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    — Queee falta de educação! — a Pequena Gannala reclamou. — A terra daqui é sem graça. Preciso de algo gostoso e nutritivo. Traz um pouco de fora dessa região pra mim.

    — O lado de fora é assustador. — Inala condensou Prana na palma da mão, alerta. — Seu velho pai não vai conseguir voltar inteiro.

    Buááá! — A Pequena Gannala desatou a chorar enquanto Inala gerava uma Bomba de Prana ao redor deles para impedir que terceiros ouvissem a gritaria. — Papai! Você é malvado!

    — Por que você me pôs no mundo se não pode me mimar? — Ela chorou aos berros por dois segundos antes de resgatar um fragmento de memória que vislumbrou na mente de Inala. — Ah…

    A Pequena Gannala esmoreceu: — É mesmo, você queria me matar.

    — Eu sou um acidente. É mesmo… — Ela amuou-se, desabando no chão. Perdeu o apetite. Ao se levantar, socou a Bomba de Prana, grunhindo de dor. Mas, ao ativar sua Gravidade Inercial Interna com força total, desferiu um soco poderoso.

    Tump!

    A Bomba de Prana nem trincou, pois sua densidade aumentou proporcionalmente graças aos efeitos da Gravidade Inercial Interna de Inala.

    — Não posso sair agora, mas trago uma terra saborosa para você amanhã. — Inala cedeu, pois cada vez que a Pequena Gannala socava a Bomba de Prana, ele perdia vinte Pranas. Era esse o custo para aumentar a densidade da barreira e garantir que ela aguentasse os impactos.

    Era um gasto desnecessário de Prana. Por isso, ele se rendeu e afagou a agitada Pequena Gannala: — Você não devia ser mais compreensiva com a nossa situação?

    — Mas estou com fome — a Pequena Gannala resmungou. — Desejo comer todo tipo de coisa, mas minha dieta é só Bomba de Prana e Bomba Vital. Recebo a nutrição necessária, mas não mato a vontade.

    Ela reclamou: — Todas as Presas Empíreas têm o instinto de vagar e comer variadas árvores, terras e afins.

    Ela tinha razão. As Presas Empíreas possuíam um apetite voraz, mas também ansiavam por variedade nutricional. Por isso vagavam por todo o Continente de Sumatra, provando iguarias de todas as regiões.

    Ficar confinada em um só lugar era um tormento para a mente da Pequena Gannala. Ou melhor, não só para ela.

    — Argh, por que você é tão irritante? — Asaeya explodiu. — Não vê que o Inala está ocupado com inúmeras tarefas?

    — E o que você tem a ver com isso? — A Pequena Gannala retrucou. — Você é parte do sistema imunológico de Harrala. Não somos parentes. Então para de falar comigo.

    As Presas Empíreas dependiam dos Membros do Clã Mamute para tudo. O Clã Mamute atuava como seu sistema imunológico. Mas também era fato que o Clã Mamute dependia intrinsecamente da Presa Empírea para as mais diversas necessidades, da física à espiritual.

    Era como jogar um peixe de rio no mar. Asaeya odiava viver no chão. Ela queria voltar para seu assentamento e sentir a presença de sua Deidade todos os dias. A ausência disso corroía sua sanidade de forma lenta e certa.

    Isso a deixava propensa a surtos emocionais. Não queria nada além de voltar para casa, mas a existência da Pequena Gannala a impedia. Tinha uma missão a cumprir, dada por sua Deidade: proteger a pequena.

    Além disso, era impossível atravessar a natureza selvagem do Continente de Sumatra para alcançar a manada. Era difícil calcular o ritmo de viagem deles e, portanto, poderiam se desencontrar.

    A única certeza era que a manada faria uma parada no Império Brimgan para negociar. Eram parceiros comerciais de longa data, então a parada era necessária.

