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    — Qual a sua relação com os Governantes do Cânion Dieng? — perguntou Fhoong Brimgan, observando o corpo destroçado de Inala.

    Membros triturados, costelas trincadas, crânio fraturado e órgãos rompidos. Era um milagre Inala ainda estar vivo. A intenção original de Fhoong Brimgan era espancar o rapaz até deixá-lo à beira da morte. Em seguida, após curá-lo apenas o suficiente, ele o acordaria para o interrogatório.

    Mas, ao ver que o estado de Inala era muito melhor do que o esperado, Fhoong Brimgan teve que mudar seus planos e interrogá-lo imediatamente. Ele nunca estivera no Cânion Dieng, mas ouviu falar dos Zingers que governavam a região por meio de alguns registros que leu por acaso no Império Brimgan.

    Visto que eles estavam protegendo Inala, presumiu que o rapaz tinha algum relacionamento com as três Rainhas Zinger que controlavam o Cânion Dieng. Foi por isso que despacharam uma equipe para protegê-lo.

    Isso estava longe da verdade, mas a troca de informações em Sumatra era limitada. E como Fhoong Brimgan havia fugido do Império Brimgan, seu conhecimento sobre eventos recentes era defasado. Após fundar o Reino Ganrimb, ele se isolou na região para cultivar e desenvolver o local.

    Apesar de tudo, ele era o mais instruído de todo o Reino Ganrimb. O simples fato de reconhecer os Zingers já era impressionante, algo que a maioria dos Reinos sequer sabia.

    Afinal, o Cânion Dieng ficava muito distante, sem nenhuma rota adequada para viajar até lá a partir daquela região.

    — Por que… você se importa? — Inala chiou, sem demonstrar nenhum traço de medo. — O que eu faço não é da sua conta.

    — Passa a ser, se o meu Reino estiver envolvido — respondeu Fhoong Brimgan, com um gesto sutil para que Gudora permanecesse em silêncio diante do desrespeito de Inala. Enquanto o rapaz respondesse, Fhoong estava confiante de que extrairia as informações necessárias.

    Pistas limitadas eram suficientes para que ele montasse o quadro completo.

    — Deixe-me esclarecer uma coisa. — Enquanto Inala falava, um Zinger Empíreo rompeu uma Bomba Vital dentro de seu estômago. Ele circulou cuidadosamente a Força Vital pelos órgãos, curando-os ao ponto de sua vida não correr mais perigo.

    Mais cedo, ao ser atacado, ele usara a Gravidade Inercial Interna para fortalecer e proteger as partes mais importantes, garantindo sua sobrevivência ao golpe de Fhoong, embora ainda parecesse gravemente ferido para os outros.

    — O que fiz aqui foi, é e jamais será preocupação para o seu Reino — declarou Inala com arrogância. — Se pensa o contrário, o Clã Mamute explicará isso claramente em dois anos.

    — Vá tirar satisfação com eles, se tiver coragem.

    — Está me ameaçando? — Fhoong aumentou a pressão na palma da mão, fazendo o som de ossos estalando ecoar do corpo de Inala. — Acha que o Clã Mamute ousará lutar contra meu Reino por um cultivador insignificante?

    — Podem até ter força para destruir meu Reino, mas as perdas que enfrentarão no processo serão devastadoras — analisou Fhoong calmamente, agindo como um mero observador. — Se forem sábios, não arriscarão tudo.

    — Depende da importância do cultivador insignificante. — Inala sequer reagiu às novas fraturas em seus ossos. — E posso garantir uma coisa.

    — Mate-me. — Ele abriu um sorriso confiante. — E todos vocês se juntarão a mim no além.

    — Você é filho de um Líder de Assentamento? — bufou Fhoong. Por dentro, porém, estava nervoso. Inala não esboçou reação alguma enquanto seus ossos eram esmagados. Sua fortaleza mental era absurda para alguém de sua idade.

    Fhoong era forte, mas não ousava enfrentar o Clã Mamute. Todo líder de civilização de Humanos Livres conhecia muito bem a fama tirânica do Clã Mamute. Eles já haviam arrasado muitas regiões, fossem de humanos ou de Bestas Prânicas, quando ofendidos.

