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    — Aqui está você, Mestre Inala. — Gudora ergueu a cabeça e encarou Inala com calma. — Onde esteve esse tempo todo?

    — Estou esperando aqui desde manhã.

    — Eu… — Inala lançou um olhar para Asaeya, percebendo de imediato que faltava uma das Bombas de Prana embutidas no bracelete. Isso não deveria ter acontecido, mas, graças à sua atenção aos detalhes, notou uma lasca de madeira minúscula, quase invisível a olho nu, próxima aos pés dela.

    Pela localização, ficou evidente que aquilo resultara de a Bomba de Prana ter sido arrancada à força do bracelete. E, apesar de ela tentar esconder, Inala estava com ela há três anos. Conhecia muito bem essa sua discípula.

    Asaeya estava sendo forçada a agir com naturalidade. E estava sob ameaça. Só havia uma coisa capaz de ameaçá-la.

    Já que Gudora não estava emitindo Prana, Inala pôde agir. Projetou uma corrente de Prana dos pés e infiltrou-a no solo, conectando-se a um nó na rede de túneis situada a vinte metros de profundidade.

    Acessou o Batedor Zinger Empíreo ali posicionado, usando-o para assimilar toda a informação trocada na rede de túneis. Dali, obteve a imagem de Hanya sentada na sala adjacente, observando Erwahllu com tranquilidade. Mas qualquer um entenderia que ela vigiava a Pequena Gannala, aninhada no abraço dela.

    “Ameaçaram Asaeya usando a Pequena Gannala. Por isso ela é incapaz de reagir.”

     Tecnicamente, ela poderia usar Prana para roubar todos os sentidos de Gudora e Hanya. Com isso, poderia retaliar e fugir.

    Mas não o fez, pois desconhecia o cenário completo. Portanto, não quis agir precipitadamente, preferindo esperar por Inala. Além disso, mesmo se roubasse os sentidos deles, tudo daria errado se Gudora ou Hanya dividissem os seus corpos. E na fração de segundo necessária para roubar os sentidos de todos os novos corpos que surgissem, o ataque de Hanya alcançaria a Pequena Gannala.

    Hanya era forte o suficiente para eliminar a Pequena Gannala com um único golpe. Por mais que fosse uma Presa Empírea, a pequena não tinha experiência de combate. Tampouco acessara os registros de experiência de combate de sua herança.

    Tinha apenas três anos de idade. Se sofresse um ferimento que prejudicasse o seu potencial, tudo o que sacrificaram seria em vão. Os Membros do Clã Mamute do 44º Assentamento, que aguardavam a Pequena Gannala, entrariam em desespero se, após duas décadas de paciência, recebessem apenas uma Presa Empírea ferida e incapaz de exercer suas funções básicas.

    Caso uma batalha irrompesse, tinham muito a perder. Por isso, Asaeya não ousava agir.

    Em dois segundos, Inala deduziu o cenário completo. Curvou-se durante esse intervalo, aproveitando a reverência para analisar a situação, e disse:

    — Eu tinha saído um pouco.

    — E qual seria o motivo? — Gudora perguntou, suas palavras desprovidas do respeito demonstrado no dia anterior.

    “Ele sabe, hein?” Seria um insulto à sua inteligência se Inala ainda não tivesse percebido. Gudora descobriu a identidade deles como Membros do Clã Mamute. “Então, preciso mudar a forma como abordo a situação. Parece que uma luta é inevitável. Isso significa que minha abordagem deve ser impor dominância.”

    — Ouvi alguns rumores — disse Inala, encarando Gudora sem exibir o menor sinal de fraqueza. Aquele não era o momento para humildade. — Digo, sobre a reunião de amanhã.

    — Então, saí para checar.

    — Ouviu alguns rumores? — Gudora não afirmou nem negou. Em vez disso, tirou calmamente um cristal esférico do bolso e o colocou sobre a mesa. — Refere-se a isto, suponho?

    — O que é isso? — perguntou Inala. Mas ele sabia. 

    “Parece que meu deslize o alertou.”

    Não seria mentira dizer que Inala ficara um tanto presunçoso após os três anos. Afinal, dispunha de muitos meios para fazer o que bem entendesse e empunhava poder suficiente para tornar seus sonhos realidade. Assim, embora fosse cauteloso, cometera um erro.

