Índice de Capítulo

    Primeira vez em uma sala de aula completa, cheia de alunos, todos vestidos com a roupa padrão da escola, formando praticamente um coral.

    No meio desse coral, há uma garota de cabelo verde me encarando desde que entrei na sala. Me pergunto se ela está fazendo isso para me analisar e ver se estou à altura de suas expectativas, ou se está me julgando por eu ter entrado nessa ótima sala.

    Claro, penso nisso porque acho que o Okawara já deve ter contado para a Aikyo sobre a investigação e que eu irei ajudá-la. Por esse motivo, talvez ela esteja me observando.

    Junto dela, sua irmã Katsu, sentada ao seu lado, estava apoiada com os braços sobre a mesa enquanto mexia no próprio cabelo, sem se preocupar com o resto da sala.

    Itsuki está sentada na cadeira à frente da minha, mas seu corpo está virado para mim, apoiada com o cotovelo na cadeira e a mão segurando o queixo. Seus olhos estavam voltados para mim, com um sorriso no rosto, quando disse:

    — O que está olhando?

    — Estou olhando aquela menina de cabelo verde. Percebe que ela está me olhando como se estivesse me julgando? Isso é muito desconfortável.

    Itsuki desfez a pose e olhou de volta para a garota que mencionei, porém, como é bem tímida, quando percebeu que Aikyo a encarou de volta, rapidamente voltou o olhar para mim.

    — Que foi, coração? — indaguei.

    — N-nada! É que… não consigo olhar alguém nos olhos de volta…

    — Consegue sim. Você olha para mim nos olhos, então consegue!

    — Mas com você é diferente… você é meu melhor amigo. — disse ela, com as bochechas coradas.

    — Faz sentido, hehe.

    Mais cedo, o professor havia entregue nossos tablets, e tanto o meu quanto o da Itsuki exigiam uma configuração de identificação. Conseguimos fazer sem muita dificuldade.

    Depois disso, tivemos uma aula de como utilizar o tablet na prática. Pensei que seria igual ao do Okawara, mas esse aqui era bem diferente — e bem mais restrito.

    Agora estamos esperando o professor voltar com nossos cartões de compra. Cartões que armazenam os pontos de compra que iremos ganhar neste ano aqui na turma.

    Eu usava antes o cartão de compra do Okawara, mas agora terei o meu próprio. Isso é até divertido.

    — Yuki, o que você vai fazer depois daqui? Acho que hoje vamos embora mais cedo.

    — Acho que vou à biblioteca. Quer ir comigo?

    — Na biblioteca? Hmmm… claro que vou! — disse ela, sorrindo.

    Eu precisava conversar com a Aikyo sobre a investigação, mas o diretor havia me dito para não contar a ninguém que eu e a Aikyo estávamos nessa missão.

    Por isso, não posso ir direto até ela agora, ainda mais com a Itsuki comigo.

    Mas, ao olhar novamente para a Aikyo, ela continuava me observando. Não sei se ela vai vir falar comigo ou se vai ficar assim até a aula acabar.

    — Itsuki, você conhece bem essa tal de Aikyo?

    Itsuki fechou a cara e respondeu, seca:

    — Não!

    Ela virou o corpo para frente novamente, ficando de costas para mim.

    — Itsuki? O que foi? O que aconteceu? — perguntei, cutucando suas costas.

    Ela deu de ombros e disse:

    — Você está interessado na menina de cabelos verdes, né?

    — Interessado? Itsuki, eu só quero saber por que ela está me olhando. Eu não vou te largar, não precisa ficar assim!

    Coloquei a mão no ombro direito dela.

    Ela virou a cabeça levemente e, com o movimento, seu cabelo passou pela minha mão. Olhando fixamente para o próprio ombro, abriu um sorriso meigo.

    — Tá bom… eu confio em você. — disse ela.

    Sorri de volta.

    Nesse momento, o professor chegou segurando dois cartões na mão. Provavelmente eram para nós.

    — Itsuki e Yuki, façam o favor de vir até a minha mesa.

    Quando ficamos de frente para a mesa do professor, de costas para a sala, senti uma energia de ódio vinda de trás de mim. Será que era de todos os alunos?

    A sensação era imensa, pesada, em sintonia, como se todos estivessem sentindo a mesma coisa. Sinto também a impressão de que todos estão olhando para a gente. Quero muito me virar para confirmar, mas não é necessário.

    — Quero que vocês assinem este documento, confirmando que receberam seus cartões.

    O documento tinha muitos parágrafos, o que mostrava o quão sério era possuir e usar aquele cartão.

    Depois de assinarmos, ele nos entregou os cartões, e voltamos para nossos lugares.

    O professor se levantou e ficou no meio da sala.

    — Pessoal, quero falar apenas mais uma coisa antes da criação dos grupos fixos para os exames.

    Os alunos, que estavam espalhados em grupos, sentaram-se em seus lugares.

    Fiquei levemente preocupado com o que ele disse: grupos fixos para exames.

    — Bom, acabei de saber que houve uma mudança em relação aos exames de grupo fixo.

    — De novo?? — disse a sala inteira em coro.

    — Sim! E isso veio direto do diretor, nem foi o conselho que decidiu!

    — Mas professor, isso não é contra as regras? — perguntou a menina de cabelos negros na primeira cadeira.

    — Não exatamente. Vindo do diretor, com uma carta de emergência, pode.

    — Logo uma carta de emergência… então é uma mudança urgente… — comentou um menino loiro no meio da sala.

    — Enfim, para os dois novatos que não me conhecem, meu nome é Ikari Dio. Sou professor de Geografia. — disse ele, colocando a mão no peito e curvando levemente o corpo.

