Descemos da carruagem e nos deparamos com a fortaleza Hohensalzburg, o maior castelo da região.

    Diferente do castelo Kreuzenstein, este é bem mantido, reforçado, há uma certa beleza observar seus muros brancos e telhados cinzas no topo daquela colina.

    — Finalmente… — Joseph se alonga e solta um longo suspiro. — Que viagem longa… Pela hora Franz ainda não chegou…

    Está anoitecendo, Joseph dormiu um pouco no caminho, quase fiz como ele, mas decidi me forçar a permanecer acordado.

    — Dracula, deixe-me tomar a dianteira, eu o apresentarei, certo? Compreendo suas críticas sobre nossa ideologia, contudo peço que sejas paciente, por favor.

    — Certo…

    Então, começamos a subir caminhando até a fortaleza.

    Há alguns guardas, mas não nos param, na verdade até nos cumprimentam, Perséfone e Joseph em específico.

    Ao chegar no topo, nos dirigimos até a construção principal, onde fica o grande salão.

    Há vários guardas patrulhando o local, contudo percebo outras pessoas se vestindo como burgueses ou nobres.

    Perséfone vai na frente e lentamente empurra a porta, revelando o salão principal.

    Então, o que vejo dentro é algo totalmente diferente do castelo Kreuzenstein, um lustre belo ilumina o local, cerca de vinte nobres e burgueses conversam e jantam; banners, armas e cabeças de animais empalhados decoram a parede.

    No momento que entramos e fechamos a porta atrás, cerca de quatro pessoas se aproximam de nós, ou melhor, Perséfone.

    — Proserpina, a quanto tempo.

    — A lua está bela hoje, não acha?

    Estas pessoas esboçam largos sorrisos e são bastante respeitosos com Perséfone, agora, quando se trata sobre Joseph…

    — Ah, desculpe, não o percebi aqui… Como se chamava mesmo?

    — O seguidor de Franz, certo? Um tanto… inesperado que um vampiro de seu nível está ao lado de Perséfone…

    Consigo notar, a animosidade sutil em suas palavras.

    — Quem seria você? — Um homem baixo me percebe. — Creio que não tivemos a honra antes.

    — Ah, sim, este é… — Perséfone dá um passo para o lado para direcionar a atenção para mim.

    — Vlad Dracula. — Dou um passo adiante com meu peito estufado. — Fui vampirizado por Perséfone nesta semana.

    Imediatamente, os olhos de todos se arregalam em surpresa, mas, logo em seguida, dúvida surge.

    Os quatro encaram Perséfone com um olhar que basicamente diz “isso é verdade?”

    — É como ele disse, transformei Vlad Dracula na noite do eclipse. O trouxe para conhecer Paris Lodron.

    — Franz também. — Joseph a interrompe, recebendo olhares de desaprovação de volta.

    — Entendo, seja bem-vindo ao forte Hohensalzburg, tenho certeza de que Paris Lodron gostará de ti, senhor Dracula.

    — Com certeza, ele é um homem honrado, diferente de Franz…

    Olho para frente, percebo os outros vampiros escutando com atenção, mas não deixando óbvio.

    Percebo também alguns dos vampiros lançando olhares irritados entre si, já consigo imaginar quem faz parte de qual facção.

    — Agradeço a recepção senhores. — Quando percebo a atenção que me dão, é impossível não me sentir um pouco animado. — É um prazer.

    Se fosse baseado apenas no que acredito, então eu provavelmente seria contra a facção de Lodron, mas não sei nada sobre ambos, é melhor apenas checar como são as coisas antes de agir.

    — Como foi vampirizado por Proserpina, sei que se juntará à nossa facção, correto? A facção Proserpina-Lodron.

    Entendo… Perséfone é uma pessoa importante na facção de Lodron… tão importante que só pelo fato de eu ter sido transformado por ela já faz outros vampiros ansiosos em me recrutar.

    Agora sei por que tanto ela quanto Joseph estão me disputando tanto… dependendo da facção que eu escolher, posso acabar mudando o equilíbrio de poder.

    — Senhores, peço que deixem-no respirar um pouco, Dracula acabou de se transformar, há muito que ele não sabe ainda. — Perséfone se aproxima um pouco de mim.

    — Ah, certo, desculpe por incomodá-lo.

    — Falaremos depois, senhor Dracula.

    Abrem espaço para que andemos, os outros vampiros nos observam atentamente, outros, ao perceber que estão no nosso caminho, desviam.

    — Franco Lodron deve estar em seu aposento, o levarei até lá.

    Caminhamos por um corredor e subimos algumas escadas.

    — Perséfone, por que nós dois somos os únicos com olhos vermelhos?

    — Ah, bem, isso… — Ela hesita e para de andar por um momento. — Para ser sincera, não tenho certeza.

    Nos aproximamos de uma porta de madeira polida. Perséfone bate na porta, e uma voz masculina e firme a diz para entrar.

    Ao abrir a porta, nos deparamos com um homem sentado diante de uma mesa e de costas para uma janela. Possuí uma barbicha, bigode elegante e cabelo apenas ao redor da cabeça, o topo é careca.

    Então este é Franco Lodron, ex Príncipe-bispo de Salzburg… e pensar que é um vampiro…

    O seu aposento é um lugar fino, há várias estantes de livros, uma parede com o mapa da região, um tapete luxuoso com o brasão de armas dele…

    Sua mesa possuí vários documentos e mapas, parece ocupado.

