Capítulo 180: Tortura e Informação
Cidade de Ellora!
Hanya chegou à prisão localizada sob a propriedade do Senhor da Cidade, arrastando Inala consigo. Ao alcançar uma cela, atirou-o lá dentro com brutalidade:
— Esta é a sua casa de hoje em diante.
— Você… você vai se arrepender de tudo — Inala murmurou, ofegante.
— Já não somos tão arrogantes, não é? — Hanya abriu um sorriso perverso e o amordaçou.
Os membros do garoto já estavam como gelatina. Assim, ela os pregou diretamente no chão. Encarou-o nos olhos e sussurrou:
— Seja paciente, está bem?
— Passaremos muito tempo juntos de agora em diante.
Em seguida, ergueu um domo de lodo ao redor dele. Ninguém de fora conseguiria entrar, o que também garantia que Inala não pudesse escapar.
Hanya então retornou à sala de estar da propriedade. Olhou para Gudora e informou:
— Inala já está contido.
— Bom trabalho. — Gudora encerrou seus afazeres e foi deitar. — Acorde-me em algumas horas. Preciso me preparar para a reunião de amanhã.
— Certo. — Hanya assentiu. Ao retornar à prisão, acomodou-se em uma almofada macia, engoliu alguns remédios e começou a circular seu Prana para se recuperar dos ferimentos.
De tempos em tempos, lançava um olhar para Inala e sorria ao vê-lo quieto no mesmo lugar.
“Ótimo, sem escândalos.”
No início da noite, abriu os olhos; sua recuperação estava concluída. Entrou na cela e parou diante do prisioneiro. Notando que ele já havia perdido um pouco de massa muscular, provocou:
— Presas Empíreas têm um apetite voraz. Qual é a sensação de passar fome para variar?
Inala a encarou em silêncio, sem demonstrar qualquer reação.
— Não precisa falar. Tenho meus métodos para arrancar informações da sua mente. Mas, antes que a equipe chegue…
A mulher puxou para dentro da cela uma jovem na casa dos vinte anos, afundada em dívidas.
— O-o que eu devo fazer, Senhora Hanya? — a jovem perguntou, trêmula.
— Engravide dele…
Hanya nem conseguiu terminar a frase. Uma súbita rajada de vento as atingiu, arremessando ambas para o final do corredor, onde colidiram violentamente contra a parede de pedra.
— Seu desgraçado! — Hanya balançou a cabeça, atordoada por uma leve concussão.
Circulou seu Prana às pressas para curar o dano e virou o rosto. Arregalou os olhos ao constatar que a jovem estava inconsciente e sangrando por diversos ferimentos.
— Vamos ver até quando consegue resistir.
Bufando com desdém, Hanya estalou os dedos. Imediatamente, dois guardas entraram para arrastar a mulher desmaiada para fora. Em seguida, Hanya trouxe outra devedora e entrou na cela, apenas para, mais uma vez, ser arremessada pelos ares.
Desta vez, porém, notou que a intensidade do impacto fora ligeiramente menor. “Suas energias estão se esgotando rápido. É só uma questão de tempo.”
Seu plano era simples. Pretendia usar aquelas mulheres para gerar um filho com a semente de Inala. Se desse certo, eles teriam a progênie de uma Presa Empírea em mãos. Contanto que escravizassem a criatura corretamente, poderiam usá-la como uma fazenda viva de recursos valiosos.
As presas de uma Presa Empírea eram renomadas por toda Sumatra como o material mais rígido existente. Além disso, serviam como o componente vital para a forja de Lanternas de Armazenamento, o principal produto de exportação do Clã Mamute.
Com um monopólio desses, o Reino Ganrimb se desenvolveria em um ritmo avassalador.
Ser arremessada contra as paredes não incomodava Hanya; esse era o segundo aspecto de seu plano. Ao deixar clara sua intenção de violentá-lo reprodutivamente, ela o forçava a reagir. Contanto que Inala continuasse se defendendo, suas reservas de energia inevitavelmente secariam.
Quando isso acontecesse, seria fácil para a Equipe de Inteligência invadir a mente do garoto e extrair todos os seus segredos. Aqueles agentes haviam sido meticulosamente cultivados com Avatares Humanos para se tornarem especialistas absolutos no campo mental.
Costumavam usar essa técnica nos Lagartos Vacilantes capturados para monitorar tudo o que acontecia na região. Era graças a essa rede de informações que o Reino Ganrimb continuava a prosperar, mantendo-se sempre um passo à frente dos demais.
