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    Enquanto ainda estava nas costas de Nuvem Branca, Abel já conseguia ver a Cidade de Liante embaixo.

    Então é assim o centro do mundo humano,. A cidade estava dividida ao meio por um enorme monte que servia de fronteira. Perto dali, um penhasco muito íngreme tinha ao seu lado uma fortaleza imponente.

    Só na parte interna, Abel contou um total de 36 torres mágicas. Todas tinham pelo menos 15 andares e estavam alinhadas nos gigantescos pentágonos desenhados no chão. O pentágono era um círculo mágico, instalado bem no centro da cidade.

    Ao lado desse círculo mágico gigante, havia um prédio muito alto. Embora não fosse tão alto quanto as torres mágicas, ainda se destacava entre os outros edifícios.

    Depois de voar até um local isolado, Abel montou em Vento Negro e usou um “movimento instantâneo” para chegar ao chão. Agora que Vento Negro podia fazer até cinco “movimentos instantâneos” por dia, era muito mais fácil para ele alternar entre Nuvem Branca e Vento Negro.

    A entrada que escolheu foi a que vinha do Reino de St. Anwall para a Cidade Liante. Era uma caverna construída na lateral da montanha. A boca da caverna era guardada por dez cavaleiros de armadura. Quem passasse por ali precisava mostrar todos os documentos exigidos.

    Do lado de fora da cidade, vendedores ofereciam os mais variados produtos. Mas, em vez de parecerem vendedores comuns, mais parecia que estavam dando as boas-vindas aos que entravam e saíam da cidade.

    Seguindo a fila, Abel chegou à entrada.

    “Mostrem suas identificações, por favor, senhor,” disse um dos cavaleiros, respeitosamente, ao ver o lobo de montaria de Abel.

    Perto o bastante para perceber, Abel notou que todos os guardas de segurança ali eram cavaleiros avançados. Isso o surpreendeu. Na maioria das cidades, cavaleiros avançados costumavam ser oficiais de alta patente. Aqui, porém, eles eram apenas soldados comuns que faziam a segurança.

    “Posso usar isto no lugar?” Abel entregou seu título de propriedade ao cavaleiro.

    O cavaleiro abaixou ainda mais a cabeça, humildemente. “Sim, senhor. Mas se não tiver comprovante de residência, permita-me emitir um para o senhor. Por favor, me acompanhe.”

    “Com licença, então,” Abel agradeceu com uma reverência. Seguiu o cavaleiro até uma escrivaninha e pulou do dorso de Black Wind.

    O cavaleiro também desmontou do cavalo. Tinha cerca de 1,80m de altura, era alto, mas a estatura ainda maior de Abel o fazia parecer meio frágil. Apesar de Abel ser bem mais jovem, o cavaleiro podia perceber uma enorme diferença no nível de habilidade entre eles.

    “Posso saber seu nome, senhor?” perguntou o cavaleiro.

    “Abel. Abel Harry,” respondeu Abel. Esperava alguma reação do cavaleiro ou do escrivão, mas eles anotaram o nome dele calmamente. Afinal, havia muitos Abels no mundo. Ele não se apresentou como Abel, o ferreiro, então fazia sentido que não soubessem quem ele era.

    “Tem algum título, senhor?” perguntou o escrivão.

    “Bem, uh…” Abel pensou por um momento e respondeu, “Não. Não tenho nenhum.”

    O cavaleiro e o escrivão trocaram um olhar. Só pela expressão de Abel, podiam perceber que algo havia acontecido com ele. Ainda assim, ele soava e agia como um nobre. Depois de pegar as informações principais, não era deles o papel de fazer perguntas. E nem precisavam saber que Abel perdeu o título de visconde ou conde.

    “Tem algo que comprove sua profissão, senhor?” perguntou o escrivão.

    “Que tal isso?” Abel mostrou seu broche de mago de nível 3. Quando o escrivão colocou o broche em uma placa de jade, uma luz vermelha piscou sobre o símbolo.

    “Seu crachá de mago foi cancelado,” disse o escrivão, devolvendo o broche com uma expressão estranha. Ele não sabia a história de Abel, mas sentiu pena de um jovem perder o status de mago e nobre ao mesmo tempo.

    “Preciso mostrar minha profissão para entrar na cidade?” Abel franziu a testa.

    “Claro que não, senhor. Estou apenas registrando dados básicos para o conselho da cidade administrar,” respondeu pacientemente o escrivão.

    “Certo. Posso solicitar meu status de mago novamente depois que entrar?” Abel perguntou.

    “Pode sim, senhor. Por favor, dirija-se à filial da União dos Magos para isso.”

    De repente, alguns homens de terno se aproximaram de Abel.

    “Ei, irmão. Pode me dar uma força aqui? Seria bom se você, sabe, pudesse trazer meus amigos pra dentro da cidade. Não se preocupe com o pagamento, eu vou te recompensar.”

    “O que quer dizer?”

    Abel se virou para olhar. Era um cavaleiro, comandante de patente. Apesar de educado, havia um certo ar de arrogância nos olhos dele. Provavelmente viu os documentos de Abel. Como não havia nada de especial neles, presumiu que ele era um civil comum.

    O comandante continuou: “Você não sabe, meu bom senhor? Se tem propriedade na cidade, pode trazer cinco pessoas com você. Fique tranquilo, não vamos invadir sua casa. Seria uma ajuda enorme se só nos deixasse entrar. Quanto ao preço…”

    Pensou por um instante e completou: “Que tal dez mil moedas de ouro?”

    O cavaleiro que acompanhava Abel interrompeu: “Muito esperto, hein? Cinco companhias por dez mil moedas.”

    Ele então se virou para Abel: “Meu bom senhor, por favor! Não caia nessas armadilhas! Sua casa vale muito mais que isso! Além disso, se eles causarem algum problema aqui, será sua responsabilidade. Entendeu?”

    O comandante logo mudou o tom: “Tá bom, tá bom! Dez mil então! Vinte mil para cada um de nós!”

    “Vaza daqui!” Abel afastou o comandante com a mão. “Dinheiro não me falta, vai incomodar outro.”

    “Você tem certeza?” O comandante pressionou com um ar ameaçador. “São dez mil moedas de ouro, meu amigo. Tem certeza que não tem interesse?”

    Antes que a pressão chegasse a Abel, sua mão já agarrava o comandante pelo pescoço.

    “Não me importa quem você é, entendeu?” disse Abel, ameaçador. “Hoje estou de bom humor, então não estrague isso.”

    Depois, lançou o comandante a dez metros de distância, como se jogasse um brinquedo. O cavaleiro voou sem resistência.

    “Mestre!”

    Uma voz soou, e todos olharam surpresos. Era Bartoli, com uma capa preta e o broche de mago duplo em seu peito.

    “Desculpe o atraso, mestre. Vim assim que me chamou, mas a fila estava enorme,” ela se desculpou, fazendo uma reverência.

    “Tudo bem. Entre comigo,” disse Abel a Bartoli, depois virou-se para o escrivão. “Posso entrar agora?”

    O escrivão respondeu, surpreso: “Uh, sim, claro, senhor! Aqui está sua comprovação de residência! Por favor, entre quando quiser!”

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