. Na verdade, já sabiam como contornar a maior parte das defesas sem serem detectados; era apenas que o trecho final era extremamente bem guardado e praticamente impossível de ser transposto em segredo. Pelo que sabiam, qualquer abertura do tesouro era automaticamente um grande acontecimento e disparava um alarme para os responsáveis por sua defessa. Isso valia até mesmo quando os membros da realeza entravam. Acontece que as aberturas oficiais eram sempre anunciadas com bastante antecedência, então os guardas sabiam que podiam ignorar o alarme nessas ocasiões. Portanto, Zach e Zorian precisavam forçar a entrada a partir de um certo ponto, permanecer lá dentro tempo suficiente para encontrar e pegar a adaga e, então, escapar sem ficarem presos. Isso estava além de suas capacidades no momento, mas se tivessem a ajuda de alguém do nível de Quatach-Ichl, talvez fosse o suficiente para que tivessem sucesso.
Quatach-Ichl inicialmente achou a ideia de atacar o tesouro real estúpida e fadada ao fracasso. Ele chegou a acusá-los de tentar induzi-lo a sabotar seu próprio plano de invasão, chamando a atenção para si dessa maneira. Contudo, a ganância era uma motivação poderosa e, quando Quatach-Ichl percebeu que a invasão tinha grandes chances de ser bem-sucedida, começou a considerá-la seriamente.
Havia um grande problema nas negociações, é claro. Ambos os lados queriam a adaga imperial. Sem dúvida, o tesouro real continha todo tipo de tesouro e documentos valiosos, mas poucos eram tão inestimáveis quanto a adaga. Quatach-Ichl vivera por mais de mil anos e possuía todo o dinheiro e riqueza material que pudesse desejar. Alguns dos outros artefatos guardados lá dentro poderiam ser interessantes, mas não era garantido, e eles não teriam tempo para vasculhá-los e escolher os melhores. Não importava o que oferecessem, Quatach-Ichl não cederia nem um pouco. Para ele, tanto fazia se levassem qualquer outra coisa do tesouro, contanto que ele obtivesse o que realmente importava: a própria adaga imperial.
Na verdade, tudo fazia parte do plano. Zach e Zorian sempre souberam que Quatach-Ichl não aceitaria um acordo que envolvesse abrir mão de um artefato imperial. Aliás, Zorian suspeitava fortemente que Quatach-Ichl os atacaria assim que estivessem do lado de fora para reivindicar também o orbe imperial. Contudo, desde que conseguissem invadir o tesouro real propriamente dito, pouco lhes importava. Mesmo que não conseguissem arrancar a adaga e a coroa das mãos do lich, tudo teria valido a pena. Isso porque entrar no tesouro lhes daria a chance de analisar a pedra de proteção principal que protegia todo o complexo, o que, com sorte, permitiria que contornassem as defesas no futuro.
Assim, eles finalmente concordaram, ‘a contragosto’, em deixar Quatach-Ichl reivindicar a adaga em troca do direito de preferência sobre tudo o mais que encontrassem lá dentro.
Quatach-Ichl lançou-lhes um olhar estranho depois disso, permanecendo em silêncio por um tempo, antes de repentinamente se tornar mais jovial e elogiá-los por sua ‘atitude sensata’. Meia hora depois, fecharam um acordo e combinaram de se encontrar em dois dias na Cidade de Eldemar…
* * *
Zach e Zorian caminhavam calmamente pelo corredor do tesouro, escoltados por quatro guardas de semblante pétreo. Ignoraram os guardas e funcionários que ocasionalmente encontravam pelo caminho, comportando-se como se sua presença fosse completamente natural. Três vezes encontraram campos de detecção invisíveis que teriam alertado os supervisores das alas mais adentro do complexo do tesouro, e Zorian levou menos de dois minutos para subvertê-los e permitir sua passagem sem alertar ninguém. Depois de um tempo, encontraram um posto de segurança com alguns magos e soldados armados. Zach cumprimentou o grupo casualmente, enquanto Zorian exibia um crachá de acesso diante de seus rostos sem dizer nada. Os guardas os encararam com olhares inquisitivos e incertos, mas não os barraram. Não havia nenhuma visita oficial ao tesouro agendada, mas o grupo estava sendo escoltado por guardas e portava o símbolo da autoridade real. O grupo prosseguiu.
