Capítulo 65 - Consequência do egoísmo
THERMON AGOURO
A notícia sobre as novas habilidades de Jouci nos deixou em alerta. Não tinha como isso ser algo aleatório.
Pessoas com habilidades, diferentes do controle dos cinco tipos de mana, são tão raras quanto raposas-albinas de pêlo escuro. O mais próximo que temos de alguém assim é Tomoga, o líder dos elfos-de-gelo, com sua “mediunidade aleatória”.
Parte de mim estava contente por Jouci, mas nada, tão grandioso quanto uma habilidade de controlar sentimentos, seria dada a ela sem motivos. Algum preço precisaria ser pago em retorno, só não sabíamos qual era.
No dia seguinte, eu, Jouci, Alvo e Ven’e, nos preparamos para a audiência com o rei dos humanos. Rufo, o nosso anfitrião anterior, conseguiu marcar esta reunião com o seu monarca, mesmo depois do que Alvo fez. Pelo o que nos contaram, houve uma “briga” quando Alvo deixou seu posto como General das Forças de Proteção.
Esperava que nosso encontro com o líder dos humanos trouxesse resultados. Precisamos de aliados para enfrentar Vanir e a Rosa-dos-ventos.
Dei um beijo na testa de Jouci, que já estava do lado de fora da casa de Rubía. Depois apertei a mão de meu pai, me despedindo brevemente. Sem demora deixamos a casa de Rubía para encontrar o rei humano.
As ruas de Porto-Norte eram bastante agitadas. Via-se todo tipo de pessoa, assim como a primeira cidade humana, Arcos. Aqui existia uma concentração muito maior de soldados. Eles rondavam as ruas em grupos de quatro pessoas, portando armaduras prateadas, escudos e lanças.
— Esqueci de perguntar a Rufo o motivo da cidade estar tão… Segura? Meses atrás não havia toque de recolher ao anoitecer ou tantos soldados patrulhando — Alvo falou, enquanto passamos por um grupo de mercadores de peixe, rodeados por guardas.
Preferi não comentar. Algo me dizia que iríamos descobrir o motivo logo.
Certas vezes alguns grupos de soldados que patrulhavam a cidade faziam menção em parar nosso grupo, já que não é comum um anão e um casal de elfos-de-gelo estar zanzando pela cidade. Mas, sempre que viam Alvo, logo dispersavam.
Andamos durante meio ciclo até alcançarmos a entrada do castelo. A construção monumental ficava exatamente no centro da cidade. A longa escadaria, toda em pedra branca, maltrataria meus olhos contra a luz do sol, mas, para mim e Jouci, ambientes claros eram uma normalidade. O gelo do polo sul era bem mais brilhante.
Vários guardas protegiam a entrada. Ao nos verem, perceberam Alvo. Um dele disse:
— Chegaram no momento certo, General Alvo. O senhor Grenford o aguarda.
Paramos em frente aos soldados.
— Rapaz, não sou mais seu general. Pode me chamar apenas por meu nome.
O guarda ponderou um instante antes da réplica:
— O senhor sempre será nosso general!
Eles se afastaram do portão, nos cedendo passagem.
Olhei de esguelha para Alvo, que estava à minha esquerda, ele parecia um pouco desconcertado com a fala do rapaz, talvez até enrubescido… Não saberia dizer, ainda não acostumei com a tonalidade de pele “não-azulada”.
Jouci me seguia de perto, à minha direita. Ven’e estava no outro lado de Alvo, a sua esquerda.
A enorme escadaria subia num ângulo constante. Os mais de cem degraus cansaram minhas pernas.
Lá de cima conseguíamos ver toda a cidade e as planícies em volta. A região ao redor da cidade era bastante movimentada, com muitas pessoas indo e vindo. Pequenas propriedades de fazendeiros e agricultores despontavam no horizonte.
Jouci, a última a alcançar o topo das escadas, parou ao meu lado, ofegante.
— Podemos usar as asas-de-gelo da próxima vez? — Ela perguntou, apoiando as mãos nos joelhos.
— Asas-de-gelo? Consegue voar com gelo, escolhido? — Ven’e perguntou a mim, com certo entusiasmo.
Cocei a parte de trás da cabeça.
— É mesmo, não mencionei como chegamos aqui tão rápido. Erro meu. Sim consigo controlar uma espécie de-
— Depois conversamos sobre isso. Venham logo!
Alvo pareceu mais ríspido que o normal. Talvez o nervosismo em reencontrar seu monarca o afetou.
Seguimos o Escolhido humano pela entrada do palácio. Os serviçais do local nos viam, pararam seus afazeres e faziam longas reverências. Logo voltavam ao trabalho.
A arquitetura não era muito diferente da de Arcos. Haviam detalhes demais nos pilares. Janelas grandes demais. Riqueza demais. Aquilo me incomodava.
