Índice de Capítulo

    Eles estavam reunidos novamente. Agora formava uma roda, Eleanor, Aisha, Kizimu e Pandora, todos em volta de Brielle que estava abraçando Guto. A freira em treinamento apenas conseguia abraçar seu amado graças a Pandora que a ajudou.

    Aisha também estava muito feliz que Eleanor estava viva, e fez festa assim que viu ela. Mas finalmente eles estavam sérios e preparados para montar o plano de ação.

    — Eu voto em recuar com os feridos. Brielle não vai conseguir usar seu trunfo de novo. E Guto ficaria completamente desprotegido. Não quero deixá-los sozinhos, então, eu voto para acharmos um lugar seguro e eu protejo eles. — Assim Eleanor disse.

    — Sim, deixar Brielle sozinha é um problema, porque, o assassino pode apenas achar onde vocês estão e acabar com um problema que surgiu para ele. — Kizimu ficou a favor dessa ideia.

    — Caramba, Brielle é assim tão poderosa? — Pandora se surpreendeu.

    — Eu e o irmãozinho estaríamos mortos se Bri não tivesse despertado uma bênção.

    Aisha ficou um pouco receosa.

    — E como sabe que é uma bênção e não uma maldição?

    — Pelo que eu estudei, bênçãos aparecem depois de um trauma pesado, algo surreal. Enquanto maldições você nasce com. Seria estranho Brielle sempre ter essa maldição e nunca ter dado nenhum indício. — Eleanor respondeu com certa propriedade.

    — Kuzimu também me disse que era uma bênção, então pode ficar segura disso, Aisha.

    Aisha com essa explicação pensou profundamente e pareceu achar uma resposta em sua mente. Com isso, foi Pandora que continuou.

    — Nesse caso, devemos voltar todos juntos. E refazer o plano. Depois de tanto observar Labella, eu sinto algo. Ela está fraca demais, talvez possamos vencer ela.

    Kizimu apenas pensou um pouco mais profundamente.

    — A gente precisa aumentar nossas forças…

    Depois de tanto sofrer para o assassino, ele tanto lembrou de alguém. Kim ficou gravado em suas memórias. Ele deveria estar sofrendo com todo esse caos, então, deveria ajudar seu amigo a se reerguer.

    — Eu vou trazer Kim para lutar conosco. Com ele eu sei que podemos vencer. Além disso, temos que estar prontos para enfrentar o assassino novamente.

    — Verdade, ele fugiu, né?

    Pandora lembrou o fator principal. O assassino fugiu. Até agora, eles não tinham mais ideia de quem era o assassino. Era algo complicado demais. Além disso. Ele era imprevisível e tinha a capacidade de se transformar.

    Foi algo surreal. Ele conseguia se transformar em outras pessoas, e assim, se curar totalmente. Era até injusto que ele tivesse velocidade, força, e poder aprimorado, para no fim, ainda conseguir se curar completamente. Era um nível mais surreal ainda, se comparar com John Bento que era apenas capaz de cauterar qualquer maldição. Ou Tariotian que era capaz de criar cartas para qualquer situação.

    — Espera, dessa forma não significa que eu enfrento apenas chefes finais?

    Kizimu se sentiu oprimido pelo destino agir de forma tão cruel consigo mesmo.

    — Certo, vamos nos reagrupar. Mesmo que consigamos conquistar essa alavanca, não adianta de nada se ficarmos aqui sem proteção. O assassino pode perceber que estamos sem nosso trunfo e apenas voltar.

    — Você tem razão, é melhor irmos logo. Assim, tudo ficará bem. Ah, Kizimu, tome!

    Eleanor entregou duas pílulas de cura de Vicenzo para Kizimu.

    — Era a pílula de Bianca e Vicenzo, eles não… vão precisar mais delas.

    — Caramba, você é uma ladra mesmo.

    — Eles estão mortos! Temos que ser eficientes. Hmpf.

    Kizimu então aceitou e eles estavam prontos. Agora seguiram para um quarto próximo. Mais especificamente, a Sala de Análise Criminal de Bellatrix, onde Eleanor poderia olhar todas as cameras.

