O cronômetro do telão pisca nos segundos finais. Não há mais tempo para táticas complexas ou recuos estratégicos; é o último ato de uma guerra de Ideais. O Time Z inteiro avança como uma avalanche em direção ao campo adversário, impulsionado pelo calor das chamas azuis de Akira. Mas o Time U não se deixa intimidar. Eles recuam em bloco, formando uma parede humana intransponível na entrada da grande área. Aizawa, Baraki e Nikoji se posicionam à frente de Akira, fechando todos os ângulos de chute e sufocando o espaço ao redor do maestro.

    É nesse momento de caos que Kira surge na linha de defesa do Time U. Ele não está jogando para segurar o resultado; ele quer destruir o Ideal de Akira de uma vez por todas. Kira corre ferozmente ao lado de Akira, emparelhando o corpo e bloqueando a progressão lateral. Os olhos de Kira queimam com a obsessão de vencer a aposta.

    — Você não vai passar daqui, Akira! — ruge Kira, usando o corpo para pressionar o rival contra a marcação de Aizawa. — Esse jogo termina com você sob a minha sombra!

    A zaga do Time U hesita por um breve milissegundo. O posicionamento de Kira é agressivo e sufocante, criando uma dúvida na mente dos defensores: “O Akira vai tentar forçar o passe para o lado para se livrar do Kira e garantir a posse, ou vai arriscar um chute direto contra três marcadores?” Esse meio segundo de hesitação coletiva é tudo o que Akira precisava.

    Em vez de lutar contra a pressão física de Kira ou tentar se afastar, Akira faz o impensável: ele usa a própria agressividade do rival a seu favor. Ele vira o rosto ligeiramente, fixando o olhar em uma linha de passe imaginária bem na direção onde Kira avançava. Foi um blefe visual perfeito.

    Aizawa morde a isca imediatamente. Confiando na leitura corporal, o capitão do Time U joga o peso do corpo para o lado oposto, posicionando a sua serpente de energia para interceptar o suposto passe que Akira daria para escapar da pressão.

    Mas a bola nunca saiu dali.

    Com o espaço aberto pelo erro de antecipação de Aizawa, Akira ativa a evolução máxima de sua técnica.

    Sniper Dash Triplo.

    O impacto da energia em suas pernas faz o gramado estalar. Três impulsos curtos e violentos acontecem em sequência imediata. No primeiro, ele trava o movimento para frente. No segundo, quebra o próprio eixo físico em um ângulo reto e impossível, deixando Kira passando no vazio, perdido no próprio embalo. No terceiro impulso, Akira explode pelo espaço aberto por Aizawa.

    Ele ultrapassa a última linha defensiva, invadindo a grande área. Agora é ele contra o goleiro. Mas a vantagem dura pouco. Baraki, percebendo a quebra da linha, se lança em um carrinho desesperado por trás, deslizando pelo gramado como um míssil para travar a finalização.

    Akira vê a sombra de Baraki se aproximando pelo chão através de sua percepção periférica. Um milissegundo de atraso e o chute seria bloqueado. Mas sob o comando de seu novo Ideal, não há espaço para a hesitação.

    Antes mesmo que o corpo de Baraki alcance a bola, Akira desfere o golpe. Não é um chute de força bruta, mas uma finalização cirúrgica com o peito do pé, colhendo a bola de raspão para gerar um efeito devastador.

    BANG.

    A bola decola da grama, contornando a mão estendida do goleiro do Time U em uma curva acentuada e violenta. Ela viaja em direção ao ângulo oposto, batendo na junção exata da trave com o travessão antes de estufar a bochecha interna da rede.

    GOL!

    O estádio inteiro vem abaixo em um estrondo ensurdecedor. O som da torcida é tão forte que abafa o próprio som do apito final do árbitro, que aponta para o centro do campo encerrando a partida. No topo do telão, o placar se consolida:

    Time Z: 6

    Time U: 5

    Akira cai de joelhos no gramado, exausto, enquanto as chamas azuis finalmente se dissipam no ar. Ele olha para trás e vê Kira parado na entrada da área, olhando para o gol com os olhos arregalados, paralisado diante da realidade da derrota. O trono do campo tinha um novo dono.

    A poeira do apito final ainda nem baixou, e o som das comemorações do Time Z ecoa como um trovão. No meio do gramado, Akira se levanta devagar. O cansaço físico é extremo, mas a postura dele exala uma soberania inabalável.

    Ele caminha a passos calmos até onde Kira e Baraki estão parados, imóveis, digerindo o peso do placar. Akira para bem diante dos dois, cruzando os braços. O olhar dele, agora limpo das chamas azuis, é mais cortante do que qualquer relíquia.

    — Podem fechar a boca — diz Akira, a voz fria e carregada de deboche. — O teto caiu e vocês ficaram embaixo.

    Kira range os dentes, os punhos tremendo ao lado do corpo, enquanto Baraki desvia o olhar, a empáfia completamente desfeita. Akira dá um passo à frente, fixando os olhos primeiro em Kira.

    — Você falou demais, Kira. Disse que eu ia ficar na sua sombra, que o jogo era seu… Mas quem acabou de decidir essa merda fui eu. Olha pro telão. O seu “protagonismo” morreu nos 75 minutos. O meu durou até o último segundo.

    Ele então se vira para Baraki, com um sorriso de canto que destila provocação.

    — E você, Baraki… veio me dizer que eu ia perder duas apostas de uma vez, que eu não tinha aprendido nada? Eu usei o campo inteiro. Usei cada peça do meu time e usei a ganância de vocês pra abrir o espaço que eu precisava. Vocês jogaram o jogo da vida de vocês… e ainda assim perderam pra mim. A aposta tá paga. Engulam o resultado.

