Histórias 1
Capítulos 44
Palavras 107,9 K
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por Eloisa S. Reis — No convés inferior, o cheiro doce de canela se misturava ao sal do mar e ao óleo da madeira viva. Vênus girava uma colher dentro de uma panela rústica, os olhos semicerrados pelo vapor. Ao lado, Panacéia moldava um pedaço de arame com os dentes, encaixando pedrinhas coloridas como se criasse uma coroa para alguma fada desastrada — e não para Elena, que naquele dia completava seus dezesseis anos. A jovem dançava entre os enfeites improvisados com os outros adolescentes Jïa, suas saias… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O tempo já não se media em horas no Semente do Caos, mas em tarefas mal-acabadas, passos apressados e suspiros abafados nos cantos. Era como se o próprio navio, pulsando com vida sutil e orgânica, tivesse decidido respirar através do caos. No convés inferior, a luz das lamparinas oscilava em tons de dourado-enferrujado, lançando sombras trêmulas pelas paredes de madeira viva. As vigas estalavam como se guardassem segredos. O ar, espesso como um tecido encharcado, grudava na pele e entrava… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O caos não cedia, apenas mudava de forma. No convés, entre redes improvisadas e mantas coloridas estendidas como bandeiras, as culturas colidiam — e dançavam. Matthew estava encostado em um barril, braços cruzados, a expressão torta como quem mordera limão. — Se eles tocarem esse bendito tambor mais uma vez, eu juro que pulo no mar. — murmurou, olhando com desespero para o grupo de jovens Jïa que testavam ritmos em instrumentos que pareciam construídos com ossos e conchas. Ao lado… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O tempo estava diferente. Lá fora, as águas do porto pareciam se remexer sob um vento inquieto, como se o próprio mar sentisse que algo estava prestes a mudar. Mas ali dentro, na cabine da capitã, o mundo era outro — aquecido pelo cheiro de papel antigo, resina, e um toque de canela vinda de algum incenso esquecido. Nix empurrou a porta com o ombro e gesticulou para que Echo entrasse. O ambiente era uma mistura viva de mapas dobrados, estandartes velhos, bússolas quebradas e memórias… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O céu cinzento parecia esmagado contra o horizonte quando o Semente do Caos deslizou pelas águas fundas como um presságio silencioso. O som ritmado das ondas foi engolido por uma massa colossal de pedra: Hearts. A cidade não fora construída — fora entalhada na rocha viva como uma oferenda esquecida aos deuses antigos. O paredão se erguia da água como um túmulo colossal, as cavernas abertas em sua base funcionando como portos naturais. Fendas estreitas e túneis escuros guiavam os barcos por… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — Lucius ajustou o casaco e puxou as luvas, observando o reflexo no espelho embaçado da cabine. Era ele, mas ao mesmo tempo, não era. A ilusão de Nix era perfeita. Cabelos negros bagunçados, olhos turquesa como o mar profundo, a postura insolente de quem desafiaria até um deus. Mas ele ainda era ele por dentro, sentindo o desconforto da magia moldando sua aparência. — Não se esqueça — veio a voz rouca de Nix, escondida sob um amontoado de cobertores, a febre ainda evidente em sua pele… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O mundo ao redor de Lucius parecia girar em um nevoeiro espesso de dúvidas. As memórias que havia visto ainda queimavam em sua mente, mas a presença de Nix diante dele era tão real quanto o calor que emanava da palma da mão dela. Ele a encarou. — A gente já se conheceu antes, não é? A pergunta pairou no ar, carregada de algo que nem ele mesmo sabia nomear. Nix ergueu uma sobrancelha, os olhos turquesa brilhando com uma diversão quase preguiçosa. — Nunca nos vimos pessoalmente —… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — As luzes douradas do entardecer escorriam pelo céu como mel morno, filtrando-se entre nuvens espessas e pintando reflexos de fogo sobre a superfície serena do mar. Ao longe, a ilha flutuante de Mirana se ergueu no horizonte — não como uma cidade feita de pedra e madeira, mas como se tivesse brotado da própria rocha, moldada por sonhos antigos e um desejo obstinado de continuar existindo. Casas de madeira escura se empilhavam de maneira impossível encosta acima, conectadas por pontes frágeis e… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O balanço ritmado do navio já não incomodava tanto. Depois de um dia inteiro a bordo, Lucius finalmente começava a se acostumar com o som constante das ondas batendo no casco e o ranger das velas ao vento. O cheiro salgado do mar impregnava cada canto do Semente do Caos, misturando-se ao aroma de madeira envelhecida e, naquela manhã específica, ao café quente e ao pão recém-assado. Lucius estava sentado à mesa, mordiscando um pedaço de pão pela metade, os olhos vagando pelo salão de jantar.… 22,8 K Palavras • Ongoing

por Eloisa S. Reis — O Cais das Lágrimas ainda respirava o lamento noturno quando Amarílis entrou silenciosa, seus pés descalços evitando as garrafas de rum e vinho esquecidas por Nix na noite anterior. O ar salgado misturava-se ao cheiro ácido do líquido que escorria entre as pranchas podres do porto, e a névoa matinal tingia o ambiente de um cinza fantasmagórico. Nix estava de bruços na cama de Amarílis, a cauda em forma de ponteiro de relógio enrolada em seu tornozelo como uma âncora involuntária. Seus óculos… 22,8 K Palavras • Ongoing