CAPÍTULO 06 – Encontrando a origem

    Terra-3, floresta densa.

    Jack, Jhenefer e Michel partiram rumo à floresta densa que se estendia à frente. O local era um emaranhado de árvores e cipós entrelaçados. A brisa constante agitava os galhos, fazendo com que folhas caíssem sobre suas cabeças, enquanto as raízes enormes que serpenteavam pelo chão os faziam tropeçar com frequência.

    O solo, coberto por uma mistura de folhas vivas e secas, era tomado por um musgo pegajoso que fazia os pés afundarem, causando dores incômodas nas solas e nas juntas.

    Insetos de todos os tamanhos percorriam os troncos imensos e a folhagem, em uma luta frenética pela alimentação que garantia a sobrevivência dos animais maiores. Embora o sol batesse contra as copas das árvores criando sombras por toda a mata, o calor permanecia sufocante e difícil de suportar.

    — Que floresta mais estranha… Será que existem animais grandes por aqui? — indagou Jhenefer, inquieta.

    — Não podemos ter certeza — respondeu Jack, caminhando com cautela sobre a folhagem. — Nunca entramos em um lugar assim. Por isso, temos que ficar atentos a qualquer coisa fora do comum.

    — Não sei se vocês perceberam, mas já está entardecendo e não comemos nada. Estou faminto e morrendo de sede! — exclamou Michel, com um tom melancólico.

    — Nós não sabemos caçar, então teremos que pescar — afirmou Jack, pensativo. — Por sorte, aprendi a fazer varas de pesca em uma das viagens com meus avós.

    — Então a pescaria fica com você! — decidiu Michel. — Precisamos de uma fogueira para assar os peixes. Eu nunca fiz uma, mas já vi como se faz na televisão. Não deve ser tão difícil… eu acho.

    — Bom, então eu busco a água — impôs Jhenefer, assumindo uma postura ativa. — Já que não tenho habilidades para essas outras tarefas, posso ao menos garantir que tenhamos o que beber. Só preciso encontrar algo que sirva de reservatório.

    O trio se separou para cumprir suas funções. Após muito esforço e alguns erros, conseguiram o que precisavam. A fogueira queimava bem, e o estalar dos galhos trazia um relaxamento momentâneo.

    Mesmo que o gosto não fosse o melhor, saborearam os peixes com lágrimas nos olhos; o alimento trazia o vigor necessário para continuarem a jornada.

    Em seguida, encontraram um pequeno lago de correnteza fraca e resolveram se banhar para remover a sujeira e o suor acumulados. Como nunca haviam estado em uma floresta, cada pequena conquista era, na verdade, uma dura lição de sobrevivência. Após se limparem, retomaram a caminhada exaustiva.

    A escuridão finalmente chegou após um dia inteiro de fadiga. Estranhamente, à noite o céu exibia um belo azul escuro estrelado, contrastando com o sol rosado do dia. Estrelas cadentes cruzavam o firmamento, criando uma atmosfera mística. Quando as esperanças já minguavam, uma luz misteriosa surgiu no horizonte, piscando calmamente.

    Quanto mais avançavam, mais a iluminação ganhava formas abstratas. Tomados pela curiosidade, começaram a correr. Ao pararem para recuperar o fôlego, seus olhos se encheram de alegria: haviam chegado a uma cidade grande, repleta de casas e prédios que lembravam construções antigas. Contudo, o esgotamento foi maior que o alumbramento; os três desmaiaram ali mesmo, caindo em um sono profundo.

    Horas depois, o céu rosado e o sol implacável já haviam retornado. Jack, Jhenefer e Michel acordaram com uma estranha sensação de leveza. Esfregaram os olhos para focar a visão e perceberam que estavam em quartos diferentes.

    Cada cômodo possuía móveis distintos, mas todos compartilhavam um ar de antiguidade rústica e bem conservada. As camas eram luxuosas, cheias de travesseiros macios que faziam o corpo afundar.