    Os Resultados Oficiais da Partida

    No topo do estádio, o telão gigante pisca e estabiliza, mostrando a minutagem oficial e a cronologia da maior guerra que aquele gramado já viu:

    FIM DE JOGO: TIME Z 6 x 5 TIME U

    • 10′ | Baraki (Time U) — 1 x 0
    • 16′ | Tsubasa (Time Z) — 1 x 1
    • 24′ | Akira (Time Z) — 2 x 1
    • 45′ | Kira (Time U) — 2 x 2
    • 54′ | Baraki (Time U) — 3 x 2
    • 63′ | Nakki (Time Z) — 3 x 3
    • 72′ | Genjiro (Time Z) — 4 x 3
    • 75′ | Kira (Time U) — 4 x 4
    • 77′ | Nikoji (Time U) — 5 x 4
    • 81′ | Akira (Time Z) — 5 x 5
    • 90′ | Akira (Time Z) — 6 x 5

    As caixas de som do estádio quase estouram com o tom de voz do narrador, que já está completamente rouco, segurando o microfone com as duas mãos, em pé na cabine.

    — ACABOOOOOOOOU! É O FIM DE UMA JORNADA ÉPICA! ONZE GOLS! EU DISSE ONZE GOLS NA MESMA PARTIDA! UMA VERDADEIRA COLISEU DE MONSTROS EM CAMPO! O TIME U JOGOU TUDO, BUSCOU A VIRADA COM NIKOJI, MAS SENHORAS E SENHORES… AKIRA! ELE NÃO É HUMANO! ELE ESTAVA NO INFERNO DA PARTIDA E TROUXE O TIME Z DE VOLTA NOS MINUTOS FINAIS! DOIS GOLS DELE PARA BUSCAR O EMPATE E CRAVAR A VITÓRIA NO ÚLTIMO SUSPIRO DO CRONÔMETRO! AKIRA SIMPLESMENTE VIRAAAAA O JOGO NO ÚLTIMO MINUTO! O REINO DO PROJECT ZENKOKU TEM UM NOVO MAESTRO!

    Com o apito final ainda ecoando e as palavras do narrador preenchendo o ar, o gramado se transforma em dois mundos completamente opostos.

    Os jogadores do Time Z esquecem completamente o cansaço. Eles correm em direção a Akira como uma avalanche humana. Renji chega deslizando de joelhos, apontando para o camisa 10 com uma expressão de pura insanidade.

    — O MAESTRO! ELE FEZ DE NOVO! — grita Renji, puxando Akira pelo pescoço para um abraço coletivo. — Você é um monstro, Akira! No último minuto! No último maldito minuto!

    Genjiro chega logo atrás, levantando Akira do chão pelo calor do momento, erguendo-o como se estivesse exibindo um troféu para a torcida que ainda grita nas arquibancadas.

    — Ninguém segurava aquele chute! Ninguém! — ruge o tanque do time, batendo no próprio peito.

    Hiori aproxima-se com um sorriso de alívio, batendo palmas ritmadas. Até mesmo Nakki e Keo, conhecidos por suas posturas mais individualistas, olham para Akira com um respeito renovado. O Time Z inteiro o vangloria; eles sabem que, no momento em que o time mais precisou de um líder, o Ideal de chamas azuis ditou o ritmo da vitória. Eles não eram mais apenas um grupo de jogadores talentosos — agora, eram o time que havia derrubado o invencível.

    Do outro lado, o clima é de funeral e frustração extrema. Zan chuta a trave com força, xingando baixinho, enquanto Agi passa a mão pelo rosto, rindo de puro nervosismo, sem conseguir acreditar no apagão da defesa nos minutos finais. Kira caminha direto para o túnel do vestiário, recusando-se a olhar para trás, com os punhos ainda cerrados de puro ódio.

    Nikoji, cujos olhos ainda estão vermelhos pelo esforço da Visão Astral, caminha lentamente até Akira. O armador do Time U está visivelmente estressado, a respiração descompassada, mas ele não desvia o olhar. Ele para a um metro de distância do camisa 10 do Time Z.

    — Minha visão cobria o campo inteiro, Akira… — diz Nikoji, com a voz trêmula de frustração, mas firme na intenção. — Eu calculei cada passe, cada drible. Mas você quebrou a minha matemática usando o próprio fluxo do caos. Não ache que isso vai se repetir. Na próxima vez que nos enfrentarmos, eu vou decifrar o seu Ideal. Eu vou te superar.

    Akira apenas sustenta o olhar, mantendo o sorriso de canto. Nikoji dá as costas e se afasta, deixando claro que a rivalidade entre os cérebros do torneio estava apenas começando.

    Antes que Akira possa voltar para os braços de seu time, uma silhueta alta se aproxima. Aizawa.

    O capitão do Time U, que passou o campeonato inteiro sendo a muralha intransponível, estende a mão direita na direção de Akira. O olhar de Aizawa é maduro, desprovido do estresse dos companheiros. É o olhar de um verdadeiro rei reconhecendo o seu sucessor.

    — O jogo foi seu, Akira — diz Aizawa, com uma calma impressionante. — Minha defesa não falhou por falta de técnica. Nós fomos superados por alguém que entendeu o campo melhor do que todos nós juntos. Parabéns pela vitória. Você mereceu o trono hoje.

    Akira aperta a mão de Aizawa, sentindo o peso daquele reconhecimento. A muralha havia caído, e agora o Project Zenkoku sabia exatamente quem estava no topo.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota