Bom, vamos deixar os reinos de Neda de lado, por enquanto.

    Como dito anteriormente, Nohin é um dos reinos mais avançados do mundo. Quem visitasse qualquer cidade nohiniana, especialmente a capital, ficaria surpreso com a grande quantidade de prédios. 

    Em Nohin, apenas os nobres e a família real possuem carruagens à moda antiga, puxadas por cavalos — uma questão de status. As pessoas comuns, com exceção dos desfavorecidos, utilizavam outro tipo de veículo.

    Os spellmachines. Um nome em inglês, não é? Pois é, o inventor deste foi o mesmo que criou os spellguns, citados na brevíssima história de Rusolo e Hain Dohen. Esses veículos possuíam as chamadas Adiv ad Anur, pedras condutoras de mana que lhes davam “vida”.

    Por que falar disso, quando o título deste capítulo é “Academia de Rangers”?

    Então, meus caros, tudo está conectado, por mais que não pareça. Como? Simples: a pessoa que inventou os spellguns e os spellmachines, bem  como revolucionou o uso das adivanur (vamos convencionar o nome desse jeito), é a mesma que fundou a Academia dos Rangers.

    Essa pessoa é conhecida, no meio escolar, como o Diretor Sombrio.

    O diretor sombrio disse, na época em que anunciou o projeto, que não há como uma única pessoa cuidar de um mundo inteiro. Mesmo Hain Dohen não podia salvar uma criança em Rusolo, e chegar a tempo de impedir um ataque de dragões em Ballochia.

    Os guardas, análogos às forças policiais terráqueas, sempre chegavam depois que os crimes eram cometidos. Em contrapartida, a Escuridão de Neda, como os reinos nomearam a grande teia de organizações criminosas, crescia vertiginosamente.

    Em um mundo em que dragões cuspidores de fogo, vampiros e magos insanos competiam atenção com traficantes de órgãos, drogas e pessoas, dificilmente o poder monárquico teria mãos o suficiente para apanhar tudo antes que fosse tarde demais.

    O diretor sombrio, sagaz como era, trouxe a ideia de “formar as pessoas que vão salvar Neda”. Ele não acreditava na lenda do “herói que virá de longe”, daquele que um dia será invocado e trará a paz eterna. 

    Esse homem (ou mulher, ninguém sabia), acreditava que a verdade do universo é a constante oposição de forças contrárias. Noite e dia, amor e ódio, guerra e paz. Bem e mal. E se a escuridão estava com velocidade, ele faria a luz cobrir o céu.

    Esse era o objetivo da Academia de Rangers.

    Para as pessoas de Neda, foi estranho ver um grupo de cavaleiros coloridos lutando contra Goron, o Dragão do Meteoro Leste. Vermelho, amarelo, azul, rosa, verde e negro, empunhando as mais estranhas spellguns, fazendo o céu brilhar com explosões multicoloridas e frases de efeito.

    Goron, que tinha o poder de aumentar de tamanho, quase virou o jogo. Mas, assustando o público, que via de longe, os “rangers” se fundiram. Ninguém soube dizer, com exatidão, o que aconteceu naquele dia. 

    Uma luz forte cegou a todos, inclusive Goron, e um golem gigante apareceu no lugar dos cavaleiros. Aproveitando o timing, o guerreiro gigantesco ergueu uma espada luminosa. A lâmina, feita de energia, cortou o ar e Goron ao meio.

    Desde então, o governo de Nohin investiu pesado no lugar que formaria pessoas tão incríveis quanto essas. Os outros reinos, inclusive Evolo, fizeram inúmeros pedidos, pois queriam garantir essa força para si.

    A Academia dos Rangers virou popular.

    Qualquer um poderia se matricular, e todo o suporte possível seria dado ao aluno. Pobre ou rico, o diretor sombrio não fazia distinção, e exigia essa postura de todos os profissionais. Se um demonstrasse qualquer indício de elitismo, e ele deixou isso bem claro no contrato, seria demitido na hora — e ainda haveria de indenizar a instituição.

    Sobre a academia, é justo dizer que, para além de um ambiente formador de heróis, também era um grande laboratório. O diretor empregou os artesãos, magos e alquimistas mais talentosos dos reinos, e também lecionava, segundo rumores, em uma turma só para gênios.

    Se você quer proteger o sorriso de uma criança, torne-se um Light Ranger!

    O slogan incluía “golens” gigantes, spellguns fora do mercado, alquimistas simpáticos e um ranger vermelho exibindo um polegar para cima. Magia, ciência e heroísmo. O combo deu certo de um jeito avassalador.

    O ambiente contava com 11 prédios. Três englobam o Ensino Fundamental, Ensino Médio e a Especialização Ranger. No ensino básico, os estudantes aprenderiam em conjunto, compreendendo como cada ranger funciona. Na especialização, eles se aprofundariam no ranger que melhor se encaixava no perfil deles, baseado nos anos anteriores.

    Os dormitórios eram separados por gênero, e os inventores tinham um prédio só para si, onde poderiam criar loucuras em paz. A arena de testes ficava próxima, e os professores se explodiam com algum protótipo de spellgun.

    A Biblioteca era enorme, e seu prédio lembrava um tubo. Nela havia quase todo o conhecimento de Neda, graças à bruxa Aiedem. O Teatro tinha seu próprio local, e lá eram realizados concertos, peças e palestras. 

    A área de treinos e a arena ficavam afastados dos outros prédios, por motivos óbvios. Na primeira, os estudantes entendiam, a cada dia, que tipo de guerreiros eles eram. Na segunda, enfrentavam a si mesmos, a fim de se lapidar.

    No último ano de estudos, no período final da especialização, os estudantes tinham um estágio obrigatório. Eram enviados para algum reino, recebiam spellrangers (pulseiras que, ao inserir mana, vestiam o usuário com a roupa de ranger) e o dever de proteger a ordem durante um ano. 

    Nesse interim, haveriam de aprender a utilizar o spellzord (o “golem”) com maestria. Se tudo ocorresse bem, e os reinos enviassem feedbacks positivos, os estudantes ganhariam o título de ranger e estariam aptos a salvar o mundo.

    Visto que se espalharam pelo mundo, os Light Rangers levaram o nome da SpellCorp para a boca do povo. O diretor sombrio, graças ao marketing velado, se tornou o homem mais rico do mundo.

    Astuto como era, criou um décimo segundo prédio na academia: o Banco Ranger. Nele, os rangers formados recebiam salário mensal, e os estudantes uma bolsa interessante, para que pudessem ter uma vida além da academia.

    O Banco Ranger, inclusive, era um importante contribuinte no PIB de Nohin. Não apenas quitando as dívidas do reino, também investia em reformas em outras instituições de ensino. Financiava movimentos de caridade e, em especial, o programa “Abrigo Para Todos”, construindo conjuntos habitacionais inteiros para gente sem-teto.

    De qualquer forma, mesmo existindo uma certa escuridão por trás da SpellCorp e o Banco Ranger, ela será assunto para outro capítulo.

    Eis uma mensagem do Diretor:

    — Agora, o mundo de Neda não precisa mais se curvar aos pés de Hain Dohen, nem do dito Herói Que Será Invocado. Nós não somos fracos. Temos nossos punhos e nossas armas! Avante, Espadas de Neda! Avante, Light Rangers!

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