Índice de Capítulo


    — Comparado à sua mãe, você é patético…

    Ham? O que é isso? Onde estou?

    Está tudo preto e não consigo me mover. Será que eu morri? Lembrando bem, antes de desmaiar meu corpo estava tremendo e gelado, então é possível que eu tenha morrido.

    Mas antes disso, o que foi aquela energia que senti? Por que eu a vi subindo até a cabeça da Abe, como se isso a tivesse feito obedecer meu pedido?

    — Você é patético…

    Que? Que voz é essa?

    — Patético!

    Quem é? Por que está me chamando de patético?

    — Porque você é patético.

    Você consegue responder meus pensamentos?

    — Você está inconsciente, talvez isso seja apenas um sonho seu, ou não?

    Eu saberia se estivesse sonhando. Você é aquela voz que surgiu na minha cabeça quando enfrentei a Abe, não é?

    — Quem sabe? Eu posso ser qualquer coisa nesse ponto: um sonho, uma loucura, alguém conversando com você do lado de fora usando uma tecnologia Cronwell, posso ser qualquer coisa.

    Mas você tem a mesma voz que eu, não tem como ser alguém de fora, você é uma loucura da minha cabeça.

    — Se você pensa assim, então tudo bem, mas quero que responda uma coisa para mim: se eu sou uma loucura da sua cabeça, então o link que você fez contra a Abe foi obra somente sua?

    Link? Que história é essa?

    — Você não sabe o que é link, nem quem eu sou, nem o que você é. Eu convivo com você desde seu nascimento, vi tudo o que você viu e tudo que fez. Logo, sei da sua desinformação sobre o link.

    Então por que perguntou? Espera, como assim esteve comigo desde meu nascimento?

    Você por acaso é… a partícula Oni?

    Ei, me escutou? Me responda, você é a partícula Oni?

    Uma luz branca apareceu do nada, o que é isso?


    — Yuki??? Você acordou finalmente!!!

    — Ham? Onde estou?

    Acordei com o brilho da luz da sala, ou por conta da voz da Itsuki?

    Ela está do meu lado esquerdo, sentada numa cadeira, mas vestida com outra roupa, um vestido preto com listras vermelhas, provavelmente a roupa padrão da escola.

    Tentei me levantar da cama, mas meu corpo estava bastante fraco.

    — Não tente se levantar, seu bobinho! Não percebe sua situação? — disse Itsuki, me impedindo de me levantar com suas mãos.

    — Mas, eu estou no médico? O que aconteceu? — disse, com um tom fraco na minha voz.

    — Sim e não, você está no quarto da doutora Purplerine, no prédio dos professores!

    — No quarto… da doutora? Mas por que estou aqui?

    — Bem… a pedido dela! Para poder te acompanhar mais de perto, já que algo bem estranho aconteceu com você. — disse ela, olhando de canto com uma expressão triste.

    — E o que aconteceu comigo?

    — Bem, isso vou deixar a doutora te falar, mas tem que esperar ela voltar!

    — Tá bom! E por que estou com essa roupa estranha? Cadê minha roupa da escola?

    — Bem, você está dormindo já faz 8 dias, então meio que a doutora te trocou nesse tempo, né… — disse ela, revirando os olhos.

    — Entendi.

    Isso já havia acontecido uma vez na CDA talvez, de me trocarem como se fosse um bebê recém-nascido.

    — Aliás, Yuki! O que você fez foi incrível, agora a escola toda está falando de você.

    — O que eu fiz…

    Na verdade, pelo visto não fui eu exatamente que fiz aquilo, mas sim esse sussurro na minha mente.

    Mas como falar isso a ela?

    — Mas não queria que a escola toda estivesse falando disso, vai deixar ela mais raivada ainda, pior para nós! — comentei.

    — Não esquenta com isso, ela deve estar se preparando para o debate do conselho.

    — Debate? — indaguei, com um olhar de curiosidade.

    — Sim, lembra que a Rita estava se candidatando a presidente do conselho?

    — Uhum.

    — Então, não foi só ela que fez isso, o Gyutaro e o Sasori também estão na disputa, e todos os quatro vão debater no conselho amanhã, dando início à disputa pela vaga.

    — Nossa… então a escola aprovou que tivesse essa disputa fora da data de mudança de posse?

    — Bem, foi uma longa história! Primeiro iriam afastar a Abe do conselho por conta do boato do roubo do livro.

    — Ah, sim, o boato! E afastaram ela?

    — Não, o diretor em pessoa chamou a Abe no seu escritório, e depois disso fizeram uma busca no quarto e armário da Abe, mas não encontraram nada.

    — Entendi, então ela não roubou?

    — Bem, realmente um livro foi roubado e o diretor está muito nervoso com isso, mas pelo visto não foi ela! Mas agora está tendo revistamento a cada canto da escola.

