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    Com a notícia, as sobrancelhas de Huiki quase ultrapassam a testa. Sua energia amarelada vaza por um único instante, mas é contida pelo frio da morte vindo até a sua nuca. Encarando-o com os olhos finos como agulhas, Tejin abaixa levemente a cabeça.

    一 Huiki… 一 quase ao sopé do ouvido do grandalhão, seu Gewissen nem flui para fora do corpo, mas sua mera presença torna o ambiente cada vez mais frio.

    一 Tejin, acredite em mim… Eu juro por Gaia que nós não sabemos onde Ema está ou muito menos onde Koram foi! 一 as mãos encharcadas e o suor escorrendo pelo rosto acompanham o tom elevado.

    Dos lábios do aprendiz do Sábio, um suspiro escapa enquanto o olhar sobe. A mão esquerda repousa sobre a testa, balançando a cabeça em negação.

    一 Só me deixe vasculhar a sede…

    O líder rebelde observa o lacaio e acena com a cabeça. Nesse momento, o irmão menor se retira e ambos adentram na Árvore-Sede assim que Huiki encosta o palmo sobre a madeira.

    一 E mais uma coisa: quando eu encontrar Koram, saibam que eu vou matá-lo. 一 as palavras ressoam como um cochicho, mas claro sob a audição do outro.

    O musculoso apenas abaixa o rosto. Seus punhos bem apertados expressam sua frustração, mas as suspeitas são grandes demais. O semblante contorcido é oculto pela sombra, onde o queixo e o cenho estão franzidos.

    “Koram, o que é tudo isso…? Onde você se meteu…?”

    Subindo até o primeiro andar através de uma levitação energética emitida por gravuras talhadas no chão, a perspectiva começa a se afastar ao ultrapassar as paredes do tronco e se aproximar da lua nascente.

    Dentro de uma escuridão emergente, gotas de água respingam em um subsolo repleto de ruínas, tomada por vinhas e teias de aranha. Contra a parede e amarrada por incontáveis correntes negras chamuscadas, a ruiva com marca de queimadura na bochecha encara alguém se aproximando. Os passos dessa pessoa, não, dessas pessoas ecoam pelo túnel de mármore envelhecido e fosco.

    一 Interessante, mesmo exposta ao Beisen, sua luz continua a brilhar… Talvez seja por você quase ser uma Pura? Bom, tanto faz… 一 o tom de voz fraco e arrastado acompanha o revelar de uma silhueta familiar.

    Com um único fio de luz prateada vindo de cima, o cabelo de pontas rosas, o maxilar magro e o olhar cansado confirmam a suspeita. Esbravejando enquanto amordaçada, Ema tenta se soltar, mas o cheiro de carne sendo carbonizada vem junto com sua expressão de dor.

    一 Não deve demorar muito para o seu marido nos encontrar. Sinceramente, meu trabalho foi facilitado por você ter vindo até mim por conta própria… Seria um inferno ter que lidar com o radar do Moinho dentro de Kanthen. 一 agachando-se de frente para ela, Koram a encara nos olhos com um sorriso à paisana no rosto.

    Por outro lado, a ruiva está com quase todas as veias saltadas na testa. A dor contribuí para sua indignação e fúria. Contudo, toda essa resistência faz o traidor gargalhar em soluços.

    一 Assim que o Moinho cair, o Exército das Chamas finalmente conseguirá entrar, Ema…! Você devia estar feliz por contribuir para a queda dos malditos Puros! Se não fosse por isso, jamais conseguiríamos atrair alguém tão cético quanto Tejin~

    一 Basta, Koram. Vamos nos preparar… O aprendiz de um Sábio, por mais que honorário, deve ser tão forte quanto um Cavaleiro de Cinco Estrelas. Não podemos ser descuidados, ou sofremos com a Penalidade da Floresta… 一 com cabelos púrpuros como uvas, a insígnia da Estrela de Seis Pontas resplandece no peito.

    一 Ah, é mesmo. Vocês humanos não conseguem usar suas energias livremente… 一 levantando-se, o homem magricela dá meia-volta e parte junto do outro para algum local.

    Assim que eles saem, as forças de Ema desaparecem. O corpo dela cede, cansado, exausto. As marcas negras em sua pele simbolizam o quão letal é o selo em que ela está. Olhando para o chão iluminado pelo luar, aos poucos, esse brilho se apaga por uma nuvem…

    “Amor, não venha… Por favor… Por favor…” 一 do rosto dela, um outro tipo de luz escorre pelas bochechas; respingando no solo.

    Escalando pelas raízes mais profundas de uma árvore gigante qualquer, o amanhecer está próximo. Flutuando acima da grande sede arbórea dos Svartalfar, o homem de cabelos negros e orelhas pontudas expande a sua varinha para o alto, mantendo os olhos fechados. Um Rascunho pequeno se expande de repente, sendo tão grande que é capaz de encobrir todo o território da facção rebelde.

    “Zjeveni!” 一 com o exclamar mental, o Gewissen azulado pulsa como rajadas de vento por toda a área.

    Poucos instantes após o seu feitiço, os olhos dele se abrem estando completamente azuis e luminosos. Sob a sua perspectiva, a direção do brilho vermelho de Ema fica claro. O enorme círculo mágico no céu se despedaça como vidro e ele volta para o chão sutilmente.

    一 A encontrou? 一 com uma lança de prata em mãos, Leander está à disposição junto de seus soldados.

    一 Sim, mas a forma do Gewissen dela está enfraquecendo… Provavelmente estão a restringindo com Beisen. 一 com olheiras visíveis, a pele branca de Tejin empalideceu bastante nessas últimas horas.

    一 Acha que são Pagãos? 一 a mera possibilidade de ter que lutar com esse tipo de inimigo faz o vice-capitão da Guarda apertar a haste da arma com mais força.

    一 Não… É quase certeza que Koram foi quem sequestrou Ema, mas ele não estava Geloscht de acordo com Huiki. Então é uma força que possuí controle sobre as Trevas… 一 o olhar do moreno se torna mais sério.

    一 Balmund… Isso quer dizer que o relato do seu amigo, o Raisel, era verdade?!

    一 É bem provável que sim… Mas, Lea, você disse que Ermellion estava retornando por ordens do Liam, se esse é o caso, ele já deveria estar aqui. 一 de braços cruzados, o sapato esquerdo bate contra a grama alguma vezes.

    一 Pois é. Não recebi nenhum comunicado de urgência também… Que estranho. 一 conferindo o aparato mágico em suas mãos, o prisma está completamente transparente.

    O silêncio paira pelo ambiente enquanto o sol, antes tímido, aos poucos vem a aparecer por completo. Em uma das brisas úmidas dessa manhã, Tejin leva os olhos para o lado, tendo as sobrancelhas quase unidas. As orelhas pontiagudas se mexem algumas vezes perante o som de um assovio… desafinado.

    一 Ah, orelhudo maldito! Era você mesmo! O que aconteceu pra você ter feito um Skizzieren daquele tamanho? 一 o loiro de sobretudo branco aparece, mas com ele, está um meio-elfo sendo arrastado pelo chão.

    一 Kimich… Onde você foi esse tempo todo? 一 apesar do tom, um sorriso breve é estampado na feição cansada do mestiço.

    一 Ué, fui descarregar a barriga, mas no caminho encontrei esse carinha aqui… O nome dele é Er… Er-sei-lá-o-que. 一 arremessando a pessoa desacordada e repleta de hematomas para frente, o alquimista coça a orelha com o dedo mindinho.

    一 É Ermellion… Deixa eu adivinhar, ele trombou com você, te desafiou pra uma luta e daí você traz nosso reforço assim? 一 empurrando o óculos com o dedo indicador, as lentes reluzem com o sol ao fundo.

    一 Reforço? 一 encarando os arredores, a destruição é mais do que evidente de uma grande batalha.

    Paralisado, Kimich dá meia-volta e tenta retornar de onde veio, mas no mesmo instante, é capturado pela gola como um gato por Tejin.

    一 Me ferrei… 一 tendo os ombros encolhidos, ele parece aceitar o próprio destino.

    一 Me ajude, por favor… Balmund está com a Ema. 一 sem olhar para ele, o meio-elfo tem a mão trêmula.

    A pupila envolta pelo castanho quase desaparece. A expressão do preguiçoso muda drasticamente. Erguendo-se, ele ajeita a roupa e passa a mão na testa arrumando a franja.

    一 Sabe onde eles estão? 一 a voz grave e séria nem parece pertencer ao mesmo homem.

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