O caçador desvia da pedra, mas não o deixo respirar, ergo o corpo do caçador com toque dourado e arremesso contra ele.

    — Covarde! Venha lutar!

    — Um tanto hipócrita aquele que fica lutando de longe chamar os outros de covarde! — Ergo uma pesada mesa de madeira e jogo nele. — Mas se insiste, então que seja!

    Avanço pelo lado, ele se abaixa para desviar da mesa e se prepara para lançar armas na minha direção, mas não escolhi esse flanco aleatoriamente…

    Bem do lado do meu pé, pego a bigorna e arremesso na sua direção com força e velocidade, avançando na sua direção ao mesmo tempo.

    Com seu corpo já curvado, ele se joga de maneira desajeitada para o lado, mesmo assim, não vai conseguir desviar totalmente.

    — Merda! — Estende sua mão na direção da bigorna e sua trajetória se altera um pouco, errando-o por pouco.

    Antes que ele possa se levantar ou atacar, salto nele e cravo minhas garras na sua coxa direita para, em seguida, arrancar sua perna com força.

    — AARGH! PORRA! — Espadas começam a voar na minha direção, dou um grande salto para trás, fora do alcance de sua habilidade.

    Enquanto parado, dou uma breve olhada para trás, um dos outros três caçadores já está morto, Marie e Joseph estão lutando contra o último, mas ele não vai durar muito tempo.

    — Consegue ver, seu assassino? Como seus companheiros estão caindo um por um?

    Sorrio, aproveitando minha vingança iminente.

    Quanto mais esse verme sofrer antes de morrer, melhor.

    — Assassino? Nós somos heróis, salvamos pessoas de vocês, vampiros!

    — Ah, parece que preciso refrescar sua memória, não é? — Seu desentendimento me irrita, caminho para perto de um pilar de madeira, que sustenta o teto, e o soco. — Sophie, ela tinha apenas seis anos…

    Caminho até outro pilar e o destruo, algumas rochas se desprendem do teto e caem na direção dele.

    — Guh… — Seu rosto se contorce por esforço quando ergue uma mão e mantem uma pedra flutuando acima dele. — Você é louco, não mato crianças inocentes, a menos que sejam vampiras.

    — Mentira! — Destruo outro pilar, ele ergue sua outra mão e as veias de seu rosto saltam. — Vampiros não adoecem, mas lá estava ela, ardendo em febre enquanto era examinada por um médico quando você…

    Finalmente, seus olhos se arregalam com um sinal de reconhecimento, mas, então…

    — Hahahaha! Ah, aquela garota? Agora entendo… — Apesar de sua situação nada favorável, ele ousa rir da minha cara? — Você é um vampiro patético se não percebeu ainda.

    — Não percebi o quê?! — Me aproximo dele, ele não consegue me afastar, está usando toda sua força para manter aquelas duas pedras flutuando. — Fale, caso contrário…

    — Não acredito que perdi para um vampiro que não sabe nem o que é seu e o que é roubado… patético…

    Aquela é a gota da água, já basta…

    — Já te deixei vivo tempo demais, escória… — Paro ao lado do último pilar. — Morra esmagado como o inseto que é…

    — Dracula, espere! Nós também vamos…

    Ignoro os gritos de Joseph e destruo o pilar, a caverna começa a ceder.

    Uma rocha cai em cima do maldito caçador, ele solta gritos dolorosos e curtos quando seus pulmões são esmagados.

    — Isso, grite como um porco sendo degolado, maldito… — Me viro e me afasto, sorrindo e aproveitando o doce som de seu sofrimento. — Joseph, Marie, vamos embora…

    Os dois acenam e partem comigo, deixando que rochas e terra selem os cadáveres patéticos daqueles caçadores.

    ***

    De volta na casa de Joseph, bebemos e comemoramos nossa vingança.

    Os filhos de Joseph estão presentes, quanto aos vampiros que vieram conosco, apenas um acabou sobrevivendo à luta, e ele já deixou Vienna para voltar para Salzburg.

    Bem, não importa se perdemos alguns de nós, se morreram para aqueles caçadores, então eram apenas uns fracos inúteis.

    — Pela vingança! — Ergo uma taça com vinho, satisfeito com o resultado.

    — Sim, pela vingança…

    Nós cinco brindamos e bebemos. Nem os filhos de Joseph, nem ele e sua esposa parecem satisfeitos, estão com uma expressão distante.

    — Qual o problema, Joseph? Nós nos vingamos.

    — Eu sei que deveria estar feliz, mas… matar os caçadores não vai trazer meus pais de volta…

    Bem, meio que entendo, achava que me sentiria mais feliz do que me sinto com minha vingança, mas minha filha morreu décadas atrás, enquanto os pais de Joseph a apenas uns dois dias.