Quatach-Ichl seguiu os dois, observando tudo com curiosidade. Depois que eles se distanciaram um pouco do posto de segurança, ele decidiu se pronunciar.
“O mistério aumenta”, comentou, lançando um olhar para os quatro guardas que marchavam ao lado deles. “Esses guardas que você dominou para nos ajudar demonstram muito poucos indícios de que estão sendo manipulados. Nenhum movimento brusco, nenhuma hesitação… além de estarem um pouco sérios demais, não há nenhuma pista de que estejam sendo controlados por outra pessoa. Eu não fazia ideia de que você era um mago mental tão capaz. Se você tem tais habilidades, não seria mais fácil manipular alguém com acesso legítimo a este lugar para recuperar secretamente a adaga para você?”
“Impraticável”, disse Zorian simplesmente. Ele não queria explicar que sua habilidade de controlar pessoas era bastante limitada. Podia ser um poderoso mago mental, mas nunca se esforçara muito para descobrir como executar esse tipo de compulsão de longo prazo. Até mesmo as araneas consideravam esse tipo de ‘edição mental profunda’ sinistra e repulsiva, quanto mais ele próprio. Sua especialidade era combate telepático e leitura de memórias, não escravização.
“Sabe, Ulquaan Ibasa tem leis muito mais flexíveis em relação à magia mental do que qualquer outro país do continente”, comentou Quatach-Ichl com leveza.
“Você está mesmo tentando me recrutar numa hora dessas?” perguntou Zorian, incrédulo.
“Só estou apontando que suas habilidades seriam muito mais valorizadas se você emigrasse para lá”, Quatach-Ichl deu de ombros.
Zorian não respondeu nada. Logo chegaram ao ponto sem volta — a porta que não podia ser aberta sem colocar todo o tesouro em alerta máximo.
Até mesmo abrir a porta não foi fácil. Ela era incrivelmente robusta, assim como as paredes às quais estava presa — não podiam ser derrubadas com força bruta nem arrancadas das dobradiças. Eram necessárias duas chaves para abri-la, nenhuma das quais podia ser obtida com segurança, e usá-las exigia a presença do Tesoureiro-Chefe, que precisava desativar as proteções locais para que as chaves funcionassem. Mesmo que tudo fosse feito corretamente, o alarme de abertura do tesouro ainda soaria, e os defensores invadiriam o local para ver o que estava acontecendo se nenhuma abertura estivesse programada para o dia.
Havia outras entradas para o tesouro real, incluindo uma ‘secreta’ que podia ser acessada através da masmorra, mas todas eram igualmente bem defendidas.
No momento, a única solução que Zach e Zorian tinham para aquela porta era atacar as barreiras locais até que elas dissipassem e então usar as cópias das duas chaves que haviam produzido anteriormente para abrir a porta. O que funcionou mais ou menos, mas as proteções locais não eram brincadeira. Derrubá-las era um processo muito demorado para os dois, deixando-os com pouca mana e cercados por todos os defensores do prédio.
“Precisaremos da sua ajuda aqui, como combinado”, disse Zorian ao antigo lich.
Quatach-Ichl apenas assentiu distraidamente, estudando a porta à sua frente.
Então eles começaram. Os três começaram a atacar o sistema de proteção, subvertendo, anulando e repelindo o campo defensivo. Zach e Zorian já eram muito bons em derrotar proteções, mas Quatach-Ichl os superou completamente… e não apenas por causa de suas monstruosas reservas de mana. Sua habilidade em desmantelar defesas mágicas era incrível. Em retrospectiva, provavelmente não era tão incomum. O lich estava vivo há mais de mil anos. Ele provavelmente tinha um conhecimento profundo e sofisticado sobre todas as formas de magia existentes.
O sistema de proteção não aceitou a agressão passivamente. Era o tipo de proteção que revidava ativamente contra os atacantes e os repelia incessantemente. Ondas de pressão telecinética e temperaturas extremas os assaltavam, uma estranha luz iridescente tentava fazê-los dormir e azulejos decorativos próximos explodiam em nuvens de lâminas minúsculas. Eles permaneceram impertubáveis. Zach e Zorian sabiam da existência dessas defesas antes mesmo de começarem, e os três eram capazes de se defender facilmente de ataques desse nível.