    Não importava o nível de cautela exercido, enviar Batedores Zinger Empíreos atrás de um cultivador no Estágio de 8 Vidas era arriscado demais. E o cristal esférico diante dele continha o corpo de um dos batedores que cometera suicídio, apesar de ser invisível a olho nu.

    Gudora não fazia ideia do que era aquilo ou do que acontecera. Seu objetivo era sondar a situação. Encarando Inala, ergueu uma sobrancelha:

    — Parece que você não compreende totalmente a situação…

    — Ah, compreendo, sim. — Inala cortou Gudora no meio da frase, declarando: — Sua esposa está mantendo minha filha refém. Então, deixe-me perguntar uma coisa.

    Ele deu um passo em direção a Gudora, ostentando um sorriso brilhante enquanto seus olhos permaneciam inquietantemente calmos:

    — Parece que você não compreende totalmente a situação.

    — Todos os Membros do Clã Mamute são arrogantes assim? — A expressão de Gudora tornou-se gélida. — Você está esquecendo algo.

    — Seu Clã não está aqui. — Ele ergueu o indicador e tocou uma vez, reduzindo a cadeira onde estava sentado a pó de cristal. — No meu território, só eu posso agir com arrogância.

    — Você não.

    — Você pode declarar o seu objetivo ao vir aqui, apesar de saber minha identidade — como o oponente expressara hostilidade, Inala não se conteve mais —, ou eu posso provar a razão da minha arrogância.

    — Você se atreve? — grunhiu Gudora, liberando ondas torrenciais de Prana que irromperam do corpo como uma erupção vulcânica. Sua explosão de energia serviu de sinal para Hanya agir; ela cerrou o punho e desferiu um soco, visando a Pequena Gannala.

    Mas, de repente, dezenas de Bombas de Prana surgiram entre as duas, servindo de escudo. Elas estilhaçaram-se com o impacto, mas não sem antes absorver uma boa quantidade do Prana dela.

    O líquido que fluiu das Bombas de Prana quebradas estava carregado da energia roubada dela. A Pequena Gannala abriu a boca e sugou o fluido, soltando um arroto de satisfação:

    — Agora, isso sim é uma refeição de qualidade.

    Vupt! Vu-Vu-Vupt!

    Dezenas de Zingers Empíreos em forma miniatura giravam ao redor da Pequena Gannala num abraço protetor. Cada um segurava uma Bomba de Prana, pronto para retaliar. Se tantos colidissem com Hanya, ela seria drenada de todo o seu Prana.

    Bang!

    Um alto estrondo de trovão ressoou na sala de estar enquanto as paredes se estilhaçavam. Gudora mantinha as mãos cruzadas diante do peito, transformadas em cristais. Havia um pequeno amassado em uma delas, onde uma Bomba de Prana girava rapidamente.

    O impacto fizera Gudora recuar uma dúzia de metros, cambaleante, atravessando as paredes da sala de estar e dos quartos seguintes.

    Arte Mística Óssea — Sangue de Prana!

    A velocidade de rotação da Bomba de Prana era mortal; embora o poder de Gudora tentasse cristalizá-la, como a bomba absorvia rapidamente todo o Prana contido na energia, a cristalização não ocorria.

    Antes de chegar, Inala fizera seus preparativos, alertado com antecedência pelos batedores. Pegou o Zinger de Sumatra e o pendurou no quadril, com o bocal apontado para a frente.

    Como tal arma não existia em Sumatra, Gudora não demonstrou preocupação. Por isso, não conseguiu reagir a tempo quando o Zinger de Sumatra disparou a Bomba de Prana, que o arremessou para longe.

    Ao parar, ele grunhiu, forçando a Bomba de Prana a cristalizar antes de se desintegrar em pó. O projétil absorvera sessenta unidades de Prana naquele curto intervalo. E, como ele o destruíra, tudo aquilo fora desperdiçado.

    O objetivo de Inala com o tiro era apenas ganhar tempo para se preparar. Zingers Empíreos voaram das tubulações da casa em grande número, cercando Inala, que fuzilava Gudora com o olhar:

    — Vê agora?

    — Há uma razão para eu ser arrogante.


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