Capítulo 403 - Encontro Inevitável
No dia seguinte, o grupo de Burajianos se encontrava na cantina de um hotel, comendo tudo que possuíam direito durante o café da manhã. Gabriel, olhando a forma como o Kura estava comendo, logo indagou o mesmo:
— Ei, você não sabe que a comida é picante? Se você não estiver acostumado, vai acabar sofrendo depois!
O manipulador de raios escutou aquele aviso, continuando a comer de forma desenfreada tudo que estava em cima da mesa, respondendo na sequência:
— É, eu tô sentindo! É só que… a fome é tão grande, que não consigo me conter! Foram dias comendo animais esquisitos, agora eu quero aproveitar uma alimentação normal!
De sucos, a salgados e até mesmo doces, tinha de tudo em cima da mesa onde aquele grupo estava. O Arold, observando a forma quase animalesca que o seu irmão mais velho comia, o rapaz de roupas brancas comentou:
— É… bem, no que o Kura sentia por comida, eu estava por um bom banho e lavar minhas roupas! Até deu certo, mas tô tendo que usar elas meio úmidas ainda, já que não puderam secar completamente…
Sami, tomando apenas um café com leite tranquilamente, comentou:
— Nem me fale! Meu cabelo ainda não secou totalmente, mas pelo menos ele está limpo…
Sariel deu algumas mordidas no pão com frango que estava em sua mão, mastigando vinte vezes de cada lado o pedaço mordido, para após isso o engolir de maneira tranquila. Após esse processo, o loiro afirmou:
— Bem, não estamos totalmente no nosso melhor estado, mas é melhor que a floresta! Uma embarcação vai sair para Buraji amanhã, numa cidade mais ao sul! Então, nosso próximo passo é seguir até lá, indo de barco para casa.
Samuel escutou aquilo, se mantendo bem encostado na sua cadeira, comentando com o homem:
— Devemos sair logo então, não é? Não aguento mais essa região do mundo, sempre tenho a sensação de que estamos sendo perseguidos!
Os outros membros da equipe olharam em volta, notando os olhares curiosos e até mesmo assustados dos transeuntes ao redor deles. Com exceção do Kura, que se manteve focado em comer, todos os amigos dele perceberam aquilo, com o Giovanni dizendo:
— É, agora que isso foi dito em voz alta… que sensação de merda, né?
Jaguar escutou aquilo, bebendo um copo de água tranquilamente enquanto dá o seu parecer:
— Ah, é normal, pô! Sempre me olham assim, pelo menos…
A Li Chun ouviu aquilo, dando algumas risadinhas e então respondendo o animal peludo:
— Bem, nenhum de nós somos lobos falantes e bípedes, então esses olhares são bem estranhos!!
Interrompendo a conversa daquele grupo, um dos garçons do estabelecimento se aproximou timidamente deles, esfregando uma mão na outra e dizendo para eles:
— M-mil perdões por interromper a conversa de vocês… é só que… tem uma pessoa importante que quer-
Antes do homem terminar de se explicar, uma mão pesada encostou por trás do seu ombro, apertando levemente aquela região, com uma voz dizendo na sequência:
— Não precisa dizer mais nada, pode deixar comigo!
Todos viraram na direção do dono daquela voz, percebendo assim um homem de pele escura, com uma altura que chegava próximo dos dois metros, ostentando um cabelo curto em formato de topete e uma barba cheia. Aquele homem, que deveria ter por volta dos seus quarenta anos de idade, se tratava do Seeng, o Houer da cabra. Kura, se lembrando dele, afirmou em voz alta:
— Ei, eu lembro de você!! É o tio da cabra!! Seu nome era… era…
O receptáculo do espírito da cabra, notando a dúvida do rapaz, disse:
— Meu nome é Seeng!
O jovem manipulador de raios, ouvindo aquilo, sorriu e disse:
— É, isso! Seringa!
Todos olharam chocados para o Kura, com medo do que aquela fala dele poderia ocasionar no homem em pé próximo a mesa. Seeng, olhando a cena com uma expressão distante, apenas começou a dizer;
— Bem…
Liger, que observava tudo aquilo, escutou o tom de voz sério daquele homem com bastante atenção, absorvendo os sentimentos daquelas poucas palavras e refletindo:
“Ele… ele achou graça disso! Consigo sentir, lá no fundo ele achou isso engraçado?!”