    Pelo que sabia, ainda faltavam dezessete anos para a manada chegar ao Império Brimgan. Isso significava que ela teria que viver dezessete anos torturantes longe de sua Deidade. Era frustrante demais. Por isso, ela descontava a raiva na Pequena Gannala, o que as colocava em conflito o tempo todo.

    — Certo, parem de brigar. — Inala interveio por fim, suspirou e arrastou as duas para a sala de jantar. — Vamos comer primeiro.

    Foi um jantar mal-humorado. Após engolir o conteúdo de uma Bomba de Prana, Asaeya voltou para o quarto e passou a cultivar.

    — Vou ouvir histórias da vovó. — Depois de engolir uma pilha de Bombas de Prana, a Pequena Gannala correu para um quarto adjacente à sala de estar, onde Erwahllu vivia.

    — Não amole ela demais, tá bom? — disse Inala. — Volto em duas horas. Quero ver você dormindo quando eu chegar, ok?

    — Tá bom… — A Pequena Gannala fez bico por um instante antes de entrar feliz no quarto de Erwahllu.

    Inala entrou no quarto, pegou sua Lanterna de Armazenamento de Quatro Andares e a expandiu ao tamanho total. Removeu de lá a Zinger de Sumatra — sua arma — e a inspecionou.

    “Os órgãos estão funcionando sem problemas.”

    A única forma de seus órgãos funcionarem após a extração era alimentá-los com Força Vital por meio de uma Bomba Vital. Essa energia enriquecia as células que formavam os órgãos, revitalizando as vias para manter o sistema vivo.

    Ele precisava alimentá-la com uma Bomba Vital uma vez por semana. Como a Força Vital na bomba vinha dos Lagartos Vacilantes, era da mais baixa qualidade. Se a alimentasse com uma Bomba Vital contendo a Força Vital de uma Rocatriz, não precisaria de outra por meses.

    Com a Zinger de Sumatra em mãos, Inala foi até o terraço do Teatro. Em resposta a seu comando, um Batedor Zinger Empíreo na forma de miniatura saiu do cano aberto ao seu lado.

    Inala abriu a boca e soltou um guincho curto, transmitindo todas as informações necessárias ao batedor. Em seguida, envolveu-o em uma Bomba de Prana e o carregou na Zinger de Sumatra.

    Dez minutos depois, com os pulmões da Zinger de Sumatra cheios de ar pressurizado, Inala apontou a arma na direção do assentamento da Tribo Galo e atirou. Com um som abafado, a Bomba de Prana disparou para o céu noturno, acelerando rumo ao alvo.

    Quando a Bomba de Prana perdeu o impulso, rachou e se estilhaçou, revelando o Batedor Zinger Empíreo, que abriu as asas e planou. Ele expandiu rapidamente para o tamanho máximo e seguiu voando até chegar ao alcance visual do assentamento.

    Ao abrir a boca, o Batedor Zinger Empíreo soltou um guincho, comunicando-se com a horda de Zingers Empíreos no local.

    As muralhas que cercavam o assentamento da Tribo Galo agora serviam de lar para os Zingers Empíreos, liderados por uma Rainha Zinger Empírea e dois Reis Zingers Empíreos. Eram Bestas Prânicas de Grau Prata Iniciante Mutantes, poderosas demais para a região agora que haviam amadurecido.

    Todos os Zingers Empíreos gerados pela Rainha eram apenas batedores, não mutantes. Mesmo assim, eram todos Bestas Prânicas de Grau Prata Iniciante.

    Portanto, mesmo depois que a Rocatriz detectou a existência deles, não pôde fazer nada além de rezar para que não se juntassem contra ela. Com isso, os Zingers Empíreos conseguiram um lar confortável, valendo-se dos 600 metros de altura das muralhas para planar e cumprir seus objetivos.

    Assim que ouviram a mensagem transmitida pelo batedor, a horda se agitou. Imediatamente, um dos Reis Zingers Empíreos reuniu uma tropa de batedores e partiu, levando consigo uma grande bolsa de Bombas de Prana.


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