Capítulo 116: Conversa sincera
22 de abril de 2024, segunda-feira.
O parque estava em pleno auge da primavera. As cerejeiras, carregadas de flores, formavam um espetáculo quase etéreo. O vento suave fazia as pétalas rosadas se soltarem dos galhos, flutuando no ar antes de repousar delicadamente sobre o lago, que refletia o céu azul e as copas floridas. Era como se todo o espaço estivesse envolto por uma magia tranquila e silenciosa.
— Está mais bonito do que eu lembrava. — comentou, olhando ao redor.
— Eu também pensei isso. — disse Aki, animada. — Parece que o parque ficou ainda mais vivo agora…
Eles caminharam juntos até um banco próximo ao lago, onde as flores refletiam na superfície da água. Ali, abriram as marmitas que haviam trazido para o almoço.
Enquanto comiam, a conversa naturalmente voltou ao assunto do evento.
— Aki, você pretende avisar sua família que vamos para Nagano? — perguntou Victor, com um tom casual.
Ela assentiu, mordendo um pedaço do seu bolinho de arroz.
— Sim, claro. Eles vão ficar felizes. Podemos até passar a noite lá de sexta para sábado e aproveitar um pouco no sábado, já que o evento só vai à noite.
Victor fez uma pausa, olhando para o lago, enquanto refletia:
— Eu não sei… — murmurou. — Não gosto da ideia de incomodar. Sempre fico com a sensação de que estou atrapalhando, sabe? Dormir na casa de outras pessoas assim… aquela vez que ficamos lá, foi um caso esporádico. Eu aceitei com medo de parecer desfeita, algo assim, mas agora, parece tão diferente essa ideia…
Aki ergueu as sobrancelhas, mas logo um sorrisinho malicioso se formou nos seus lábios, não perdendo a chance de provocá-lo:
— Hmmm… engraçado você dizer isso. Porque no dia do furacão, você aceitou bem rápido dormir na minha casa…
Victor virou a cabeça para ela, com uma expressão de indignação:
— Isso foi diferente. Era uma emergência… Por acaso queria que eu ficasse preso na tempestade?
Ela riu ainda mais, cobrindo o rosto parcialmente com uma toalha de papel.
— Mas bem que você gostou da coincidência, né?
Ele suspirou, sabendo que não teria como fugir. Após rir, completou:
— Tá bom, tá bom… — disse, rindo. — Mas naquela época, eu não estava com segundas intenções. Pode acreditar.
Aki arqueou uma sobrancelha, ainda se divertindo com a resposta. Era um momento divertido entre eles, ela queria aproveitar ao máximo aquele tom.
— Ah é? — Ela hesitou antes de prosseguir. — Quando você começou a se interessar por mim?
Quase imediatamente seu dedo indicador estava se enroscando em uma mecha de cabelo, enquanto ela sentia que seu rosto estava corado.
Victor desviou o olhar para o lago, pensarivo.
— Para ser sincero… não sei ao certo. — respondeu, mais sério agora, mas introspectivo. — Mesmo naquela época, quando dormi lá, de certa forma, eu já achava você diferente. Mas eu estava tentando colocar a cabeça no lugar. Não era o momento para pensar nisso. Meus sentimentos estavam muito nebulosos, é isso durou um bom tempo…
O coração de Aki acelerou. A brisa trouxe mais pétalas ao redor deles, e ela sentiu uma onda de calor crescer dentro de si.
— Mas, foi somente quando estávamos no Brasil, no começo do ano, que percebi o que realmente sentia por você… Quero dizer, desde antes disso, eu percebi que meu coração batia mais forte quando estava com você, Aki… — Seu tom agora mais doce. — Embora eu insistia em não querer me envolver, mesmo com tantos momentos que tivemos, com medo de te machucar, ou de me ferir novamente…
A conversa estava num tom que fazia o coração de Aki bater rápido e forte, seu rosto estava nitidamente corado e ela agora brincava com os dedos, como se tentasse afastar a ansiedade e o nervosismo. Eles já conversaram desse assunto algumas vezes superficialmente, mas nunca tão profundamente.
Seus olhos estavam brilhando como duas pedras preciosas expostas à luz. Seu tom de pele claro criava um contraste encantador com aquele tom âmbar intenso, que se misturava com o ambiente florido de tom rosa em volta. Victor percebeu que aquela imagem deveria ficar gravada em sua memória, como uma pintura feita pelo melhor artista do mundo, ou talvez, nem isso fosse o suficiente para expressar a forma como sentiu-se naquele momento.
