Capítulo 423 - Escaneamento
Abel não tinha visto muitos magos avançados antes. Ele não conseguia dizer se o que o Mago Lorenzo estava falando era verdade. Ainda assim, decidiu manter a mente aberta e aceitar aquela informação.
Abel perguntou: “Então, pelo que está dizendo, magos se distraem do treinamento quando fazem outra coisa?”
Lorenzo estava prestes a responder com um firme “sim” àquela pergunta, mas Abel era o exemplo perfeito de um mago que se distraiu para fazer outra coisa. Depois de se tornar um mestre ferreiro, levou pouco mais de dois anos para se tornar um mago oficial.
“Sobre isso, acho que, hum…” Lorenzo mudou de ideia depois de pensar. “Tudo depende do talento da pessoa, Grão-Mestre Abel. Você é um caso especial, sem dúvida, mas para a maioria das pessoas, é melhor não desviar seus esforços para nada além da magia.”
Lorenzo caminhou até um portal de escaneamento. “Não sei como você está ocultando sua mana, Grão-Mestre Abel, mas, por favor, não esconda quando passar por este portal. É para que a União dos Magos possa fazer uma avaliação correta do seu nível atual.”
“Ah, me desculpe!” Abel se apressou em pedir desculpas e revelou sua mana. Antes, ele parecia apenas mais um humano comum. Agora, após desligar suas ferramentas de ocultação, começou a emitir a aura de um mago oficial.
“Posso te perguntar uma coisa, Lorenzo?” Abel se lembrou de repente.
“O que é, Grão-Mestre Abel?”
“Eu, hum…” Abel falou de forma hesitante. “Eu costumava ter um crachá de mago quando estava na filial de Keyen da União dos Magos de St. Ellis. Já que ele foi cancelado, isso vai afetar meu teste hoje?”
Um sorriso estranho surgiu no rosto de Lorenzo. Abel certamente tinha tocado em um assunto delicado. Afinal, foi a Torre de Magia de Keyen que o fez se tornar um homem procurado.
Lorenzo tentou manter a expressão séria. “Está tudo bem, Grão-Mestre Abel. A União dos Magos de Liante está acima da União dos Magos de St. Ellis. Seja o que for que você faça aqui, não precisa se preocupar com o que a União de St. Ellis diga.”
“Fico feliz em ouvir isso. Obrigado, Lorenzo!” Abel falou aliviado. Ainda levaria alguns anos até que pudesse voltar para a União dos Magos de St. Ellis, mas, por enquanto, ao menos poderia obter seu status oficial como mago. E, se quisesse construir sua própria torre mágica, sempre poderia fazê-lo em sua terra natal, o ducado Camelot.
“Apenas coloque sua mão aqui para mim, Grão-Mestre Abel”, instruiu o Mago Lorenzo, apontando para uma porta. “Está vendo este texto na porta? Assim que ativá-lo, ele começará a avaliar seu nível atual. Quando passar no teste, poderá entrar.”
Abel conseguiu ler o texto. Estava escrito na língua nobre dos elfos. Depois de colocar a mão esquerda sobre as inscrições, em vez de usar o poder da Vontade para ativá-las, simplesmente leu em voz alta.
“Escanear!”, disse ele, na língua nobre dos elfos.
Então, a parte que dizia “escanear” começou a piscar em uma luz branca. Quando a luz desapareceu, a porta se abriu após um clique suave.
O Mago Lorenzo ouviu e reconheceu que Abel falava na língua nobre dos elfos. Na verdade, muitos dos círculos mágicos ali tinham sido criados com letras élficas. Tinham até convidado mestres vindos das terras élficas para confeccioná-los.
“Você conhece a língua?”, perguntou o Mago Lorenzo, de maneira descontraída para não levantar suspeitas.
A língua nobre dos elfos deveria ser altamente secreta. Agora que Abel a estava falando, ele precisava saber o que estava acontecendo.
Abel respondeu: “Quer dizer este texto? Sim, aprendi um pouco.”
E ficou por isso mesmo. Já que Abel era agora um mestre ferreiro, ninguém iria se dar ao trabalho de fazer muitas perguntas sobre ele.
Quando entraram, viram dois magos intermediários ocupados com papelada. Ao perceber Abel, um deles fez sinal para que ele se sentasse em algum lugar.
O mago disse a Abel: “Com licença, senhor. Farei seu teste assim que terminar isto.”
“Não é necessário”, falou o Mago Lorenzo, ainda refletindo sobre o que Abel havia feito no portal. “Eu mesmo farei o teste.”
Os dois magos se levantaram rapidamente ao ver Lorenzo. “Mestre Lorenzo? O que aconteceu? O que o trouxe até aqui?”
O Mago Lorenzo não pareceu dar muita importância. “Nada demais. Continuem com o que estão fazendo.”
E seguiu com Abel e Bartoli. Os dois magos intermediários trocaram um rápido olhar. Podiam ver que Abel era um mago oficial, mas ainda assim era apenas um recém-chegado vindo buscar seu crachá. Então, o que poderia levar Lorenzo, um mago avançado, a se dar ao trabalho de acompanhá-lo pessoalmente?
A resposta era bem simples, na verdade. Depois que Abel se tornou um mestre ferreiro, passou a ser praticamente um membro VIP em qualquer lugar que fosse. Seja entre humanos, anões ou elfos, se ele quisesse realizar algo, seria sempre recebido pelas mais altas autoridades da organização onde estivesse.
E por quê? Porque, seja você mago, ferreiro, druida, cavaleiro ou qualquer outra coisa, ao atingir o limite da sua arte, apenas um mestre como Abel poderia criar um equipamento à sua altura.
E não era como se Abel pudesse ser comprado com dinheiro. Estava longe de carecer de recursos. Se quisesse, poderia solicitar fundos a qualquer filial da União dos Ferreiros. Por isso, tornou-se prática comum que as pessoas fizessem favores para mestres, na esperança de receber algo em troca.
Não era como se estivessem tentando bajulá-lo, obviamente. Era uma troca justa, especialmente para magos avançados. Eles entregariam a Abel os materiais mais raros que possuíam, e ele criaria uma boa ferramenta para eles em troca. Por outro lado, se fosse alguém com quem Abel tivesse má relação, ele não hesitaria em recusar a oferta.
Ao entrar em uma sala especial, Abel pôde ver padrões rúnicos espalhados pelas paredes e pelo teto. As próprias paredes eram feitas de materiais resistentes a elementos. Exceto por um boneco negro no centro da sala, não havia nenhum outro móvel no local.
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