Capítulo 46 - The King
O ar da arena pulsava como um coração vivo. As placas metálicas do chão vibravam levemente, e cada respiração parecia carregar eletricidade. O público silenciava, como se pressentisse o tamanho do que estava prestes a acontecer.
No centro, Ryuji Arata caminhava com passos firmes, o olhar frio e calculado. À sua frente, Naki, o parceiro de confiança, mantinha os punhos cerrados e o Sen pulsando como labaredas invisíveis.
— Naki, fique atento. — disse Ryuji com a voz grave, sem desviar o olhar da linha de frente. — Eu posso aguentar um… mas contra dois, vai ser complicado.
O vento soprou, levando grãos de poeira da arena. O cabelo preto de Ryuji balançou, e os olhos dele refletiram o brilho branco dos holofotes. Naki apenas assentiu — um gesto seco, decidido. Entre eles, não havia espaço pra dúvida.
De repente, o gongo do quarto round soou.
O barulho metálico ecoou como uma explosão.
E antes que Ryuji piscasse, Ayumi já estava sobre eles.
O solo se rasgou sob os pés dela, o ar se partiu em ondas sonoras. Ayumi avançou numa sequência de golpes tão velozes que os olhos comuns mal podiam acompanhar. Naki recuou com o corpo leve, desviando de cada ataque por milímetros, como se previsse o futuro. O último soco de Ayumi passou raspando pela bochecha dele, deixando uma fina linha de sangue.
Mas Naki sorriu.
Um chute saiu tão rápido que o som estalou como um trovão.
CRACK!
Ayumi foi jogado dez metros pra trás, rodopiando no ar antes de se chocar contra o chão. A poeira subiu em redemoinho.
— Boa, Naki. — murmurou Ryuji, sem precisar olhar.
Mas não houve tempo pra respirar.
Kaede surgiu no flanco direito, o corpo coberto de faíscas.
— Tô chegando, Arata! — rugiu ele, os punhos cobertos por descargas elétricas.
Uma tempestade de socos caiu sobre Ryuji. Cada golpe cortava o ar com uma explosão de energia estática, o chão rachando sob a força das ondas de choque. Mas Ryuji não reagia com desespero. Seus pés deslizavam com precisão absurda, desviando com a fluidez de quem já está três passos à frente.
Um movimento. Um toque.
Ryuji pousou dois dedos no peito de Kaede — e o empurrou levemente.
O impacto foi devastador.
Kaede foi lançado quatro metros para trás, o corpo girando, caindo de costas com um som oco. Poeira. Silêncio. Só o som do trovão ao longe.
Kaede tossiu sangue e sorriu, os olhos faiscando com raiva e adrenalina.
— Nada mal, Arata… Mas toma essa… Raio Perfurante – Super Nova!
O ar se rasgou em luz.
Um raio gigantesco, de coloração dourada e azul, surgiu das mãos de Kaede. Ele serpenteou o céu da arena como um dragão de plasma, deixando rastros de fumaça ionizada. O público recuou, as barreiras de energia faziam muito barulho, quase se rompendo.
Ryuji não piscou.
Com um único movimento, ele elevou a katana.
O som que veio a seguir foi a música do aço cortando o trovão.
Um traço luminoso dividiu o raio em duas partes perfeitas — e o céu pareceu abrir-se.
As duas metades explodiram para os lados, iluminando a arena inteira. O impacto deixou o chão coberto de rachaduras incandescentes. A poeira, quando subiu, revelou Ryuji ileso, parado, com a espada ainda erguida, o vento girando em torno dele.
Kaede arregalou os olhos.
Ayumi mordeu o lábio.
Ryuji, com o olhar sereno, deu um passo à frente.
— Acho que dois poderes do meu arsenal já serão o suficiente.
Antes que terminasse a frase, ele desapareceu.
