No momento que avanço, um dos caçadores, um jovem com o rosto rígido e suado, mas determinado, dá um passo adiante e toca o chão com a palma aberta.

    Assim que meus pés pisam o chão próximo de onde ele tocou, escorrego como se a rocha estivesse lubrificada.

    — Quê?!

    Os caçadores desviam e bato com tudo contra uma caixa de madeira.

    — Mer…

    — Dracula! Desvie!

    —  Hã?!

    Quando olho para cima vejo um homem enorme e musculoso erguendo um martelo de madeira, Ha! Que piada! Acha que uma arminha de madeira vai me ferir?

    Avanço contra ele, nem preciso desviar de seu golpe. Mesmo que seja forte, seu martelo simplesmente se despedaçará caso me acerte.

    — Morra! — Miro seu pescoço com minha garra.

    Tum!

    — Argh!

    Subitamente me vejo no chão, metade da minha visão está escurecida e há uma pequena cratera abaixo da minha cabeça.

    — Que droga… aconteceu…?

    Quando consigo olhar para cima, percebo o mesmo martelo, mas agora dourado, me pressionando contra o chão pela cabeça.

    — Hmpf, sobreviveu? No próximo vou esmagar sua cabeça! — Ele ergue o martelo, tento me levantar, mas me sinto zonzo, minhas pernas não respondem.

    Seu martelo começa a descer na minha direção.

    — Droga! — Joseph aparece bem na hora e se joga nele usando os ombros, me oferecendo a mão para me levantar. — Rápido!

    Com dificuldade, aceito e me ponho de pé, meus músculos não respondem por algum motivo, alguma maldita Benção Divina que me paralisa?

    — Que merda de poder é esse dele?

    Toco minha própria cabeça, sentindo um buraco profundo no meu crânio que está rapidamente se curando ao mesmo tempo que meu corpo parece voltar a funcionar.

    Quando meu outro olho finalmente se regenera, percebo Marie lutando contra dois caçadores, além di…

    — Dracula, desvie!

    — Qu… — Dou um salto sem saber do que estou desviando, quando espadas passam voando bem aonde eu estava. — Maldito francês desgraçado…

    Encaro a situação por um breve momento, o jovem está ao lado do líder, o grandão com o martelo pega uma espada de maneira, que imediatamente se transforma em ouro, e corre até Joseph.

    — Hmpf, perfeito, bem quem eu quero estripar! — Avanço contra o francês desgraçado, farei ele se arrepender de ter matado minha filha!

    — Não vou deixar você chegar perto! — O jovem dá um passo adiante novamente e toca o chão.

    — Não vou cair de novo no seu truque barato! — Salto por cima da área que ele tocou e desço até o líder.

    — Péssima escolha, vampiro!

    Algo pesado e forte me atinge pelo lado, uma… porra, uma bigorna? Caio com força no chão e tiro essa droga de cima de mim.

    — Maldito! Vou te…

    Antes que possa falar, percebo duas espadas voando na minha direção.

    Desvio para o lado de uma e uso minhas garras para ricochetear a outra.

    Olho com atenção os dois e espero um ataque, mas os dois permanecem em alerta, parados no mesmo lugar.

    Estão me analisando é? Então farei o mesmo.

    Avanço subitamente e o garoto novamente toca o chão diante dele, dessa vez, entretanto, recuo alguns passos.

    Eles não atacam, enquanto eu apenas observo com atenção.

    Caminho na direção dos dois com cuidado, tentando medir qual a área do chão afetado, mas, quando chego perto de uma certa distância, o líder lança armas e objetos na minha direção.

    — Ah… entendi, então uns cinco metros, huh?

    Ambos continuam em silêncio me encarando, por mais que não tenha conseguido medir exatamente o efeito, pelo menos tenho uma certa ideia.

    Agora… e quanto ao poder desse assassino desgraçado? Como funciona? Parece capaz de fazer objetos flutuarem, mas qual o limite? E alcance?

    Olho para a bigorna caída perto de mim… Vou fazer um pequeno teste…

    — Ei… — Caminho calmamente até a bigorna e a ergo apenas com uma mão. — Você deixou seu brinquedo cair!

    Arremesso-a na direção do líder, ele ergue ambas as mãos na direção da bigorna, que começa a desacelerar na sua direção.

    Sem dar tempo até que pare totalmente, dou um salto na sua direção.

    — William! — Com o rosto contorcido por esforço e músculos dos braços saltando, ele grita ao garoto.

    — Droga! — Ele se coloca na frente do líder e soca na minha direção.

    — Patético! — Desvio e rasgo seu peito.

    — Argh!

    — Vou acabar com o mais fraco primeiro! — Aproveito que ele cai no chão e me preparo para me jogar em cima dele, mas o chão se torna extremamente escorregadio e acabo caindo. — Maldito!

    Percebo sua mão tocando o chão, tsk, odeio admitir, mas ele reagiu rápido.

    O líder aproveita e lança uma espada na minha direção, droga, não vou conseguir desviar.

    — Venha aqui, seu inseto! — Agarro o garoto e o uso de escudo humano.

    — Covarde! — A espada desvia no último segundo e crava no chão.