    Mesmo assim, esse clima sem graça, pesado…

    — Vou buscar mais vinho. — Me levanto e vou até sua cozinha, suas expressões desanimadas estão acabando com minha alegria.

    Quando atravesso a porta, pego uma garrafa, a abro ali mesmo e me sento em uma cadeira, bebendo direto da garrafa.

    — Bem melhor quando não tenho uma família em luto… — Solto um suspiro satisfeito.

    No fim, foi uma ótima noite, me vinguei do assassino da minha filha, que ainda por cima era um caçador, e agora estou saboreando um belo vinho…

    Uma pena que logo amanhecerá, já posso sentir meu corpo um pouco mais pesado que o normal, logo terei que retornar…

    Retornar para dormir… onde? Na casa de Perséfone? Ela está em Salzburg ainda ou já retornou?

    Não… esse cheiro… ela está em Vienna, com toda certeza.

    Mas pessoalmente prefiro dormir aqui, a moradia de Joseph é muito mais apropriada para alguém grandioso como eu, além disso, sei que ele adoraria que eu ficasse aqui.

    E depois disso… sim, há alguém que preciso encontrar.

    Afinal, depois do que aconteceu hoje…

    Hm? Que barulheira é essa na sala? E gritos… caçadores?!

    Passo pela porta com força, me preparando para uma batalha.

    — O que está…

    — Dracula! — Alguém, não, Perséfone pula na minha direção e me agarra pela gola. — Ainda bem…

    — Perséfone…

    Ela me encara de maneira indignada, então se vira e faz o mesmo com Joseph, Marie e seus filhos.

    — Por que fizeste algo tão arriscado? Tu poderias ter morrido, nunca se sabe se os caçadores possuem reforços em algum lugar por perto!

    Está preocupada? Comigo?

    — Hmpf, é óbvio que eu não morreria para algum caçador, e nossas perdas foram mínimas.

    — Mas vampiros ainda morreram, poderia ter sido tu, Dracula. E nenhum vampiro é invencível, nem mesmo eu.

    — Tanto faz, as coisas deram certo, e obtivemos nossa vingança, isso é o que importa.

    Me afasto de Perséfone e me aproximo da família von Wilczek, colocando o vinho em cima de uma mesa.

    — Vós não podeis ir atrás de qualquer grupo de caçadores por vingança, principalmente tu, Dracula. — Ela se aproxima e fica diante de mim. — Tu prometeste que não matarias ninguém de maneira injusta, mas tu quebraste tua promessa imediatamente…

    — Dessa vez eu tinha um ótimo motivo…

    — Até quando continuarás encontrando desculpas, Dracula?

    — Dracula está certo, ele tem um bom motivo… — Joseph concorda sem olhar para Perséfone. — Parecido com o meu.

    — Que… motivo é esse? — Ela me encara de maneira confusa.

    — Sabe do que estou falando, viu minhas memórias, um dos caçadores era alguém que destruiu minha família.

    — Família…? — Perséfone pensa por um momento. — Talvez eu saiba o motivo, isso não significa que eu o entenda.

    Tsk, como pode você ser tão boazinha, ao ponto de ser… ignorante? Não entende eu querer me vingar daquele quem assassinou minha filha? E que, por consequência, fez com que minha mulher me deixasse?

    Quase me sinto irritado, na verdade, eu realmente me sinto, mas quando me lembro do quão aliviada ela estava…

    Ela realmente se importa comigo, mas sinto que não o suficiente, ainda mais quando vive me pedindo para poupar os caçadores.

    — Tanto faz, já sabe que estou bem, isso basta, não é? — Me sento em um sofá.

    — Não, não basta, Dracula, pois tu continuas matando pessoas por quase nenhum motivo.

    — Então terá que se acostumar com isso… — Olho para Joseph, que esteve o tempo todo em silêncio, mas atento. — Pois tomei uma decisão.

    A sala, que já estava em silêncio, fica tão quieta que é possível ouvir nossas respirações.

    Os filhos de Joseph parecem confusos, Joseph e Marie mostram, pela primeira vez desde que voltamos, um olhar animado, e Perséfone…

    Ah, esse olhar doloroso… me faz hesitar, as palavras travam na minha garganta, mas não vou voltar atrás.

    Desde que me encontrei com aquele caçador, desde que descobri que o assassino da minha filha era um caçador, tudo mudou, a dúvida que eu tinha foi resolvida na hora.

    Sim… o desprezo que eu sentia por eles evoluiu para um ódio profundo, jamais os perdoarei, farei questão de exterminar todos eles, até o último.

    Ergo meu queixo e endireito minhas costas.

    — Me juntarei à facção de Franz, o futuro imperador. Darei todo meu apoio para que o Sacro-Império cace cada caçador na Europa!

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