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    Sob o comando de Abel, o capitão dos cavaleiros montou em seu lobo espiritual e se dirigiu até o lado do caixão de pedra. Após consumir incontáveis Poções da Alma, seus movimentos se tornaram quase humanos, incrivelmente fluidos.

    Quando estava prestes a levantar a tampa do caixão com as mãos, ele hesitou por um instante. Logo em seguida, decidiu pegar a lança de cavaleiro em seu Lobo Espiritual e usá-la para abrir a tampa.

    Abel mal podia acreditar no que via. O cavaleiro guardião espiritual também era originalmente um esqueleto. Apesar de estar em harmonia com os elementos do lobo espiritual, continuava sendo um esqueleto em sua essência. Sentindo repulsa por um caixão? Isso não fazia sentido. Seja como for, Abel sabia que o capitão tinha força mais do que suficiente para levantar a tampa com as próprias mãos.

    Enquanto Abel ainda refletia sobre isso, um grito ecoou de dentro do caixão, e um morto-vivo começou a sair lentamente. Uma luz vermelha brilhou no capitão, e sua lança mágica desceu com fúria. Mesmo à distância, Abel conseguia sentir o calor da lança encantada com fogo.

    A cabeça do morto-vivo explodiu no instante em que foi atingido pela lança mágica. Ao adicionar um poderoso encantamento de fogo a um golpe já forte por si só, os atributos do capitão ultrapassaram o que o Cubo Horádrico conseguia exibir na árvore de habilidades.

    Abel se aproximou do caixão. Estava completamente vazio. Em seguida, o capitão sinalizou levemente e se dirigiu para outro caixão de pedra, abrindo-o. Desta vez, nenhuma criatura infernal saiu de lá.

    Abel espiou dentro do segundo caixão. Havia um frasco de vidro com cristal negro em seu interior. Não precisava de explicações, ele sabia que aquilo era um Antídoto de Veneno. No entanto, era um frasco Negro, bem diferente dos que se vê no Continente Sagrado.

    Embora dissessem que o Antídoto de Veneno do Continente Sagrado curava a maioria dos venenos, ele não era eficaz contra todos. Nem mesmo os que Abel fabricava conseguiam neutralizar completamente o veneno, no máximo, reduziam os danos.

    Já os do Mundo Sombrio estavam além de qualquer classificação de poção. Eram o auge dos antídotos. Um único frasco podia neutralizar até a última gota de veneno em seu corpo. Bastava imaginar o quão tóxicas eram algumas daquelas criaturas infernais para entender o quão potente esse antídoto era.

    Com um sorriso satisfeito no rosto, Abel retirou uma das Poções de Antídoto de seu cinto da Serpente e a substituiu pela nova que acabou de encontrar.

    Enquanto isso, o capitão cavaleiro guardião espiritual já havia começado a abrir o terceiro caixão com sua lança mágica. Assim que a tampa se ergueu, uma nuvem espessa de fumaça verde se espalhou, o envolvendo completamente.

    Mas, sendo um esqueleto, ele era imune a venenos. E, depois de se harmonizar com o lobo espiritual, sua resistência às toxinas havia se tornado ainda mais impressionante. Por isso, simplesmente atravessou a fumaça venenosa sem qualquer pressa, apenas sacudindo o próprio corpo, irritado, como quem tira a poeira da roupa.

    Abel, por sua vez, só conseguia se perguntar o que se passava na cabeça do gênio que havia montado aquela armadilha. Ele acabou de encontrar um Antídoto de Veneno Negro… e, logo em seguida, seu cavaleiro era atacado por veneno? Não fazia o menor sentido.

    Após atravessar a fileira de caixões, Abel avistou a passagem para o próximo nível, o segundo subsolo estava logo adiante.

    Assim que cruzou a entrada, sentiu um leve torpor. O calor ali era muito mais intenso, e o ar parecia carregado por ondas de um fedor pútrido, quase infernal.

    O olfato do Vento Negro era muito mais aguçado que o de Abel. Mas, por mais que tentasse esfregar o focinho com as patas, não havia como escapar daquele cheiro nauseante. Só lhe restava aguentar.

    A entrada para o segundo nível dava em um corredor estreito. Assim que os Corvos dobraram a curva, começaram a grasnar com força. Abel puxou o Pelta Lunata e ergueu a lança mágica. Os cinco cavaleiros guardiões espirituais cintilaram e avançaram pelo corredor, e Abel veio logo atrás, sem hesitar.