A Equipe de Inteligência já aguardava na propriedade do Senhor da Cidade, mas seus membros possuíam poder de combate nulo. Para eles, até o mais fraco dos ataques poderia ser letal. Esse era o verdadeiro motivo pelo qual Hanya precisava esgotar Inala por completo.
Desta vez, no entanto, a lufada de vento só teve força para arrastar a mulher até a metade do corredor, sem o impacto esmagador contra a parede da primeira tentativa. Como a coitada mal possuía dez de Prana, foi incapaz de suportar a queda e perdeu a consciência no mesmo instante.
— Grrr! — Inala rosnou em fúria, incapaz de articular palavras devido à mordaça. Inalou um volume absurdo de ar e exalou bruscamente, arremessando a nova vítima para longe.
Hanya pouco se importou; havia uma fila inteira de cobaias do lado de fora. Todas eram devedoras arruinadas que haviam perdido tudo nas casas de apostas. O destino normal daquelas infelizes seria o trabalho escravo e implacável nas minas.
Sendo assim, Hanya podia dispor de suas vidas como bem entendesse, oferecendo-lhes a absolvição e um futuro promissor caso conseguissem engravidar do prisioneiro. Era essa falsa esperança que as tornava tão desesperadas.
— Heh. — Hanya soltou uma risada de escárnio ao ver as rajadas de vento minguarem a cada nova tentativa.
“É só uma questão de tempo.”
Observou os grunhidos constantes do garoto, que parecia tentar extrair cada gota de poder latente, e abriu um sorriso sádico.
“Esforço inútil.”
É claro que ela não poderia estar mais enganada. Inala estava, na verdade, dando um show de atuação.
Dentro do bioma no qual seu estômago havia se transformado, um Zinger Empíreo partiu uma Bomba de Prana, derramando o conteúdo diretamente sobre os músculos estomacais. Assim que Inala ativou a Arte Mística Óssea, o fluido na Bomba de Prana começou a ser digerido gota a gota, restaurando rapidamente suas reservas de Prana.
Acumulava, de fato, poder de forma constante, embora fingisse estar à beira do colapso. O bioma estava abarrotado de Bombas Vitais; o suficiente não apenas para uma recuperação total, mas para sobrar com folga.
O único objetivo era ganhar uma semana de prazo. Ao fim desse período, o Reino Ganrimb deixaria de existir.
“A Catástrofe Millinger vai começar a qualquer momento.”
Desde o instante em que previu o desastre iminente, Inala orquestrou cada detalhe para induzir Gudora e os demais a confundi-lo com uma Presa Empírea. Sabendo que os líderes jamais arcariam com a responsabilidade de executar tal criatura, a estratégia era simples: assim que recebessem pistas sobre o retorno do Rei Javali, eles ficariam mais do que felizes em entregar o “filhote” de bandeja para a calamidade, visando colher benefícios em troca.
A manipulação fora perfeita. Ele levara Fhoong Brimgana a acreditar que a ideia era brilhante e de autoria do próprio governante, quando, na verdade, o conceito havia sido cirurgicamente plantado em sua mente por meio da sequência de eventos e vazamentos de informação arquitetados por Inala.
E, exatamente como previsto, acabou aprisionado. Agora, só precisava aguentar firme por sete dias para conseguir sua liberdade. O teatro de exaustão servia justamente para isso: manter Hanya iludida de que suas energias estavam chegando ao fim.
Além do mais, a tal Equipe de Inteligência havia despertado sua curiosidade.
“Eu não fazia ideia de que eles existiam antes de tudo isso. Quero testar as capacidades desse grupo.”
Usando o Criador de Habilidades Místicas, Inala planejava derivar uma Habilidade focada em extrair dados de inimigos. O conceito seria semelhante ao da Habilidade Primária: Tabuleta Empírea, mas com uma abordagem invasiva e brutal. Uma técnica assim seria indispensável para seus projetos futuros e, já que a cobaia perfeita estava prestes a bater à sua porta, não deixaria a oportunidade passar.
Fhoosh!
A última devedora foi empurrada por míseros metros de distância, num sopro tão fraco que apenas causou um leve sobressalto na infeliz. Ao constatar a completa exaustão do prisioneiro, Hanya abriu um sorriso vitorioso e estalou os dedos, dando a ordem para a entrada da Equipe de Inteligência.

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