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    Kizimu corria por diversos corredores. Agora ele estava seguindo para a ala oeste, onde encontraria Kim em seu quarto.

    Um gosto amargo estava na boca de Kizimu. Ele havia falhado em salvar Dalia, e agora, seu cavaleiro o odiava. Lembrava das palavras que seu cavaleiro gritou para si.

    E sim, ele se culpava. Talvez se tivesse tomado uma atitude mais rápido. Se Kizimu de imediato tivesse tentado curar Dalia, mas, a confusão foi tamanha que não foi capaz de fazer isso.

    Então, é claro que se culparia. Kizimu nunca teria perdão, por ter perdido a chance de salvar uma amiga tão grandiosa quanto Dalia. Os pecados que ele carregava eram enormes. Apenas em se conectar com alguém era necessário para que ele se torne o alvo.

    Perdeu Dalia, por que ficou mole demais. Como Bellatrix foi assassinada, e depois Ernesto, não pensou que Dalia poderia voltar a ser alvo, mas, ela não apenas voltou, como foi morta por sua única causa.

    Se Kizimu fosse mais forte, ele não precisaria que Kim o protegesse. E Kim, não teria matado Dalia daquela maneira. Além disso, porque eles atacaram para matar? Apenas porque achavam que eram os assassinos agindo, eles tomaram a atitude cruel de matar.

    Foi uma escolha péssima.

    Mas agora ele precisava de forças, faria o que fosse necessário para salvar Kim das sombras. Agora ele provavelmente sofria, assim como Kizimu estava sofrendo depois da morte de Bellatrix. Ou na verdade, ele estava sofrendo mais do que Kizimu poderia imaginar.

    Ele nunca sentiu a dor de matar um companheiro, ou melhor, Kim matou sua namorada. E se Kizimu tivesse matado Pandora? — Lembrou de quando viu Pandora morta. — Uma vontade de vomitar o atingiu.

    Olhando para frente, viu diversos guardas a frente. Kizimu não queria enfrentá-los, então, ativou seu impulso a 30% e esquivou de cada ataque que tentou o atingir. Tinha diversos guardas na direção daquele quarto, e como não foi limpo por Kim, claramente dariam trabalho depois.

    Kizimu passando por aqueles corredores, lembrou do começo. Eles chegaram no reino e foram levados até aquele quarto. Hermione foi sua guia. Além disso, isso o fez pensar no rei. Ele tinha pedido para Kizimu salvar a todos do reino, sendo que o próprio rei era o principal causador.

    Era tudo muito confuso. Kizimu também estava sofrendo com sua distração mental. Enquanto ele começava a pensar em uma coisa, sua mente logo pensava em outra, em um ciclo cada vez mais ilógico.

    Talvez ele tivesse algum problema que surgiu com sua inteligência. Era um afloramento de inteligência que era como uma árvore. Apenas um ponto de pensamento faria florescer diversos galhos de pensamentos. Era horrível. Na verdade, nesse exato momento estava pensando em como esse pensamento era chato demais.

    Finalmente chegou na porta.

    — Certo… preparado Kim. Vou salvar você agora.

    Assim como Pandora salvou Kizimu e levantou ele. Precisava ser o senhor da casa Kuokoa e salvar Kim do abismo profundo que a própria mente.

    Então, segurou a maçaneta e abriu.

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    A noite passou como um pesadelo infernal. Para Kim, que passou quase a noite toda remoendo a dor de ter matado. Além disso, seus pesadelos teimavam em acordá-lo. Ele acordou e dormiu mais de uma vez, graças as dores que sua mente estava desgastada. Ele apenas poderia refletir tanto sobre a dor que tanto acuava ele. Ele passou maior parte da manhã dormindo.

    Quando finalmente acordou, ele viu o teto, e uma vermelhidão estranha. Era uma luz intensa que vinha de fora da janela. Ele não entendia aquela cor, e nem tinha escutado o céu vibrar, mas estava tão morto mentalmente que apenas fechou a janela.

    A escuridão confortava ele, pois não poderia ver o ambiente que tanto lembrava Dália. Tudo teimava a lembrar ela. Seu cheiro, seus gostos femininos. Suas memórias. Então, refletiu tão profundamente. Sua existência realmente valia de alguma coisa?