    Assim que virou o corredor, Abel avistou um grupo de Arqueiros Sombrios disparando flechas contra os Corvos. O que mais chamava atenção neles era o brilho intenso sob seus pés, cada um envolto por uma aura luminosa. Bastou um olhar para Abel perceber: tratava-se de uma aura de ataque encantada.

    Isso só podia significar uma coisa, havia um Arqueiro dourado Sombrio entre eles. Criaturas assim, em locais como aquele, só podiam ser chefes. E certamente vinham recheados de atributos.

    As invocações de Abel eram perfeitas para lidar com inimigos de longo alcance. Os cavaleiros guardiões espirituais e os lobos espirituais se moveram em um lampejo e invadiram o centro da formação inimiga, mergulhando o campo em caos. Arqueiros precisavam de distância para atacar, então foram forçados a recuar.

    Mas eles não eram mais rápidos que os cavaleiros ou os lobos. E, de perto, suas flechas perdiam o impacto. Por isso, mal conseguiam ferir as criaturas invocadas por Abel.

    Foi então que uma flecha atingiu o mais lento dos lobos espirituais, o último que Abel havia invocado. Ele até poderia ter desviado, mas sempre fora o mais inexperiente do grupo. Limitava-se a imitar os outros, sem saber reagir por conta própria.

    De repente, uma luz vermelha envolveu todas as dez invocações de Abel. Era um feitiço.

    “Aumento de Dano!” gritou Abel.

    Aumento de Dano era um feitiço poderoso e traiçoeiro, capaz de amplificar o efeito de qualquer ferida. Mesmo um golpe simples podia apodrecer a carne do inimigo. Sua verdadeira força, porém, estava em reduzir em cem pontos a resistência física do alvo, o que tornava qualquer ataque físico devastador.

    Se as invocações de Abel não fossem tão ágeis, talvez já tivessem sido aniquiladas pelas flechas dos Arqueiros Sombrios. Mas, por sorte, mesmo com o feitiço ativo, os inimigos não conseguiam usar todo seu poder ofensivo em combates tão próximos.

    Ainda assim, esse ataque revelou o esconderijo do Arqueiro dourado Sombrio. Em menos de um segundo, o Vento Negro se lançou sobre ele e desferiu um golpe brutal com suas garras afiadas.

    Abel também não hesitou. Avançou com sua lança mágica de cavaleiro. Não podia deixar aquela criatura atacar de novo. A combinação dos dois ataques foi intensa demais, se o inimigo tivesse tempo de reunir energia, o choque de qi de combate seria devastador.

    A ponta da lança mágica perfurou o corpo do Arqueiro. Uma rajada poderosa de qi rasgou um buraco no peito da criatura, que gritou de dor e, em desespero, tentou revidar com o arco.

    Abel bloqueou o golpe com um leve movimento do Pelta Lunata. Mesmo assim, sentiu a força absurda do ataque sob o efeito daquela aura encantada, forte o suficiente para assustá-lo. Mas aquele foi o último surto de insanidade do chefe. Abel manteve a pressão, golpeando com sua lança mágica, e, após uma sequência de ataques que o lançaram para trás várias vezes, o Arqueiro enfim cedeu… e caiu.

    Sob o grito estridente de agonia, o Arqueiro tombou no chão. Logo em seguida, uma sombra dourada, semi-transparente, voou diretamente em direção ao braço direito de Abel.

    Ao ver uma poção dourada surgir dentro de seu Cubo Horádrico, Abel murmurou para si mesmo, surpreso:

    “É uma Poção de Força…?”

    Ele jamais esperava conseguir uma Poção de Força de um chefe infernal. Aquilo foi um presente inesperado, e o melhor: a luta nem tinha sido tão difícil assim.

    Satisfeito, guardou cuidadosamente a poção e voltou ao massacre dos arqueiros sombrios. Com feitiços girando na mão esquerda e uma corrente dourada de qi de combate vibrando na direita, levou apenas alguns instantes para acabar com todos os outros inimigos.

    Mas, quando estava prestes a seguir adiante, algo chamou sua atenção: a armadura do arqueiro sombrio caído. Ela não estava desgastada, pelo contrário. Ainda reluzia em dourado escuro, como se tivesse acabado de ser forjada.

    Era uma armadura de nível Dourado Sombrio!

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