A essa altura, todo o tesouro estava em alerta máximo e os primeiros defensores começavam a se aproximar em alta velocidade. Zach estava prestes a direcionar parte de sua energia para lidar com eles quando Quatach-Ichl casualmente moveu o braço para trás e disparou um daqueles raios vermelhos irregulares que ele tanto gostava de usar no teto atrás deles. Ele deve ter atingido algo crítico, porque toda a seção do corredor desabou imediatamente, cobrindo tudo com uma densa nuvem de poeira e cascalho e isolando-os da primeira onda de defensores que se aproximava.
“Distrações inúteis”, disse Quatach-Ichl secamente. “Apenas concentrem-se nas barreiras.”
As barreiras não duraram muito tempo depois disso. Assim que desapareceram, Zach e Zorian inseriram as chaves na porta, que começou a se abrir lentamente com um rangido pesado. Não havia como acelerar o processo, mas eles não precisavam esperar que a porta se abrisse completamente. No momento em que uma pequena fresta se formou entre a porta e a parede, Quatach-Ichl usou algum tipo de magia dimensional estranha para distorcer a abertura resultante, transformando-a em um portal do tamanho de um homem. Zorian decidiu que realmente precisava aprender aquela magia. Ser capaz de se espremer até mesmo pela menor das aberturas era realmente impressionante.
Assim que conseguiram passar, depararam-se com outro problema. Um par de golens enormes e corpulentos, feitos de algum tipo de material preto brilhante, bloqueava seu caminho. Ambos empunhavam armas estranhas semelhantes a espingardas que disparavam teias metálicas em vez de balas e eram incrivelmente resistentes. Era evidente que haviam sido projetados para manter os intrusos ocupados, e não para matá-los, então Zorian achou que não seria uma boa ideia tentar enfrentá-los.
Ele ativou o orbe do palácio, retirou um par de golens enormes e os enviou para manter os golens do tesouro ocupados enquanto continuavam.
“Design interessante de golens”, comentou Quatach-Ichl. “Não reconheço o fabricante.”
Depois de pensar um pouco, Zorian decidiu que queria se gabar um pouco.
“Eu os fiz”, admitiu.
“Ah, é? Um homem de muitos talentos, vejo”, disse Quatach-Ichl. “Devo admitir que sempre achei que a criação de golens fosse necromancia para gente medrosa, mas os avanços recentes nessa área são impressionantes. Talvez eu encomende algum trabalho seu no futuro.”
O tesouro em si não era apenas um salão gigante repleto de moedas de ouro e artefatos mágicos inestimáveis, como Zorian havia imaginado. Em vez disso, consistia em inúmeros cofres individuais, cada um com sua própria porta reforçada que precisava ser arrombada para se obter o conteúdo. Nada estava claramente identificado, o que significava que encontrar algo específico era uma tarefa árdua, a menos que se soubesse exatamente para onde ir. Como Zach e Zorian tinham um marcador que lhes permitia sentir a localização da adaga, não demorou muito para que conseguissem encontrá-la. Quatach-Ichl a reivindicou imediatamente para si, lançando-lhes um olhar desafiador. Os dois não tinham a menor intenção de lutar contra o lich pela adaga. Ou pelo menos não naquele lugar.
De qualquer forma, aquela adaga não era a única coisa que eles queriam daquele lugar. Eles também queriam localizar a pedra de proteção principal daquele lugar e não custava nada destruir mais alguns cofres para ver se havia algo particularmente interessante lá dentro. Ambos criaram alguns simulacros e os espalharam por todo o lugar… mas foram pegos de surpresa quando Quatach-Ichl criou simulacros suficientes para acompanhar cada um deles.
Aparentemente, ele não confiava neles nem para que mantivessem seus simulacros fora de vista. Ou talvez ele estivesse apenas muito curioso para saber o que eles estavam tramando. De qualquer forma, eles decidiram não fazer disso um grande problema e simplesmente continuaram seu trabalho.
