CAPÍTULO 05 – Novo futuro
CAPÍTULO 05 – Novo futuro
Após alguns dias na cidade, Otávio e Tereza saíram em busca de um presente para Jack. Era uma missão difícil, pois encontrar algo que gerasse afeto em um filho que mal conheciam parecia quase impossível.
A avó do garoto os acompanhou o tempo todo, ajudando-os a entender a personalidade do neto e tirando suas dúvidas. Enquanto isso, Jack não desconfiava de nada; para ele, a companhia de Jhenefer e Michel era o que realmente importava, como se os amigos fossem sua verdadeira família.
— O que será que ele gostaria de ganhar? — indagou Tereza, perdida em pensamentos.
— Ele é um garoto imprevisível — respondeu a avó. — Às vezes, é difícil acompanhar o seu raciocínio. Ele só se abre totalmente com os amigos; eles devem saber do que ele gosta.
— Acho que tive uma ideia — disse Otávio, com um pensamento fora da caixa.
— O que seria? — Tereza perguntou, curiosa.
— Vocês saberão em breve! — ele respondeu, mantendo o segredo apesar da insistência da esposa. — Será uma surpresa para todos. Vocês não vão se arrepender da espera.
— Espero que não cause um tumulto. Não queremos deixá-lo pior do que já está — alertou Tereza.
— Pior do que está, não fica. O que poderia dar errado? — brincou Otávio.
— Nunca diga essa frase! Sempre acontece algo ruim depois dela — rebateu a esposa.
A avó, já sem paciência com a discussão fútil do casal, interrompeu-os:
— Vocês dois podem parar com o bate-papo e andar mais rápido? O aniversário é amanhã, temos muito o que organizar!
Eles continuaram a caminhar com cautela, evitando os lugares frequentados por Jack e seus amigos. Otávio estava ansioso pelo presente misterioso, enquanto Tereza seguia sem entendê-lo.
A noite chegou e o casal retornou ao hotel para descansar para o grande dia. A ansiedade era imensa; após quase dezesseis anos, finalmente veriam o filho.
O grande dia…
O sol nasceu forte e quente no dia seguinte. Às seis da manhã, o casal já estava de pé.
— É hoje! — disse Otávio, sentando-se na cama.
— Espero que nada dê errado — respondeu Tereza, ainda sonolenta. Eles conversaram sobre a dificuldade de se adaptar ao fuso horário local e sobre a vida que deixaram temporariamente para trás.
Durante o dia, prepararam tudo para a noite. A avó organizou a festa com vizinhos e amigos íntimos enquanto Jack estava fora. Otávio carregava um grande embrulho cúbico, de trinta centímetros por trinta. Sabino, que era considerado um tio para Jack, também se dirigia à festa.
Às sete da noite, enquanto caminhavam pela rua barulhenta e cheia de carros, Sabino notou o casal.
— Eles voltaram? Não pode ser! — murmurou ele, sem acreditar. Movido pela curiosidade e por um pressentimento, resolveu segui-los cautelosamente.
De repente, algo surreal aconteceu: um círculo de luz começou a ser desenhado no chão, com cerca de um metro de raio.
— O que é isso? O que está acontecendo? — gritou Tereza, percebendo que seus pés estavam presos ao chão.
— Calma! Tente não chamar atenção, tem muita gente em volta — pediu Otávio, embora também estivesse em pânico.
— Acorda, Otávio! Não conseguimos sair do lugar! — berrou ela, desesperada.
O círculo começou a pulsar como um coração acelerado. Instantes depois, o casal desapareceu no ar, deixando apenas o presente sobre o asfalto poeirento. Sabino, perplexo, aproximou-se do local.
— Eles sumiram? Para onde foram? — perguntou-se, analisando a área deserta enquanto os carros buzinavam ao longe. Sabino pegou o embrulho e decidiu que teria que contar a Jack o que presenciara.
Em um lugar remoto, Otávio e Tereza acordaram sobre um chão que parecia asfalto extremamente liso. Estavam com a visão turva e a cabeça pesada. O cenário era composto por montanhas e uma cidade distante com grandes prédios ao norte.
— Minha cabeça… onde estamos? — queixou-se Tereza.
Ao se levantarem, notaram que suas roupas haviam mudado para trajes parecidos com roupas de astronautas, leves e com isolamento térmico perfeito. Otávio observou os arredores com estranheza: o céu tinha uma cor diferente e o sol possuía um formato incomum.
— Isso deve ser algum sonho! Precisamos acordar agora! — gritou Tereza, desesperada, golpeando o peito de Otávio enquanto chorava.
Otávio, no entanto, reconheceu o padrão.
— Isso é um isekai! Tenho certeza! — exclamou ele. — Lembra dos livros que líamos sobre pessoas transportadas para mundos de fantasia? É exatamente assim.
Enquanto Tereza gritava em negação, seus olhos brilharam intensamente em vermelho. Um feixe de luz disparou de seu olhar, partindo uma montanha próxima ao meio.
— Tereza, o que você fez? — perguntou Otávio, em choque.
— Eu não sei! — respondeu ela, apavorada.
Otávio sentiu suas mãos tremerem e brilharem também. Ao tocá-las no chão, formou uma cratera de vinte metros de profundidade.
— Eu também tenho poderes! Que incrível! — comemorou ele, momentaneamente animado.
— Como pode estar contente? Não temos nada e estamos em um lugar perigoso! — rebateu Tereza.
— Eu sei que é desesperador, mas precisamos de ajuda — disse Otávio, tentando manter o foco. — Vamos para aquela cidade e ver o que descobrimos.
O casal partiu em direção à civilização, sem saber que aquele alvoroço era apenas o início de uma série de conflitos que transformariam suas vidas para sempre.
Continua…

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