    Além disso, se as Presas Empíreas interviessem pessoalmente, seu Reino seria reduzido a pó em questão de horas. Sua força individual não importava.

    Ele poderia, no máximo, enfrentar três ou quatro Líderes de Assentamento. Mas era só isso. Os vários príncipes, como Gudora, poderiam enfrentar um Líder de Assentamento cada.

    Mesmo assim, o Reino Ganrimb possuía apenas sete cidades. O que significava um total de sete Senhores da Cidade no nível de Gudora.

    Em comparação, o Clã Mamute tinha seis vezes esse número de potências. Além disso, o nível médio dos Membros do Clã Mamute era altíssimo, capazes de enfrentar pelo menos três ou quatro Humanos Livres do mesmo estágio de cultivo.

    Não haveria sequer luta. O Reino Ganrimb seria aniquilado.

    — Não sou filho de um Líder de Assentamento — disse Inala, sorrindo ao ver o alívio visível no rosto de Fhoong. Seus lábios se curvaram num sorriso largo enquanto proferia as palavras que enviaram ondas de desespero para Fhoong, Gudora e Hanya: — Sou uma Presa Empírea.

    — Então — ele riu —, eis a verdade.

    — P-Presa Empírea? — As mãos de Fhoong tremeram; ele soltou Inala sem perceber, encarando o homem no chão com os membros triturados. — N-Não, isso é impossível.

    — Uma Presa Empírea não pode assumir forma humana… — Ele parou de falar quando Inala inspirou profundamente, comprimiu o ar e liberou um vendaval poderoso. Não usara seu Prana externamente para gerar tal efeito; fora uma simples inspiração e expiração, mas com um poder avassalador.

    Apenas uma existência no Continente de Sumatra era capaz disso. Uma entidade venerada como Deidade em muitas comunidades de Humanos Livres, a Besta Prânica mais temida e respeitada.

    A Besta Prânica de Grau Ouro Especialista — Presa Empírea!

    Ele queria refutar, mas o poder da Bomba de Prana que o atingira momentos antes estava vívido em sua memória. Além disso, ao atravessar a Cidade Ellora, testemunhara o tremor intenso pessoalmente.

    Apenas a Gravidade Inercial Interna era capaz de desencadear tal poder.

    — Você está mentindo! — Hanya gritou, apavorada. — Você não é uma Presa Empírea!

    — Pois bem, mate-me então — declarou Inala, calmo. — Vocês terão a resposta em dois anos.

    — Dois anos… — Fhoong Brimgan pensou na última vez que vira a manada no Império Brimgan. Como a rota de cem anos das Presas Empíreas era famosa, fez os cálculos: 

    “Faltam dezessete anos para chegarem ao Império Brimgan. Com base nisso, podem passar por esta região em dois anos. Fica mais perto da rota que seguem ao longo do Rio da Corrente Vermelha.”

    — Então eu mato! — gritou Hanya, transformando a mão em lodo ácido para atacar Inala. Gudora, no entanto, ergueu uma parede de cristal entre os dois. Hanya o fuzilou com o olhar: — Por que está me impedindo?

    — Esta região é protegida pelo anel do Vazio Cinza-Arenoso. As Presas Empíreas não se aproximam daqui — argumentou ela.

    — Espere um minuto. — Gudora correu até as muralhas da cidade, aguardando alguns minutos até ver o retorno de alguns soldados. — E então? Capturaram-nos?

    — Perdão, Senhor da Cidade! — Os soldados tremiam de medo. — Eles entraram no Vazio Cinza-Arenoso. M-Mas…

    — Eles estavam acompanhados por monstros voadores!

    — Quantos? — perguntou Gudora. Seu rosto empalideceu ao ouvir a resposta, lembrando-se da declaração de Inala sobre o motivo de sua arrogância.

    Três mil Zingers Empíreos!

    E não era só isso. Ele viu uma Besta Prânica colossal empoleirada numa colina a dois quilômetros de distância, encarando-o como um falcão e emanando a presença mais forte entre todos os Zingers Empíreos que ele já vira. Ela não fez nada, apenas observou. Lentamente, abriu a boca e emitiu um som: — Chirp!

    O som foi estrondoso, ecoando por toda a cidade. Em resposta, o sorriso de Inala se alargou, fazendo o terror revirar o coração de Fhoong.


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