Capítulo 50 - O Limite do Mundo
O campo não existe mais.
É só um vazio rasgado, fumaça suspensa no ar e fragmentos de chão flutuando como se a gravidade tivesse desistido.
Ryuji está de pé, katana negra apoiada no ombro.
Naki Senrou caminha até o lado dele, o olhar sério — não preocupado, atento.
— Então foi isso… — Naki diz. — Você se soltou de vez.
Ryuji respira fundo.
O Sen dele não vaza.
Ele pressiona.
— Não foi um despertar comum. — Ryuji responde. — Eu me desprendi das amarras.
— Do medo. Do limite. Da hesitação.
Ele encara o campo… e os outros.
— Agora eu tô pronto pra acabar com isso do jeito mais rápido possível.
Kaede e Ayumi ainda estão de pé.
Feridos. Cansados. Mas não quebrados.
Ryuji vira o rosto para eles.
— Eu realmente queria uma luta de verdade… — ele diz, sem desprezo. —
— Mas no nível de vocês… isso não é possível.
O silêncio pesa.
Kaede sorri de canto, limpando o sangue do rosto.
— Então cai pra dentro, Arata.
O mundo pisca.
Ryuji some.
Não é velocidade comum.
É ausência.
Ele reaparece atrás de Kaede no mesmo instante, já em estocada.
Kaede sente antes de ver.
Desvia por milímetros.
O vento do golpe rasga as costas dele.
— Rápido pra caralho… — Kaede rosna.
Ele tenta revidar.
Inútil.
Ryuji já está longe. Depois perto. Depois acima. Depois atrás de novo.
Centenas de vezes mais veloz que antes.
— Genshou Número -10…
— GETSU TENSHOU.
O corte desce como um decreto.
Kaede crava os pés no chão.
Relâmpagos explodem do corpo dele, criando uma muralha elétrica que segura o golpe — por um segundo.
O impacto atravessa.
Kaede é lançado dezenas de metros, o corpo queimado, a aura instável. Ele cai de joelhos, respirando com dificuldade.
— Tsc… — Ryuji comenta, quase decepcionado. — Ainda de pé?
Kaede grita e junta o que resta do Sen.
Um ataque de raios colossal se forma.
— MORRE, ARATA!
O relâmpago avança.
Ryuji não se mexe.
Ele ergue a Kidou.
Um único corte.
O ataque é apagado do ar, como se nunca tivesse existido.
Kaede cai de vez.
Inconsciente.
Derrotado.
Ryuji nem olha mais.
Do outro lado do campo, Naki e Ayumi estavam em uma luta insana.
Ayumi mal consegue se manter em pé. A Ririokutou Mizuki ainda vibra, instável, como se sentisse o perigo.
— Você lutou bem, Ayumi. — Naki diz. — Mas acabou.
— Cala a boca… — Ayumi responde, forçando o corpo. — Eu ainda posso—
Ele avança.
Um último corte.
Naki fecha os olhos.
E pela primeira vez… libera.
O Sen dele colapsa para dentro.
O ar começa a vibrar.
— …Então você também sentiu isso. — Naki murmura. — O limite.
Ele abre os olhos.
O ataque acontece.
Não é um corte.
Não é um raio.
Não é uma técnica comum.
É uma explosão concentrada, nascida no ponto exato onde o Sen dele encontra o de Ayumi.
Um clarão seco.
Sem som.
Depois… o impacto.
O chão some num raio gigantesco.
Uma onda de choque atravessa a arena inteira, jogando tudo para longe.
Ayumi é engolido pela explosão.
Quando a poeira baixa…
Ele está caído.
A Kidou Mizuki se desfaz em água no chão.
O corpo não responde.
Naki observa em silêncio.
— Você chegou longe demais pra morrer aqui. — ele diz baixo. — Mas não longe o suficiente pra vencer.
Ryuji caminha até o centro do campo destruído.
Olha ao redor.
Kaede derrotado.
Ayumi inconsciente.
O mundo… no limite.
Ele fecha a mão em volta da katana negra.
