Luke e Sam estavam do lado de fora da cidade, esperando Kevin e Clara, caso ambos quisessem ir. Mas, haviam se passado cerca de vinte minutos, e eles não apareceram.

    “Luke, vamos logo, eles não vão vir.”

    Sam estava entediada, Luke queria esperar mais um pouco, porém, eles provavelmente não viriam mesmo. Então ele suspirou e assentiu para Sam.

    “Tem razão, vamos…”

    Seu semblante estava levemente aborrecido, ele realmente gostaria que Clara e Kevin fossem junto com eles. Luke realmente tinha um certo apreço pelos dois jovens, ainda mais por Clara que, de certa forma, o fazia se sentir mais livre.

    Sam se alongou, estralando alguns ossos de suas costas e seu pescoço, e então, abriu seu painel e equipou sua nova armadura. Em seu corpo agora havia uma armadura alabastrina, de um metal polido e liso, seu peitoral e abdômen eram curvados, como se fosse projetada para desviar impactos. Havia uma malha escura que podia ser vista nas articulações. Iluminada levemente por um tom de vermelho que surgia de dentro da armadura.

    Por mais que a armadura fosse lisa e sem tantos adornos, no centro de seu peitoral havia um encaixe com uma peça redonda e avermelhada.

    “Aí, Luke, pode falar, eu fiquei ótima nessa armadura, não é?”

    Luke sorriu sutilmente para Sam.

    “Claro, ficou ótima, sua armadura é bem bonita. Até que eu gostei da minha também.”

    E então, conjurou sua própria armadura.

    Seu corpo foi envolvido por uma armadura escura. Suas placas não tinham um padrão exato, era possível enxergar alguns fios escuros e azuis por dentro das articulações, e possuía um encaixe vazio no centro do peito.

    Após vestir a armadura, Luke jogou sua nova capa por cima da mesma.

    Sam assobiou.

    “Uh, essa armadura é linda! Ela me chamou a atenção quando a vi na loja, mas ela não tinha o encantamento de força, e além disso, acho escura demais. Não combina comigo. Mas definitivamente combina com você.”

    “Obrigado, mas eu preferia algo mais minimalista, uma malha… porém, essa não é ruim.” ele respondeu.

    Após vestirem as armaduras, ambos começaram a caminhar rumo ao acampamento.

    A puranoite estava fria, como sempre. Ao lado de fora, nas redondezas da cidade, algumas pessoas caminhavam em algumas direções aleatórias, grupos realizando missões, mais pessoas andando em automóveis voadores, etc. Porém, o número de pessoas fora da cidade não era tão grande, inclusive, a maioria dessas pessoas estavam indo para algum longe ou voltando para a cidade, pois nas redondezas não tinha muita coisa para fazer.

    Após alguns minutos de caminhada, longe de qualquer pessoa estranha, era possível ver a temida base radiante na distância. Um enorme edifício obscuro feito de blocos de pedra negros, com um grande muro o cercando, e uma bandeira radiante do sol de oito pontas no topo.

    Era imponente e assustador, porém, um tanto quanto irônico, uma base radiante não demonstrava radiância alguma, era mais como uma base das trevas.

    “Que lugarzinho sinistro… espero não ter que ir para lá algum dia.” Sam afirmou.

    Luke concordou com a cabeça.

    “Tem razão, por mais que eles sejam a maior organização de Astralion, eles não parecem ser tão bem vistos… bom, pelo menos é o que eu pude deduzir pelo que ouvi as pessoas falarem deles.”

    O exército radiante realmente possuía sua fama universal. Em todo o Plano Astralion, não havia nenhum outro grupo, ou guilda, que fosse maior que o exército. Eles possuíam bases em todos os planetas habitados, luas inteiras sob seu comando, uma hierarquia rígida e, por fim, seu líder absoluto. Lorde Sol, Viktor Ivanov. Um dos, se não, o homem mais poderoso e influente de Astralion.

