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    — Sai dessa! — retrucou Damien, empurrando o rosto. — Só sou maltratado! Quero ver quem vai bancar essas suas roupas além de mim. Ugh!

    Pfft! — Quebrei de rir no mesmo instante! Como pode esse cara levar algo tão a sério? — Cê é muito fácil de irritar — comentei, tapando a boca cheia de panqueca. — Talvez isso seja uma qualidade para algumas garotas, viu, garanhão? 

    — Eu não quero isso — respondeu, puxando uma caixa do bolso. Algo retangular com uma pequena abertura na parte superior. Logo, abriu o compartimento, mostrando pequenos tubos. — Ainda vamos naquela nova loja onde estão vendendo roupas fofas que você me falou outro dia? 

    Ah!

    Já tinha esquecido completamente desse fato! 

    Comi mais um pedaço da panqueca, saboreando o sabor inesquecível. Estava tudo na medida mais certa, e tudo casava de forma perfeita.

    Vai ver é um plano maligno de Damien… “A Dominação Mundial Com Panquecas 3000”! 

    Ou talvez esse nome só seja horrível mesmo.

    — Quer ir, mesmo? 

    Ele colocou o objeto na boca, acendendo com um isqueiro que havia puxado de seu bolso. A fumaça subiu no mesmo instante, e o cheiro horrível inundou o ambiente.

    Não entendia como os humanos gostam mesmo desse tal “cigarro”. Afinal, Damien não era o primeiro fumante que havia visto quando cheguei a essa terra.

    Pelo visto, ainda fazia mal aos seus pulmões! Como podem ser tão burros ao ponto de usar algo que prejudica a saúde? Não faz o menor sentido.

    É como se fosse uma desistência lenta.

    — Sim, é claro. Você me falou toda animada outro dia. Não ligo de lhe acompanhar até lá e ver essas tais “roupas fofas”. — Deu uma tragada, soltando fumaça.

    Estendi minha mão até o lado aceso do cigarro, apagando o fogo com as pontas de meus dedos. Damien ficou surpreso num instante, mas antes que pudesse contestar, o interrompi.

    — Não use esses objetos comigo por perto. Fede muito e atrapalha minha visão — comentei. — Não quero mais ver você usando eles.

    — Quantas regras! Ontem foi o noticiário e hoje foi meu cigarro… Daqui a pouco não vai nem permitir água pra mim.

    — Deixa de ser dramático! Eu vi que essa coisinha aí mata, então, é melhor ficar longe.

    — E você acha que eu não sei?

    — Você sabe? — Levantei da cadeira rapidamente, batendo na mesa. — Me diga por que você ainda usa, então!

    — É porque… Ugh! Não devo satisfações a você! Eu só fumo e pronto.

    Aquilo doeu no peito.

    Foi uma pontada rápida que não me trouxe mais raiva, mas sim tristeza. Como diabos poderiam escolher morrer ao invés de viver? 

    Estava chateada. Muito chateada com o que acabara de escutar sair de sua boca. Minha raiva e tristeza se misturavam numa grande onda de…

    De…

    Eu não sei explicar direito. Só eram sensações que não conseguia suportar, como uma grande bomba.

    Saí da cozinha em um vulto, sem querer escutar a voz ou ver ele mais uma vez.

    No meu quarto, pus a primeira roupa que encontrei, colocando alguns acessórios o mais rápido que podia. Alguns acabaram caindo enquanto colocava outros, mas nem me importei.

    Acabei ficando com algumas presilhas e pulseiras, junto de uma jaqueta um tanto quanto estilosa.

    Bati em retirada para fora da casa sem olhar para trás e nem ligar para os choramingos de Damien vindo da sala.

    Nem sequer olhei para seu rosto, como eu mesmo havia prometido a mim mesmo. Foi uma sensação horrível ter ignorado? Sim, né. Mas foi pior quando ele falou aquelas coisas pra mim.

    Ah, dane-se! Eu até poderia admitir que foi um pouco demais a minha reação, mas era tarde demais para voltar com a minha palavra. Não deveria parecer tão fraca ao ponto de não seguir simples coisas.

    Meus pés se moviam de forma desorientada, sem saber para onde estavam indo. O sol iluminava aquela linda manhã, agora estragada pelo mau humor.

    Que nojo! Por que ele tinha de ser tão… babaca?

    Cerrei os punhos, pondo mais força nos passos que dava. Naquele ponto, já havia decidido o meu destino: iria para aquela loja sozinha. 

    — Por que? Por que? Por que…? — murmurava, ainda com toda aquela situação na cabeça. Tudo girava e girava, talvez um grande sintoma do estresse que sentia. — Esse… Esse idiota insuportável.

    É tudo…

    É…

    — Você tá bem, Daiane? — Uma voz chamou-me. Não era tão familiar quanto às outras das quais estava acostumada, mas era de alguém com quem tive contato recentemente. Ela pôs os braços à minha frente, impedindo-me de cair ao chão.

    — Cecília…? O que você tá fazendo aqui? — disse, a cabeça ainda girando. Forcei meu corpo mais um pouco para que pudesse recusar sua ajuda. — Você tá… com uma roupa bem… agressiva.

    — Uai… Tô mesmo? — retrucou, olhando para seu look. — Não parece. Só delírio seu.

    — Delírio? E esses espinhos nas suas pulseiras?

    — Se chama estilo, querida. E isso eu tenho de montão! Hehe — respondeu, forçando mais uma vez seu corpo como um apoio, guiando-me até um banco próximo. — Mas você não parece nada bem. Algo aconteceu?

    — Uh… Nada demais… Tô só muito cansada, sabe? — disse, sentando-me no banco. — Queria ter chegado à lojinha de roupas… Seria bom demais comprar mais algumas coisas fofas para meu armário.

    — Fala da Flor de Lótus? Aquela nova loja?

    Assim que escutei o nome do paraíso, meu corpo se encheu de energia.

    — É ela mesmo! — falei, levantando do banco como se nem tivesse passado mal. — Você acabou de me lembrar o nome da loja. Agora mesmo eu tenho mais motivos para chegar a esse lugar que chamo de céu.

    — Você… Você é estranha mesmo — comentou, rindo baixo. — Mas de uma maneira boa, eu acho. Bem, quer que eu lhe acompanhe nessa viagem? Eu preciso comprar algumas coisas lá também.

    — É presente? 

    — Uau… Como sabia?

    Pfft! É óbvio! Seu estilo não combina com as roupas que vendem lá. — Estalei os dedos, me sentindo a maior das detetives. — E, como último palpite, diria que é um presente para Scarlett!

    Apontei para ela, que ainda estava sentada no banco, dando uma piscada genial.

    — Você acertou mais uma vez. Parabéns, Daiane! — Ela começou a rir, mas não de uma maneira provocativa. — Eu preciso consertar as coisas com ela, e sinto que algo fofo pode ajudar. Bem, espero muito que ajude, sabe? Se não…

    — Ah, que isso! Não pense negativamente. Vai dar certo, viu? Porque eu tô aqui, cacete!


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