— Esse é o problema… — Ryuji diz, quase para si mesmo. —
— O mundo não foi feito pra aguentar o que vem agora.
O vento para.
A pressão sobe.
E todo mundo sente.
Algo mudou.
Fim da Luta entre Naki Senrou e Ryuji Arata VS Kaede Shizuma e Ayumi Tsukari
Resultado final: 5 a 2 Ryuji e Naki
– Vocês Lutaram muito bem Ayumi e Kaede. disse Ryuji
Como regra dessa segunda fase Ryuji e Naki tem que escolher alguém.
E quem eles não escolhessem seria eliminado do projeto.
– Como regra eu escolho… Kaede Shizuma… Adeus Ayumi. disse Ryuji
– RYUJI SEU MALDITO! VOCÊ DESTRUIU O MEU SONHO! EU JURO QUE VOU VOLTAR E VOU TE MATAR!
Fim da Luta.
Ryuji caminha pelo corredor em direção ao quarto.
O lugar tá silencioso demais.
Não o silêncio confortável — o que escuta de volta.
Ele para.
— Ainda anda do mesmo jeito.
A voz vem de trás.
Calma. Conhecida demais pra ser segura.
Ryuji vira devagar.
Rokuhira Arata, um primo de Ryuji está encostado na parede, mãos nos bolsos, postura relaxada como se nada ali fosse errado.
Como se o tempo não tivesse passado.
Como se infância ainda significasse alguma coisa.
— …Rokuhira?
— Não chama atenção. — ele diz. — Vem comigo.
— Se eu disser não?
Rokuhira sorri de canto.
Triste.
— Aí eu te levo mesmo assim.
Eles atravessam a instalação em silêncio.
Portas se fecham sozinhas.
Sensores ignoram a presença de Rokuhira.
Isso diz tudo.
O lugar afastado é aberto, amplo, quase cru.
Dá pra ver o céu artificial da Ilha de Chihiro pulsando acima, lento, falso… perfeito demais.
— Então fala. — Ryuji quebra o silêncio. — Por que você tá aqui?
Rokuhira não responde de imediato.
Ele olha ao redor.
— Você sabe onde está, Ryuji?
— Na base do Projeto?
— Não. — ele corrige. — Você está no centro de um erro necessário.
O vento sopra fraco. Artificial demais pra ser natural.
Ryuji sente isso antes mesmo de ouvir.
— Sabe por que esse vento nunca muda? — Rokuhira pergunta, olhando pro horizonte.
À frente deles, a Ilha de Chihiro se estende como algo grande demais pra ser uma ilha comum.
Luzes de cidades inteiras.
Bairros que parecem familiares… e errados ao mesmo tempo.
— Porque nada aqui é natural.
Ryuji franze o cenho.
— Chihiro não é um lugar — Rokuhira continua. — É um projeto territorial.
Ele aponta com o queixo.
— A ilha tem quinhentos quilômetros quadrados.
— Divididos em cinco lados iguais, cem quilômetros cada.
Ryuji acompanha com o olhar, tentando entender a escala.
— Cada lado abriga cidades e bairros do Japão.
— Não cópias turísticas.
— Domínios reais, exclusivos.
A voz de Rokuhira fica mais fria.
— Aqui vivem os clãs mais importantes do país.
— Famílias que existem antes do Sen ter nome.
— Pessoas que não podem simplesmente morar “em qualquer lugar”.
Ryuji aperta os dentes.
— Então isso aqui é… um privilégio?
Rokuhira solta um riso curto.
— Não.
— É confinamento de luxo.
Ele dá alguns passos e aponta para uma região central da ilha.
— No coração de Chihiro fica o Estádio de Kagura.
— O palco oficial do Senzoku.
— Onde o Japão inteiro acha que o Sen é celebrado.
O olhar dele endurece.
— Mas Kagura mede.
— Analisa.
— Coleta dados de cada luta.
Silêncio.
— Nada ali é só espetáculo.
Rokuhira então vira o corpo, apontando para baixo.
— E aqui… — ele diz — …é onde tudo converge.
Ryuji sente o chão sob os pés.
Sólido demais.