O ar onde ele estava explodiu num estalo seco — o som da velocidade quebrando o ar. Um piscar, e Ryuji surgiu atrás de Ayumi. Um soco direto na coluna.
O corpo de Ayumi dobrou em agonia, os olhos se revirando. O som foi horrível — carne, ossos e choques misturados. Ele caiu, o corpo tremendo como se o próprio sangue tivesse sido envenenado.
Ryuji o observou no chão, frio como gelo.
— Esse ataque é inspirado na técnica Freestyle Bee… do Renji.
Kaede olhou horrorizado.
— O que você fez com ele?!
— Envenenei com um soco. — respondeu Ryuji, girando o pulso lentamente, o sangue de Ayumi escorrendo do punho. — Um veneno especial… Paralisa e causa dor extrema. Eu acho que exagerei na dose.
Antes que Kaede pudesse reagir, Ryuji desapareceu novamente — e reapareceu atrás dele.
O som do deslocamento de ar veio com um rugido.
Mas dessa vez, Kaede girou o corpo e desviou com reflexos sobre-humanos.
O punho de Ryuji passou rente ao rosto dele, o vento cortando a pele.
Kaede pulou pra trás e abriu os braços, o corpo coberto por eletricidade pura.
Mas Naki estava nas costas dele, pronto para finalizar.
Kaede sentiu a presença e gritou o nome da técnica:
— Raio Perfurante – Super Nova Nível 2!
O mundo virou um clarão.
Explosões elétricas emergiram do chão em forma de lanças. A arena foi engolida por um mar de raios, o ar vibrando como se o próprio tempo tivesse rachado. Naki foi atingido em cheio, seu corpo arremessado para longe, desabando fora do campo de combate.
As barreiras da arena piscavam em vermelho, tentando conter a tempestade.
Silêncio.
Somente as descargas residuais crepitando no chão destruído.
No meio da poeira, duas silhuetas permaneceram de pé.
Ryuji Arata e Kaede Shizuma.
O público prendeu o fôlego.
Ryuji limpou a poeira do ombro, o olhar sereno e arrogante.
Kaede sorriu com sangue escorrendo pelo queixo.
— Vamos lá, Kaede… Vem com tudo que você tem. — disse Ryuji, firme, girando a katana no ar.
Kaede girou o pescoço, os olhos vermelhos brilhando.
— Bora, Arata. Eu vou te meter uma porrada bonita.
O som do trovão respondeu aos dois.
O chão rachou sob seus pés.
E a arena voltou a respirar.
O vento que cortava a arena carregava faíscas douradas, fragmentos de energia deixados pelo último impacto entre Ryuji e Kaede. O chão — rachado e incandescente — parecia pulsar, como se respirasse junto com o ritmo das auras que o dominavam. No ar, um silêncio elétrico… a calmaria antes da tempestade.
Kaede deu um passo à frente. Seu olhar, meio sereno, meio insano, se fixou em Ryuji.
— Antes de atacar, Arata… deixa eu explicar meu poder. — ergueu a mão lentamente, e a aura ao redor dele se expandiu, ondulando em tons que iam do branco ao violeta, como se o próprio ar tremesse diante daquela força. — Posso alterar a natureza dos meus raios: água, fogo, gelo… tudo. Posso moldá-los, dar forma, textura, vontade. Crio armas com eles, sólidas, vivas, letais.
Ryuji arqueou uma sobrancelha, o canto da boca se curvando num sorriso confiante. — Então vamos, Kaede. — E no instante seguinte, ele desapareceu. Um borrão prateado cruzou o campo, seguido de um estrondo sônico.
Kaede manteve-se imóvel por um segundo, o vento levantando seus cabelos. Então, calmamente, abriu os braços. O chão sob ele se fragmentou em círculos concêntricos de energia, e uma explosão de luz tomou conta da arena. Raios de diferentes cores serpentearam pelo ar, colidindo, entrelaçando-se — e então, de dentro dessa tempestade, surgiram cinco cópias idênticas de Kaede.