— Já devem saber disso, mas sejam o mais cordiais que conseguirem. Reis tendem a ser muito passionais… — Alvo nos alertou, sem olhar para trás.
— Se o seu rei tiver metade da loucura e empáfia do meu, temo que não vamos conseguir ajuda dos humanos — Ven’e comentou.
Chegamos a frente de uma porta dupla de madeira enorme. Ali devia ser o salão real.
Ajeitei o máximo que pude de minhas vestes. Olhei para Jouci, que fazia o mesmo.
— Como estou? — Ela perguntou.
— Você está linda como uma manhã congelada no polo-sul, minha querida!
Jouci enrubesceu e não conseguiu manter contato visual. Ven’e fez um som com a garganta que lembrava muito a reação de estar sentindo nojo.
— Casais novos… Eca!
Alvo não parecia prestar atenção em nós. Ele estava estático, com a face voltada para a enorme porta de madeira.
Havia dois guardas esperando a deixa para anunciarem nossa chegada. Alvo olhou para cada um deles e deu um aceno com a cabeça.
Os guardas escancararam as portas. Um deles tomou a frente e anunciou:
— Vossa majestade, os convidados estão aqui.
Alvo não esperou a breve introdução acabar antes de avançar até o meio do amplo salão, a passos largos.
O seguimos enquanto fitamos as pessoas no recinto. Uma dúzia de serviçais estavam dispostos nas paredes à direita e à esquerda. Mais ao fundo, um senhor, muito idoso, se sentava em um trono ornamentado com prata e ouro. Em sua cabeça uma coroa dourada e chamativa. Nas mãos uma bengala.
A última pessoa do recinto era Rufo Sote, nosso companheiro e conselheiro interino do rei. Ele estava a três passos de distância do seu monarca, como um braço direito, pronto para dar auxílio.
Alvo, que foi o primeiro a se aproximar, parou a cerca de dez passos do trono. Punhos cerrados. Dava para ver suas mandíbulas flexionando, devido ao aperto de seus dentes. Ele parecia nervoso e irritado.
Quando eu,Jouci e Ven’e alcançamos Alvo, um silêncio aterrador tomou conta do local.
Decidi fazer o primeiro movimento. Me ajoelhei, de cabeça baixa e falei:
— Agradecemos que tenha nos concedido um pouco de seu tempo, senhor Grenford. Sou Thermon Agouro, das tribos de elfos-de-gelos do polo-sul — Jouci se ajoelhou ao meu lado também. — É um prazer estar em tua presença. Essa é Jouci, e este é…
Antes que eu pudesse apresentar o anão, ele também se ajoelhou, entendendo o que tinha que fazer.
— Me chamo Ven’e, sou o escolhido dos anões. É uma honra conhecê-lo, senhor.
O rei nos olhou sem expressar qualquer tipo de reação. Ele nos olhava com o nariz um pouco empinado.
— Agradeço a educação dos três — Grenford olhou sem pressa em direção de Alvo. — Já para o humano que os acompanha, não posso dizer o mesmo.
A “alfinetada” surtiu bastante efeito. Dava para perceber uma veia saltando ao lado da têmpora do Escolhidos da energia. Talvez ele não estivesse preparado para este encontro, mas não tínhamos tempo a perder. Ele precisava engolir seu orgulho.
Rufo interveio, sabendo que Alvo não estava apto a responder naquele momento:
— Agradeço a presença de todos aqui. Solicitei esta audiência, com nosso bondoso monarca, para que possam fazer suas considerações e solicitações — Rufo juntou suas mãos à frente do corpo.
— Podem se levantar… Pois bem, digam o motivo desta visita inesperada — Grenford falou sem tirar os olhos de Alvo. Alvo também o fitava.
Após nos endireitarmos, Jouci tomou a frente do grupo.
— Peço autorização para falar — Ela aguardou o rei assentir com a cabeça. — Não sabemos o quanto o senhor sabe, vossa majestade. Rufo, o que contou ao seu rei?
— Ele sabe um pouco de tudo. Contei sobre a Rosa-dos-ventos, a iminente guerra no polo-sul e um pouco sobre os Marcados pelos deuses.
— Ótimo, isso nos poupa tempo. Senhor Grenford, o senhor entende em que posição nós estamos, certo? Sabe o quão perigoso é dar aos nossos inimigos ainda mais poder. Precisamos da sua ajuda.
— Acha que é simples assim, menina? Vocês contam histórias sobre deuses e guerras longe daqui, e espera que eu simplesmente ceda meu povo para lutar sua luta? Que garantias eu tenho de que estão falando a verdade? — O rei idoso falou, sem pressa ou malícia na voz. Era mais como se estivesse tentando me ensinar uma lição.
