Capitulo 08 - O inesperado sempre acontece
Acreditando fielmente que não seria entregue para Gray, pois na história isso não acontecia, pensou que não deveria se preocupar com isso. Porém, isso não tirava da cabeça de Ulisses que, de certa forma, estava curioso em como aquela conversa entre os seus pais e Gray iria começar e acabar.
Chegando na porta do seu quarto, Dominique disse para ele entrar e ficar ali até ser chamado ou ter que ir para seus estudos matinais. Se despediu da sua irmã, lhe dando um abraço, deixando a garota feliz e saltitante. Entrou no seu quarto e supôs que deveria colocar as ideias em ordem para não ser pego desprevenido como havia acontecido com Gray.
Quando entrou no seu quarto, correu diretamente para sua mesa de estudos, pegando um papel escrito com o seu objetivo de ir para longe da protagonista. Começou a pensar e acreditou que deveria colocar mais algumas coisas no seu papel de objetivos, em todo caso, meios que o levariam ao seu objetivo principal.
— Se tornar um aventureiro não parece difícil se for feito corretamente — disse Ulisses — mas, considerando o que acontece na novel, a família Urion, iria ter desafetos comigo e iriam me deserdar em algum momento. Eu não quero isso, mas, se isso acontecer, eu preciso ter um plano B para me manter sem a herança da minha atual família…
Ulisses sabia que não poderia apenas depender da riqueza da família Urion, mesmo que até o momento estivesse com uma relação boa com eles. Não podia descartar que estará numa novel com uma história que ainda não havia começado e que o enredo poderia seguir o seu curso, mesmo que ele não quisesse. Tinha que fazer algo em relação à sua situação atua.
Se lembrava muito bem da cena onde o seu pai lhe perguntava se ficava na sua casa como membro da família Urion ou ia embora com Stelle. Como o segundo protagonista, era óbvio o que ele escolheu.
“A partir deste exato momento, não sou mais membro da casa Urion!” foi o que Ulisses havia dito na presença de todos da sua família.
— Aaaaa… como teve coragem de trocar riquezas e dinheiro por uma mulher que não lhe via romanticamente? — resmungou Ulisses — Pelos meus desejos, eu não vou fazer isso!
Ulisses disse com determinação, cruzando os braços. Pensou no plano B, caso fosse realmente deserdado (por uma escolha idiota), como na história original.
— Tenho que arrumar um jeito de ganhar dinheiro — disse, pegando a sua caneta — isso mesmo, preciso de dinheiro, muito dinheiro. Não preciso de mais nada além de dinheiro, as outras coisas eu arrumo com dinheiro, hehehe!
Ulisses começou a escrever no papel e, ao terminar, achou estar perfeito e, na sua mente, estava apenas o pensamento de fazer dinheiro. Estava fielmente acreditando que esse era o melhor plano que havia feito para conseguir com o seu objetivo principal. Sorriu ao pensar em mudar aquele seu final horrível.
— Irei passar longe da pobreza — disse convencido — se for para ir para uma barraca de maçãs, que seja para comprar e não para vender! Quem se importa se vou me casar um dia? Stelle Brion, seja feliz com o príncipe herdeiro, porque eu vou ser feliz sendo rico e longe de vocês dois.
Estava certo que não iria seguir a novel, porém algumas coisas ainda estavam sem solução e, sendo uma criança de 9 anos, seria difícil conseguir dinheiro nessa idade. E, como menor de idade, provavelmente (mesmo se conseguisse um meio de conseguir dinheiro) todos os seus lucros iriam para a conta dos seus pais e eles poderiam muito bem perguntar-lhe o motivo de estar ganhando dinheiro sendo um membro da casa Urion.
— Tenho muito o que pensar ainda — disse Ulisses — vamos pensar nisso em conjunto com o plano de fazer Ellie a matriarca da família quando eu for embora… e tenho muitas coisas para fazer agora.
Suspirou e então ouviu alguém batendo na sua porta e, ao dar permissão, George entrou no seu quarto, dizendo que os seus pais estavam o chamando. Sem dizer nada, seguiu o mordomo e então foi para o escritório do seu pai. Chegando no local olhando para a porta, se sentiu um pouco nervoso, pois não sabia se Gray ainda estaria na sua casa.
Mesmo nervoso, esperou o seu mordomo avisar sobre a sua chegada e, quando ouviu que o seu pai havia permitido a sua entrada no escritório, engoliu o seco e entrou na sala. Os seus olhos passaram por todos os lugares da sala, passando por seu pai, sua mãe e Sr. Gray, com um olhar um tanto sério. Se fosse realmente uma criança de 9 anos, iria ficar com muito medo, mas como não era o caso e a sua idade era praticamente mais de 30 anos, não estava tão nervoso; poderia aguentar um clima pesado.