Cada uma delas tinha uma presença própria, uma vibração distinta.
O Kaede de olhos azuis emanava eletricidade líquida, seu corpo faiscando com energia instável.
O Kaede de olhos verdes tinha uma aura que lembrava relâmpagos entre folhas, pura natureza condensada.
O Kaede de olhos amarelos ardia como fogo solar, seu corpo envolto em chamas que distorciam o ar.
O Kaede de olhos roxos exalava um poder necromântico, pulsando numa frequência fria, quase espiritual.
E o Kaede de olhos laranja parecia feito de puro vento, movendo-se como um borrão de luz.
No centro, o verdadeiro Kaede — de olhos vermelhos — emanava um poder que engolia todos os outros, uma calmaria infernal.
Ele sorriu, o rosto meio coberto por sombras e faíscas. — Cada um desses “eus” carrega uma personalidade e um poder único. Agora é seis contra um, Ryuji. — sua voz ecoou múltipla, como se os clones falassem em uníssono.
Ryuji girou os ombros, o corpo tensionado, olhos semicerrados. — Tá ótimo. Menos desculpas, mais luta.
O Kaede de olhos azuis foi o primeiro a se mover — e o ar explodiu com o estalo de mil raios. Ele avançou com duas lanças de eletricidade líquida nas mãos, cada passo deixando rastros brilhantes no solo. Disparou uma sequência de ataques tão velozes que pareciam rasgar o espaço.
Ryuji desviava de cada golpe por milímetros, os músculos dançando sob o uniforme. Um soco no ar aqui, um giro ali — cada movimento dele era uma mistura de instinto e precisão.
De repente, Ryuji sumiu. Um feixe branco atravessou o campo e, num piscar, ele surgiu atrás do Kaede azul.
— Peguei você. — murmurou.
O punho de Ryuji acertou em cheio o torso do clone, e o impacto foi tão brutal que o corpo do Kaede azul se dissolveu em partículas elétricas.
Mas antes que Ryuji pudesse respirar, o Kaede roxo ergueu uma mão. Seus olhos brilharam num tom profundo, quase cósmico, e linhas de energia formaram runas no chão.
— Levante-se. — sussurrou, e as partículas azuis se reagruparam, refazendo o corpo do clone caído. O Kaede azul voltou à vida, ajoelhado, com um rugido distorcido.
Ryuji franziu o cenho. — Então é isso… você revive eles.
O Kaede amarelo soltou um grito, suas asas flamejantes se abrindo em explosão. Ele cruzou o campo num instante, o calor de seu voo distorcendo o cenário. Ryuji recuou, o chão sob seus pés se derretendo pelo calor.
— Afaste-se! — berrou Ryuji, liberando uma onda de energia Sen que explodiu como um empurrão invisível. O Kaede amarelo foi lançado metros para trás, caindo e se desintegrando em cinzas.
Mas o roxo novamente estendeu a mão. O corpo flamejante se recompôs, emergindo do chão como se o tempo voltasse atrás.
Ryuji estreitou os olhos, os fios de cabelo balançando com o choque elétrico do ambiente. Ele entendeu.
— Então… você é o coração deles. Enquanto eu não acabar com você, essa luta nunca termina.
O verdadeiro Kaede — o de olhos vermelhos — sorriu, satisfeito. — Descobriu cedo demais, Arata. Mas agora, mesmo sabendo… o que vai fazer contra seis versões de mim?
Ryuji não respondeu. Só inclinou o corpo pra frente, o chão sob seus pés rachando com o peso da pressão. Sua aura começou a vibrar, a coloração azul se fundindo com reflexos dourados. O ar ao redor distorceu.
A arena, que antes era um campo de energia neutra, agora se dividia: metade tomada pela eletricidade colorida de Kaede, metade pelo turbilhão de pura vontade de Ryuji Arata.
