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    Já em outro lugar, Akane curava os ferimentos do Solum enquanto Kamito tentava estabilizar sua energia. Yujiro fazia perguntas, Ryruka os observava do canto da sala. Lília estava incrédula. Como que ninguém notou a presença de três Manifestadores? Mantendo a calma, Yujiro tentava extrair informações do amigo.

    — Kamito, pode nos contar. Está tudo bem. Eu confio em você e sei que o que houve foi uma infeliz coincidência. Quem eles eram? — ele o analisava com destreza.

    Mas Kamito sabia que, por trás de palavras tão amigáveis, estava o intuito forte de obter respostas. Yujiro ajeitava os óculos com calma, fechando os olhos.

    — Precisamos que você nos diga. Aqueles homens feriram inocentes. Você disse que protegeria essa cidade e essas pessoas. Eu também quero isso, Kamito, então confie em mim. Você sabe que estou do seu lado.

    — Não foi uma infeliz coincidência, Yujiro. Eles estavam atrás de mim e da Akane. — ele suspirou, era hora de contar a verdade. — Há três dias, um Carniceiro me atacou. Ele disse que o imperador do Extra-Mundo tinha um grande interesse em mim e que me queria ao lado dele. Hoje, aqueles homens disseram a mesma coisa. Eu deveria ter contado isso antes, mas não queria preocupá-los. Vocês já se preocupam demais comigo e com a estabilidade da minha energia.

    Akane o fitava com choque, o que deixou o rapaz ainda mais constrangido. Os outros reagiram da mesma forma, com exceção de Ryruka e Coruja, que já sabiam sobre esse ocorrido graças ao Solum.

    — Me desculpar não vai mudar o que fiz… Se eu tivesse contado antes, esse ataque seria evitado. Fui egoísta em não ter compartilhado uma informação tão valiosa. Isso colocou a vida de várias pessoas em perigo, inclusive a sua, Akane.

    — Você sabe o risco que correu, idiota?! — Lília se enfureceu. — Você estava quase se entregando de bandeja e nós nem teríamos como saber quem seriam os responsáveis. Você não aprende mesmo, não é? Você é um idiota.

    Apesar do descontentamento, ela parecia mais preocupada com a possibilidade de não ter mais onde ficar. Se pudesse, bateria no rapaz ali mesmo.

    — Espero que isso não se repita. Eu deveria ter percebido que você estava mais estranho do que o normal hoje de manhã. Então, era isso no fim das contas.

    — Kamito, por que não me contou a verdade desde o início?! Achou que esconder tudo de mim me protegeria?! Idiota! Por que você sempre faz isso? Por quê?

    Furiosa, Akane se dirigiu ao namorado com passadas largas. Batia no peito do rapaz após ele se levantar, assustado. Os socos ficaram mais lentos. Quando parou, encostou a cabeça no peito no namorado e chorou. Não sentia raiva, e sim tristeza.

    — O que seria de mim se você morresse ou fosse levado?! Você não pode fazer isso! Você não pode me deixar! Não me importo se é perigoso ou não, não esconda nada de mim! Eu também sou uma Manifestadora e também faço parte da Ordem, então por quê?! — suas lágrimas pingavam no chão.

    — Porque ele também não faz a mínima ideia do que está acontecendo, Akane, mas eu prendo explicar. — interrompeu Raishi.

    Acompanhado pela Ruby, ele nos olhava calmamente enquanto se sentava.

    — O Extra-Mundo está em guerra contra um império que se estabeleceu anos atrás. Ninguém sabe como cresceu tão rápido, e ninguém o desafia pois o imperador é um homem cruel. Isso mudou quando um grupo rebelde, Emota, atacou o palácio do imperador. Eles falharam, infelizmente, mas criaram a faísca para o início de uma rebelião. Qual é a relação disso com o ataque de hoje? Ao que parece, um espião do império teve conhecimento das operações da Ordem na Terra, e também das suas Manifestações, Kamito e Akane. — ele fez uma breve pausa.

    — Coruja e os outros estavam tentando descobrir o motivo de tantos batedores virem para cá em pouco tempo, o ataque de hoje comprovou nossas suspeitas. Foi por isso que os convoquei hoje. Quero comunicá-los sobre a minha decisão.

    — Por isso estamos correndo tanto perigo, Raishi?! O que você decidiu?! Por que não nos contou isso antes?! — Kamito o olhava com espanto. Pensava que o “imperador” era um título de fachada dado a um louco qualquer. Não era. Uma guerra real estava sendo travada no outro mundo. — Você não quer nos envolver nisso ou você não confia mais em nós?! Porque, olha, parece que todos os outros já sabiam sobre isso.

    — Claro que sabemos, somos do Extra-Mundo. Apesar de vivermos na Terra, lá ainda é nosso lar. Vocês não possuem vínculo algum com aquele lugar, por que iriam querer ajudar? Por isso não queríamos envolvê-los. Essa é nossa guerra, não de vocês. — Ryruka caminhava até o centro da sala. A seriedade em seu semblante fez Akane se afastar involuntariamente. — Por que se importa tanto?! Você não se envolveria se não fosse atacado hoje. Te conhecendo, tenho certeza de que se envolverá por conta do ataque a escola. Quer saber? Eu não irei te impedir. Faça o que achar melhor.