— A Instalação do Projeto Fighters World ocupa trinta quilômetros quadrados.
— Um complexo de seis lados, cada um com cinco quilômetros.
— Um hexágono — Ryuji murmura.
— Um selo — Rokuhira corrige.
— Cada lado tem uma função.
— Treinamento.
— Observação.
— Contenção.
— Isolamento.
— Resposta extrema.
Ele para.
— E o sexto…
— É o que ninguém gosta de mencionar.
O ar pesa.
— Chihiro não foi construída — Rokuhira diz, finalmente.
— Ela foi criada.
Ryuji sente o Sen ao redor vibrar.
— Tudo isso existe por causa da Matéria Exótica.
— Uma esfera de Sen em estado primordial.
A voz dele baixa.
— Do tamanho certo…
— usada do jeito certo…
— pode criar portais, buracos de minhoca, dimensões inteiras.
— Países.
— Ilhas.
Ele encara Ryuji.
— Teoricamente… até planetas.
O estômago de Ryuji afunda.
— No nosso mundo — Rokuhira continua — tudo tem uma Matéria Exótica por trás.
— O que vocês chamariam de “núcleo da Terra”…
— aqui é isso.
Silêncio absoluto.
— Se uma Matéria Exótica for danificada — ele diz — …não existe contenção pequena.
— O estrago é gigantesco.
O vento artificial sopra de novo.
— Chihiro é estável porque está em equilíbrio.
— Mas equilíbrio não é eterno.
Rokuhira fecha os olhos por um instante.
— Outra coisa Ryuji.
Ryuji franze o cenho.
— O Fighters World não foi criado para formar campeões.
A frase cai seca.
Sem drama.
Sem efeito.
— Foi criado para impedir que o mundo colapse.
Ryuji dá um passo à frente.
— Isso não faz sentido.
— Faz. Só não é bonito.
Rokuhira ergue o olhar para o céu artificial.
— O Sen do mundo tá subindo. Lutadores não são a causa… são o sintoma.
— Quanto mais gente desperta, mais pressão a realidade sofre.
— Realidade não quebra — Ryuji rebate.
Rokuhira olha pra ele.
— Quebra sim.
— E quando quebra, não avisa.
Silêncio.
— Isso é teoria — Ryuji diz, tentando se agarrar a algo.
— É. — Rokuhira concorda. — Teoria de físicos, cientistas e gênios que nunca erraram quando o mundo tava em risco.
Ele dá um passo à frente.
— E você, Ryuji…
— Você tá empurrando o Sen além do limite seguro.
— Por isso você tá aqui? — Ryuji pergunta. — Pra me assustar?
Rokuhira balança a cabeça.
— Eu tô aqui porque sou um Lutador de Contenção.
A palavra pesa mais que qualquer aura.
— Eu não luto pra vencer.
— Eu luto pra parar.
Ele encara Ryuji direto agora.
— Quando alguém cruza o limite… alguém como eu vem.
O ar fica denso.
O Sen responde sem ser chamado.
— Quem mandou você? — Ryuji pergunta.
Rokuhira fecha os olhos por um segundo.
— Seu pai.
Isso dói mais do que qualquer revelação.
— Eu pedi pra conversar primeiro. — ele diz. — Porque você merecia saber.
Rokuhira assume postura.
Não de ataque.
De decisão.
— Agora você sabe o que é o mundo.
— Sabe o que é Chihiro.
— Sabe o que você representa.
Ele abre os olhos.
— E eu tenho um contrato com a vida.
— Se eu não te matar… eu morro.
O Sen explode entre os dois.
— Eu vim tentar conversar primeiro, Ryuji.
O chão treme.
— Agora… a gente resolve isso do único jeito que sobrou.
O Sen de Ryuji explode primeiro.
Ryuji some do lugar.
O chão racha onde ele estava um segundo antes, o ar rasga atrás do rastro da velocidade.
Kidou em sequência, passos quebrados, ângulos impossíveis — o corpo dele vira lâmina em movimento.
Rokuhira não recua.
Ele apenas vira.
A espada dele sai da bainha com um som baixo, quase respeitoso.
