Alguns dias se passaram desde que Luke e Sam chegaram na cidade. O Hotel Stella era realmente impressionante, além de abrigar milhares de pessoas, também tinha muita coisa para fazer nele. Havia uma ala de treinos que possuía uma grande academia e várias áreas de treino específicas, alas médicas, salas de estudos, um espaço de lazer chamado “Lunaspace”, e a grande praça de alimentação.

    Um fato interessante sobre a praça de alimentação, era que as comidas compradas lá, eram as mesmas do mundo real. Sim, era só ir em algum dos autômatos atendentes e dizer qual comida de qual lugar você queria, de algum modo eles traziam exatamente o que você pedia.

    Luke chegou na conclusão de que os alienígenas iam para a terra disfarçados de humanos, assim como o motorista do ônibus, e aí eles iam até o local, compravam a comida e voltavam para Automatuz.

    A cidade Automata também era muito interessante, diferente de tudo que Luke já viu em seus dezenove anos de vida. Ela era realmente como alien disse, colossal.

    O Hotel Stella era só mais um dos inúmeros hotéis que existiam na cidade, havia edifícios imensos, com inúmeros apartamentos que a maioria das pessoas usavam como lar, já que era melhor alugar um apartamento do que um quarto em hotéis como o Stella.

    Luke estava aproveitando o fato que tinha tudo de graça por um tempo, mas logo iria sair de lá, pois tudo naquele hotel custava muito caro, somente exploradores de alto nível e pessoas com muito dinheiro poderiam pagar por uma estadia em um hotel desses.

    Mas Luke não chegou a ver tantas pessoas deste calibre lá dentro, já que a ala dos recém-chegados era separada da ala dos hóspedes comuns. Mas fora do hotel, havia pessoas de todos os tipos.

    Na cidade havia inúmeras lojas, áreas para diversos tipos de coisa, muitas luzes e veículos voadores. Era tudo muito parecido com aquelas cidades de filmes de ficção científica. Também havia o “LightTrain”, uma espécie de trem bala que andava sob os céus da cidade. Na verdade, havia muitos deles.

    A maioria dos lugares e comércios mais importantes em Automata eram controlados e atendidos por autômatos, mas também havia inúmeros comércios de pessoas reais que vendiam itens, serviços etc. Alguns eram vendedores ambulantes, e outros alugavam espaços para montar suas lojas.

    Muitos itens chamavam a atenção de Luke quando ele andava na rua, mas ele não podia comprar, além de tudo ser muito caro, a maioria dos vendedores pertenciam a mundos mais avançados, e não era possível portar um item de um mundo que não seja o seu.

    Havia pessoas de todos os mundos, com exceção do sexto e do quinto, já que ninguém havia chegado no sexto até hoje, e o quinto também era um grande mistério.

    Luke passou a maior parte dos seus dias treinando seu RAI, seu físico e estudando sobre Astralion. Ele conseguiu descobrir algumas informações básicas sobre cada planeta e suas luas.

    Dravion era o segundo planeta, também era o que mais deixou Luke interessado. Era um planeta completamente devastado e destruído devido à uma estrela que caiu nele. Diferente de Automatuz, ele não tinha uma cidade imensa para abrigar as pessoas ou servir qualquer tipo de mordomia. Na verdade, nenhum outro planeta, fora Automatuz, parecia ter algo do tipo, apenas alguns vilarejos, cidadelas ou bases feitas pelos próprios humanos.

    Dravion fora o planeta que Luke mais conseguiu informações, e mesmo assim, não descobriu nada relacionado à Astrobesta e coisas mas específicas, essas informações eram valiosas.

    Assim como também não conseguiu quase nenhuma informação sobre os demais planetas, apenas descobriu que alguns planetas possuíam luas habitáveis, que ninguém nunca sequer pisou no último planeta, e que o quinto planeta também teve pouquíssimas visitas.

    As informações sobre os planetas eram valiosas, por mais que pessoas se misturassem o tempo todo, não era qualquer um que possuía o conhecimento sobre todos os planetas.

    ***

    A corrolune estava se dissipando, já era o décimo segundo dia desde que Luke e Sam chegaram na cidade, em dois dias, eles iriam se reencontrar com Damian e seu grupo.

    Luke tentou procurar duas pessoas fortes ou minimamente experientes para entrar no grupo de Damian, mas infelizmente ninguém estava interessado, a maioria já estava associada à alguma guilda. E ele também não possuía tantas informações sobre o grupo dos rapazes misteriosos.

    Ele e Sam não ficaram no mesmo quarto, havia a ala feminina e a masculina, e eles acabaram sendo separados. Mas isso não foi um problema, os dois se tornaram amigos dos seus colegas de quarto que também eram amigos, inclusive, Luke até se lembrava deles, do mundo real.

