Capítulo 181: Batalha da Mente
Battalda era um cultivador de cento e vinte anos no Estágio de 3 Vidas, já adentrando a segunda metade de sua longevidade. Dedicara a vida a reunir informações de inteligência para a Cidade Comercial de Ellora. Desde jovem, vasculhava as mentes de Lagartos Vacilantes, de vários Membros de Tribo Devastada capturados, e de dissidentes da cidade.
O mineral que compunha seu Avatar Humano chamava-se Brahasp e possuía um valor inestimável. Equivalia ao Grau Prata Iniciante, mas, em termos de raridade, superava até mesmo o Haddlyok, o minério utilizado pela Realeza do Reino Ganrimb para forjar seus próprios Avatares Humanos.
O recurso existia apenas em quantidades escassas e precisava ser extraído com extrema cautela. Portanto, os cultivadores que integravam a Equipe de Inteligência mal chegavam a cinco, todos com o cultivo no pico do Estágio Corporal.
Como líder da equipe e detentor do título de Oficial de Inteligência, apenas ele recebia Brahasp suficiente para avançar ao Estágio de 3 Vidas. E, sob as ordens de sua Lorde, Hanya, ele entrou na cela de Inala. Estava acompanhado por dois de seus subordinados.
— Há algo que eu precise saber de antemão, Minha Senhora? — perguntou Battalda, encarando os membros esmagados de Inala.
— Ele é uma Presa Empírea — revelou Hanya. — Você precisa extrair todas as informações da mente dele no prazo de dois anos. Não importa se a mente dele for destruída no processo, mas o corpo deve permanecer intacto. Precisamos que ele procrie e gere mais de sua espécie. Mas, primeiro, aguardaremos o seu relatório.
Existiam diferenças nas estratégias de acasalamento de cada raça. Se o processo não fosse conduzido da forma correta, não haveria descendência. Além disso, Hanya sequer sabia se uma mulher humana seria capaz de gerar o filho de Inala. Logo, a atitude mais prudente era esperar até que Battalda extraísse os dados necessários.
Assim, poderiam tomar a decisão mais adequada baseada nos fatos.
— Entendido. — Battalda assentiu e assumiu calmamente sua posição atrás da cabeça do prisioneiro, enquanto seus subordinados se posicionavam de cada lado das pernas de Inala.
— Isso vai doer — ele avisou a Inala e ativou seu Avatar Humano, transformando o próprio corpo em um humanoide de aspecto vítreo que ostentava sua estatura original. Anéis translúcidos de informação agitavam-se ao redor de sua silhueta, acumulando Prana à medida que se condensavam em suas mãos.
Battalda pousou as mãos nas têmporas de Inala e perguntou:
— Quantos anos você tem?
Em resposta, um dos anéis em sua mão penetrou na cabeça de Inala, arrancando-lhe um único grunhido de dor. Alguns segundos depois, o aro luminoso retornou à posição original.
Battalda abriu a boca e declarou:
— Dezessete anos.
No instante em que falou, o respectivo anel se estilhaçou em sua mão, dissolvendo-se de volta em seu corpo. Ele consumira uma unidade de Prana para extrair aquela informação.
Um dos membros da Equipe de Inteligência sacou um cristal e codificou o dado nele. Aquele cristal servia como o equivalente à Tabuleta Óssea para a técnica de cultivo que utilizavam.
O Clã Mamute usava a Tabuleta Óssea puramente para a troca de informações, pois a única técnica de cultivo que eles praticavam era a Arte Mística Óssea.
Contudo, no Reino Ganrimb, onde a população praticava dezenas de técnicas diferentes, os dispositivos usados para o armazenamento de dados eram abundantes e variavam drasticamente. Como resultado, o fluxo de informações era lento, sempre dependendo de cultivadores que praticassem a mesma vertente de cultivo.
Se um terceiro quisesse acessar aquele dado, o dispositivo precisaria ser levado a uma instituição onde um cultivador da mesma técnica pudesse acessá-lo e transcrevê-lo à mão para um livro.
Em seguida, outro cultivador leria o livro e recodificaria o conteúdo em um dispositivo diferente — que, por fim, seria lido pelo cultivador interessado.