    — Perséfone, a lua está bela hoje, não acha? — Ele se levanta com uma expressão animada e se aproxima. — A que devo a visita?

    Lodron percebe Joseph fechando a porta.

    — Tu és um dos seguidores de Franz… Um tanto inesperado que tu estejas a acompanhando. — Então, ele me encara. — E tu? Creio que não nos conhecemos ainda.

    Perséfone dá um passo para o lado. — Dracula, este é Paris Lodron. Lodron, este é Vlad Dracula, um homem que vampirizei durante a lua de sangue.

    Estendo minha mão para um aperto, mas ele trava no lugar, surpreso.

    Então, depois de um breve momento, recupera os sentidos e aperta minha mão imediatamente.

    — Então tu foste vampirizado por Perséfone… entendo! Isto é perfeito! — Seu sorriso é largo, mas percebo seus olhos, possuem o olhar de um estrategista. — Imagino que tu vieste para se unir à nossa facção, correto?

    — Talvez… podes me dizer qual seus ideais? Principalmente quando se trata sobre os caçadores…

    — Ah, sim, claro.

    Lodron olha para Perséfone por um breve momento, e apenas essa troca de olhares foi o suficiente para que sua postura comigo mudasse.

    — Bem, senhor Dracula, talvez não saibas, já que se tornaste um vampiro recentemente, mas nós, vampiros, estamos em declínio, enquanto o número de humanos adquirindo Benções Divinas aumenta cada vez mais…

    — Por isso, Dracula… — Perséfone me encara com um olhar sério, mas gentil. — Nós somos uma raça em extinção, se tentarmos lutar contra os caçadores, isso apenas acelerará nosso fim.

    — Se lançarmos um ataque coordenado contra os caçadores, resolveremos este problema. Ouvi dizer que alguém chamado Franz, líder de uma facção oposta, suporta essa ideia. — Encaro com atenção a reação de Lodron. — E devo dizer, me sinto mais atraído pelos seus ideais.

    Percebo claramente um olhar de preocupação em seu rosto.

    — Senhor Dracula, entendo como se sentes, nós também gostaríamos de resolver este problema com os caçadores, contudo isso apenas resultará no nosso fim. Se nós nos integrarmos e nos escondermos entre os humanos, poderemos sobreviver mais alguns séculos…

    — Hmm… Joseph, qual a faixa etária dos apoiadores de cada facção?

    — A facção Lodron-Proserpina, a dominante, possuí em sua maioria vampiros antigos, com cerca de alguns séculos de idade, já a de Franz possuí vampiros novos, com menos de um século de idade.

    Entendo… apesar de ser difícil prever a idade de um vampiro, estava claro, lá no salão principal, que os vampiros mais velhos olhava com admiração para Perséfone e desdém para Joseph.

    — Eu nunca perguntei sobre isso, mas por que os vampiros dão tanta importância para Perséfone e para mim, pelo simples motivo de ter sido vampirizado por ela?

    — Ah, sobre isso. — Joseph começa a explicar. — É por que Perséfone…

    Bam!

    A porta se abre do nada, ao me virar para trás, percebo um homem com uma presença mais marcante, usa uma peruca branca com rolos laterais, um belo casaco dourado e com detalhes em vermelho, e uma espada cerimonial na cintura.

    Espera… essa pessoa?!

    Franz Josef Karl… o candidato mais provável a se tornar o próximo imperador do Sacro Império Romano Germânico? Esse Franz?!

    — Deixe-me que eu explico isso, meu caro Joseph. — Ele se aproxima de mim com um olhar triunfante.

    — Franz, seu maldito, não dei permissão para entrares. — Lodron fica entre mim e ele.

    — Com licença, senhor Lodron, mas quero escultá-lo. — Desvio dele e me aproximo.

    — Quanto mais velho um vampiro, mais poderoso é seu sangue, portanto poucos humanos sucedem em se transformar, e Proserpina, ou melhor, Perséfone, é a vampira mais velha do mundo todo. Quantos anos tu tens mesmo? Dois mil?

    Ao ouvir aquele número… absurdo, imediatamente encaro Perséfone.

    — Como tu és tão antiga, vosso sangue és deveras poderoso, por isso, como tu, meu caro Dracula, conseguiste ser vampirizado por ela, tu tens o potencial de rivalizar seu poder.

    — Senhor Franz, na verdade, Dracula já matou um caçador de elite sozinho. — Joseph fica ao meu lado, colocando a mão em meu ombro.

    — Então isso apenas significa que eu estava certo, sobre ti, meu querido Dracula. — Ele me oferece sua mão. — Então, o que me diz?

    O encaro por um breve momento, até agora estava incerto se apoiaria ele, contudo, como ele é um candidato a se tornar um imperador, então ele definitivamente tem os meios para conquistar o objetivo que compartilhamos.

    Estendo minha mão na sua direção, prestes a apertá-la.

    — Espere! — Perséfone agarra meu braço subitamente. — Antes que tomes qualquer decisão, tu deves pelo menos escultar porque eu e Lodron somos contra atacar os caçadores.

    Abaixo minha mão, indicando que estou escutando.

    Ela respira profundamente, se acalmando.

    — No império Romano…

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