    — Onde estou? — murmurou Jack para si mesmo, ainda sonolento. — Como vim parar aqui? Onde estão Jhenefer e Michel? Lembro-me de ter desmaiado assim que chegamos… deve ter sido o cansaço.

    De repente, ouviu duas batidas leves na porta. Uma mulher, provavelmente uma empregada, apareceu brevemente e recitou de forma suave:

    — Com licença, senhor… Poderia vir até a sala de estar? O Líder o aguarda ansiosamente.

    Sem dar explicações, ela se retirou.

    — Sala de estar? Será que é esse o Líder que o elemental citou? — Jack desconfiou. — Preciso encontrar meus amigos, mas antes quero explicações bem claras.

    Ele se levantou e seguiu para a sala. No corredor, encontrou Jhenefer e Michel saindo de seus respectivos quartos.

    — Vocês também estão aqui! — suspirou Jack, aliviado.

    — Como viemos parar neste lugar? — perguntou Jhenefer, focada em tentar entender a situação racionalmente.

    — Eu só me lembro de desmaiar e acordar aqui — respondeu Jack. — “Ele” está nos esperando. Deve ser aquele “Líder” que os elementais mencionaram.

    — Vamos descobrir — afirmou Jack, liderando o caminho.

    Na sala de estar, encontraram um homem sentado em um sofá de tons neutros, com um mordomo mantendo uma distância profissional logo atrás. O homem emanava uma energia de poder e liderança.

    O trio sentou-se cautelosamente, mantendo uma distância segura por medo e desconfiança. A sala era sofisticada, decorada com detalhes em ouro e pratarias refinadas.

    — Por favor, acomodem-se. Temos muito o que conversar — saudou o homem.

    — Quem é você? — perguntou Jack, pronto para defender os amigos a qualquer custo.

    — Eu sou a pessoa que trouxe vocês para esta terra. Na verdade, para este universo! — respondeu ele com confiança. — Podem me chamar de Frenizet. Sou o líder deste planeta.

    — Como assim, Líder? Isso existe mesmo? — Jack indagou, sem baixar a guarda.

    — Claro que existe. Toda terra tem um Líder, mas na sua os costumes são mais peculiares, majoritariamente democráticos — respondeu Frenizet de forma simplista.

    Frenizet parecia seguro de si, beirando a prepotência. Jack, abalado psicologicamente, mas tentando manter a sanidade, começou a questioná-lo:

    — O que é tudo isso? Que universo é este e por que fomos trazidos para cá?

    — Imagino que tenham muitas perguntas — comentou Frenizet, cauteloso. — Mas, no momento, só posso explicar o motivo da vinda de vocês e a natureza deste lugar.

    Frenizet explicou que aquele era um dos três universos principais criados pelos deuses celestiais. Ao todo, existiam cinquenta universos conhecidos como realidades alternativas. Eles estavam no terceiro, a “Realidade Média”.

    — Quanto ao motivo… vocês não foram simplesmente escolhidos. Vocês foram criados para depois serem trazidos para cá!

    — Como assim, criados?! — Jhenefer perguntou, estupefata.

    Frenizet revelou que, há mais de 10.000 anos, ocorreu a maior batalha da história. Ele e seu irmão, o líder do 2º universo, lutaram contra Human beast, o representante do 51º universo, que desejava aniquilar todas as realidades. Eles o impediram e isolaram o universo dele, mas o vilão jurou vingança.

    — O plano era que vocês três nascessem aqui para desenvolverem seus poderes elementais — continuou Frenizet. — Mas o inimigo manipulou tudo para que nascessem no 1º universo, onde ninguém desenvolve poderes. Jack, seus pais foram literalmente criados para darem à luz as reencarnações dos magos místicos.

    — Puta que pariu! — gritou Jack, enojado ao saber que foram manipulados desde o princípio.

    Frenizet levantou-se e encarou o jovem.

    — Jack, você quer voltar para a sua Terra? Para a sua casa e sua suposta família? Se me ajudar na nova batalha contra o inimigo, eu farei com que os três retornem para a sua realidade.

    Ele lançou um olhar astucioso, aguardando a resposta.

    Continua…

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