O céu — antes claro — começou a escurecer, como se o mundo reconhecesse que um dos dois estava prestes a ultrapassar o limite humano.
E naquele instante, antes de qualquer som ou movimento, apenas uma certeza ecoava nos dois corações: a próxima troca decidiria quem ditaria as regras daquele mundo.
O campo de batalha já não parecia uma arena. Era uma fenda entre mundos.
O chão estava em ruínas — lascas de pedra flutuando no ar, corroídas pelo excesso de energia. Os céus rasgados por rachaduras de luz. E no meio disso tudo, Ryuji Arata e Kaede Shizuma, dois gênios que não lutavam mais com punhos, mas com visões.
Ryuji inspirou fundo. Seu peito expandiu e contraiu como o de uma fera prestes a saltar.
— Agora chega de papo, Kaede. — rosnou.
O Sen em torno dele explodiu num clarão branco-azulado, tão intenso que o chão afundou sob seus pés.
Em um único passo, ele desapareceu.
O som veio depois — um estrondo que quebrou o ar.
Ryuji estava sobre o Kaede roxo antes mesmo do tempo entender o que aconteceu. Mas o golpe não chegou.
— Eu esperava isso. — sussurrou o Kaede verdadeiro, e num piscar, todos os outros clones se materializaram em volta de Ryuji, formando uma muralha viva de versões do mesmo homem.
Raios, vento, chamas e névoa colidiram contra o Sen de Ryuji, criando um vórtice de destruição pura.
O Kaede original, de olhos vermelhos, estendeu um dedo.
Do centro de sua mão, um raio estreito e luminoso surgiu — tão denso que o ar se partiu em linhas.
— Raio Perfurante.
O disparo cruzou o espaço e, em um estalo surdo, atravessou o braço de Ryuji, arrancando-o do ombro.
O sangue evaporou antes de tocar o chão.
Ryuji olhou para o próprio braço ausente — e apenas sorriu.
Veias de luz começaram a se formar no local do ferimento, e em questão de segundos, um novo braço cresceu, regenerado pela pura força do Sen.
— Isso é tudo? — perguntou, o olhar afiado como uma lâmina.
Kaede não respondeu. Apenas ergueu o braço esquerdo.
O Kaede amarelo rugiu, seu corpo se expandindo, os olhos brilhando em fúria solar.
Da sua aura flamejante nasceu uma fera colossal — um lobo de raios dourados, com presas feitas de energia pura e uma crina que faiscava como uma tempestade viva.
O chão se curvou sob o peso da criatura.
Ryuji deu um único passo. Sumiu.
Um clarão branco riscou o espaço — e num instante, ele estava diante do lobo.
Os olhos de Ryuji brilharam com convicção absoluta.
Ele disse apenas uma palavra:
— Afaste-se.
O ar explodiu.
O som desapareceu por um segundo, e depois veio o impacto: o lobo foi lançado para trás, como se uma força invisível o tivesse atingido. O corpo da criatura se desintegrou em partículas douradas que se espalharam como cinzas cintilantes.
Ryuji reapareceu no alto, girando no ar, e caiu atrás do Kaede roxo — o curandeiro, o pilar.
Mas o clone virou a cabeça lentamente, e apenas com o olhar, liberou uma onda psíquica que empurrou Ryuji metros para trás.
O impacto foi brutal — rachaduras se abriram no solo por onde ele passou.
Ryuji se levantou devagar, sangue escorrendo do canto da boca.
Seus olhos caíram sobre algo: o anel em sua mão esquerda.
Ele o encarou por um segundo — o símbolo de um poder selado, algo que ele jurou só usar no limite final.
Mas não ainda.
— Ainda não. — murmurou, fechando o punho.
De repente, três cópias de Ryuji surgiram ao redor dele, criadas pelo Sen. Cada uma com o mesmo olhar determinado — versões puras de si mesmo.