    O diretor reparou que um dos livros dele foi roubado, mas se foi apenas um, então o que ele está procurando é o que está comigo, sendo assim a Abe não roubou um livro, então como e quem espalhou esse boato que ela havia roubado? Muito suspeito.

    — Mas e a pessoa que havia espalhado o boato? Sabem quem é?

    — Não, ainda não sabem quem foi e como espalhou o boato, só se sabe que todo mundo estava falando disso. E graças a esse ocorrido o conselho aprovou essa disputa do cargo para acalmar um pouco a ansiedade e dúvidas de todos.

    — Saquei. Mas isso é estranho, a Rita foi se candidatar logo antes do boato ou ao mesmo tempo? Isso tem relação, será?

    Itsuki arregalou os olhos e fez uma expressão de alguém em choque.

    — Bem, pode até ter relação, mas o Sasori, seu amigo, fez a mesma coisa uma hora antes da Rita, então… — disse ela, cruzando os braços.

    — Hmmm… então não, não faz sentido e nem tem relação! — disse, cruzando os braços e fechando os olhos.

    — Haha, bobinho, seu imparcial.

    Dei um sorriso de volta para ela. Logo em seguida seus braços descruzaram e ela se aproximou de mim, com o rosto vermelho e seus olhos cheios de lágrimas.

    Por um instante, ela que estava normal conversando comigo agora está em lágrimas enquanto me abraçava.

    — Você me assustou muito, Yuki! Muito, muito mesmo. Seu bobo, por que você tinha que fazer isso? Não me mate de preocupação, nunca mais, tá? — disse ela soluçando em lágrimas.

    — Itsuki…

    Eu não sei as palavras certas para dizer a ela, não sei por que toda essa preocupação comigo e nem de onde vêm essas lágrimas todas.

    Mas abracei ela de volta, de qualquer modo estou feliz por ela estar bem.

    — Não se preocupe, eu não vou fazer isso mais!

    Ficamos cerca de 2 minutos abraçados, provavelmente as costas e pernas dela estavam cansadas por estar nessa posição.

    Mas estava confortável ficar nesse abraço quente, ainda parecia que meu corpo estava frio, mas esse abraço dela me esquentava.

    — Você acordou finalmente, me preocupou bastante, garoto.

    Uma voz apareceu vindo da porta à direita, ela estava vestindo uma roupa toda roxa com listras brancas, quase igual ao uniforme padrão da escola, mas com cores roxa e branca.

    Essa deve ser a Purplerine, já que a Pinkrine veste rosa e essa aqui veste roxo.

    — Acordei… você é a doutora que cuidou de mim? — indaguei.

    Itsuki rapidamente me soltou e sentou na cadeira novamente, tentando esconder o rosto corado.

    — Sim, isso mesmo, sou a doutora Purplerine, desculpa atrapalhar seus momentos de namorico, mas já que acordou preciso ver como está sua situação, certo?

    — Na-namorico? N-não, doutora, ele é apenas meu… meu melhor amigo! — disse Itsuki completamente envergonhada.

    — Sei, desculpa então. — disse Purplerine, não acreditando muito no que Itsuki havia dito.

    — Você quer saber o quê, doutora? — perguntei, tentando mudar do assunto que era desconfortável para a Itsuki.

    A doutora veio até mim e sentou do meu lado, pegando consigo um tablet que estava na mesa ao meu lado.

    O quarto tinha uma janela, mas estava com cortina do meu lado direito, atrás da cadeira onde Itsuki estava sentada. Mas o pouco aberto da janela era o suficiente para dar um ar dentro do quarto, ar esse que a Itsuki precisava já que sua respiração estava pesada e seu coração acelerado.

    Espera, como sei disso?

    — Estou vendo aqui que seus status corporais estão ótimos, seus órgãos internos estão intactos e operantes, seu sangue está fluindo corretamente sem alteração e as partículas do seu corpo estão adormecidas, operando em modo automático, logo seus olhos cinzas ainda estão à mostra.

    — É, eu não sinto nada de errado no meu corpo, então esse status aí está certo.

    — Bem, pelo menos eu acho que está certo. Mas antes de te contar uma coisa, quero ouvir de você o que aconteceu antes de desmaiar? — disse a doutora segurando minha mão.

    Quando ela segurou minha mão, pude sentir a mesma eletricidade que havia sentido com a Abe, e ao ver a mão dela junto com a minha, estou vendo vários pontos pretos se juntando na mão dela.

    O que ela está tentando fazer? Agora vejo que essa energia preta está tentando conectar com meu corpo, o que é isso?

    — Bem, eu estava sendo pressionado pela Abe, ela estava segurando minha gola e nisso meu coração acelerou, acho que minha pressão abaixou por conta disso e acabei desmaiando.

    — Hmm… — murmurou ela.