    — Agora, sobre a nova instrução: o conselho irá escolher um trio de pessoas para formar o grupo, porém, no dia do exame em grupo, vocês não irão atuar juntos, apenas pontuar como grupo. Entenderam?

    — Então quer dizer que, dessa forma, podemos atrapalhar a nós mesmos na competição de grupos? — disse Aikyo.

    — Sob esse ponto de vista, sim. Por isso o próprio conselho vai escolher os grupos.

    — Mas por quê? — perguntou Katsu.

    — Não sabemos. Foi decisão do diretor.

    — Mas não está tendo a disputa pela presidência do conselho? — alguém questionou.

    — Vai continuar sendo a Abe até que a disputa termine. — respondeu o professor.

    — Isso está muito estranho… — murmurou uma aluna ao meu lado.

    — Continuando: os pontos seguem o mesmo sistema, porém agora há punições severas para o grupo caso haja alguma violação das regras.

    — Severas como? — perguntou a menina de óculos cat-eye no canto da sala.

    — Antes era perda de pontos de compra e nota. Agora será expulsão.

    — QUÊ??? — a sala inteira gritou.

    — Enfim, os grupos que terminarem entre os três primeiros até o final do ano serão premiados: terceiro lugar recebe a Pedra Safira, segundo a Esmeralda e primeiro a Opala Negra.

    — E a Pedra do Sol, professor? Ainda é só quem é escolhido pelo Shuukyo? — perguntou a menina de cabelos negros.

    — Sim. Apenas ele concede essa pedra.

    — Que saco… queria poder ter essa pedra, ela é tão linda. — comentou a aluna.

    — Quem reunir pedras suficientes poderá entrar em grupos específicos dos escolhidos e, ao final do período escolar, ingressar na faculdade correspondente.

    — Então, nesse caso, os pontos de nota não significam nada? — perguntou o menino loiro.

    — Exato. — confirmou o professor.

    — Que legal! Eu já tenho uma Pedra Safira, só mais algumas e entro no grupo dos escolhidos! — disse a menina ao meu lado, animada.

    — Agora, alunos, podem ir embora. Amanhã começam as aulas. Que este seja um ótimo ano para todos nós.

    Os alunos se levantaram e saíram da sala, alguns felizes, outros claramente irritados com a mudança.

    Pelo que entendi, agora teremos grupos definidos, mas não atuaremos juntos nos exames. Isso significa que podemos acabar ajudando outros grupos e prejudicando o nosso. Um dilema difícil: ajudar o grupo e perder pontos individuais, ou o contrário.

    — Yuki… e agora? — disse Itsuki, me abraçando forte.

    — E agora o quê? — perguntei, um pouco sufocado.

    — E se a gente não cair no mesmo grupo?

    — Talvez seja melhor assim. Dessa forma, podemos cair juntos no dia do exame e eu não preciso te atrapalhar, não é?

    — Faz sentido… mas mesmo assim, queria ficar no seu grupo. Ainda tem reuniões de grupo… vou ficar sem você…

    Senti o coração dela acelerar. Pela nossa conexão, senti o medo.

    — Calma. Respira. Olha pra mim, nos meus olhos.

    Ela levantou o rosto. Seus olhos azuis são marcantes — e, talvez seja coisa da minha cabeça, mas o azul dela é diferente do azul comum daqui.

    — Eu prometi que ficaria com você até o fim, te protegendo, não prometi? Então por que está com medo?

    — Eu… eu…

    Beijei sua bochecha, tentando transmitir calma.

    Senti seu coração desacelerar, e o medo sumir.

    — Desculpa atrapalhar esse momento romântico, mas garoto, preciso falar com você. — disse Aikyo.

    A Itsuki ficou tensa de novo, o que estava funcionando agora voltou a estaca zero.

    — Comigo? Por quê?

    — Só me segue. Tem que ser só eu e você.

    O olhar dela estava frio, quase negro. Me lembrou o Okawara no início.

    Mas uma coisa me chamou atenção, a menina que estava do lado dela…Katsu?

    — Espera… por que essa menina…tem sua cara???? — perguntei, apontando para Katsu.

    — Mas que pergunta idiota é essa? ela é minha irmã gêmea! Acabaram as perguntas? Então me segue.

    — Por que ela não pode vir comigo? Ou por que não fala aqui? — perguntei, segurando a mão da Itsuki.

    — Você é idiota? Não entende o que isso significa? Por isso odeio garotos. — disse Aikyo, cruzando os braços.

    — Vai logo, Yuki. Minha irmã é paciente, mas não provoque a fera. Eu fico aqui com sua namorada. — disse Katsu, sorrindo.

    — Ela não é minha namorada, é minha amiga!

    Itsuki escondeu o rosto no meu braço, corada.

    — Sei, hihi. — murmurou Katsu.

    — Vai vir ou não, garoto?

    Olhei para Itsuki. Senti sua mão suada e trêmula.

    O que eu faço?

    Se isso for sobre a investigação, ela não pode saber. Mas se eu a deixar, perco um pouco de sua confiança.

    Olhei para o anel no meu dedo. O anel que minha mãe me deu. Vi nele uma oportunidade para me salvar dessa situação.

    Tirei o anel e mostrei para Itsuki.

    — Esse anel é a única coisa que minha mãe me deixou. Ele me dá força e coragem. Quero que você fique com ele até eu voltar. Consegue?

    Ela segurou o anel com delicadeza, olhou para mim e assentiu.

    — Consigo… mas tem certeza?

    — Tenho. Eu confio em você.

    Ela sorriu, e senti seu coração se acalmar.

    — Já volto. — disse, abraçando-a.

    Ela me abraçou forte e beijou minha bochecha.

    Deixei-a com a Katsu e segui a Aikyo até o canto da sala.

    Tenho certeza de que isso tem a ver com a investigação.

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