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    — Ele tem defesas mentais sólidas — murmurou Battalda, enxugando o suor. — Quanto mais valiosa a informação, mais bem protegida ela fica. Vou levar um tempo até conseguir extrair algo relevante.

    — Bom, era de se esperar, já que ele é uma Presa Empírea. Não seriam consideradas Bestas Prânicas de Grau Ouro se fosse tão simples assim — disse Hanya, posicionando um grupo de guardas para proteger Battalda. — Solicitarei mais especialistas da Equipe de Inteligência da Capital.

    — Seria de grande ajuda. — Battalda assentiu. — Conseguiríamos obter as informações muito mais rápido se o meu mestre viesse para cá.

    — Falarei com o Rei sobre isso — respondeu Hanya. — Mas não posso dar garantias. Esta semana é um período muito delicado.

    Após a breve conversa, Battalda retomou o trabalho, enquanto Hanya voltou à sua residência para descansar.

    Duas horas depois, Battalda suspirou e fez um sinal para um de seus subordinados:

    — Assuma daqui.

    — Entendido. — O membro da Equipe de Inteligência assentiu e ativou seu Avatar Humano para infiltrar um pacote de energia na mente de Inala. — Qual é a sua relação com os dois Membros do Clã Mamute que moravam com você?

    Como esperado, não obteve resposta. O pacote de energia foi simplesmente consumido pela mente de Inala. O agente da Equipe de Inteligência continuou a fazer perguntas de dificuldades variadas. No fim, porém, foi incapaz de extrair até mesmo a informação mais básica de todas — o próprio nome de Inala.

    — As defesas mentais dele são impenetráveis para mim. — O agente suspirou e voltou à sua função de registrar os dados, deixando Battalda como o único com capacidade de arrancar qualquer coisa de útil do prisioneiro.

    Na realidade, a situação era outra. Inala apenas manipulava suas próprias defesas mentais por meio da Habilidade de Dominação de Prana para criar essa ilusão.

    Dessa forma, só precisava se manter em guarda contra Battalda. Isso significava que, sempre que o especialista descansasse, os demais membros da Equipe de Inteligência seriam inúteis, o que permitia a Inala ter também um momento de alívio.

    Seria impossível manter as defesas caso adormecesse. Por isso, ao absorver pequenas porções do fluido de uma Bomba Vital, Inala se mantinha acordado à força. Estava confiante de que conseguiria aguentar nesse estado por uma semana inteira.

    Obviamente, o preço dessa atitude seria cobrado mais tarde, mas isso não era um problema. Seu corpo ainda estava debilitado pelos efeitos colaterais do uso da Habilidade de Sangue de Prana. Sendo assim, aproveitava esse intervalo para reparar os danos internos e se curar gradualmente, tudo isso enquanto mantinha a fachada de um prisioneiro gravemente ferido.

    De tanto usar o Criador de Habilidades Místicas, Inala já estava mais do que familiarizado com o processo. Dessa vez, utilizava a Habilidade de Dominação de Prana e a sua Habilidade Primária: Tabuleta Empírea como alicerces, o que permitia que a vasta experiência acumulada as moldasse exatamente de acordo com sua vontade.

    Como conseguia sentir perfeitamente o ritmo dessa progressão, concluiu: “Uma semana é tempo mais do que suficiente.”

    Quanto maiores fossem os esforços de Battalda, mais combustível era gerado para o avanço de Inala, o que o deixava internamente eufórico.

    “Vamos! Esforce-se mais!”

    No fundo, torcia pelo interrogador. Se Battalda sequer desconfiasse disso, provavelmente bateria a cabeça contra a parede até a morte. A maior desgraça para um Oficial de Inteligência era perder uma batalha mental sem nem perceber que estava jogando.

    No dia seguinte, na mansão do Senhor da Cidade, uma pequena multidão havia se reunido. O ambiente escolhido para o encontro possuía um estilo peculiar, pois misturava a formalidade de um escritório com a disposição de uma sala de jantar.

