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    12 de abril de 2024, sexta-feira.

    Aki estava deitada de barriga para cima, os olhos fixos no teto pouco iluminado do quarto. A luz suave de fora entrava pela sacada aberta, para refrescar um pouco. O som distante do mar batendo na areia chegava calmo, relaxante, mas nada acalmava seu coração que ainda parecia bater acelerado.

    “Eu sempre imaginei que minha primeira vez seria algo complicado…” — Pensava, sentindo um calor subir ao rosto, lembrando-se do que tinha acabado de acontecer entre eles. “Não tinha a menor ideia de como faria, nem de como aconteceria. Eu tinha medo de não estar pronta, de não ser suficiente… e agora… aqui estamos…”

    Virou-se um pouco para o lado, olhando para Victor, que dormia tranquilamente ao seu lado. O peito dele subia e descia num ritmo lento, e seus traços, normalmente fortes e determinados, estavam agora relaxados, suaves. Aki não conseguiu evitar um sorriso. Ele parecia ainda mais bonito assim, sem defesas.

    Seu peito estava transbordando felicidade. Era como se todo o corpo estivesse repleto de uma energia boa, difícil de conter. O sono simplesmente não vinha. Seu coração parecia ainda correndo uma maratona, mesmo com o silêncio ao redor. 

    “Eu estou tão feliz que tenha acontecido dessa forma… nesse lugar… com ele. Não poderia ter sido mais perfeito. Foi diferente de tudo que imaginei… melhor do que qualquer sonho. Valeu a pena esperar.”

    Aki levou uma das mãos ao peito, tentando conter a intensidade de seus próprios sentimentos. O calor ainda estava ali, vivo, como se pudesse reviver cada detalhe ao fechar os olhos.

    Então, pensamentos começaram a surgir, um atrás do outro, como ondas que se quebravam sem parar. Lembrou-se de alguns momentos em que sentiu seu coração bater mais forte que o normal: o primeiro beijo, a primeira vez em que deram as mãos, e principalmente, a primeira noite em que dormiram juntos na mesma cama. Ela tinha ficado imóvel, nervosa, quase sem respirar, achando que algo poderia acontecer. Mas nada aconteceu. Ele a respeitou. E isso tinha feito seu coração doer de ternura por ele.

    “Victor sempre foi tão cuidadoso comigo… nunca me forçou a nada. Esperou o tempo todo… e agora eu… eu fui egoísta?” — Pensou, mordendo o lábio. “Será que isso machucou ele? Será que de alguma forma, trouxe lembranças ruins do passado dele? E se eu só pensei em mim… na minha vontade… e esqueci do que ele poderia estar sentindo?”

    Seu coração apertou. O sorriso deu lugar a uma sombra de dúvida. Pela primeira vez desde que deitou, sentiu os olhos arderem. Não queria chorar, não depois de um momento tão feliz. Mas não conseguia evitar a sensação de que talvez tivesse exigido mais do que deveria.

    Aki fechou os olhos, respirando fundo. Tentava afastar aqueles pensamentos, mas eles insistiam em voltar. Ela se encolheu um pouco, abraçando os próprios joelhos, como se buscasse se proteger da maré de inseguranças.

    — Hunf… — Suspirou. — Por que estou pensando tanto nisso? — Murmurou, como se pensasse alto. 

    E foi nesse instante que sentiu um movimento ao lado. O braço forte e quente de Victor deslizou ao redor de sua cintura, puxando-a suavemente para perto. Ela abriu os olhos, surpresa, e virou a cabeça. Ele ainda parecia meio adormecido, mas havia um sorriso sonolento em seus lábios.

    — Shhh… — Murmurou baixinho, com a voz rouca do sono. — Dorme, Aki…

    O coração dela deu um salto. Ele a abraçava com tanta naturalidade, como se soubesse exatamente do que ela precisava naquele momento.

    — Eu… eu não consigo dormir… — Admitiu em voz baixa, quase um sussurro. — Estou muito… emocionada com tudo que aconteceu. — Ela se conteve na explicação, não queria preocupa-lo. 

    Victor abriu os olhos devagar, piscando algumas vezes até focar nela. O sorriso dele se alargou, de forma calorosa.

    — Você é realmente muito fofa, sabia? — Disse, encostando a testa na dela por um instante.

    O rosto de Aki corou instantaneamente. O calor se espalhou pelo corpo inteiro, e ela não conseguiu segurar um risinho tímido.

    Ele então se aproximou mais e, com uma ternura que fez o coração dela disparar novamente, depositou um beijo suave no seu rosto e depois na sua testa, recuando um pouco em seguida. Não era um beijo de desejo, era um beijo de carinho e de cuidado.