    Kim veio para aquele reino para evitar algum problema. Qual era? Ah sim, provavelmente era o assassino. Eles ainda não tinham achado o assassino ainda, então, o motivo para qual vieram, falharam completamente. Além disso, Kim sabia que iria começar um tal de Pesadelo. Talvez essa luz vermelha signifique alguma coisa, mas sinceramente, ele não ligava mais. Ele tinha perdido quem mais amava, então, do que adiantava algo?

    Lutar pelo seu senhor? Que idiotice mais tola. Aquele garoto que tinha acordado do coma não era capaz de salvar nada. Ele não era nem capaz de salvar quem Kim mais amava, então, por que ele seria capaz de salvar um reino inteiro? Na verdade, não queria que Kizimu conseguisse, porque significava que ele seria realmente capaz de algo.

    Então para Kim, seu senhor precisava ser ou um inútil incapaz de salvar ninguém, porque assim, isso explicaria por que ele não conseguiu salvar Dalia.

    Minne disse que Kizimu seria aquele que salvaria todos da grande casa Kuokoa. E agora, quando Kim mais precisava de salvação. Onde ele estava? Onde estava o tolo garoto que seria seu salvador? Chorando em algum canto desolado, assim como o fraco que ele é.

    Kim apenas estava jogando sua raiva para cima de alguém, porque o que ele mais queria agora, era se odiar. O fato de que ele tinha matado Dalia para salvar Kizimu, era como dizer que ele escolheu Kizimu a sua amada.

    Se ao menos fosse mais forte, se ao menos fosse mais inteligente. Mas ele não era nada disso, ele não era suficiente. Ele era apenas um fardo, falho, fraco, inútil. Queria vomitar, mas não tinha mais nada dentro de seu estômago. Então, ele abraçou os cobertores, lembrando do calor de sua amada.

    Então, voltou a dormir.

    Muito tempo se passou, até que ouviu tremores. Tantos tremores ecoavam por algum lugar do castelo. Kim não entendia o que estava acontecendo. Os tremores o fez ficar acordado por mais tempo. Mesmo assim, ficar acordado apenas o fazia sofrer ainda mais.

    Para tentar parar de pensar em Dalia, ele tentou lembrar seu começo.

    Kim tinha se tornado um cavaleiro para proteger. Ele protegeu Dalia na sua infância, e esse sentimento reverberou cada vez mais dentro dele. Então, a partir disso ele tinha se tornado um verdadeiro cavaleiro. Ele treinou muito para ficar cada vez mais forte. Lutou, brandou, e fazia o necessário para vencer seus amigos. Mas não foi o suficiente, ele não era capaz de superar todos eles. Foi em um dia comum que sentiu um sentimento tão profundo e isso matou seus amigos em tamanha escala.

    Kim foi morar com Anastácio, a pedido dele, e recebeu alguns livros de treino de espada. Aprendeu tantas coisas nos livros, replicou tudo que poderia, técnicas, tudo, então, se tornou tão intenso quanto tudo naquela casa. Treinando e fazendo de tudo para ser o cavaleiro pessoal de Minne.

    Mas Minne nunca precisou dele. Como cavaleiro pessoal, ele era ineficiente. Nem por isso ele parou de treinar. Ele fez de tudo para se manter cada vez mais intenso e evoluir cada vez mais sua espada.

    Até que um dia, o filho de Anastácio acordou. O filho daquele que salvou Kim de sua própria maldição. Ele acordou, e ele era tão diferente. Diante a todos que apenas ignoravam Kim, o garoto queria se aproximar e estar perto, era até estranho de se pensar. Mas ele era mesmo o filho daquele homem.

    Kim precisou em pouco tempo enfrentar um inimigo poderoso. Não tinha nem mesmo 1h que o garoto tinha acordado, e eles já tiveram que enfrentar um assassino brutal com um machado. Um nível de dificuldade que ia contra tudo que Kim havia treinado.

    O cavaleiro tinha se feito ineficiente desde o começo. Mesmo assim, não pararam. Eles lutaram juntos, e conseguiram vencer o tal caçador de maldições. Aquela luta foi tão intensa, e quase custou sua vida, mas estava feliz que tinha vencido seu primeiro confronto como cavaleiro.

