Capítulo 18 - A Orquestra do Caos Pt.1
O som da rede estufando ainda ecoa nos ouvidos de todos. O 5 a 5 não é apenas um empate; é uma declaração de guerra.
Renji é o primeiro a chegar. Ele corre como um louco e salta sobre as costas de Akira, prendendo-o em um abraço de urso, gritando tão alto que as veias de seu pescoço saltam. — VOCÊ É DOENTE, AKIRA! QUE TIRO FOI ESSE?! — Renji chacoalha o companheiro, rindo com uma euforia maníaca.
Nakki se aproxima logo em seguida, recuperando o fôlego, um sorriso raro e genuíno surgindo em seu rosto. Ele estende o punho para Akira. — O passe foi no lugar certo. Você leu a minha mente — Nakki diz, reconhecendo que aquela jogada foi a sincronia perfeita de dois monstros.
Hiori e Genjiro chegam logo atrás. Hiori limpa o suor da testa, seus olhos analíticos brilhando com a validação de sua estratégia. — A defesa deles colapsou. Pela primeira vez, o Aizawa e o Nikoji estavam olhando para o lugar errado — murmura Hiori, um brilho de esperança renovada em seu olhar. Genjiro apenas dá um tapa pesado no ombro de Akira, um golpe que derrubaria um homem comum, mas Akira nem se mexe. — É disso que o tanque precisa! — ruge Genjiro. — Abre o caminho que eu esmago o resto!
Do outro lado, o silêncio é pesado, quase sufocante. Nikoji está parado no meio da área, os olhos fixos no ponto onde Akira disparou. Sua Visão Astral ainda está ativa, mas as linhas de probabilidade estão embaçadas, tremendo como estática de uma TV quebrada. — “Eu não vi…” — Nikoji sussurra, a voz falhando. — “Eu calculei o Nakki. Eu calculei o chute. Mas o Akira… ele não estava em nenhuma das minhas equações de risco. Ele se apagou do campo e ressurgiu como um erro matemático.”
Aizawa está de pé, mas sua postura impecável sumiu. Seus ombros estão caídos pela primeira vez. Ele encara as próprias mãos, sentindo o rastro das chamas azuis que ainda parecem queimar o ar por onde a bola passou. Sua “Muralha Eterna” não foi derrubada por força bruta; foi ignorada por um maestro.
Baraki estala o pescoço com tanta força que o som é audível. O sorriso irônico que ele carregava desapareceu, substituído por uma expressão de predador que acabou de ser ferido. — Engraçado — diz Baraki, os olhos injetados. — Eu achei que ele ia quebrar. Mas ele resolveu incendiar o campo inteiro.
E então, há Kira. Ele não se moveu desde o gol. Ele encara Akira com um ódio frio, quase palpável. Para Kira, aquele gol foi um insulto pessoal. O placar de gols entre os dois está empatado, mas a sensação de protagonismo foi roubada. Kira sente o “Ideal” de Akira o sufocando, uma pressão azul que parece querer apagar seu próprio brilho.
No centro do círculo de comemoração, Akira permanece estranhamente calmo. As chamas azuis não diminuíram; elas se tornaram mais densas, mais escuras, girando ao redor de seus tornozelos como fumaça de um incêndio químico.
Ele não levanta os braços. Ele não grita. Ele não se deixa levar pela tentação de saborear o empate. Para ele, o 5 a 5 é apenas o degrau antes do topo.
Akira empurra Renji gentilmente para o lado e caminha em direção ao círculo central. Cada passo que ele dá deixa uma marca de fuligem azul no gramado sintético. Ele para e olha para cada um de seus companheiros, um por um. Seu olhar é tão frio e determinado que a euforia do Time Z morre instantaneamente, sendo substituída por uma tensão elétrica.
— Parem com essa merda agora — a voz de Akira é baixa, mas corta o barulho do estádio como uma lâmina. — O jogo não acabou. Comemorar um empate é coisa de perdedor.
Ele aponta para o relógio que marca 83:02.
— A gente ainda tem sete minutos. E eu não vim aqui para dividir ponto com o Time U — Akira se vira para o campo adversário, as Berettas holográficas piscando por um milissegundo atrás dele, prontas para o próximo engatilhamento. — Fiquem espertos. Eu ainda vou virar essa merda. E ninguém vai me impedir.
O Time Z estremece. Não de medo, mas de antecipação. O Ideal de Akira agora é a batuta que rege todos eles. Ele não é mais apenas o artilheiro; ele é o dono do jogo.
Akira olha para Kira e Aizawa, um sorriso de predador surgindo em seu rosto. — Vamos logo. Eu tenho um trono para ocupar.
O reinício do jogo é precedido por uma tensão sufocante. O Time U, antes a força inabalável do torneio, está com os nervos expostos. A calma fria que os caracterizava deu lugar a um estado de alerta agressivo — o modo de fúria total. Eles não aceitam o empate; para um time de elite, não vencer é o mesmo que desmoronar.
Aizawa e Baraki alinham-se na frente, avançando em bloco com uma agressividade nunca antes vista na partida. Assim que a bola rola, o Time U se joga ao ataque com tudo o que tem, ignorando qualquer cadência ou estratégia defensiva. É pressão pura, força bruta misturada com desespero controlado.
A bola viaja rapidamente pelos pés de Aizawa, que usa sua energia para romper os primeiros bloqueios de Genjiro e Hiori. Ele não tenta o drible plástico; ele apenas empurra o avanço com ímpeto, descarregando a bola em Nikoji na intermediária.
Nikoji recebe sob forte pressão, mas sua mente se desliga do barulho do estádio. Ele força a sua Visão Astral muito além do limite seguro. Em sua mente, os olhos ardem e o campo de futebol se transforma em um emaranhado caótico de linhas vermelhas e azuis que piscam violentamente.
As probabilidades se sobrepõem em uma velocidade que seu cérebro mal consegue processar. Ele vê Daichi fechando o centro, vê Renji se recuperando na lateral, e então, no meio de toda a poluição visual da área, ele enxerga a rota dourada.
A linha perfeita.
Kira está posicionado na fresta milimétrica da zaga do Time Z. É o ponto exato para o gol da vitória. Se a bola chegar ali, a finalização é certa e o jogo acaba.
— “Achei…” — pensa Nikoji, os dentes cravados no lábio inferior pelo esforço. — “O gol da vitória é nosso!”
O corpo de Nikoji se inclina. O pé direito inicia o movimento do passe cirúrgico. No milissegundo em que a chuteira está prestes a fazer o impacto definitivo com a bola…
A linha dourada desaparece. Ela simplesmente se apaga da sua mente.
Antes mesmo de o passe ser desferido, Akira já havia lido a intenção no posicionamento dos olhos de Nikoji. Ele não estava apenas olhando para os jogadores; ele estava lendo a própria estrutura do campo através de seu novo Ideal.
Com um rastro denso de chamas azuis, Akira usa o próprio corpo para invadir o campo de visão de Nikoji. Ele não vai atrás da bola; ele corta a linha de raciocínio do armador adversário, postando-se exatamente na trajetória que a bola faria em direção a Kira.
— “O quê?!” — o choque de Nikoji é tão grande que o passe sai sem a força necessária.
Akira estica a perna esquerda em uma antecipação perfeita. O bico da chuteira amortece o passe enfiado, roubando a bola de forma limpa e letal.
O estádio inteiro prende a respiração. O telão gigante começa a piscar os segundos finais dos acréscimos. O tempo regulamentar evaporou. É o último ataque do jogo.
Kira, ao ver a bola ser interceptada, solta um rosnado de pura frustração e gira o corpo para correr atrás de Akira, mas o maestro das chamas azuis já colocou a bola na frente.
Faltam apenas segundos para o apito final. O contra-ataque da vitória está nos pés de Akira.

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