Toda vez que alguém solicitava uma informação específica, um funcionário daquela instituição precisava inscrever o conteúdo dos livros em um equivalente da Tabuleta Óssea compatível com a técnica do requerente.
Consequentemente, a troca de informações no Reino Ganrimb era extremamente morosa.1 A realidade da Equipe de Inteligência não era diferente.
No momento, eles registravam tudo em seus equivalentes de Tabuletas Ósseas, já que era um processo instantâneo. Mais tarde, teriam o trabalho braçal de transcrever os dados para tomos físicos e armazená-los no banco de dados da cidade para acesso público.
Esse acesso “público”, no entanto, limitava-se à Realeza e a figuras de poder que possuíssem autorização real.
Battalda encarou Hanya:
— Há algum tópico que eu deva priorizar?
— Descubra o que ele sabe sobre as mudanças no Rio Angan — instruiu a mulher.
— Certo. — Com um aceno, Battalda infiltrou outro anel na mente de Inala e perguntou: — O que você sabe sobre as mudanças no Rio Angan?
O poder dele consistia em enviar um pacote de energia diretamente à consciência do alvo, seguido por um questionamento. Mesmo que a vítima se recusasse a falar, seu cérebro automaticamente formularia a resposta, já que pensar era a função primária do órgão.
Esse pacote energético capturava todos os pensamentos gerados como reação à pergunta. Naturalmente, a resposta vinha acompanhada de muito ruído mental, pois nenhum ser humano possuía um raciocínio perfeitamente linear. Havia emaranhados de memórias, fluxos de pensamentos paralelos e abstrações.
Battalda passara por um treinamento extensivo para filtrar a maior parte desse caos e capturar apenas a essência pura do que desejava. A experiência desempenhava um papel vital em sua Habilidade. Como regra, quanto mais velho o oficial da Equipe de Inteligência, maior era o seu valor. E Battalda era uma peça de altíssimo valor em todo o Reino Ganrimb.
Mas agora, esse mesmo veterano encontrava-se atônito. O pacote de energia que enviara à cabeça de Inala acabara de ser destruído sem explicação. Até mesmo o Prana infundido na técnica fora drenado por alguma coisa, deixando-o confuso.
“Isso doeu, mas foi útil para eu entender como o mecanismo funciona”, pensou Inala. “Preciso acumular mais experiência nisso, mas não a ponto de vazar dados sigilosos e me ferrar.”
Arte Mística Óssea — Dominação de Prana!
Esta foi a Habilidade que ele arrancara da Vovó Oyo como suborno antecipado pelo que ela faria mais tarde naquela noite. Deixando esse trauma de lado, a Habilidade de Dominação de Prana permitia que Inala exercesse um controle soberano sobre as próprias energias.
O Prana era o resultado da fusão das energias do Corpo, da Mente e da Alma. Portanto, a Dominação de Prana lhe concedia autoridade absoluta não apenas sobre seu Prana, mas, por extensão, sobre sua estrutura física, mental e espiritual. Nenhum terceiro seria capaz de violar isso, a menos que possuísse a mesma Habilidade e fosse imensamente mais poderoso.
Ofensivamente, a Dominação de Prana só funcionava contra Membros do Clã Mamute. Quando ativada, Inala podia transformar o esqueleto do alvo em sua própria Arma Espiritual, além de manipular o Recipiente Espiritual alheio.
Defensivamente, a técnica impedia qualquer influência externa sobre seu corpo, seu Prana e seu Recipiente Espiritual.
No instante em que a utilizou, Inala percebeu que Battalda não tinha calibre suficiente para perfurar as defesas de sua Dominação de Prana.
“Agora, preciso evoluir essa Habilidade para que afete alvos além dos Membros do Clã Mamute”, sorriu Inala ao chegar a essa conclusão.
O Prana pulsava de forma constante por seu organismo enquanto ele calibrava suas defesas mentais, permitindo que Battalda obtivesse apenas as falsas migalhas que desejava revelar. À medida que o interrogador continuava a extrair fragmentos inúteis de informação, Inala registrava o processo que ocorria dentro da própria mente e ativava uma segunda capacidade.
Arte Mística Óssea — Criador de Habilidades Místicas.
- Significa lenta, arrastada, fila do SUS kk[↩]

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