    Mas aquilo não acabou de forma alguma. Porém, apenas passou um dia, e eles tiveram que enfrentar um novo desafio, ainda mais problemático. Mortos vivos. Teve de enfrentar aquele homem do machado de novo. E novamente não conseguiu se mostrar eficiente.

    Sozinho ele não era capaz.

    Além daquele, enfrentou um usuário de cartas especiais. Kim lutou com tudo que tinha, e mesmo assim, foi superado. Kim nunca foi capaz de vencer uma luta com eficiência.

    Todos eram mais fortes que Kim. Ele não era capaz de fazer nada. E mesmo quando estava na frente de Samuel, aquele que seria o líder de todos, Kim não conseguiu matá-lo. O próprio se matou.

    Se Kim tivesse enfrentado Samuel. Será que Kim conseguiria vencer? A forma como ele se matou, foi poderoso demais. Talvez… fosse uma luta perdida caso Samuel escolhesse lutar.

    Os sentimentos de Kim estavam tão intensos e negativos, que aquele quarto estava se tornando um mar intenso de podridão, era como se tudo que ligasse sua existência formasse um mar de negatividade, e então, ele continuou a lembrar.

    Kim mostrou-se novamente ineficiente contra Ernesto, Bellatrix e Amara, que se mostraram superiores completamente. Porém, conseguiu superar Guto com todo o esforço que tinha. Mas do que adiantava? Depois de alguns dias, além de deixar Hermione morrer, perdeu para Guto em sequência.

    Mais derrotas vieram, até que ele finalmente conseguiu lutar contra seu irmão. Aquela batalha se fez intensa e Kim finalmente conseguiu compreender o que era lutar por gostar de lutar. Então, sua força se fez necessária.

    Então, do que adiantou tanto treinar com seu irmão mais velho? Do que adiantou aprender tantas técnicas com Absalom, se no fim, usou tais técnicas para matar quem ele amava.

    Kim começou a chorar, até que algo iluminou aquele quarto, algo chegou para salvar Kim da dor. E essa pessoa era…

    — Olá…

    A pessoa que adentrou o quarto sorriu completamente.

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    Kizimu finalmente abriu a porta. E dentro do quarto tão nostálgico, aquele que Hermione guiou eles. Tinha duas camas. Uma mesa ao centro com um vazo de flores. Um guarda-roupa simples. Kizimu passou seu olho por todo quarto e…

    Estava completamente vazio. Kim não estava presente nele.

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    — Olá… como você é fácil de prever, hein, a espadinha…

    Kim não estava no próprio quarto. Na noite em que tanto teve pesadelos, ele levantou e foi até o quarto de Dalia, onde agora estava.

    A pessoa que entrou no quarto, não apenas caminhou por ele — deslizou, flutuou, enquanto dançava como se uma festa estivesse para acontecer.

    Seus cabelos em tons de champanhe rosado eram volumosos, ondulados e presos em dois rabos de cavalo altos. Emolduravam seu rosto de boneca macabra, onde doçura e demência brincavam de esconde-esconde.

    Seus olhos, vívidos de cor azul prateado, uma imensidão dentre o caos iminente. O sorriso era um corte escancarado de teatralidade — largo, atrevido, quase uma ameaça. Ela não sorria para ser simpática; sorria porque o caos a divertia.

    Essa sempre foi a forma certa de descrever ela. Que decidida, estava vivida a frente de Kim.

    — Bianca…

    Pouco conseguia acreditar, mas, ver ela realmente era satisfatório. Foi graças a Bianca que conseguiu sorrir quando criança. Graças a sua amiga querida, e logo agora ela veio ajudar Kim.

    Era uma tola mesmo.

    — Caramba hein, espadinha. Eu até entendo que está triste com a morte de Dalia, mas se trancar no quarto é sempre a sua escolha, né?

    — Você nunca tem nenhum tato, não é? Caramba.

    — Afinal, eu sou a cavaleira do sorriso, né?

    Kim estava desolado ali, tentando desconversar com uma brincadeira habitual, e Bianca estava lá, mais sorridente do que nunca.

    — Então, conta aqui para titia, por que está tão triste?