    Olhando para sua mão, as energias pretas que estavam tentando conectar no meu corpo agora sumiram, não sei o que ela tentou fazer e não sei se deu certo.

    — Entendi, pode ser isso também, mas não creio que seja a causa.

    — E por que, doutora? — perguntei.

    — Bem, vou apontar esse espelho para você, nisso perceberá uma diferença clara no seu visual que, na minha opinião, não é nada normal e com certeza não foi pressão baixa que causou.

    — Ham? Isso tá estranho, estão me assustando. — comentei.

    Itsuki segurou minha mão para me confortar.

    — Tudo bem, apenas relaxa. — disse ela me encarando com um sorriso no rosto.

    A doutora pegou o espelho e colocou ele virado ao contrário para mim.

    — Está pronto para ver? — disse ela.

    — Sim…

    Ela virou o lado do espelho para mim, e então vejo a diferença.

    Uma mecha no meio do meu cabelo estava completamente branca, assim como um traço branco surgiu no meu olho.

    O que é isso?

    — Entende agora que não faz sentido ser pressão baixa? — disse a doutora enquanto segurava o espelho.

    — Mas… mas… por que? Isso não faz sentido…

    — Pois é, não faz sentido nenhum! E essa cor não é grisalho, é um branco completamente forte, fora do padrão de cor de cabelo grisalho.

    — Mas por que tem um traço branco no meu olho também???

    — Isso eu também não sei explicar, está fora do meu conhecimento e não sou cientista para saber se isso é efeito colateral das partículas.

    — Então quer dizer que vou ter que ficar sendo observado pelos cientistas?? — indaguei, assustado.

    — Bem, possível que sim, você é bem diferente dos rank cinza padrão, além de ter cura avançada ainda tem esses traços brancos que nenhum rank cinza obteve.

    — Faz sentido… Mas não sinto nada de diferente, então pode ser apenas uma característica na aparência e só.

    — Sim, isso mesmo, seu corpo não mudou nada, apenas essa aparência. Então tudo bem.

    — Mas doutora, o traço branco no olho dele lembra que estava embaixo? Agora está em cima.

    — Sim, bem reparado Itsuki! Mas todas as vezes que eu abria o olho dele esse traço estava em um lugar diferente. Deve ser uma partícula que se adentrou na íris dele e se movimenta por conta própria.

    — O que???? — gritei.

    — Calma, você não vai ficar cego, está tudo bem! — disse a doutora dando um tapinha leve na minha cabeça.

    — Agora espera aí que vou trazer comida para você. Itsuki, você quer ajudar também?

    — Sim! Quero ajudar no que for possível! — disse ela empolgada.

    — Então vai lá pegar as roupas do Yuki na mesa e troca ele.

    — Que??? — disse ela, sua alma saindo do corpo e sua cara quase explodindo de tão vermelha que estava.

    — Ham… — murmurei.

    Eu consigo me trocar tranquilo, não estou sem os movimentos do corpo e consigo me mover, por que ela disse isso?

    — Itsuki, eu consigo me trocar, só pega a roupa para mim hehe.

    — Ah… c-claro que sim, eu jamais iria te trocar, você não é bebê nem coisa do tipo! — disse ela enquanto saía fumaça de sua cabeça.

    As duas saíram do quarto para me ajudar, enquanto eu fiquei na cama.

    Mas por que meu cabelo ficou com essa mecha branca, e esse traço branco nos meus olhos é muito esquisito.

    Se algumas crianças já me olhavam estranho por ser revoltante, imagina agora com essa coloração estranha na cabeça e esse olho estranho.

    Por que isso acontece comigo? Quem é essa voz na minha cabeça? Isso está me deixando louco, acho que vou explodir.

    — Patético…

    Ham? De novo essa voz.

    — Por que você me chama de patético? Me responde quem é você?

    — Eu? Eu sou Purplerine, oras. — disse a doutora em frente à porta.

    — Ah, não… eu estou falando sozinho aqui, doutora, treinando para minha atuação com meus amigos, sabe, hehe.

    — Entendi… Talvez mentalmente você não esteja bem, que nem o corpo.

    — Estou bem sim, não se preocupe.

    Ela trouxe um prato com alguns alimentos nutritivos para mim.

    Enquanto a Itsuki trouxe roupas para mim, Itsuki saiu do quarto e eu tentei me trocar, mas com dificuldade, meu corpo estava fraco.

    Purplerine me ajudou a trocar de roupa, fiquei com vergonha vendo outra pessoa me trocando como se eu fosse um bebê.

    Logo em seguida ela saiu do quarto e a Itsuki voltou.

    Ela sentou do meu lado e ficou lendo um livro de fantasia em voz alta para eu escutar enquanto eu comia o que a Purplerine havia preparado para mim.

    Novamente, me sentindo um bebê e isso me deixa envergonhado.

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