Capítulo 168: As Birras da Pequena Gannala
— Falhou, hein? — murmurou Inala, levantando-se para se alongar. Para ser franco, ele não levava muita fé no sucesso do plano de reconhecimento, visto que o Senhor da Cidade era uma figura temível.
Dois Batedores Zinger Empíreos rondavam as casas mais próximas da propriedade do Senhor da Cidade, mas não conseguiam se aproximar. O motivo eram as ondas de Prana liberadas pelos guardas postados por toda a propriedade.
Seriam detectados facilmente. Como os batedores não eram furtivos, aquele era o seu limite.
Após refletir um instante, Inala dispersou mais alguns batedores, posicionando-os em locais estratégicos pela cidade, no topo dos edifícios mais altos. Isso lhes garantia uma visão privilegiada de tudo.
Já que não podiam ouvir o teor da discussão do Senhor da Cidade, o melhor plano alternativo seria monitorar qualquer evento importante que ocorresse na Cidade de Ellora.
Assim, desde que soubesse quem participaria da reunião secreta dali a dois dias, ele poderia ao menos se preparar adequadamente.
Ao cair da noite, os andares superiores do Teatro fecharam um após o outro. Seus principais clientes eram os nobres, que precisavam retornar aos deveres noturnos: vigiar as muralhas atacadas pelos Lagartos Vacilantes.
Por isso, apenas os andares inferiores do Teatro funcionavam até tarde, encerrando as atividades à meia-noite. Inala se recolheu, deixando o restante a cargo de seus subordinados de confiança.
Ele entrou no pátio situado atrás do Teatro e contemplou a pequena mansão recém-construída. Era o seu lar.
“Jamais imaginei acumular tanta riqueza tão rápido quando cheguei a Sumatra.”
“Tudo graças ao meu Criador de Habilidades Místicas.” Inala sentiu-se grato por ter obtido uma Habilidade tão valiosa. Isso lhe permitia adaptar-se e extrair o máximo de qualquer situação. Foi assim que conseguiu criar e administrar um negócio teatral de sucesso.
Tum! Crac!
Ao ouvir o estrondo, Inala ficou alerta e correu para dentro da casa.
“O que houve?”
Ele irrompeu pela porta e encontrou duas pessoas na sala de estar. Uma era uma mulher de grande porte; a outra, uma criança de três anos. Eram Asaeya e a Pequena Gannala.
— Eu te odeio! — gritou a Pequena Gannala, segurando o braço de Asaeya e exercendo força bruta para dominá-la. A força surgia em suas mãos enquanto a Pequena Gannala apertava mais, fazendo os braços de Asaeya estalarem. Os ossos estavam trincando. — Não me toque! Você me dá urticária, sua ordinária!
— Cale a boca! — gritou Asaeya ao notar Inala, usando-o como âncora para ativar sua habilidade e suprimir todos os sentidos da Pequena Gannala. Assim que a criança enfraqueceu, ela usou uma corda para amarrá-la.
— Me solta, mulher! — guinchou a Pequena Gannala assim que os sentidos retornaram, incapaz de se mover com as articulações presas pela corda. Ela então notou a chegada de Inala e gritou, esperançosa: — Papai! Me salva!
— Ugh. — Inala sentiu uma dor de cabeça latejar enquanto encarava Asaeya. — O que aconteceu?
— Ela se recusa a comer — resmungou Asaeya, com o Prana fluindo por seus braços para curar a fratura. — Quando a forcei a comer, ela quebrou meu braço.
— Você sabe que precisa comer bem para crescer saudável, certo? — Inala olhou para a Pequena Gannala e a desamarrou lentamente.
Assim que as amarras se soltaram, a Pequena Gannala pulou em seu abraço, ignorando os grunhidos dele enquanto gritava: — Odeio suas Bombas Vitais. Enjoei disso! Têm gosto de Lagarto Vacilante.