Eles avançaram juntos, como cometas.
Os clones de Kaede reagiram, mas era tarde demais.
Ryuji 1 explodiu no impacto com o Kaede azul, abrindo uma cratera de energia.
Ryuji 2 atingiu o Kaede verde com um chute giratório, e ambos foram engolidos por uma detonação de luz.
O Kaede roxo tentou reviver os dois, estendendo as mãos — mas Ryuji 3 já estava lá.
— Não se mova.
A voz dele ecoou com autoridade divina.
O Kaede roxo congelou. Literalmente — os músculos travaram, a respiração cessou.
Ryuji apareceu atrás dele, sem som, sem brilho — apenas pura intenção.
Seu punho, envolto em uma energia escura, desceu em linha reta, e o impacto ecoou como um trovão contido.
O corpo do Kaede roxo foi lançado ao chão e se desintegrou.
Mas dessa vez… nada voltou.
A aura roxa se dissipou no ar, e Ryuji murmurou:
— O antídoto do veneno neutraliza sua regeneração. Acabou pra você.
O silêncio caiu por um instante.
Mas o verdadeiro Kaede riu — baixo, gutural, como se algo dentro dele tivesse finalmente acordado.
Os clones restantes — azul, amarelo, verde e laranja — se viraram para ele, e seus corpos começaram a se dissolver em feixes de energia.
A luz deles foi sugada para o corpo do Kaede original.
O chão tremeu.
O vento parou.
O cabelo de Kaede mudou — antes preto e solto, agora branco como neve, os fios flutuando como fogo invertido. Seus olhos se tornaram fendas vermelhas, brilhando com runas em movimento. No centro da íris, um kanji surgiu, queimando como ferro incandescente:
「原初」 — Primordial.
Ryuji deu um passo para trás, sentindo o campo de energia ao redor ser distorcido.
O próprio tempo parecia hesitar perto dele.
Kaede ergueu a cabeça, um meio-sorriso no rosto. Sua voz ecoou em tons sobrepostos, múltiplas camadas de som — como se ele falasse de todos os tempos ao mesmo tempo.
— Contemple minha forma… — o chão rachou sob seus pés. — The King Kaede.
O espaço ao redor se dobrou.
Relâmpagos dançavam de forma reversa, a gravidade oscilava, e até as cores do mundo começaram a se inverter.
Ryuji sentiu um arrepio percorrer o corpo inteiro.
— Então… é agora que começa a luta de verdade. — disse ele, abrindo os braços.
O silêncio era pesado, quase sagrado. A arena flutuava entre ruínas e trovões — cada fragmento de chão suspenso no ar pelo resíduo do poder dos dois monstros que ainda se mantinham de pé.
Ryuji Arata, o prodígio do caos, respirava fundo, o olhar fixo em Kaede Shizuma, agora em sua forma Primordial, envolto por uma tempestade de energia dourada que fazia o próprio ar vibrar.
O corpo de Ryuji ainda tremia pelo impacto anterior. Sangue pingava do canto de sua boca, e o braço esquerdo estava parcialmente queimado — mas o olhar dele não tinha recuado um milímetro.
Ele ergueu a cabeça.
— Então é isso… o Rei desperto. — murmurou, o tom entre respeito e provocação.
Kaede o fitou com olhos que não piscavam. Um trovão rugiu atrás dele.
— Rei? — a voz ecoou em mil direções. — Não. Eu sou o princípio e o fim do teu Sen.
Ryuji riu, cuspindo sangue no chão.
— E eu sou o erro que o fim não previu.
O chão rachou — e num instante, Ryuji desapareceu.
Um clarão branco riscou o espaço, o impacto veio como um relâmpago duplo — os dois colidiram, criando uma esfera de energia que se expandiu como uma estrela em explosão.
Quando a luz dissipou, Ryuji já não estava mais só.
