Histórias 1
Capítulos 110
Palavras 149,6 K
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149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — “Voltar ao espaço. Excelente plano. Só tem um detalhe: vocês estão alguns séculos atrasados.” A voz da Nova acendeu na mente do Marco, limpa, como sempre. A carruagem já estava na estrada, longe demais da estação pra dar meia-volta na noite pesada. O vento batia na lona e a neve começava a cair de lado, fina, insistente, grudando na madeira e sumindo no barro gelado. As rodas pegavam buraco escondido e jogavam o banco pra cima; o corpo de todo mundo ainda estava no mesmo ritmo do trem,… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — O vento cortava o topo do CEAET. Marco ficou sozinho no terraço, antes de escurecer de vez, com Lauris ainda alto o suficiente pra riscar uma faixa clara por trás das nuvens finas. Kalamera estava no quarto, desmontando e reorganizando as próteses pra viagem. Ele manteve o olhar no chão do terraço. Ele escolheu dois pontos fixos. Um perto do parapeito, onde a pedra tinha uma lasca mais clara. Outro do outro lado, junto à base de uma coluna, onde a superfície tinha uma trinca fina,… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — Lou-reen entrou na torre do CEAET e já foi falando: — Amanhã cedo a gente viaja. Marco parou o que tava fazendo. — Pra onde? — Velunthar. Marco ficou um segundo a mais parado, tentando lembrar se já tinha ouvido aquele nome em alguma rota de trem, em alguma conversa no pátio, em algum relatório do Exército. Não vinha nada. O HUD da Nova abriu no canto da visão dele. Contorno de Taeris, linhas de serra, uma faixa de mar. Um ponto piscou, perto da costa. Nova desenhou uma… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — Halikah desceu as escadas ainda ajustando o laço da túnica azul-claro que usava fora do horário militar. Na cozinha, Chralazar já estava sentado à mesa, mastigando uma fatia de pão com geleia. O cabelo castanho-escuro seguia bagunçado, e a camisa de tecido simples destoava do uniforme que Halikah insistia em vestir até quando ninguém pedia. — Bom dia, dorminhoca. — Bom dia. — Ela puxou uma caneca e encheu de leite. — Primeiro dia de férias. E eu vou pro mar. Chralazar ergueu… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — — Calendário… o que é isso? Marco ficou olhando os dois por um instante, o dedo ainda em cima da curva mais baixa. O tique do pêndulo preenchia o espaço entre as palavras. Ele apontou com o queixo para o relógio. — Isso aí separa o dia em partes. Antes, vocês falavam “quando o sol tá alto”, “quando escurecer”, “quando der”. Agora vocês falam uma hora. E a mesma hora serve pra todo mundo. O soldado olhou o pêndulo como se ainda fosse um animal que podia morder. —… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — Marco subiu os últimos degraus com a perna pesada, ombro ardendo onde a manopla tinha batido. A nuca ainda lembrava a última correção da Lou-reen. Ele abriu a porta do observatório e o ar de dentro veio diferente do pátio. O relógio de pêndulo marcava o tempo com a mesma indiferença de sempre. Tique. Toque. Tique. Toque. Kalamera estava inclinada sobre o telescópio principal, as luvas escuras sujas de pó fino. Uma placa pequena de metal estava fora do lugar, apoiada numa bancada. Ela girou… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — A sala estava escura porque eles mantinham assim. Nenhuma tocha, nenhuma brasa. Só a janela alta, deixando entrar ar frio. Lá fora, a Fortaleza Ga-el seguia de pé, na mesma noite do ataque. Lanternas varriam as muralhas, ninguém patrulhava sozinho. No centro da sala, duas sombras aguardavam. Uma estava sentada. O manto cobria o tronco e escondia as mãos. A postura não mudava. A outra permanecia em pé ao lado, meio passo atrás, corpo alinhado, cabeça virada para a janela. O barulho da… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — Clyve estava parado sobre uma elevação rochosa, o manto negro oscilando sob o vento seco que cortava o deserto. Atrás dele, seis figuras aguardavam em silêncio absoluto, imóveis como estátuas, os rostos ocultos pela sombra da noite. — Terminamos o treinamento — disse ele, a voz baixa, carregada de uma frieza entediada. — Agora é hora do primeiro passo. Ele fitou a vila à frente: um agrupamento simples de tendas, casas de madeira rústicas e fogueiras acesas. Um acampamento fixo,… 149,6 K Palavras • Ongoing

por Bruno dos Santos — A torre mais alta de Ga-el ficava acima do resto como uma lâmina fincada na pedra. No topo, o vento vinha forte e carregava o cheiro de cinzas, como se ainda tivesse algum incêndio aceso lá embaixo. A luz do dia já ia embora, e o céu perdia o azul, escurecendo antes mesmo das primeiras estrelas. Dali não dava pra ver as arquibancadas quebradas, mas Marco sabia onde estavam. Lembrava onde ele caiu. Lembrava onde a escuridão tomou o controle. Ele segurava o Cetro com as duas mãos. A madeira… 149,6 K Palavras • Ongoing