Ouviu a porta sendo fechada e então sentiu como se, naquele momento, estivesse sozinho com três estranhos numa sala.
— Por que fui chamado aqui?
Ulisses, de certa forma, estava um pouco confuso. Se o seu pai não tivesse aceitado entregá-lo para Gray, era só mandá-lo embora; não haveria necessidade de chamá-lo para uma conversa sem sentido. Não sabia exatamente o que eles queriam com isso, mas sabia que a sua postura teria que se manter firme.
— Filho… — começou Eduina — eu e o seu pai estávamos conversando e…
“Isso é muito estranho, o que está acontecendo?!” pensou Ulisses, engolindo o seco.
— Você disse que quer se tornar um guerreiro tão forte quanto o seu pai…
Algo estava muito errado para Ulisses. Não estava entendendo muita coisa e tão pouco estava tranquilo. Se fosse sincero com sigo mesmo, estaria mais relaxado se soubesse o que estava acontecendo.
— Mãe… não estou entendendo.
— Irá para a capital com Gray Mercurion de Brás. — disse o seu pai — Vou fazer com que o seu desejo de ser um mago poderoso se realize.
O mundo abaixo dos pés de Ulisses sumiu… e foi completamente embora. Engoliu o seco e ficou em silêncio, com um sorriso forçado, completamente em choque com o que ouviu. Apesar de parecer que estava tranquilo, por dentro estava em completo desespero.
“Eu queria mudar o meu destino, mas não desse jeito! Eu não quero ir com esse Gray idiota para lugar nenhum!” Ulisses engoliu o seco.
— Mãe, pai… — As palavras sumiram da garganta do garoto — Eu…
— Minha palavra é final — disse Haru num tom firme.
Ulisses teve um déjà vu. Era como estar na sua vida passada, em um dos muitos empregos que tanto odiava. Pôde lembrar de uma vez que teve que pensar numa ideia de projeto para a empresa, mas uma das suas colegas roubou a sua ideia e, quando havia ido reclamar, fora Eddie quem saiu como errado. Eddie mostrou sua ideia de projeto e o acusaram de plágio. Até tentou se defender, mas não deu certo.
“Minha palavra é final!” Foi o que ele escutou do seu chefe, enquanto o demitia.
Como naquele momento da sua vida passada, ficou em choque. Por fora, seu rosto estava sem expressão, mas por dentro estava sentindo algo inexplicável. Como se, naquele tempo, a mente ficasse automaticamente abatida e preocupada com o que acabará de ouvir. Como se uma sensação intensa de ansiedade e desconforto interno estivesse invadindo cada parte do seu corpo. No fundo dos olhos azuis de Ulisses, estava sendo refletido a sua inquietação e a sua incerteza.
Ulisses tentava ao máximo se manter controlado, mas a sua respiração começava a, sutilmente, virar curta e irregular, e as suas mãos começaram a mostrar canais de que começavam a ficar trêmulas, com o desejo de agarrar um objeto próximo com força, como se fosse uma forma de canalizar a energia nervosa e encontrar um senso de controle sobre a situação angustiante. Porém, não estava conseguindo. Isso o fez engolir o seco.
Por um momento pensou que iria entrar em pânico. Isso não acontecia na história original, o que aconteceu? Isso não estava fazendo sentido e ele não estava entendendo nada. Teria que pensar em outros caminhos para poder chegar no seu objetivo, mas como?
Muitas perguntas entraram na mente de Ulisses e até pensou em protestar contra as palavras do seu pai, porém Haru foi mais rápido que ele.
— Senhor Brás, por favor, quero conversar com meu filho em particular, pode nos dar licença?
— Ah, sim.
— Vou acompanhá-lo — Eduina disse num tom gentil.
Gray assentiu com a cabeça e se virou para ir, enquanto Eduina andava ao seu lado. Ulisses sentiu os dois passarem por ele e um toque das mãos da sua mãe posaram com rapidez nos seus ombros com um leve aperto. Tal gesto foi tão estranho, que Ulisses não soube dizer o motivo daquilo; poderia ser para dar boa sorte?
Os pensamentos do garoto logo pararam quando a porta atrás de si se fechou e ele ficou sozinho com o pai, naquele escritório. Seu coração estava batendo rápido, tão rápido que pode pensar que qualquer pessoa poderia escutar os seus batimentos.
— Haah… temos que conversar, Lisses.
— Hm?
A mente de Ulisses ficou completamente confusa. O tom de voz de Haru passou de firme e exigente para algo mais calmo, até mesmo casual. Isso o confundiu imediatamente e apenas se perguntava o que estava acontecendo.