    — Preciso mesmo dizer… eu… eu matei ela. Droga, Bianca, foi culpa minha!

    Kim começou a chorar no canto do quarto de Dalia. Ele estava desolado. Bianca notou como precisaria passar de tamanha dor, e apenas suspirou.

    — Caramba, o que eu sempre te digo. Não adianta ficar remoendo as coisas. Apenas devemos colocar um sorriso no rosto e sair por cima, não?

    — E como eu vou sorrir, droga! Dalia está morta! Além disso, quase todo mundo morreu. Amara, Bellatrix, Eleanor e Hermione ou Ernesto. Todos estão mortos!

    Kim balançava seu braço com ferocidade, ele parecia querer arrancar algo com as próprias mãos. Mesmo assim, Bianca não se intimidou. Na verdade ficou ainda mais atiçada, então, segurou a mão de Kim e a levou ao próprio peito.

    — Você é um Idiota!

    Bateu a cabeça com a cabeça dele.

    — Aii.

    Kim recuou com a dor do impacto.

    — Você fica aí falando sobre eu matei ela, eu fiz não sei o que, acabou para a gente, bla, bla, bla. No fim é tudo picuinha. Você é Kim Umbral, lembra, é maior que tudo isso.

    Ela falava com se estivesse acima de tudo. E essa era Bianca. Uma essência verdadeiramente não lógica no arena da vida. Então, ela balançou seus lindos rabos de cavalo. Ela pulou e subiu na cama, logo começou a pular.

    — Kim, esse mundo é louco demais, não acha? Você não sabe, mas o pesadelo começou. Diversos guardas estão insanos. Eu tive que lutar contra “Son Goku” isso foi insano.

    — Espera, mas ele não é o sétimo—

    — Sim, junto a falsa Talia vencemos o ele. Foi incrível! Huhuhuhuhu. — Ela esbanjava felicidade. Até demais se considerar o caos que estava no reino.

    — Você é incrível…

    Kim se preocupou por meros segundos, até perceber que a pessoa diante a ele era Bianca. A inigualável cavaleira do sorriso. Agora ela estava aqui para salvar o sorriso de Kim.

    — Mesmo assim, eu não posso simplesmente sorrir. Não depois do pecado que eu cometi.

    — Idiota. E do que adianta ficar aqui nesse quarto mofando? Claro, você foi idiota e fez algo mais idiota ainda. Mas no fim, tem que pensar no que Dalia iria querer.

    — O que Dalia iria querer? Do que está faland—

    Bianca pulou na sua frente, e dançou o corpo de Kim, girando ele e curvando o corpo dele, nos seus braços.

    — Querido~ Dalia era gentil demais. Acha mesmo que ela iria gostar que você está aqui afundando?

    No fim, Bianca recusaria Kim totalmente, e faria ele aceitar totalmente o sorriso que estivesse em seu coração.

    — Mas eu—

    — Cala boca, você não serve para pensar demais. Você apenas tem que lutar, cortar, e fazer o que é necessário. Você não é inteligente, esquece isso. Pehn!

    — Mas—

    — Nah, noh, não.

    Kim estava sendo recusado totalmente. Mas isso era bom. Se fosse Bianca ele sim poderia…

    — Eu tive uma ideia. Já que você quer fazer algo de útil, por que você não faz a minha ideia?

    Enquanto dançava com Kim, girou ele e jogou o garoto sentado na cama de Dalia. E então, ela colocou a mão no ombro dele. Profundamente, enquanto seus olhos o observavam bem de perto.

    Sim, se fosse Bianca, Kim poderia ser salvo, e aquele vazio no coração dele poderia ser preenchido com algo. Apenas precisava ouvir o que ela tinha para dizer.

    Então… com aqueles olhos cheios de energia, gritando por diversão. Como se vivos e loucos estivessem prontos para explodirem.

    — E se você… — seus lábios agitaram em um sorriso cada vez mais arqueado. Então, com o brilho mais magnífico de todos, ela proferiu as palavras que mudariam tudo. — Kill yourself.

    Aquelas palavras entraram como lança em seu coração. Como negando toda sua existência, Bianca falou meras palavras em inglês como se não fosse nada. Kim entendia o básico de inglês para conseguir traduzir aquelas falas, e então, a confusão gritou em seu coração.

