CAPÍTULO 07 – Inicio da jornada
CAPÍTULO 07 – Inicio da jornada
Terra-3, sala do Líder, algum tempo depois.
O sol lá fora tornava-se mais quente e forte a cada minuto. Dentro da sala, o enorme lustre de diamantes refletia a luz solar, espalhando brilhos por todo o cômodo repleto de detalhes minuciosos e delicados.
O ambiente tinha um ar formal de escritório, mas os sofás de penas macias e tecidos confortáveis traziam um toque de aconchego ao local. No centro, uma mesa de vidro polido com detalhes em metal maciço sustentava diversos documentos, contratos e cartas espalhados.
A luz do sol incidia diretamente no rosto de Jack. Ele estava furioso, mas mantinha-se controlado e pensativo, com a cabeça baixa e os fios de cabelo cobrindo parcialmente seus olhos semicerrados.
Tudo o que acabara de ouvir sobre sua origem e o destino de seus pais parecia impossível de processar. Jhenefer também demonstrava raiva; sendo a mais calculista do trio, ela lutava internamente para encontrar lógica naquela situação absurda.
Michel, porém, foi o primeiro a perder o controle. Rangendo os dentes e estalando os punhos, ele saltou freneticamente para golpear Frenizet. O Líder, com uma velocidade sobre-humana, simplesmente desapareceu e reapareceu atrás do garoto. Com um toque sutil do indicador na nuca de Michel, ele o paralisou, fazendo-o desabar no chão em um sono profundo.
— C-como você fez isso? — perguntou Jack, suando frio e aflito com a demonstração de poder.
— Eu já sabia que ele reagiria assim, então apenas o pus para dormir um pouco. Fiquem tranquilos, ele é resistente e não será morto tão facilmente. O mesmo vale para vocês — respondeu Frenizet, soltando uma risada curta, claramente divertido com a incredulidade dos jovens.
— Por que temos que te ajudar em uma batalha? Nós nem temos habilidades! — questionou Jack.
— Claro que têm, só ainda não aprenderam a usá-las — Frenizet sorriu. — Aquelas criaturas que falaram com vocês no subconsciente são as que concederão essas habilidades. Mas para dominá-las, vocês precisam se alistar na Guilda. Lá, treinarão e cumprirão missões para se fortalecerem. Esse é o único caminho para voltarem para casa.
Jack, olhando para o Líder com uma determinação sombria, exigiu uma prova de que ele cumpriria sua palavra. Frenizet, sem objeções, propôs um contrato de sangue. Ele jurou que os enviaria de volta à Terra-1 caso o ajudassem; se falhasse, morreria instantaneamente. Após uma breve discussão silenciosa entre Jack e Jhenefer, eles aceitaram os termos.
— Vamos assinar — afirmou Jack, com voz firme e postura inabalável. — Mas já aviso: farei o que for preciso pelo bem dos meus amigos. Mesmo que eu tenha que passar por cima de alguém como você.
Frenizet pareceu genuinamente surpreso e impressionado. — Freizen foi um gênio ao criá-lo. Dá para ver claramente o espírito sagaz do Mago Místico do Conhecimento em você!
Ao decorrer do dia…
O restante do dia foi dedicado a conhecer a cidade. O trio explorou os arredores e a feira livre, sentindo o peso dos olhares dos aldeões. Todos pareciam reconhecê-los pelas cores incomuns de seus olhos, o que os deixava desconfortáveis sob os holofotes.
Na manhã seguinte, após uma noite de insônia e um farto banquete, eles seguiram para a Guilda. O local era uma mansão imponente, protegida por guardas robustos e repleta de aventureiros de todas as idades.
No balcão principal, encontraram uma mulher de corpo definido, olhos azuis, pele clara e cabelos longos e loiros. Ela estava sentada em uma cadeira parcialmente alta. Vendo que eles estavam se aproximando, focou a atenção imediatamente.
— Olá jovens, bom dia! Como eu poderia ajudá-los hoje? — perguntou a mulher com um sorriso lindo disfarçado, mas comovente, fazendo o coração de Michel palpitar por alguns segundos.
— Queremos nos alistar — disse Jack, retribuindo o sorriso profissional da mulher, enquanto Michel sentia o coração palpitar de imediato ao vê-la.
“Então são eles os três jovens que as pessoas estão falando desde ontem… Dá para ver que não são pessoas normais só pela a cor dos olhos! Vou tirar a prova… Vamos ver se eles são reencarnações de fato!”, pensou a mulher.
Ela os conduziu até uma sala chamada Revelação, onde uma bola de cristal mediria a intensidade e o tipo de magia de cada um.
— Basicamente cada um de vocês deve colocar as mãos em cima da bola de cristal e esperar alguns segundos. Ela brilhará e mostrará o nível e a intensidade da magia. — explicou.
Jack tomou a iniciativa e colocou as mãos sobre o cristal. A bola brilhou intensamente em vermelho e cinza, revelando imagens de chamas e metal denso.
“Como eu já ouvi e esperava, esse garoto é um reencarnado de algum mago! Se todos os três gerarem a mesma reação, não terei mais dúvidas!”, pensou.
Jhenefer foi a próxima, fazendo o cristal brilhar em azul e branco, mostrando ondas revoltas e ventos em forma de redemoinho. Por fim, Michel tocou a esfera, que realçou o verde e o marrom, projetando florestas gigantes e montanhas rochosas.
A mulher ficou espantada. Ela confirmou as suspeitas dos aldeões: eles eram, de fato, as reencarnações dos magos antigos.
— Eu sabia! Desde ontem que os aldeões comentavam sobre vocês, que eram jovens incomuns e possuíam olhos de cores diferentes. Todos começaram a suspeitar que eram reencarnações dos magos antigos, agora já sabemos! — afirmou a mulher. Jack, Jhenefer e Michel começaram a ficar nervosos e deram alguns passos para trás, se afastando da mulher.
No entanto, ao saber que eles não sabiam usar tais poderes, ela propôs um desafio perigoso.
— Vou mandá-los para um campo de treinamento famoso — explicou ela. — Lá, existem três níveis, e o terceiro é mortal. Cerca de 70% das pessoas que entram lá não saem vivas. Mas quem sobrevive, sai com um poder exponencialmente maior.
— Então está certo, espero não morrer no processo. — respondeu Jack com o semblante desconfiado e duvidoso sobre toda a situação.
Apesar do risco e da desconfiança, Jack aceitou. A Guilda forneceria transporte para a jornada de dois dias até o campo. Enquanto os guardas os guiavam para a saída, Frenizet, que observava tudo de forma invisível, surgiu ao lado da atendente loira.
— Eles vão voltar vivos — sussurrou a mulher para o Líder. — As criaturas elementais não permitirão que morram, pois se eles caírem, elas também morrem.
— Estou empolgado para ver o que acontecerá — concluiu Frenizet, medindo cada palavra.
Enquanto partiam, Michel olhou uma última vez para trás, tentando gravar o rosto da atendente. Naquele caos de universos e destinos traçados, ele percebeu que havia se apaixonado à primeira vista.
Continua…

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