    — Vocês caçadores são tão fracos, todos iguais, hahaha! — Sinto o chão voltar a ficar firme e me levanto, ainda segurando o garoto e pressionando minha garra contra seu pescoço. — Se tivesse ignorado seu companheiro poderia ter me matado.

    — Solta ele!

    — Ah, ah, eu faço as demandas aqui, todos vocês, parem de lutar agora!

    Os outros caçadores todos param assim que percebem a situação, mas não largam suas armas.

    — Não façam isso! Me deixem e matem os vampiros!

    — Quieto, seu verme! — Enfio minhas garras com força em seu ombro, os caçadores imediatamente se afastam de Joseph e Marie. — Joseph, segure este pirralho por mim.

    Ele, sempre mantendo o olhar no caçador com o toque de ouro, se aproxima e toma meu lugar.

    — O que você quer, besta? — O líder esbraveja. — Solte o garoto.

    — Não é óbvio? Hmpf, não me diga que não se lembra? — Começo a caminhar ao seu redor.

    — Me lembrar do quê? Nunca te vi na minha vida!

    — Bem, faz muitos anos desde que você matou minha filha a sangue frio, então acho que faz sentindo que não se lembre. — Paro diante dele e, com minha garra, pressiono contra sua testa, o suficiente apenas para que uma gota de sangue saia. — Hm? E apesar disso, você ainda permanece igual, parece que o tempo lhe fez bem, hein?

    Me viro e caminho na direção do grandalhão, agora vestindo uma armadura de ouro que provavelmente era de couro originalmente.

    — Chefe, não escute ele! Acabe com eles mesmo que me matem!

    Me viro e percebo o líder hesitando.

    — Nem pense nisso, ou o garotinho vai morrer. O que há nele que vocês se importam tanto, hein? Sua Benção Divina é a mais inútil, este inseto não serve para nada.

    — Criaturas como vocês jamais entenderão… — O brutamontes dá um passo adiante, estufando o peito e me encarando de cima como se fosse superior. — Vocês monstros não sabem o que é ter amigos, nem família.

    — Não sabemos… é?

    Cerro meus punhos com tanta força que sinto minhas garras penetrando minha pele, meu sangue pingando entre meus dedos.

    Por culpa desses caçadores minha filha está morta e meu casamento foi destruído… e eles ainda ousam dizer que não sei?

    E pior… ele ousa agir como se fosse superior a mim? Apenas por que é alto?

    — Ponha-se no seu lugar, humano insolente! — Enfio meu braço no seu peito e arranco seu coração.

    — O que você…!? Maldito covarde! — Objetos começam a voar na minha direção, tento desviar, mas o brutamontes, em seus momentos finais, segura meu braço e me impede de desviar.

    — Hmpf, seres inferiores! — Arranco ambos os braços dele e uso seu corpo de escudo, espadas perfuram seu corpo, mas não me atingem.

    — Ei! Vou matar o garoto! — Joseph ameaça, mas os caçadores ignoram e retomam a luta. — Que seja…

    Em um movimento rápido, ele morde a jugular dele e arranca um grande pedaço.

    — NÃO! SEU MERDA!

    O líder lança inúmeras armas contra Joseph, mas apareço atrás do desgraçado, forçando-o a focar em mim.

    — ME DEIXA EM PAZ! VOU LIDAR COM VOCÊ DEPOIS!

    — Joseph, vá ajudar sua esposa, este francês é minha presa, a hora da minha vingança chegou!

    Avanço contra ele, mas não consigo atacar diante da quantidade de coisas que ele joga em mim.

    Joseph me encara por um momento, mas por fim decide se afastar e ajudar Marie com os outros dois caçadores restantes.

    — Tome cuidado, Dracula.

    Ele finalmente nos deixa em paz.

    — Vai continuar fugindo por quanto tempo, seu inseto? — Não consigo chegar perto, e essas coisas voando na minha direção estão me irritando.

    — Calado! Arrancarei tua maldita cabeça e a colocarei em uma estaca, é isso que vocês vampiros merecem!

    — Arrancar e colocar em uma estaca… belíssima ideia! Farei isto contigo, seu assassino… — Esboço um sorriso de desprezo, imaginando a bela imagem de sua cabeça empalada.

    — Vai ter que chegar perto primeiro, e pelo jeito não está conseguindo.

    — Ah, mas aí é que tu se enganas, presa… — Dou um grande salto para trás, abrindo distância o suficiente para que esteja fora do alcance da sua habilidade. — Estive observando e entendi como sua Benção Divina funciona…

    Ergo uma pedra com cerca de duas vezes meu tamanho nos meus ombros e jogo na sua direção.

    Seus olhos se arregalam e ele tenta pará-la com sua Benção, ao mesmo tempo que faz isso, todos os objetos que estavam flutuando ao seu redor caem no chão.

    — Merda! — Incapaz de parar a pedra, apenas desacelerar um pouco, ele dá um salto para o lado, desviando por pouco.

    Pouco depois, as armas voltam a flutuar.

    — Então eu estava certo, tem um limite de peso e distância… — Ergo outra pedra nos meus ombros. — Neste caso, te esmagarei como a barata que tu és!

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