O primeiro choque corta o ar.
Faísca de Sen.
Pressão esmagadora.
Ryuji gira, ataca de novo, Kidou em cadeia, golpes vindo de todos os lados.
Ele força.
Ele empurra.
Ele acredita.
— Você ficou rápido — Rokuhira diz. — Mas não ficou fora do limite.
Ele pisa no chão.
— Aku Furaku.
A lâmina desce.
Não é um corte comum.
É como se algo desligasse.
O Sen de Ryuji some.
A Kidou morre no meio do movimento.
O mundo volta a ter peso.
Ryuji cai de joelhos, ofegante.
— O quê… você fez…?
— Cortei sua conexão. — Rokuhira responde. — Sen, Kidou, tudo.
— Agora é só você.
Ryuji sorri. Cansado. Sangrando.
— Então… ainda dá.
Ele levanta.
E parte pra cima.
Sem técnica.
Sem aura.
Só força bruta.
Um soco.
Outro.
Joelhada.
Cabeçada.
Rokuhira bloqueia, recua um passo.
Um único passo.
O chão afunda sob os pés de Ryuji.
— Você é absurdo… — Rokuhira admite. — Mesmo vazio.
Ryuji avança de novo.
Punhos rasgando o ar.
O corpo gritando pra continuar.
Ele acerta.
De verdade.
Rokuhira sangra.
Silêncio.
— Já chega.
Rokuhira ergue a espada.
— Enten.
O mundo para.
Não é rápido.
É instantâneo.
Um corte na velocidade da luz.
Sem aviso.
Sem erro.
Ryuji sente frio.
Depois… nada.
O corpo cai, separado, o chão marcado por uma linha perfeita.
Escuridão.
Ryuji flutua.
Sem dor.
Sem peso.
“Então é isso…”
Ele olha pras próprias mãos.
Não tremem.
“Vou morrer assim…”
Imagens passam.
Lutas.
Promessas.
Sonhos nunca realizados.
“Sem chegar lá.”
Silêncio absoluto.
Então—
PUM.
Ar invade os pulmões.
Dor rasga o corpo.
O coração dispara.
Ryuji desperta engasgando, caído no chão, inteiro.
Rokuhira está ajoelhado ao lado dele, mão pressionada contra o peito de Ryuji, símbolos brilhando e se apagando.
— Contrato cumprido — ele diz, exausto.
Ryuji treme.
— …Você… me matou…
— E te trouxe de volta.
Rokuhira se levanta, espada pingando sangue.
— Agora você sabe como é morrer.
— Da próxima vez… talvez não tenha retorno.
Ele se afasta.
— Vive, Ryuji.
— Mas lembra: o mundo já sabe que você existe.
E isso…
é mais perigoso que a morte.
Ryuji caminha sozinho.
O corredor parece mais longo do que antes.
Cada passo ecoa diferente.
Como se o mundo tivesse ficado mais atento a ele.
A morte ainda tá fresca na memória.
Não como dor — como certeza.
Matéria Exótica.
Chihiro.
Limite.
Contenção.
Tudo se encaixa sem pedir permissão.
O Projeto não forma campeões.
Forma freios.
E ele…
ele virou o problema.
Ryuji fecha os olhos por um instante.
Ele lembra do corte.
Da ausência.
Do vazio calmo demais pra ser o fim.
“Morrer é fácil…”
O difícil é voltar sabendo demais.
Se continuar sendo o mesmo, vai morrer de verdade.
Ou pior… vai arrastar o mundo junto.
Ele abre os olhos.
Não há raiva.
Não há desespero.
Só decisão.
— Então é isso… — murmura.
— A partir de agora… eu vou ter que ser outra pessoa.
— Ei.
A voz corta o pensamento.
Ryuji ergue o olhar.
Naki Senrou e Kaede Shizuma estão no corredor à frente.
Os dois param ao vê-lo.
Algo tá errado.
O jeito que ele anda.
O jeito que olha.
Sem sorriso.
Sem provocação.
Sem aquela chama leve de sempre.
Só foco.
Naki franze a testa.