    — O… quê?

    — Ah, não me entendeu? Deixa eu explicar. Eu até poderia gritar para você ficar mais forte e superar esse pesadelo, mas é impossível. Peh! Peh! Não adianta mais levantarmos nossas armas e dizermos que vamos nos vingar, é impossível.

    Kim não conseguia compreender. Aquelas palavras eram doentes demais. Ou melhor, aquela felicidade não combinava com as crueis palavras que proferia. Não, Bianca nunca falaria algo assim.

    — Ninguém lá fora conseguiu lidar com o problema que surgiu. Além disso, esse pesadelo está longe de acabar. Kizimu-Chan foi lidar sozinho com uma situação enorme, e nós dois sabemos bem que ele é fraco demais para sobreviver. Não vai demorar muito para que apenas anunciem que Kizimu Kuokoa foi morto. É uma pena, não acha?

    — Mas, a gente poderia…

    — Agora é tarde demais Kim. Eu até gostaria de lutar com tudo que eu tenho, mas ainda nem pegamos o assassino. Ninguém tem força para vencer o assassino. Nem mesmo você seria capaz. Levantar sua espada e dizer: Eu vou vingar todos eles! Bem… isso seria muito emocionante. Mas depois de tudo, o que vai te sobrar.

    Kim sentia aquelas palavras venenosas corroer seu coração. Ela estava sendo sincera demais, mesmo que com um grande sorriso no rosto, ela estivesse declarando seu sentimento mais puro de derrota.
    Então ela abaixou seus olhos e o que disse seguir foi seco.

    — Vicenzo está morto. Eu mesmo não consigo viver sem aquele cabeça dura. Eu mesmo declaro o meu próprio fim.

    — Você não!

    — Kim, você até pode salvar as pessoas que querem ser salvas, mas eu vou morrer feliz. Por que, talvez no fim, eu finalmente possa sentir o medo. Mas não se preocupe. Eu não vou fazer algo idiota como morrer aqui na sua frente. Eu vou morrer sozinha, e bem longe de todos. Você poderia fazer aqui. Toma.

    Bianca retirou de dentro de sua roupa, a espada de Kim: Light. O cavaleiro não conseguia crer. Ele estava totalmente sem forças ou reação.

    — Foi bem trabalhoso achar ela. Você jogou bem no fundo daquele guarda roupa. Caramba. Mas imaginei que se fosse para morrer, seria mais divertido com sua nova arma. — piscou.

    — Eu realmente devo… me matar?

    — Olha, sinceramente você tem opções. Ir correr e tentar salvar Kizimu… mas ele realmente merece ser salvo? Ele nem foi capaz de salvar Dalia. Então, acho que seria apenas perda de tempo.

    Sim… isso seria… horrível. Por que deveria salvar alguém como ele. Mas de alguma maneira, ouvir Bianca falar isso era cruel demais. Não queria ver sua amiga querida falando coisas tão crueis.

    — Você não era assim…

    — Talvez não fosse. Mas sabe, depois que eu perdi Amara, Bellatrix e Vicenzo… eu pensei. Droga, que se foda. Eu nem ligo mais. Eu apenas odeio esse mundo do início ao fim. Eu sorrio querendo sorrir de verdade. Mas meu verdadeiro sorriso está aprisionado como o da criança do poema. Quando eu vou encontrar meu demônio e conseguir sorrir de verdade? — Disse com o sorriso mais belo no rosto.

    Kim queria entender aquelas palavras, elas até que faziam sentido, mas o pegaram completamente de surpresa. Não imaginava nunca no mundo que algo assim pudesse acontecer. Então…

    — Olhe, suas pupilas estão totalmente vazias… é até engraçado. Mas que tal, não é um mau negócio, você pode encontrar com quem você ama. Vai se encontrar com Dalia. Essa é minha dica.

    Depois de Dalia, a pessoa que mais confiava, sem sombra de dúvidas, era Bianca. E ela mais do que tudo estava dizendo para abandonar tudo e apenas acabar com a própria vida.

    — Droga… isso é loucura. O que está dizendo é loucura. Eu não consigo entender.

