Eloisa S. Reis

    Histórias 1
    Capítulos 44
    Palavras 107,9 K
    Comentários 23
    Tempo de Leitura 5 horas, 59 minutos5 hrs, 59 m
    • Capítulo 4

      Capítulo 4 Capa
      por Eloisa S. Reis A noite avançou rapidamente, com a tripulação reunindo armas, ferramentas e informações. O clima era tenso, mas também elétrico, como antes de uma tempestade. Enquanto os outros trabalhavam, Nix subiu ao tombadilho, rolando uma maçã de uma mão para outra.Olhando para o horizonte. O vento agitava seus cabelos, e a luz da lua iluminava suas feições como uma pintura inacabada, cheia de detalhes que ainda esperavam por definição. Ela respirou fundo, o ar salgado enchendo seus pulmões…
    • Capítulo 3

      Capítulo 3 Capa
      por Eloisa S. Reis O Semente do Caos flutuava sobre o mar negro como uma sombra viva. Sua proa, esculpida em forma de um dragão rugindo, refletia a luz escassa da lua em suas garras metálicas. Era uma embarcação que inspirava medo em qualquer um que a avistasse — uma verdadeira extensão da capitã que a comandava. Nix havia deixado as asas para trás há muito tempo, pois seria difícil chegar voando até a gruta que esconderam o navio. Para ser mais furtiva, ela estava deitada sozinha em um pequeno bote que…
    • Capítulo 2

      Capítulo 2 Capa
      por Eloisa S. Reis A noite estava quieta, com o templo iluminado apenas pela luz prateada da lua e o brilho suave de algumas lamparinas espalhadas pelas colunas externas. As portas de madeira rangiam levemente enquanto Nix as empurrava, saindo com passos decididos, embora sua mente ainda estivesse agitada pela conversa com Fallon. Do lado de fora, a cavaleira aguardava em posição de alerta, encostada em uma das estátuas de mármore que guardavam a entrada. Seus cabelos negros, curtos e alongados, caíam com um…
    • Capítulo 1

      Capítulo 1 Capa
      por Eloisa S. Reis As águas do Mar de Caos eram diferentes de qualquer outra em Nipeland. Não havia estrelas para iluminar o céu acima, nem ondas que seguissem um ritmo natural. Ali, o oceano parecia estar vivo, pulsando com energia antiga e imprevisível. Era uma dimensão paralela, um espaço entre o mundo físico e o etéreo, onde as leis do tempo e da física se desfaziam como areia levada pelo vento. Poucos ousavam atravessar aquelas águas, mas para Nix, o Mar de Caos era um lar. Era o reino de seu pai, um…
    • Prólogo

      Prólogo Capa
      por Eloisa S. Reis O amanhecer em Spades era dourado, mas para Fallon, trazia apenas um novo dia de rotinas intermináveis. O templo estava em plena atividade com a chegada do festival das marés, onde os pescadores e navegantes iam até a igreja pedir a benção da Lua antes de partirem para o mar. Os acólitos e paladinos murmuravam orações e ajustavam decorações enquanto o som de sinos ecoava suavemente pelas paredes. Ela caminhava pelos corredores com passos leves, mas cada movimento era observado, cada gesto era…
    • por Eloisa S. Reis A Ilha Fúria não era um lugar. Era uma ferida aberta no flanco do mundo, um pesadelo geológico pulsante. O ar tremia constantemente, saturado por um calor que não vinha do sol, mas da própria terra rachada sob os pés. Cada respiração era uma agressão, carregada do cheiro sulfúrico pungente de ovos podres, tão denso que parecia tingir a língua e grudar na garganta. Um vapor úmido e abrasador emanava de fendas na rocha negra, queimando a pele exposta como um ferro brando. Ao longe, no interior…
    • por Eloisa S. Reis A penumbra eterna de Hearts envolvia o porto cavernoso numa névoa úmida e verde-azulada. A luz que se filtrava pelas fendas altas do teto basáltico era uma coisa pálida e doente, tingida pela fosforescência fantasmagórica dos líquens que cobriam as paredes como uma segunda pele. O ar mantinha aquele peso úmido e frio característico, impregnado do cheiro profundo de pedra molhada, sal marinho envelhecido e peixe seco pendurado em cordas. Mas hoje, sobrepondo-se a essa base mineral, flutuava uma…
    • por Eloisa S. Reis O plano de Echo ressoou na cabine do capitão do Semente do Caos como um gongo de perigo iminente. A iluminação turva das lâmpadas de óleo de baleia esculpia sombras profundas nos rostos tensos que o cercavam: Nix, de braços cruzados e olhos turquesa fixos no mapa desenrolado; Madoc, uma estátua de obsidiana ao leme, sua presença um campo gravitacional de silêncio; Panacéia, fumando pensativamente seu cachimbo de prata, a fumaça azul-turquesa formando serpentes inquietas; Vênus, uma mão…
    • por Eloisa S. Reis O Semente do Caos deslizou pelas águas escuras e espessas como óleo que cercavam Hearts, não como um navio, mas como uma sombra prestes a ser engolida por uma garganta de pedra. O paredão colossal não se erguia do mar; ele emergia dele, uma falésia viva talhada pelo tempo e pela mão esquecida de gigantes em rocha basáltica negra. Era menos uma cidade, mais uma fortaleza monolítica esculpida na própria ossatura do mundo. Cavernas enormes, bocas úmidas e escuras, fungavam a água salgada, servindo…
    • por Eloisa S. Reis A luz do sol da manhã banhava o convés do Semente do Caos em ouro líquido, transformando o sal seco em minúsculos diamantes. Madoc, o navegador, ocupava seu posto ao lado do leme, seu corpo esguio e poderoso – herança de sua linhagem de tubarão-branco – movendo-se com uma economia de movimento que contrastava com a postura tensa de Nix. Seus olhos obsidiana, profundos e impenetráveis como a Fossa das Lamentações, varriam o horizonte, depois o mapa desenrolado sobre um baú, depois os…
    Nota