O receptáculo do bode continuou coçando sua cabeça, desviando o olhar para a direita por um momento.
— Sabe, me mandaram aqui, pois ter um Houer estrangeiro no seu país, é considerado um ato de declaração de guerra. Claro, como na geopolítica em tempos de paz, e até mesmo nesse período de guerra, Buraji e Padmara são aliados, me mandaram apenas averiguar a situação…
O guarda-costas da Krafitg absorveu tudo que era dito por aquele homem de pele morena, o encarando e respondendo:
— Pode avisar aos seus líderes, que estamos aqui em paz! Sabe, tivemos uma missão de invasão na nação de Xing Ping. Ela foi um sucesso, mas escapamos de lá por muito pouco, então viemos descansar aqui.
Ao escutar a menção da batalha em Xing Ping, Padmariano ficou visivelmente interessado naquilo, colocando a mão direita em seu queixo e o apertando sutilmente.
— Oh, isso é verdade?! Bem… venham comigo até a minha casa! Preciso ouvir mais sobre isso! Não se preocupem sobre a conta do hotel, eu irei pagar tudo!
O grupo trocou olhares entre si, mas logo concordaram mentalmente de seguir aquele homem até a sua residência. O caminho foi tranquilo, não demorando muito para que eles chegassem até a casa do mais velho. O Padmariano se aproximou do portão, abrindo ele com suas chaves e dando espaço para seus convidados entrarem, comentando:
— Mi casa, es su casa!!
A fala dele carregava um tom de humor no final da mesma, com tal atitude fazendo o Kura e o Arold se encararem, enquanto algo pairou na mente dos dois:
“Esse cara… ele claramente quer ser engraçado!!”
A equipe de Buraji adentrou a casa de porte médio, entrando da varanda para a sala e percebendo um número grande de prêmios nas prateleiras daquele homem. Li Chun, de forma curiosa, se aproximou de um dos troféus, lendo a mensagem do mesmo em voz alta:
— “Prêmio do show de comédia infantil de…”
Antes de ela dizer o ano, o dono da casa se aproximou dela, colocando-se na frente do troféu e dizendo:
— E-ei! Não é educado chegar olhando a casa dos outros, cês não acham não?!
A mulher de cabelos negros afastou o tronco sutilmente, dando algumas risadas e dizendo enquanto põem a mão direita na boca:
— Ora, não se acanhe! Apenas fiquei curiosa, já que o senhor é cheio de prêmios!
Ao fundo, o Jaguar pegava uma foto emoldurada em suas mãos, comentando em voz alta:
— E fotos também! Quem é essa guria?!
Seeng, com uma agilidade quase que cômica, surgiu no lado do ser peludo, agarrando o quadro em suas duas mãos e o colocando de volta em cima da estante, pegando um espanador e limpando a moldura, dizendo:
— Minha irmã mais velha! Toda a minha comédia veio, pois ela estava doente, e eu precisava manter o astral dela lá em cima!
Após dizer aquilo, ele parou de falar, com o item de limpeza evaporando de suas mãos, com a face do mesmo se tornando melancólica à medida em que isso acontecia.
— Infelizmente… isso não impediu ela de acabar morrendo.
Um silêncio se espalhou na sala por algum tempo, até que sons de passos ecoaram da cozinha daquela casa. Na sequência daquele som, uma voz feminina veio da fonte daquele caminhar:
— Ei, velhote! Da última vez que vim aqui, sua casa estava mais organizada! Eu achei um rato morto no banheiro!
A silhueta começou a surgir através da porta da cozinha, caminhando ainda de forma absolutamente tranquila. Os burajianos, observando a figura, começaram a se surpreender, enquanto o Padmariano dizia em um tom levemente envergonhado:
— Desculpa… é que eu não tive tempo de cuidar dessas coisas!
A mulher que surgia ostentava uma pele pálida e cabelos quase esbranquiçados, acompanhada de uma face fechada e claramente irritada. Kura, encarando bem a mulher, logo se lembrou dela, gritando:
— VOCÊ É A COBRA DA REUNIÃO MUNDIAL!!
O rapaz apontou o dedo indicador direito na cara da mulher, encarando ela com uma expressão de puro choque. O resto da equipe do Kura, acabou seguindo a mesma linha, com eles gritando:
— A HOUER DA COBRA ESTÁ AQUI?!

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