Eventualmente, eles conseguiram encontrar a pedra de proteção principal. Ela estava escondida sob o piso de metal e protegida da maioria das adivinhações, mas Zorian conseguiu rastreá-la mesmo assim. Ele não teve tempo suficiente para estudá-la em detalhes, e ela não podia ser movida sem ser destruída, mas mesmo esse breve exame lhe deu muitas ideias para o futuro. A pedra de proteção do tesouro era uma verdadeira obra de arte, e Zorian definitivamente pretendia voltar para examiná-la mais algumas vezes.
Quanto aos cofres, eles continham todo tipo de riqueza, materiais raros e itens misteriosos… mas era realmente difícil descobrir o que era útil para eles e o que não era no pouco tempo que tinham. Acabaram empilhando tudo o que recuperaram no orbe do palácio para estudo posterior e simplesmente se esqueceram deles por enquanto.
“Esse orbe é muito maior e mais conveniente do que eu imaginava”, ponderou o simulacro de Quatach-Ichl distraidamente ao lado. “Acho que subestimei um pouco sua utilidade.”
Quatach-Ichl, na verdade, tinha seus próprios contêineres dimensionais de bolso, mas eles eram aparentemente muito menos espaçosos do que os deles, o que significava que ele tinha que ser muito mais seletivo sobre o que levar do local.
É claro que os guardas e militares de Eldemar estavam longe de ficar ociosos enquanto faziam isso. Em menos de cinco minutos, eles conseguiram romper o corredor que havia desabado e se depararam com quatro golens gigantes lutando entre si no meio do corredor, e então a batalha começou.
Sinceramente, eles provavelmente ficaram tempo demais dentro do tesouro. Muitas forças invadiram o local, tornando muito difícil para eles abrirem caminho e escaparem. Eles não podiam simplesmente abrir um portão para o exterior com o truque do simulacro, porque aparentemente as proteções do tesouro eram eficientes o suficiente para impedir essa ideia. A pedra de proteção era muito resistente para ser destruída em um tempo razoável. Se fossem apenas Zach e Zorian, este poderia muito bem ter sido o fim desta tentativa de reinício.
No entanto, eles tinham Quatach-Ichl ao seu lado, e ele aparentemente já havia preparado um plano de contingência para esse tipo de situação.
O único aviso que Zach e Zorian receberam sobre o que estava prestes a acontecer foi quando sons de gritos e detonações distantes começaram a ecoar ao longe, como se os defensores do tesouro estivessem lutando contra outro inimigo do lado de fora, além deles. Antes que pudessem perguntar a Quatach-Ichl o que estava acontecendo, uma parede próxima desabou quando uma enorme esfera de ossos metálicos negros a atingiu em cheio, esmagando-a sob seu peso.
A esfera rapidamente se desenrolou, revelando um grande esqueleto crocodiliano que varreu o espaço próximo com sua cauda, arremessando os defensores do tesouro para longe como se fossem brinquedos de madeira. Bolas de fogo, lâminas de força, raios de desintegração e uma grande variedade de granadas choveram sobre ele imediatamente em seguida. Alguns ataques até chegaram a causar dano.
Mas era tarde demais. Antes que seus ataques pudessem causar mais do que arranhões superficiais, a criatura avistou Quatach-Ichl e avançou em sua direção.
“Por favor, me diga que é um amigo”, disse Zach.
“Ha! Você pode dizer que é uma espécie de animal de estimação”, riu Quatach-Ichl. “Pule nele quando se aproximar e segure firme. Se soltarem, estarão por conta própria. Não há chance de eu voltar para buscar vocês.”
Se alguém tivesse dito a Zorian alguns anos antes que ele estaria cavalgando pelas ruas de Eldemar nas costas de um crocodilo esquelético gigante, depois de ter roubado o tesouro real na companhia de um lich milenar… bem, ele teria dito que essa pessoa tinha uma imaginação fértil demais. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu. Zach, Zorian e Quatach-Ichl conseguiram escapar do tesouro enquanto cavalgavam o ‘animal de estimação’ do lich e simplesmente continuaram avançando. No final, o pobre crocodilo acabou se desfazendo, tendo se sacrificado para salvá-los de uma última saraivada de feitiços coordenados do exército de Eldemar, mas a essa altura eles já haviam saído do alcance das proteções da cidade e se teleportado para longe.
Agora, a parte mais difícil: lidar com Quatach-Ichl…
* * *

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