CAPÍTULO 00 – A criação e o começo da destruição
CAPÍTULO 00 – A criação e o começo da destruição
O universo, como o conhecemos, é repleto de planetas inabitáveis, “pequenas” estrelas, lixo espacial por toda parte e uma grandiosa estrela que queima e transmite ondas de calor e luz para todos ao seu redor: o Sol. Porém, nesta história, tudo e todos eram completamente diferentes do que chamamos de “normal”, e a lógica quase não se aplicava.
Há muitos milênios, existia somente um universo, composto por uma Terra, um Sol e uma Lua. O Sol permanecia estático, enquanto a Terra e a Lua giravam em seus próprios eixos e entre si.
Poderia parecer confuso que existissem apenas três corpos celestes em um vazio tão vasto, mas o espaço era ocupado pelas ramificações da própria Terra.
Seus habitantes eram chamados de deuses e reproduziam-se em uma velocidade espantosa. A gestação durava apenas um mês e a vida útil era quase infinita, embora não fossem impossíveis de matar. Com a alta taxa de natalidade e a baixa mortalidade, o planeta logo colapsaria; não haveria alimento nem espaço para todos.
Foi então que um grupo de políticos propôs uma ideia desconfortável: sacrificar cinquenta por cento de todos os que nascessem simultaneamente, independentemente de força física, espiritual, origem familiar, homem ou mulher.
A sobrevivência da espécie tornou-se mais importante do que qualquer hierarquia. Alguns se opuseram ao genocídio, mas outros compreenderam que não haveria alternativa.
A lei perdurou por quase cem anos, deixando um rastro de perdas e mentes devastadas. Muitos pais, incapazes de suportar a dor, tiraram a própria vida ou acabaram presos ao tentarem escapar da norma.
Contudo, a morte também os alcançou. Nesse período de amargura e desespero, a população foi reduzida a um nível abaixo do esperado, o que era positivo para o planeta, embora o método tivesse sido extremamente cruel.
Nesse cenário, um casal de deuses pouco conhecidos surgiu com uma nova proposta. Todos daquela raça possuíam dons distintos, que chamavam de poderes, e os deles combinados, poderiam criar qualquer coisa. Eles sugeriram a criação de vários universos paralelos para que os filhos pudessem nascer em segurança, evitando o colapso da Terra original.
A discussão foi ainda mais acalorada do que a da lei anterior. Os pais que já haviam perdido seus filhos apoiavam a ideia fervorosamente; já os que não haviam sido afetados mostravam-se relutantes, temendo o desconhecido. No fim, as vozes daqueles que sofriam prevaleceram, e o plano entrou em vigor.
O casal foi preparado. Absorveram uma quantidade imensa de energia espiritual e externa até atingirem o poder que achavam necessário. De mãos dadas, olharam-se profundamente, com lágrimas escorrendo por suas faces pálidas:
— Amor, lembre-se, estamos fazendo isso não só pela população, mas tambem, por “eles” que enganamos, esse será nossa redenção e sacrifício, para que o novo possa surgir! — Disse o marido, com lagrimas nos olhos, não de felicidade, mas de arrependimento.
— Sim meu bem, tenho ciência dos fatos! Me sinto tanto culpada quanto você! Não tenho a certeza de que teremos a redenção que pensamos, mas ao menos, nenhum filho terá que morrer, e nenhum pai ou família, terão que se enganar ou sacrificar-se novamente! — Respondeu a esposa, ciente de suas ações e consequências.
Em estado de meditação, seus corpos começaram a brilhar e uma aura se manifestou. Mesmo de olhos fechados, emitiam pequenas partículas que saíam deles em uma escala assombrosa.
As partículas se expandiram para além do universo conhecido, criando novas terras, luas e sóis, até que sistemas inteiros fossem formados em forma de redomas. Levou uma semana de concentração absoluta. O poder utilizado foi capaz de gerar cinquenta universos inteiros, perfeitos e distintos entre sí.
Porém, no último, como os cálculos não foram como esperados, não saiu perfeito e inteiro, mas sim com várias partes faltantes, como se uma criança, mesmo desenvolvida, ainda não tivesse todos seus órgãos completos. Este seria o universo cinquenta e um.
O que tambem ninguém esperava era o sacrifício envolvido: o casal estava consumindo as próprias forças vitais dos corpos para dar vida à criação. O desespero tomou conta dos presentes, mas o processo era irreversível.
Lentamente, eles se tornaram transparentes. Antes de partirem, despediram-se e agradeceram pela oportunidade de salvar os bilhões de vidas que prosperariam naqueles novos mundos.
Após a partida, os sobreviventes prepararam-se para colonizar os novos universos. Dividiram-se em grupos de cem ou mil pessoas por mundo. Alguns pereceram durante a viagem; mesmo sendo quase imortais, ainda eram vulneráveis a doenças, vírus ou, naquele momento, o transporte utilizado.
Os cinquenta universos foram habitados em poucas semanas, mas eram distintos entre si. O casal os criara de forma alternada, forçando os deuses a adaptarem seus modos de vida, alimentação e costumes ao novo ambiente.
A reprodução tornou-se mais lenta, com gestações de dez meses, mas a vida infinita persistia. Por problemas internos e externos, as mortes tornaram-se mais frequentes, e a expectativa de vida foi reduzida em alguns milhares de anos.