    Bem no meio do cômodo, repousava uma mesa retangular com o centro vazado. Suas bordas ficavam a meros dois metros de distância das paredes. Ao redor dela, dispostas em intervalos regulares, alinhavam-se estantes de um metro de largura abarrotadas de materiais de referência.

    Nos espaços entre os móveis, havia cadeiras estofadas, num total de quarenta assentos. No momento, trinta e seis delas estavam ocupadas e abrigavam absolutamente todas as figuras de poder da Cidade Comercial de Ellora.

    Maharell, como um dos mercadores mais influentes da cidade, também ocupava um desses lugares. Sua expressão atual transparecia um misto de alívio e dor.

    O alívio vinha do fato de Inala ter sido tirado de cena. O garoto acumulava poder em um ritmo assustador, o que o deixava constantemente apreensivo.

    A dor, por sua vez, devia-se ao fato de que era exatamente por meio de Inala que ele lucrava fortunas. Agora, sem o garoto, o Teatro estava jogado às traças, sem um dono. Para piorar, a captura de seu antigo proprietário fora um duro golpe no prestígio do estabelecimento.

    Sem alguém com pulso firme para tomar as rédeas, o caos se instaurou no Teatro. Os vários líderes de trupe começaram a brigar pela posição, mas nenhum deles detinha a força necessária para consolidar o controle de fato.

    Do lado de fora, os grandes mercadores também disputavam essa mesma liderança com unhas e dentes, o que transformou a situação em uma verdadeira panela de pressão. Todo esse tumulto causou uma queda no interesse do público, pois, no fim das contas, o Teatro deveria ser um local de lazer focado no entretenimento.

    O negócio deles era vender obras dramáticas no palco, não virar o palco de um escândalo real. Como consequência direta, a confiança dos frequentadores despencou.

    Pela primeira vez desde a sua inauguração, o Teatro sofreu uma queda drástica de público. Isso soou um alarme ensurdecedor para os grandes comerciantes, que viram seus lucros afundarem junto com as vendas.

    A receita do dia anterior representou apenas metade do normal, e a tendência de queda parecia longe de parar. Pouco antes de chegar à reunião, Maharell havia verificado o balanço diário e constatou que os números haviam despencado ainda mais.

    Ele bem que tentava frear aquele caos, mas era inútil. Queria tomar o controle do Teatro para si, mas os outros peixes grandes pensavam da mesma forma. No fim das contas, a ganância deles só jogava mais lenha na fogueira, mesmo quando todos juravam querer apagar o incêndio.

    “Espero que consigamos chegar a uma solução até o fim desta reunião.” Esse era o objetivo de Maharell. Por isso, viera devidamente preparado.

    Gudora entrou na sala, ocupou seu lugar e fez um gesto para que os demais permanecessem sentados enquanto dava início à reunião:

    — O motivo de eu ter convocado todos vocês é para discutirmos a Crise que nos assola uma vez a cada século.

    — A temporada de acasalamento dos Centingers começará em cinco dias — anunciou, o que deflagrou uma onda de choque que varreu a sala.

    — É compreensível que estejam chocados, já que apenas metade das pessoas nesta sala viveu tempo suficiente para presenciar a última temporada de acasalamento dos Centingers. — Gudora aguardou alguns segundos antes de prosseguir. — Mas para os que não estavam lá, permitam-me explicar.

    — Os Centingers são criaturas marinhas que transitam pelo Rio da Corrente Vermelha. No entanto, eles se mantêm nas profundezas e raramente vêm à superfície. Como a extensão do rio que corta o nosso Reino, o Rio Angan, é bem mais rasa e infestada de Lagartos Vacilantes, os Centingers costumam evitar essa região e preferem navegar por um afluente paralelo que flui além do nosso anel do Vazio Cinza-Arenoso — explicou Gudora. — A única exceção é durante a temporada de acasalamento. Nesse período, eles massacram qualquer ser vivo que encontrem pela frente, puramente por esporte.

    — E o nosso Reino se torna o seu alvo principal.


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