    As lágrimas que ameaçavam cair se transformaram em outro tipo de emoção. Aki sentiu-se ainda mais feliz, ainda mais sortuda por ter alguém como Victor ao seu lado. Ela se virou totalmente, envolvendo-o com os braços num abraço apertado, quase desesperado, como se tivesse medo de soltá-lo e ele desaparecer.

    — Eu te amo… Victor. — Sussurrou contra o peito dele, a voz embargada pela intensidade do sentimento.

    Ele retribuiu o abraço, envolvendo-a com força, dando-lhe uma sensação de segurança. Sua mão deslizou lentamente pelas costas dela, fazendo um carinho que parecia prometer que tudo estaria bem. Então, respondeu no mesmo tom baixo, mas cheio de firmeza:

    — Eu também te amo, Aki.

    O coração dela pareceu derreter naquele instante. Sentia-se completa, preenchida, como se não precisasse de mais nada naquele momento. O simples fato de ouvir aquelas palavras novamente, agora, depois de tudo que haviam compartilhado, trazia uma sensação diferente, muito mais intensa e profunda.

    Eles permaneceram assim, abraçados, por longos minutos. A respiração dele era calma, constante, e aos poucos, o calor do corpo dele foi acalmando a inquietação dela.

    Aki fechou os olhos, sentindo o som da batida do coração dele sob sua orelha. Era forte, estável, diferente do seu, que ainda parecia correr. 

    “Eu sempre imaginei que seria complicado… mas não foi. Foi lindo, só nosso. Ninguém pode tomar isso da gente. Eu não poderia ter pedido nada melhor. Eu nunca vou me esquecer disso e desse momento, Victor!” — Pensava, com um sorriso frágil nos lábios.

    O tempo passou devagar, e finalmente, o peso das emoções começou a dar lugar ao cansaço. O sono, que antes parecia impossível, começou a se aproximar, suave como o toque de Victor.

    Antes de se entregar por completo, Aki abriu os olhos uma última vez, olhando o rosto dele tão próximo. Com a ponta dos dedos, acariciou-lhe o queixo, num gesto carinhoso.

    — Obrigada… — Murmurou, quase inaudível.

    Victor sorriu de leve, já quase adormecido, e a puxou para um último aconchego.

    E então, finalmente, o corpo de Aki relaxou. Seu coração ainda estava cheio de emoção, mas agora, misturado a um calor tranquilo, que a embalou até o sono chegar. Ela dormiu.

    ___

    13 de abril de 2024, sábado.

    Aki abriu os olhos devagar. Por um instante, ficou deitada em silêncio, tentando organizar os pensamentos. O coração ainda estava leve, cheio de lembranças da noite anterior, mas junto desse calor vinha também a vergonha, um rubor que tingia seu rosto só de pensar em tudo o que havia acontecido.

    Foi quando ela colocou a mão nas suas pernas e percebeu que não estava usando short ou calça. Apenas estava com uma camisa, de Victor, e que ficava grande nela. Seu coração quase explodiu de vergonha.

    Ela se virou um pouco e viu Victor já acordado, sentado próximo à mesa, olhando pela sacada aberta. No mesmo instante, ele se virou para ela e sorriu.

    — Bom dia! O café acabou de chegar… 

    Aki piscou algumas vezes, como se voltasse à realidade, tentando fazer seus olhos se acostumarem completamente àquela claridade. O aroma do café quente realmente já preenchia o ambiente. Sentou-se na cama, ajeitando os cabelos de maneira desajeitada, e murmurou um tímido “bom dia” de volta.

    Victor puxou a cadeira para ela, e Aki se aproximou. Sentaram-se à mesa e começaram a comer em silêncio. Apesar da tranquilidade do momento, Aki não conseguia afastar a sensação estranha que misturava felicidade com nervosismo. O sorriso vinha fácil, mas as palavras simplesmente não saíam.

    Ela mexia no pão em seu prato mais do que realmente comia, pensativa. Foi então que Victor quebrou o silêncio, observando-a com atenção.

    — Aki… está tudo bem? — Perguntou, quase preocupado.

    Ela ergueu os olhos rapidamente, como se tivesse sido pega em flagrante. Sorriu, tentando parecer natural e casual.

    — Está sim… eu só… estava pensando.

    Victor inclinou-se um pouco mais sobre a mesa, reduzindo a distância entre eles.

    — Pensando em quê? — Ele não conseguiu evitar o tom de curiosidade.

    Aki desviou o olhar, sentindo o calor subir às bochechas. Não queria parecer insegura, mas também não queria mentir. “O que eu falo?” — Pensou, duvidosa.