    — Não é bem assim, Ryruka. — Raishi pontuou. — Eu os deixei de fora pelo simples fato de eles quererem paz. Ambos lutaram para proteger essa cidade e eu não queria fazer eles lutarem por um mundo que não é deles. Isso não seria justo.

    Ele se levantou e manifestou uma leve aura, chamando as atenções para si.

    — Vou direto ao motivo de tê-los reunidos. Eu decidi que a Ordem irá para o Extra-Mundo. Estou oficialmente declarando guerra ao império. Antes, eu planejava lidar com os invasores que viriam para cá para impedir que levassem informações sobre Terra. Mas agora que sabemos a verdade, não podemos esperar. Aqui, estamos em desvantagem numérica. Lá, podemos recrutar aliados e atacar o império ativamente. Akane, Kamito, como da primeira vez, a escolha ainda é de vocês. Não irei obrigá-los a nada, mas devo alertá-los de que agora vocês são alvos do império. Não só vocês como a Terra correrão perigo. O que dizem?

    — Eu aceito! Se eles estão atrás de mim, a melhor forma de resolver isso é indo para lá. Farei eles pagarem por terem destruído minha escola e ferido inocentes! — Kamito sorriu, estendendo o braço com o punho fechado.

    Yujiro, Camily e Lília apoiaram a ideia; Ryruka não gostou. Restava Akane.

    — O que me diz, Akane?! Poderemos lutar lado a lado de novo. E eu prometo nunca mais esconder nada de você.

    — Eu também aceito. Não posso te deixar sozinho lá. Prometi que seria seu escudo e pretendo cumprir com isso! — ela segurou a mão do namorado e sorriu. Queria explicitar a decisão de protegê-lo até ele entender. — Kamito, eu espero de verdade que você não esconda mais nada de mim. Eu… Eu realmente não sei o que faria sem você. Dessa vez, eu irei te proteger, ok? Está na hora de você ver o quanto sou forte!

    — Vocês fazem muito barulho! Não se pode mais descansar? — Solum se levantava da cama, aparentemente recuperado. — O importante é que tenho a resposta que eu queria. Finalmente vamos derrubar o império. Eu sonhei com esse momento desde que me juntei à Ordem. Uma guerra de verdade, bem melhor que matar carniceiros.

    Seu sorriso escondia outro propósito: reencontrar a melhor amiga.

    — Quando partimos? Estou louco para acabar com alguns imperiais.

    — Está se precipitando, Solum. — disse Coruja. — Primeiro, iremos nos estabelecer lá. Depois, formar alianças e, somente então, poderemos atacar o império com todas as nossas forças. Aliás, nós já possuímos aliados em potencial.

    Ele criou uma tela, exibindo o perfil de três homens e duas mulheres.

    — Esses são os perfis dos membros da organização rebelde conhecida como Emota. Eles foram criados através de informações de Harpia e Pombo, que atualmente estão nos passando informações lá do Extra-Mundo. Esse quinteto aceitou conversar com nosso grupo, já que temos os mesmos ideais.

    — Emota? Não sei se gosto desse nome. Parece mais com o nome de vilões do que de heróis. Tem certeza de que eles são confiáveis? — Camily parecia apreensiva, assim como Akane e Kamito. O panorama de uma guerra era assustador. — M-mas eu confio em vocês. Sei que não fariam nada precipitado, eu acho.

    — Tenha mais confiança, Camily. Eu te treinei para aguentar qualquer coisa. Tenho certeza de que você está mais do que pronta. — Yujiro sorriu.

    Ele parecia bastante calmo com a ideia de voltar ao Extra-Mundo e lutar em uma guerra contra um império. Logo depois, olhou para Ryruka e ajeitou os óculos.

    — E você, Ryruka? Animada para finalmente voltar para a casa? Era o que você mais queria, apesar de não ser da forma que você gostaria.

    — Não importa as circunstâncias, eu mal tenho lembranças de lá. E lembre-se: nós estamos indo a serviço da Ordem, não para um passeio. — ela cruzou os braços, o fitando com seriedade. Mas, pouco depois, trocaram sorrisos fracos.

    As atenções logo se voltaram para as informações coletadas pelo Coruja.

    — Ao que parece, vamos mesmo para uma guerra. Arrumem as malas, crianças. Nós iremos ao Extra-Mundo daqui um dia. Estejam preparados. — Raishi sorria enquanto olhava os perfis dos membros da Emota. Ruby, ao seu lado, parecia apreensiva.

    Ir ao Extra-Mundo e lutar contra uma ameaça que o devastava certamente não estava nos planos de Kamito e Akane. Mas, mesmo que aquele mundo não fosse deles, a luta passou a ser. Os medos e apreensões do que os aguardava lá tomavam a mente de cada um. Uma nova luta estava se iniciando e não havia mais volta.

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