    O garoto alto de mechas roxas e a garota parda de cabelos longos e castanhos que o acompanhava, Luke viu os dois na praça esmeralda no dia da abdução. Seus nomes eram Kevin e Clara, Clara namorava o irmão mais velho de Kevin, um rapaz dado como desaparecido, seu nome era Dae.

    Aparentemente os dois passaram muito tempo buscando por ele e espalhando cartazes de procurado, mas, Dae nunca foi encontrado. Após chegar em Astralion, Clara estava considerando a possibilidade de que Dae também fora abduzido, mas onde ele poderia estar? De acordo com Clara e Kevin, já faz um bom tempo que ele desapareceu. Se ele foi realmente abduzido, provavelmente não está mais em Automatuz.

    De qualquer forma, não é como se isso importasse para Luke.

    Luke pensou em chamar Kevin e Clara para irem com ele e Sam visitar Damian e seu grupo, mas estava relutante em chamar outros dois novatos, isso poderia aumentar as chances de Damian os “reprovar”, ele com certeza não estava atrás de mais pessoas inexperientes. Na verdade, Luke tinha quase certeza de que ele e Sam não iriam conseguir entrar para seu grupo, mas pelo menos eles se tornaram amigos e de certa forma aliados.

    Ele também estava começando a considerar suspeito o convite de Damian, por mais que eles teriam que se provar dignos, o que faria ele acreditar que dois novatos seriam capazes? Dois novatos que ele sequer conhece?

    Mas… Damian também havia dito que precisava de muitas pessoas, então ele poderia simplesmente estar disposto a recrutar todo tipo de gente. Pois mesmo revivendo a astrobesta antes da hora, eles precisariam de uma enorme quantidade de pessoas para derrotá-la

    IDamian não mentiu quando contou sobre a enorme confusão que acontece quando um portal se abre, Luke procurou saber mais, e viu que a coisa era realmente feia. E grupos grandes sempre tinham vantagem.

    De qualquer forma, Luke estava realmente empenhando para conseguir uma vaga no plano de Damian.

    Tudo que ele precisava era comida, um lugar para dormir e ganhar muitos salis. Então, fazer parte de um grupo era a melhor opção.

    Desde que ele não fosse um escravo…

    Mas valia a pena tentar, ele se dedicou ao treinamento intenso e a uma rotina rígida desde que chegou. Luke funcionava com rotinas, e não gostava de rompê-las.

    Ele também ficou levemente assustado com a quantidade de pessoas na cidade, portanto, preferia ficar afastado e sempre dentro do hotel. Saindo apenas para fazer algumas missões com seus novos amigos.

    Luke também se mostrou um prodígio na arte do RAI, a energia deste mundo. As pessoas demoravam quase – ou mais – o dobro de tempo que Luke levou para conseguir emanar rai. E agora, ele já estava tentando aprender uma nova técnica, o fluxo.

    Por sorte, haviam vários autômatos e pessoas mais experientes que ajudavam os novatos aprenderem a lutar e usar o rai. Uma dessas pessoas, era um garoto de Dravion que, ao notar o potencial de Luke, o ensinou a como entrar em fluxo, e deixou o resto para que ele aprendesse por conta própria.

    Seus dias na cidade estavam interessantes, por mais que ele praticamente nem tenha explorado a cidade tão bem, no máximo a área em que morava…

    Mas tudo isso era apenas o início.

    ***

    Luke estava acordando, ao abrir seus olhos, ele viu que Kevin já estava de pé, organizando algumas coisas em suas bolsas.

    Provavelmente ia para outra missão. Kevin era bem esforçado, desde o terceiro dia, ele estava saindo com vários grupos de exploração para conseguir mais salis e recursos, embora ele sirva apenas para carregar equipamentos ou só fique olhando de trás para aprender. Mas mesmo assim, ele parecia gostar muito.

    Todos os iniciantes eram assim, vários grupos utilizavam a C.A.E para contratar novatos para expedições ou missões, é claro que os novatos serviam apenas para carregar suprimentos e ajudar com tarefas simples, mas isso era bem valioso para os dois lados.

    Para um, a oportunidade de aprender e ver de perto os veteranos agindo, e para o outro, pessoas que ajudavam em tarefas simples como carregar cargas e tratar ferimentos era algo essencial em qualquer grupo, valia a pena o valor pago, pois por mais que parecesse algo simples, era muito útil.

    Kevin notou que Luke acordou e se virou para ele.

    “Eai, Luke.”

    Luke se espreguiçou e enfim respondeu:

    “Bom dia, Kevin.”

    Kevin suspirou:

    “Não tem dia… é boa noite.”

    Luke, ainda desnorteado pelo sono, demorou um pouco para responder.

    “Boa noite…”

    E voltou a dormir.

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