Dezessete cópias idênticas dele cercavam Kaede, posicionadas como peças de um tabuleiro celestial.
— Gallery Fake. — murmurou o original, o tom frio, calculado.
Cada clone era sólido, real, pulsando energia própria — e o ar em torno deles ardia com calor de combustão espiritual.
Kaede olhou em volta, impassível.
— Ilusões não me alcançam.
— Ilusões? — Ryuji estalou o pescoço. — Não, Kaede. Eles existem. Cada um deles sente dor, respira, e explode.
A explosão veio antes da resposta.
Três clones avançaram ao mesmo tempo — um pelo alto, dois pelo chão. Kaede desviou do primeiro, partiu o segundo ao meio, mas o terceiro agarrou seu braço, e num segundo, o corpo inteiro implodiu em luz.
O impacto abriu uma cratera que engoliu metade da arena.
Kaede cambaleou — o rosto queimado, o manto dourado em farrapos. Ainda assim, ele sorriu, insano.
— Então é isso? Você vai me matar com cópias?
— Não. — respondeu Ryuji, enquanto vinte novos clones surgiam ao redor. — Eu vou te enterrar com minha ideia.
Os clones avançaram como um enxame, movendo-se em sincronia absoluta. Cada soco, cada chute, cada corte formava um padrão perfeito — como se o espaço inteiro obedecesse a uma partitura de guerra.
Kaede rugiu.
Do seu corpo emanou um raio negro com núcleo dourado, a mistura de luz e destruição.
— Raio Perfurante: Raio Primordial!
A descarga atravessou o campo — e o corpo de Ryuji foi evaporado instantaneamente, desintegrado da cintura pra cima.
A plateia prendeu a respiração.
Mas… o corpo evaporado começou a derreter — não em sangue, mas em fumaça branca.
Um clone.
E então, a voz soou atrás de Kaede:
— Ordem Absoluta: Não se Mova
Kaede ficou paralisado, e o ar ao redor congelou.
Ryuji estava lá — intacto, o olhar sério, a katana fincada no chão. A energia em torno dele era densa, quase sólida, como uma lei universal que se impunha.
— Tudo o que eu digo… torna-se lei dentro deste espaço. — explicou, sem elevar o tom. — Quando disse que o que você atacou não era real, o universo obedeceu.
O tempo tremeu por um instante.
Ryuji fechou os olhos.
— Agora, a ordem final.
As palavras saíram como uma sentença divina:
— Explodam.
E o mundo se desfez.
Os clones começaram a brilhar em volta de Kaede, um por um, até formarem um círculo de luz. O som que se seguiu foi indescritível — um trovão contínuo, misturado com o rugido de mil almas.
Cada explosão era uma supernova. Cada fragmento de chão que voava era uma estrela morrendo.
Kaede gritou, tentando conter a energia, mas a pressão o engoliu. Sua armadura de Sen se partiu, seu corpo foi lançado para trás — atravessando o campo, destruindo os pilares, arrastando consigo uma onda de destruição.
Quando a luz finalmente cedeu, só restava o eco distante do vento e o som das pedras caindo.
Kaede estava de joelhos, a aura extinta, os olhos apagados.
Ryuji caminhou até ele, cambaleando.
O manto azul flutuava rasgado, o corpo coberto de cortes e queimaduras.
Ele olhou para o rival e murmurou, com um meio-sorriso cansado:
— Checkmate.
O juiz ergueu a bandeira.
— Fim do quarto round!
O placar brilhou nos painéis de energia:
2 a 2.
O público demorou três segundos para entender. E quando entendeu, explodiu em gritos e aplausos.
Ryuji ergueu o olhar para o céu partido acima da arena — os fragmentos de luz ainda caindo como chuva de estrelas.
Ele respirou fundo, o sangue escorrendo pelos dedos, e murmurou quase para si mesmo:
— E pensar que ainda estamos só no meio da luta…

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