    Não havia sequer uma pessoa que não soubesse de sua existência e relevância, seu nome era símbolo de poder. Raramente era visto, e não era o tipo de líder que queria dominar tudo e escravizar todos, afinal, só entraria para o exército radiante, quem quisesse entrar e quem fosse capaz. Mas, o exército radiante também não era pacífico. Bases menores como essa em que Luke e Sam estavam vendo, evitavam conflitos com grupos inteiros, justamente por serem bases mais fracas e terem chances maiores de acabarem perdendo muitos soldados em um conflito. Isso mancharia a imagem do exército.

    Porém, pelo que Luke ouviu dizer, em planetas mais avançados, o exército radiante não era tão reservado…

    Lorde Sol era conhecido como uma figura lendária, uma das pessoas mais antigas de Astralion, dizem que fora abduzido a mais de vinte anos. Além de ter sido a única pessoa conhecida a conseguir acessar Scarveth, o quinto planeta. Obviamente, mais pessoas foram com ele, porém, sua fama acabou ofuscando esses nomes com o tempo, como se fosse uma estrela que brilhou mais que as outras.

    Luke engoliu seco só de pensar nisso novamente. Ele realmente quer realizar seu desejo, mas, ele precisaria, em algum momento, ser mais poderoso que Ivanov? Afinal, era necessário acessar o último planeta para realizar o desejo. Não só acessar, como derrotar sua astrobesta. E pelo visto, nem mesmo Lorde Sol fora capaz de alcançá-lo ainda.

    Luke era apenas uma sombra insignificante, apenas um garoto com um sonho.

    E que tinha muito o que aprender…

    Após mais alguns minutos de caminhada, Sam olhou para Luke, uma expressão confusa surgiu em seu rosto e ela perguntou:

    “Ei, onde conseguiu isso?”

    Ela apontou para o DPJ de Luke, ele sabia que ela estava se referindo ao adorno melódico.

    “Ganhei de uma garota que trabalha em uma loja de itens.”

    Sam sorriu maliciosamente.

    “Uiui, olha ele, ganhando presentinhos, hein! Hahaha! Vai com calma, galã.”

    Ele respirou fundo e colocou a mão no rosto.

    ‘Por que diabos ela e Clara tiveram a mesma reação?…’

    E então, respondeu:

    “Não começa, eu só ajudei a garota a reposicionar alguns itens que caíram no chão, e aí ela me deu isso.”

    Sam se aproximou mais, curiosa.

    “Sério? Hihihi! e qual o nome dela? Hein?”

    Luke ficou em silêncio por alguns segundos…

    “… Eu não sei.”

    Sam bateu a mão na testa.

    “Mas é claro que não sabe! Francamente… enfim, quando voltarmos para a cidade, precisamos providenciar um encontro para você!”

    Luke a encarou e rangeu os dentes.

    “O que? O que tem de errado com vocês? Eu não quero ter um encontro com ninguém!”

    Sam sorriu.

    “Cara, você não sabe de nada. Deixa que eu, Clara e Kevin cuidamos disso.”

    Luke bufou.

    “Francamente… por que vocês se importam tanto com isso? Nem eu-”

    Antes de terminar de falar, Luke congelou. E então rapidamente puxou Sam pelo braço para se esconder atrás de uma pedra que estava ao lado, utilizou sua mão para tampar a boca da garota e sinalizou com o dedo para ela fazer silêncio.

    Então, retirou sua mão lentamente do rosto dela, enquanto a outra mão fazia um gesto, indicando para ela falar baixo. Ela sussurrou:

    “Você está louco? O que foi isso?”

    Luke não disse nada, apenas apontou com o polegar na direção do caminho que estavam prestes a seguir.

    Sam franziu o cenho e deu alguns passos na ponta dos pés para ver o que estava acontecendo. E então, ela entendeu o motivo pelo qual Luke ficou em alerta de repente.

    “Puta merda… o que diabos aconteceu?…”

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