— Deixe de ser mimada. — Inala ativou a Gravidade Inercial Interna com força total para suportar o peso da Pequena Gannala, aliviado quando os seus ossos pararam de estalar. — Se você não comer, não falo mais com você.
— Isso não é justo! — reclamou a Pequena Gannala, fazendo um bico triste. — Você acha que é um saco cuidar de mim! Consigo ler seus pensamentos!
— Parabéns! Você escolheu a resposta certa! — Inala riu e apertou as bochechas dela. — Então, seja uma boa menina e coma bastante…
— Uwaaa! — A Pequena Gannala desatou a chorar. A voz rasgou o ar, criando poderosos estrondos sônicos.
Inala apressadamente os envolveu em uma grande Bomba de Prana, grunhindo ao impedir que as ondas sonoras escapassem. Porém, isso refletia o som internamente, fazendo um rastro de sangue escorrer de seus ouvidos.
Pelas três horas seguintes, ele teve que suportar os estrondos sônicos liberados pelo choro da Pequena Gannala. Embora tivesse apenas três anos, ela era uma Besta Prânica de Grau Ouro Especialista. Suas faculdades mentais já se equiparavam às de uma menina humana de doze anos e continuavam se desenvolvendo de forma acelerada.
Quanto ao Prana, ela já possuía mais de 500, uma quantidade exorbitante para uma criança de três anos. Como resultado, apesar da forma humana, ela exibia cada vez mais traços de uma Presa Empírea.
Mais da metade dos órgãos haviam se tornado biomas. Consequentemente, ela tinha um apetite voraz. Se ela não comesse, prejudicaria o seu desenvolvimento e, por tabela, enfraqueceria o Clã Mamute, que aguardava ansiosamente o seu retorno.
“No quesito inteligência, ela deve estar quase no nível da Asaeya. Só está agindo como uma criança de três anos para nos perturbar.” Inala suspirou mentalmente enquanto tentava consolar a Pequena Gannala.
No entanto, no momento em que teve esse pensamento, a Pequena Gannala parou de chorar, encarou-o e disse em tom entristecido: — Eu te odeio, papai!
— Sim, sim. — Inala assentiu, dando tapinhas nas costas dela. Já que o choro cessara, ele desfez a grande Bomba de Prana e saiu andando. — Estou com fome. Vamos comer.
— Tá bom… — A Pequena Gannala respondeu, mal-humorada, pendurada no pescoço de Inala. — Papai! Não dá para fazer umas Bombas Vitais de Rocatriz?
— Ficou maluca? — resmungou Inala. — É uma das Bestas Prânicas de Grau Prata mais fortes em combate. Seu pai inútil aqui vai virar café da manhã num instante.
— Não minta! — argumentou a Pequena Gannala, usando os poderes para variar o centro de gravidade e girar em torno dele, usando o pescoço dele como poste. — Li suas memórias. Você tem meios de derrotá-la.
— Seu pai é um asno. Não acredite no que ele pensa. Ele é delirante. — Inala ignorou os resmungos e a levou para a sala de jantar, colocando-a diante de uma pilha de Bombas de Prana e Bombas Vitais. — Coma tudo sem desperdiçar nada!
A Pequena Gannala era a sucessora de Gannala. Portanto, Inala era considerado parte do seu sistema imunológico, o que lhe permitia acessar todos os pensamentos e memórias dele.
Por conta disso, ele a achava irritante, especialmente porque ela era bastante exigente por natureza. Todas as Presas Empíreas eram exigentes, mas a diferença entre elas e a Pequena Gannala era a existência do Clã Mamute para servi-la.
O único membro do Clã Mamute na área era Inala, que era o seu pai; ele não se comportava como um servo, como fariam todos os membros do clã em seu assentamento. Além disso, ele não lhe dava muita atenção, fazendo-a acumular queixas.
— Papai! Traz pelo menos uma terra bem fértil. Quero comer algo diferente para variar. — Ela fez bico.
— Temos terra fértil em casa — disse Inala, apontando para o jardim. — É todinha sua.

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