— Em algum momento, eu simplesmente percebi que não iria adiantar continuar nessa, e suas palavras tiveram forte influência em minha decisão. — Ele se referia às vezes que ela dizia que ele deveria seguir em frente. — E, por esse e outros motivos, eu sou tão grato para com você, com tudo que você fez por mim, mesmo que não perceba.
Ele se aproximou dela enquanto falava, seus rostos bem próximos, enquanto uma de suas mãos segurou a dela.
— E quando percebi que eu te amava, decidi que iria te falar quando tivesse uma oportunidade que fosse memorável, porém, quando voltamos, você acabou adoecendo e foi muito corrido, que acabou sendo adiado, até aquele dia. E você acabou agindo primeiro.
Victor riu nesse momento, mas não de zombaria, era apenas de alegria agora que estava encaixando as peças para pensar em como tudo aconteceu.
— Seu beijo foi como… foi algo que não sei descrever. Algo tão intenso vindo seus lábios que são tão suaves.
Ele então encurtou ainda mais a distância, enquanto seus lábios tocaram os dela, num beijo rápido, enquanto sua mão se apoiou no rosto dela.
Aki olhava em seus olhos, ainda sem reação, sem palavras. O sorriso se manteve no rosto dele, quando falou:
— Por isso e outros motivos, que eu quero ficar com você… para sempre…
Ela não aguentou se segurar e se lançou num abraço apertado, apoiando seu rosto nele, enquanto sussurrou: Seu bobo, você me deixa lisonjeada… Eu também quero ficar com você, Victor…
Era difícil para ela falar isso. Não por haver dúvidas, mas exatamente pelo contrário. Estava convicta disso, não havia qualquer hesitação, porém, expor em palavras era, de alguma forma, vergonhoso.
Ele retribuiu o abraço, enquanto apoiou o queixo em sua cabeça, olhando o lago à frente. Por um momento, não houve mais palavras, enquanto apenas a presença um do outro era necessária.
…
25 de abril de 2024, quinta-feira.
O ambiente na sala de trabalho estava como de costume, com o ar-condicionado regulando a temperatura, enquanto Victor revisava alguns documentos. Foi quando seu celular tocou e ele atendeu, ao ver que era uma ligação de seu irmão.
Enquanto conversavam, alguns minutos se passaram. Ele não percebeu de imediato quando Aki entrou naquela parte do escritório. Seus passos leves, como de costume, realmente seriam difíceis de serem notados se estivesse minimamente distraído.
Mesmo antes de se aproximar muito, ela percebeu com quem seu namorado estava conversando: Matheus. Sem cerimônias — e sem que Victor percebesse —, ela apareceu atrás do brasileiro, dando-lhe um susto, quando saltou da cadeira por um instante.
Ela riu e acenou para Matheus, que caiu na gargalhada pela reação de seu irmão mais velho. Os três conversaram por um tempo, após tudo se acalmar. O assunto foi, principalmente, sobre o dia a dia, como estavam indo as coisas.
Victor tossiu secamente, quando seu irmão perguntou sobre casamento, e evitou contato visual com sua namorada. No fundo, ele tinha plena certeza de que queria estar com ela, e convicção de seus sentimentos. Porém, aquele passo parecia muito complicado.
Aki corou e virou o rosto também, evitando olhar para qualquer um dos dois, quando despistou, mudando brevemente o foco da conversa, devolvendo-lhe a pergunta.
Desde de que pegou o contato de Carla, Aki conversava com ela regularmente pelo aplicativo de mensagens. As duas haviam se dado muito bem.
— Eu e a Carla iremos nos casar, claro. Talvez ano que vem? As responsabilidades daqui acabam sobrecarregando nosso tempo. Ela não quer casar somente no civil, se não, seria mais fácil. Mas cerimônia e lua de mel demandam muito tempo. Hahaha. — Matheus parecia bem à vontade quando explicou. Sua risada relaxada no final deixou isso claro.
Aproveitando, como ponte, o assunto de correria, acabaram entrando no tópico sobre o Event Link. Matheus explicou que a fase beta se estenderia por algum tempo, até o lançamento oficial, que estava programado para acontecer em aproximadamente quatro meses.
— Com licença! — Uma voz firme chegou até os ouvidos dos presentes.
Era o chefe Akashi, que tinha acabado de entrar naquele lugar. Ele solicitou que Victor e Aki fossem até sua sala. O chefe acabara de chegar e passou pela porta deles antes de prosseguir para o seu próprio cômodo.
Depois que desligaram, após se despedir, foram até onde foram solicitados. O ambiente permanecia como sempre, com uma estante com livros, a mesa de vidro se destacando e uma mesinha no canto com uma garrafa térmica.
— Finalmente tenho a data exata da viagem até a França! — exclamou, animado.

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