— O que houve?
Ryuji para na frente deles.
Por um segundo, Kaede acha que ele vai falar tudo.
Que vai desabar.
Que vai rir pra disfarçar.
Ele não faz nada disso.
— Nada. — Ryuji responde.
A voz tá firme.
Fria.
Controlada demais pra ser normal.
Naki sente um arrepio.
— Você tá estranho.
Ryuji passa por eles.
— Tô bem.
Kaede vira o rosto, acompanhando ele com o olhar.
Ele percebe.
O Ryuji que saiu daquele corredor
não é o mesmo que entrou.
E, de algum jeito silencioso…
o mundo acabou de perder o garoto que sorria antes da luta.
Ryuji, Naki e Kaede ocupavam o quarto em silêncio quebrado.
Naki estava largado no sofá, o controle firme nas mãos, o videogame ligado alto demais — não por diversão, mas pra abafar o peso no ar. Cada comando era seco, agressivo.
Kaede golpeava o saco de pancadas especial de Sen.
Punho após punho.
O impacto fazia o tecido vibrar, a aura reagir, o quarto tremer levemente. Ele não contava os golpes. Só descarregava.
Ryuji permanecia de pé, diante da janela.
Do outro lado do vidro, a Ilha de Chihiro se estendia como um mundo falso perfeito demais para ser real — cidades geométricas, luzes organizadas, o Estádio de Kagura ao longe… tudo construído sobre algo que não deveria existir.
Ele não piscava.
Não respirava fundo.
Só observava.
Como se estivesse tentando enxergar o que havia embaixo da ilha.
Foi nesse momento que a porta do quarto se abriu com força.
O som seco ecoou pelo ambiente.
Genjiro Okabe entrou primeiro, postura firme.
Logo atrás, Tsubasa Hayashi, calmo demais pra situação.
Por último, Saka Senrou — o olhar duro, avaliando tudo.
A presença dos três afundou o clima do quarto.
Ryuji continuou parado perto da janela.
Não se virou.
Genjiro foi direto.
— Kaede Shizuma.
— Naki Senrou.
— Ryuji Arata.
Os nomes soaram como marcação de alvo.
Saka deu um passo à frente.
— Viemos propor uma Batalha Senzoku.
Tsubasa completou, sem elevar o tom:
— Três contra três.
— Eu, Genjiro e Saka…
— contra vocês três.
Kaede cruzou os braços.
— Eu aceito.
— Eu também. — Naki disse logo em seguida, o Sen reagindo por instinto.
Silêncio.
Todos olharam para Ryuji.
Ele demorou.
Virou devagar.
O olhar que ele lançou não tinha faísca.
Não tinha desafio.
Tinha peso.
— Por que escolheram nós três? Ryuji perguntou.
A pergunta pegou Genjiro de surpresa.
— Porque vocês estão crescendo rápido demais — ele respondeu. — E queremos medir isso.
Ryuji sustentou o olhar.
— Medir… — repetiu. — Ou conter?
O ar ficou denso.
Tsubasa cerrou os dentes e disse.
— Você tá diferente.
— Tô normal. — Ryuji respondeu.
Naki sentiu um arrepio.
Kaede percebeu na hora:
aquele não era mais o Ryuji que provocava antes da luta.
Tsubasa respirou fundo.
— Então?
Ryuji deu um passo à frente.
— Eu aceito. — disse, sem elevar a voz. — E não esperem misericórdia.
Genjiro respondeu no mesmo tom:
— Ótimo. Porque da nossa parte… também não vai haver.
Ryuji assentiu.
— Amanhã.
A palavra caiu pesada.
Ele virou de costas novamente, como se a decisão já estivesse enterrada.
Os três visitantes saíram do quarto sem dizer mais nada.
Quando a porta se fechou, Naki soltou o ar que nem percebeu que segurava.
— …Cara — ele murmurou. — O que aconteceu com você?
Ryuji não respondeu.
Do lado de fora, algo maior se movia.
E todos ali sentiram:
A próxima batalha não era só sobre vencer.
Era sobre o que Ryuji Arata estava se tornando.

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