— Compreendemos sua posição, senhor. Estamos pedindo muito da nação humana, mas creio que não seja um pedido sem cabimento. A Rosa-dos-ventos causou muita dor e destruição nesta cidade. Tanta morte e sofrimento… — Jouci, que discursava por nós, olhou para Rufo. Acho que ela queria apelar para a compaixão do rei ao citar a “morte” de Pírio, afinal de contas, apenas nosso grupo sabia que ele estava vivo.
— O que garante que isso não é uma armadilha para enfraquecer ainda mais as fronteiras de minha capital? O que garante que a vinda de vocês aqui não é exatamente o que este tal “Vanir” quer? — Dessa vez o idoso foi mais incisivo em seu tom, quase ríspido.
— Ah, claro. Eu, o escolhido dos humanos, atravessaria meio continente para participar desse tipo de “ataque” a minha própria raça… Francamente, eu sabia que era perda de tempo virmos aqui! — Alvo cruzou os braços e virou seu corpo para esquerda, em direção a parede mais próxima. Assim ele não precisaria ficar encarando o trono.
— Não lhe foi dada a palavra, rapaz! — Grenford quase cuspiu quando falou “rapaz”. — Lembre-se que não está na presença de um qualquer. Exijo respeito em minha casa!
Alvo apenas bufou e continuou fitando a parede de pedra lisa.
Eu, Jouci e Rufo nos encaramos, tensos com a situação. Ven’e não parecia surpreso. Ele exalava um ar de: “Sabia que isso aconteceria!”.
Rufo tentou colocar a conversa nos trilhos novamente:
— Senhor, se me permite dizer, entendo sua preocupação, mas gostaria de pontuar algumas questões — Rufo deu um passo à frente e continuou. — Este pequeno grupo passou por muitas coisas nesses últimos meses. A garota à frente do grupo perdeu seu pai por conta das artimanhas de Vanir. Ven’e, o escolhido dos anões, se exilou de sua terra natal para nos ajudar com nossa causa, e Alvo… — O conselheiro do rei fez uma pausa, esperando que Alvo voltasse a olhar em sua direção. — Não direi que ele estava certo em deixar Porto-Norte, mas, hoje, consigo entender seus motivos. O peso nas costas dele é tão grande quanto o seu, vossa majestade. A responsabilidade de uma raça inteira recai sobre vocês dois — ele fez mais uma breve pausa, esperando que as palavras fossem devidamente absorvidas por nós. — Peço, pelo bem de todos que dependem do senhor: ouça o que eles têm a dizer!
Rufo sabia o que dizer para amolecer seu rei. O velhote, que estava sentado na ponta de seu trono, apertando os apoios de braço com raiva, respirou fundo e se recostou no assento.
— Seja breve, menina. O que, especificamente, esperam de mim?
Com a ordem do rei, Jouci limpou a garganta com duas tosses forçadas, e disse:
— Gostaríamos de um destacamento com seus melhores homens, para nos ajudarem em nossa batalha. Essa luta acontecerá em pouco mais de um ano. Me foi profetizado em um sonho com o deus Verde. Sabemos quando seremos atacados — Jouci foi tão direta quanto possível.
— Espera que eu envie centenas de soldados para lutar ao lado dos elfos-de-gelo, em temperaturas absurdamente baixas, por conta de um sonho que teve? Tem noção do peso de uma vida, garota? Quem dirá de um exército inteiro… — O idoso balançou a cabeça em negação, como se o simples ato de pedir aquilo para ele fosse um ultraje.
Alvo deu um passo à frente e ficou ao lado de Jouci.
— Se ela não tiver essa “noção” que se refere, eu a tenho! Ninguém presente nesta sala sabe, melhor do que eu, o peso da vida de soldados num campo de batalha — ele olhou em volta, procurando alguém que ousasse contrariá-lo. Ninguém o fez. — Por isso eu a apoio. O que ela não conseguir fazer, eu farei! Com ou sem sua ajuda participaremos dessa batalha. Mas, já adianto, se perdermos não haverá reino humano para o “senhor” governar… — Alvo chamar seu rei de “senhor” foi tão difícil que quase vi as palavras saindo de sua boca.
— Moleque insolente… — Senhor Grenford falou entredentes.
— Embora Alvo seja incisivo com suas palavras, — Rufo olhou irritado para o Escolhido dos humanos, depois se voltou para seu rei — ele tem razão, em parte… Deixar que nosso inimigo conquiste o polo sul seria muito grave, para todas as raças.
O rei entendia o que Rufo queria dizer. Permitir que seus inimigos conquistassem terras, por si só, já seria ultrajante, ainda mais sabendo que, com isso, seu poder bélico fosse expandido. Ele não podia ficar omisso. Nenhuma nação poderia.