    Bianca olhou profundamente, e Kim finalmente viu algo através daquele sorriso, ali existia um olhar de fraqueza imensa, como se ela tivesse faltando sua própria alma.

    — O pesadelo começou. Não tem mais como parar essa droga. Pessoas morreram, e não teve como evitar. Pessoas importantes para mim morreram sem que eu pudesse evitar. Tudo que eu fiz foi para que pudesse sentir o medo, e nunca fui capaz de sentir essa droga. Eu ajudei o rei com tudo que ele me pediu, eu fiz tudo que ele me pediu. Aquele fardo tão grande. Eu realmente abandonei tudo, pois eu acreditei, eu realmente acreditei que tudo poderia mudar. Mas se no final eu tiver que lutar contra você será muito irônico. Acabou Kim, não tem mais como parar o pesadelo. O assassino é capaz de te matar facilmente, eu vi com meus próprios olhos! Eu sei que o rei não vai parar até que tudo acabe! E mesmo que o pesadelo acabe, o que virá depois será insanidade pura. Nem mesmo o mal será capaz de lidar com tamanho poder. É algo que pode salvar a todos, mas os sacrifícios foram demais, foi demais para lidar, para aguentar, foi demais até para mim. Eu acreditei que conseguiria lidar, mas eu não aguento mais. — puxou o ar. — Eu desisto.

    Kim não conseguiu assimilar tudo que ela disse. Mas aquilo foi um grande desabafo. Ela retirou seus rabos de cavalo, e seus cabelos abriram como um mar imenso de insanidade. Aquela beleza era divina. E então ela começou a chorar. Ela se jogou nos peitos de Kim.

    — Eu não aguento mais. Tristeza é tudo que eu posso sentir mesmo? Por que eu não consigo sentir uma ponta de felicidade? Mesmo que eu faça de tudo. Eu nunca me sinto satisfeita. E agora. Amara, Bellatrix, Talia, Hermione, Ernesto, Dalia morreram!

    — Talia morreu?

    — Droga Kim! Por que tudo não pode voltar a ser como antes? Tudo tem que gerar esse caos imenso. Tudo por causa do meu desejo bobo. É verdade que quando desejamos e nossos desejos nos alcançam, somos capazes de enlouquecer graças a isso, mas isso é demais para mim.

    — A gente pode fazer algo a respeito disso. Basta sorrimos, né?

    — Não Kim! Não muda nada sorrir. Eu já venho sorrindo todo esse tempo, poxa! Eu apenas queria sentir algo que movesse meu coração, algo que o fizesse palpitar, e não apenas esse vazio horrendo. Por que eu estou vendo uma escuridão tão densa que nem posso ver minha mão do outro lado da minha linha de visão. Essa escuridão é tão brutal que eu nem consigo ver meus pés. E no fim, nada muda. Nunca muda. Por isso. Kim, vamos morrer juntos. Vamos! Por favor.

    Aquilo era loucura, o ápice da insanidade. Bianca não estava mais falando sorrindo, ela suplicava em sua mais alta dor. aquilo era um grito de sua alma desesperada. Finalmente, sua verdadeira face. Sem sua máscara de circo. Sem toda aquela teatralidade. E então, Kim queria salvar ela, mas…

    — Eu não quero ver você morrer perto de mim. Eu irei me matar, não importa o que você diga. Mas quero que me prometa que vai me encontrar do outro lado.

    — Eu…

    — Consegue me prometer isso?

    Kim não conseguia dar uma resposta. Não existia uma resposta adequada. E então, Bianca limpou suas lágrimas. Ela colocou seus rabos de cavalo, e finalmente respirou fundo. E então, um sorriso perfeito voltou ao seu rosto.

    — Pensa com carinho, tá?

    Bianca abraçou ele carinhosamente, talvez o último abraço. E então, no ouvido de seu melhor amigo. Ela suplicou.

    Kill yourself

    Foi a última coisa que ela disse. Antes de sem dizer mais nada, deixar aquele quarto. Tão vazio quanto antes já estava. Com uma escuridão que corroía todos os poros daquele ambiente.

    — … Eu…

    O que pensou a seguir marcaria sua alma.

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