— Como já escutou daquele bocudo do Gray… — Haru levantou da cadeira — Preciso enviar você ou a sua irmã para a capital. Fiz uma promessa para o imperador.
“Ele está usando palavras bem… longe do linguajar dos nobres”, pensou Ulisses, confuso e surpreso pelas escolhas de palavras de Haru.
— Não quero entregar nenhum dos dois para a capital. Porém, é do imperador que estamos falando e acredito que, com a sua idade, já saiba que ele é o Sol do Império, aquele com o poder maior do que o meu.
De certa forma Ulisses entendia. Sabia que Haru não estava falando apenas de poder de mana, mas sim de poder político. O imperador será aquele que estará acima de todos os outros; enquanto os Reis governam os seus reinos, o imperador governa o continente. O sol do império será aquele que detém a graça dada pela grande Deusa para governar. Na novel, foi comentado uma história de que um garoto pediu poder para a Deusa, um poder capaz de expulsar a escuridão, e assim ele conseguiu.
O rapaz conseguiu libertar o continente de Malinis da escuridão, se tornando o imperador e, com a sua autoridade, deu a sua bênção para outras 4 pessoas da sua confiança, fazendo deles os Reis de Malinis, ou os 4 pilares do Império. A hierarquia era bem simples: primeiro o Imperador, depois os reis, os nobres das grandes casas e, por último, os cidadãos comuns. Haru fazia parte de uma das grandes casas e, consequentemente, uma das maiores.
— Então eu terei que ir? — a voz de Ulisses saiu num tom um pouco mais apreensivo do que imaginava.
— Não exatamente.
O coração de Ulisses deu um salto. Havia um jeito de não ir com Gray?
— Não exatamente?
— Vou explicar de um evento importante — Haru se abaixou para ficar na altura do filho, enquanto as mãos seguravam seus ombros tensos — e acredito que já ouviu falar do Abate de sangue.
— Eh?
“CLARO QUE JÁ OUVI FALAR! Na verdade eu li…” pensou Ulisses com descrença. Será exatamente nesse abate que a protagonista finalmente terá a sua vitória com o imperador e, consequentemente, a sua vingança. Em resumo, o Abate de Sangue será um vale-tudo até a morte, com o vencedor podendo pedir qualquer coisa em troca.
— Eu…
Ulisses teve que se fazer de desentendido.
— A-acho que já ouvi algo assim…
— A sua única chance de se livrar do destino de ser um soldado do Império é por esse abate. — Haru deu uma pausa, mas logo continuou — A sua irmã é muito nova e mal tem um núcleo de mana completo, então terá que ser você.
— M-mas… como isso vai ser?
— Eu e a sua mãe convencemos Gray de que vamos lhe preparar por mais alguns anos e depois vamos te enviar pessoalmente.
“Entendi… vão tentar me dar uma chance de ganhar sem perder um braço, uma perna… ou os dois…” Tal pensamento fez um arrepio subir pelo corpo pequeno de Ulisses.
— Vai… me treinar? — Ulisses perguntou com hesitação.
Haru ficou em silêncio e levantou-se, ficando de pé e dando um passo para trás, mas ainda mantendo o olhar no garoto.
— Não, não… eu não iria conseguir te fazer evoluir tão rápido quanto precisa.
“Porra, então como vai ser?!” Ulisses já estava tendo um colapso.
— Infelizmente, meus treinamentos não iriam te fazer ficar forte em pouco tempo, já que o meu mestre me ensinou a ficar forte de um jeito diferente do convencional, mas há outro lugar que posso garantir que irá te ajudar.
— Que lugar seria esse?
— Isclaris, o reino dos Elfos.
— Isclaris?
Na história original, não foi muito dito sobre os elfos, principalmente devido ao ponto de vista ser mais voltado para a vingança de Stelle. Devido a isso, Ulisses não conseguia pensar em nada que pudesse lhe dizer como ir para o reino dos elfos poderia ajudar nessa situação difícil. Haru será extremamente forte, porém Ulisses se lembrava de que, na história original, foi dito que o pai de Ulisses tinha a habilidade sugar os poderes dos outros, que mais tarde foi descoberto que ele terá um certo número de poderes que poderia roubar, como um tipo de limite do próprio corpo. E no mundo de “Planos para matar o Imperador”, habilidades não se aprende, se descobre.
Isso poderia explicar o motivo de Haru dizer que treinou de um jeito diferente: o treinamento dele era estudar os outros e roubá-los.
Dito isso, Ulisses entendia o motivo do seu pai não pensar em treiná-lo.

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