Eu senti que faltava pouco para o rei humano aceitar nosso apelo. Então decidi falar pela primeira vez em muito tempo:
— Senhor, se me permite a palavra…
Todos me olharam, quase com espanto por ouvirem minha voz.
— Fale, Escolhido do sul — o rei permitiu.
— Não tenho muito a acrescentar nesse nosso pedido, mas posso relatar algo que nenhum de vocês presenciou… O tempo em que fiquei preso na base principal de Vanir me mostrou o quão maléfico e problemático ele é. Não existe simpatia ou paixão pelo o que ele faz. Ele despreza seus subordinados e está disposto a tudo pelos seus objetivos nefastos. Precisamos detê-lo!
O grande salão ficou em silêncio por um tempo
— Pois bem… Vou deliberar a solicitação de vocês. Enviaremos alguém para avisá-los de minha decisão. Por enquanto, estão dispensados.
— Antes de irmos, gostaria de perguntar algo a Rufo. Pode nos contar o que está acontecendo na cidade? Toque de recolher, mais guardas que o comum nas ruas… — Alvo pediu.
— Ah, é mesmo, vocês estavam em viagem nas últimas semanas… Tem ocorrido uma onda de roubos na cidade. Desde que saiu, Alvo, parece que os ladrões se sentiram mais seguros para agir. Se fossem só roubos e furtos seria fácil lidar, mas tem ocorrido ondas de violência entre a população. Pessoas começando brigas em meio a multidões, o que sempre levava ao caos… Não sabemos a real causa disso tudo, por isso colocamos mais guardas para para patrulhar e instituímos toque de recolher.
Alvo olhou em volta com aparente surpresa a esta informação. A menção do caos ocorrer por sua ausência não pareceu deixá-lo contente.
O rei pegou seu cajado, que descansava na lateral do trono, apoiou no objeto e levantou com certa dificuldade.
Os serviçais e Rufo ajoelharam quando ele se levantou, então achamos de bom tom fazer o mesmo.
— É Isso acontece quando tomamos decisões egoístas, Alvo. Suas decisões não afetam apenas a você!
Sem mais sermões, Grenford seguiu para o fundo do salão, em direção a uma saída lateral.
Na volta para a casa de Rubía, Alvo não falou. Ele olhava para seus pés, pensativo.
jouci seguia ao meu lado, de mãos dadas comigo.
No meio do caminho, Ven’e comentou:
— Ao meu ver o saldo foi bastante positivo. Se fosse o rei dos anões naquela sala, teria mandado decapitar Alvo por insolência.
— Fico contente que, pelo menos, ele nos ouviu — Jouci falou, olhando as nuvens acima de nós.
— O que acha, Alvo. Temos chance de ter ajuda do exército humano? — Tentei tirar Alvo de seu estupor.
Ele não respondeu de imediato.
— O velhote pode ser cabeça dura, mas ele geralmente faz a coisa certa. Acho que teremos sim a ajuda dos humanos…
Alvo, em momento algum deixou de fitar seus pés. Seu tom não parecia querer transmitir esperança.
— Bem, se ele vai nos ajudar, isso é uma ótima notícia, não? — Jouci tentou perguntar.
— É…
A “quase” indiferença de Alvo era “quase” preocupante. Sabíamos o motivo dele estar cabisbaixo, então decidimos dar espaço a ele.
Chegando a casa de Rubía, Alvo não falou com ninguém. Se dirigiu até um dos quartos, construídos por Ven’e, e lá ficou o restante da tarde.
Durante o jantar, todos estavam conversando sobre o clima ou anormalidades da vida na cidade, quando Alvo saiu do quarto e se juntou a nós na sala. Ninguém cobrou explicações por sua quietude ou pediu para ele interagir conosco.
Entre uma fala e outra entre Tobin e Jouci, minha companheira disse:
— … preciso voltar à floresta Galho-Perpétuo novamente. Mesmo que seja um lugar que me trás lembranças tristes, gostaria de conhecer as cachoeiras que mencionou Tobin. Descreveu tão bem elas que até parece que eu vi o que você viu…
Listro, que estava a dois lugares de distância de mim, levantou a cabeça rapidamente, como se despertasse de um transe.
— É isso. Como não pensei nisso antes? Obrigado, Jouci!
Todos a olhavam com certa incredulidade.
— De nada? — Disse Jouci, de cenho franzido.
— Você me deu uma ideia de como fazer Pírio a nos explicar sobre seu juramento, sem morrer no processo!
“Dentro da floresta existe uma clareira, tão imensa, que quase parece um novo bioma. Lá realizamos todo tipo de treinamento militar. Algumas famílias até viajam para este local, em busca de áreas diferentes, mesmo dentro das dependências de Galho-Perpétuo. Eu levo vocês depois que toda essa bagunça acabar.”
Tobirin, príncipe dos elfos.

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