Dez milênios se passaram. Os universos floresceram com culturas e saberes próprios. Entretanto, em cada um deles, restavam apenas quatro indivíduos da raça original. O sangue transformara-se ao longo das gerações naquelas terras novas.
Entretanto, um fato notável foi descoberto após a morte do casal originário do multiverso, surgiram dois irmãos gêmeos extremamente poderosos, Freizen e Frenizet. Freizen era sério e voltado aos estudos e à tecnologia; Frenizet era extrovertido, focado no treinamento físico e espiritual para ajudar os necessitados. Nascidos no primeiro universo, foram levados secretamente para a Terra-02, onde cresceram e se desenvolveram.
Ao atingirem a maturidade, possuíam habilidades além da imaginação, embora ainda estivessem longe de transcender a própria Terra. Após a maioridade, eles se separaram.
Freizen permaneceu na Terra-02, enquanto Frenizet partiu para a Terra-03. Na Terra-02, as pessoas começaram a desenvolver dois tipos de dons: os elementais (magia) e paranormais (poderes).
Quem usava magia, era capaz de manipular os elementos naturais, como a terra, água, fogo e ar, além de sub-elementos como raios, metal, larva, ventos, etc. Já quem usava poderes, era capaz de manipular ou até criar matéria e sub-matéria, além de atributos físicos e mentais elevados (velocidade, inteligência, força).
As forças elementais foram chamadas de magia, e as paranormais, de poderes, e foram denominadas 100 anos depois da colonização dos universos. A magia manifestava-se aos dez anos, enquanto os poderes eram inatos, embora difíceis de controlar na infância. Freizen possuía o “poder”, e Frenizet, a “magia”.
Enquanto os irmãos se desenvolviam, uma ameaça iminente crescia. O 51º universo fora deixado incompleto por falta de energia. Para lá, os deuses haviam banido um casal de terroristas sanguinários que outrora lideraram o genocídio de bebês. Como o universo era inacabado, a energia residual fundiu-se aos corpos deles, transformando-os em semanas.
O homem proclamou-se dono daquele mundo, autodenominando-se Human Beast, com o nome originário até então desconhecido. Ele e a mulher povoaram o planeta com clones e descendentes.
Quando Freizen e Frenizet ainda eram crianças, Human Beast já possuía um exército de quinhentos soldados à sua imagem e semelhança, com o objetivo de destruir todos os universos como vingança pelo seu banimento e seu passado.
— Ataquem tudo até virar pó! — ordenou ele, com um grito tão potente que ecoou para fora de seu universo.
Os cinquenta universos estremeceram com o grito. Luas se desintegraram em meteoros, atingindo as terras e sóis próximos. Diante da calamidade, Freizen, então candidato a líder de seu universo, reuniu um exército de elite. Frenizet fez o mesmo na Terra-03, aliando-se a um grupo de jovens chamados Magos Elementares Místicos, especialistas em magias proibidas e originarias.
O conflito era alarmante. Enquanto meteoros caíam, o exército da Terra-51 avançava impiedosamente. Finalmente, Human Beast surgiu no centro do Círculo Astral. Freizen e Frenizet manifestaram-se diante dele. O tempo parecia ter parado; a imponência dos três era sentida em todas as terras.
— O que pensa que está fazendo? — indagou Freizen, iniciando o confronto.
— Estou apenas retribuindo o que seu povo fez comigo — respondeu o vilão, apontando para ele com seu dedo indicador esquerdo.
— E o que nós fizemos para que você travasse essa guerra? — questionou Frenizet, com semblante fechado, e olhar assombroso.
— Abandonaram-me em um universo incompleto para morrer com a minha mulher. “Seus” ancestrais não queriam sacrificar os bebês, então eu resolvi matar alguns com minhas próprias mãos — vangloriou-se Human Beast.
— Ouvimos essa história — retrucou Freizen. — Éramos bebês quando saímos da Terra-01 escondidos. Não morremos por muito pouco.
— Então foram vocês dois que me enviaram para a prisão? — Human Beast estreitou os olhos. — Os gêmeos coincidentemente nascidos após a criação dos universos. Eu tentei matá-los quando eram recém-nascidos, além de muitos, mas fui preso. Como última punição, jogaram-me naquele lugar defeituoso. Mas os planos deles falharam, pois estou vivo e meu corpo evoluiu!
A raiva cresceu nos irmãos como um vulcão em erupção. Sem mais palavras, partiram para o ataque. Freizen disparava socos em microssegundos, enquanto Frenizet desferia chutes e golpes precisos. Cada impacto gerava ondas de choque que deterioravam a crosta dos universos ao redor.
Apesar da precisão dos golpes, algo estava errado. O corpo do adversário absorvia ou repelia o impacto.
— De que você é feito? — perguntou Freizen, perplexo.
— Eu sou a minha própria Terra! — bradou Human Beast.
— Você terá que receber os danos, uma hora ou outra! — gritou Freizen, seu berro ecoando pelo espaço.
— Tem certeza? Não serei piedoso como fui com os bebês.
— Não haverá problema — respondeu o irmão. — Porque agora não somos mais recém-nascidos indefesos.
— Podem vir, garotos.
Continua…

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