    — É… por causa de ontem?

    Ela engoliu em seco, confirmando com um aceno tímido.

    — Eu… fiquei com medo. — Admitiu, baixinho. — Medo de que isso pudesse mudar nossa relação… ou de que pudesse… te machucar, por causa do seu passado.

    Houve uma pausa. O coração dela batia acelerado, esperando a reação dele. Então, Victor sorriu de forma compreensiva e gentil. Ele estendeu a mão por cima da mesa, segurando a dela.

    — Não precisa se preocupar com isso. — Respondeu, olhando diretamente em seus olhos. — Tudo que mais importa para mim agora é te fazer feliz. É só isso que eu quero.

    Aki sentiu os olhos marejarem, mas continuou ouvindo, sem ousar interromper.

    — E, para ser sincero… — Continuou Victor, apertando levemente a mão dela. — Isso só trouxe mudanças positivas. Porque agora estamos ainda mais próximos, mais conectados. E é exatamente isso que eu desejo com você. Quero estar sempre ao seu lado. Sempre te ajudando. 

    Aki desviou o olhar por um instante, mordendo o lábio. O rosto corado denunciava o turbilhão de emoções que ela sentia. E, antes mesmo de perceber, as palavras escaparam de seus lábios:

    — Victor… você tem intenção de… se casar comigo algum dia? 

    Ela não ousou encará-lo de imediato, a vergonha tomando conta de cada gesto. Mas logo ouviu uma risada baixa. Então, tentou se justificar: 

    — Quero dizer, eu sei que já conversamos sobre isso, mas… — Ela foi interrompida. 

    — Que pergunta boba, Aki. — Disse ele, ainda rindo, mas com um brilho no olhar.

    — Boba?! — Ela exclamou, meio indignada, meio confusa. Claro que não era uma pergunta boba. Na verdade, poderia até soar assim, por já terem falado disso, mas, naquele momento, ela queria uma confirmação.

    Victor se aproximou ainda mais, segurando agora as duas mãos dela.

    — É claro que eu quero me casar com você. — Afirmou, sério, sem hesitar nem por um segundo, completamente convicto do que estava falando. — Eu desejo passar toda a minha vida ao seu lado, Aki. Eu te amo. E essa é a forma de mostrar meu amor por você. 

    Os olhos de Aki se arregalaram, e o coração dela pareceu explodir em mil pedacinhos. Ele continuou, sem desviar o olhar dela por um segundo.

    — Eu sei que, às vezes, você sente medo e insegurança. E eu entendo. Eu também sinto isso. Eu tenho medo de te machucar, medo de te magoar, medo de te perder. Depois de tudo o que aconteceu comigo, sei que não posso prometer perfeição, nem um caminho sem obstáculos. Mas existe uma certeza que eu posso te dar: eu te amo. E eu quero estar com você sempre. Nada vai mudar isso.

    Aki sentiu as lágrimas finalmente escaparem, rolando pelo rosto. Mas eram lágrimas doces, de emoção, de alívio, de felicidade. Victor havia, com poucas palavras, transformado toda ansiedade e inquietação em puro conforto.

    Victor passou o polegar por sua bochecha, enxugando delicadamente a gota que escorria.

    — Ainda não estamos prontos para assumir essa relação de casamento agora, embora já tenhamos uma vida de quase casados… — Acrescentou, a voz calma, explicativa. — Mas sim, eu quero me casar com você. E quando estivermos preparados, nós vamos nos casar, sem dúvida alguma… claro, se você quiser. 

    As palavras dele entraram fundo no coração de Aki. Ela não conseguiu mais segurar, levantou-se da cadeira e deu dois passos apressados até a outra cadeira e o abraçou forte, enterrando o rosto em seu ombro, quase o jogando da cadeira no chão.

    — Eu te amo, Victor. — Disse, a voz abafada pela emoção. — E sim, eu quero me casar com você também… bobo… 

    Ele a envolveu nos braços, tentando acalmá-la. 

    — Eu também te amo, Aki. — Respondeu, baixinho, mas com firmeza absoluta. — Eu já disse isso várias vezes e vou continuar dizendo: Eu te amo, Aki! Eu te amo, Aki! 

    Ela o interrompeu, olhando com ternura para ele: — Eu também te amo! E quero te mostrar a minha forma de te amar. Mas eu nem sei ao certo como é ser uma namorada, uma esposa… 

    Ele sorriu, dando um beijo no topo de sua cabeça: — Seja você mesma. O que eu mais admiro em você, é o seu jeito Aki de ser.

    Ela sentiu seu rosto arder ainda mais, mas também sentia uma felicidade genuína explodindo no seu peito.

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