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    O Mago Lorenzo apontou para o boneco. “Pelas regras da União, Grão-Mestre Abel, o senhor deve executar um feitiço de mago aprendiz dentro de um limite de tempo para receber o distintivo de mago oficial.”

    Abel não conhecia muitos feitiços de mago aprendiz. Para ser mais exato, não conhecia muitos feitiços de ataque. De fogo, podia usar a “Chama do Inferno”. De raio, podia lançar “Campo Estático”. De gelo, podia conjurar Estrela da Geada e “Projétil de Gelo”.

    Desde que obtivera o cajado mágico de runas Leaf, quase não usava mais a “Chama do Inferno”, que era um feitiço de curto alcance. Por isso, vinha recorrendo muito mais aos outros três feitiços, especialmente ao “Projétil de Gelo”. Atualmente, seu nível nesse feitiço era quatro.

    Portanto, “Projétil de Gelo” seria a escolha. Estava em um teste, e o certo era usar aquilo em que era melhor. Sem encantamentos ou desenhos rúnicos, ele tocou o ar com a ponta dos dedos. Um padrão rúnico surgiu e, logo depois, um projétil de gelo partiu de sua mão.

    Swish! O boneco foi atingido. O gelo se espalhou, cobrindo-o por inteiro com uma camada de geada. Três segundos depois, começou a derreter.

    “Muito impressionante, Grão-Mestre Abel.” Lorenzo cruzou os braços. “Então consegue lançar projéteis de gelo instantaneamente?”

    Abel sorriu, certo de que havia passado. “Suponho que sou bem talentoso.”

    O rosto de Lorenzo voltou a tremer. Lá estava de novo, Abel o fez mudar de expressão mais vezes naquele dia do que em todo o ano anterior.

    Com sua experiência, Lorenzo percebeu logo que Abel estava no nível quatro do “Projétil de Gelo”. No início, era fácil progredir, mas alcançar esse ponto exigia incontáveis repetições. Além disso, era preciso muito tempo para recuperar a mana gasta, sem falar que desenhar o padrão rúnico era uma tarefa extremamente difícil, um único erro e tudo se perdia.

    O que Lorenzo não sabia era que o método de treino de Abel era… digamos… bastante “confortável”. Ao dormir, bastava ativar o modo automático de seu espírito druida. Com isso, seus 120 pontos de Poder de Vontade e 1320 pontos de mana conjuravam automaticamente o feitiço “Calor” no nível 14, recuperando toda a energia consumida.

    Era algo com que outros magos nem podiam sonhar. Além disso, depois que instalara o círculo mágico intermediário no Acampamento dos Ladinos, a concentração de mana ali se tornara altíssima. Dentro dele, Abel podia gastar toda a mana e recuperá-la completamente em apenas alguns minutos.

    Sem mais comentários, o Mago Lorenzo anunciou:

    “Parabéns, Grão-Mestre Abel. Passou no teste de verificação. Por favor, aguarde enquanto preparo os procedimentos para conceder seu distintivo de mago.”

    “Muito obrigado.” Abel fez uma reverência em sinal de gratidão. Logo, após concluírem os trâmites, um único distintivo de mago lhe foi entregue.

    Abel não pôde evitar uma ponta de emoção. Treinara tanto para se tornar um mago… e, depois de incontáveis desafios e dificuldades, agora podia finalmente anunciar sua identidade sem reservas.

    Ele limpou o distintivo com cuidado e o prendeu no peito. “Está certo, Bartoli? Está torto?”

    Bartoli sorriu, ajudando-o a ajeitar. “Ficou perfeito no senhor, Mestre!”

    Embora não conseguisse sentir plenamente o que Abel sentia naquele momento, Lorenzo sabia bem como era receber seu primeiro distintivo, ele também já foi um jovem mago. Por um instante, ao ver a alegria de Abel, quase esqueceu que aquele homem à sua frente também era um respeitadíssimo grão-mestre ferreiro.

    Abel se recompôs e fez nova reverência.

    “Perdoe-me, Mago Lorenzo.”

    “Ha, ha ha!” Lorenzo riu. “Não, não, Grão-Mestre Abel, está tudo bem. É comum os magos ficarem… ‘expressivos’ ao receberem o distintivo. Na verdade, o senhor é até contido. Deveria ver o que alguns já fizeram no passado.”

    “Muito obrigado pelo seu tempo hoje, Mago Lorenzo.” Abel fez a saudação formal dos magos. “Agora que cumpri o que vim fazer, não vou tomar mais do seu tempo.”

    Lorenzo retribuiu a saudação.

    “Então, até logo, Grão-Mestre Abel. Lembre-se: se quiser ganhar pontos, vá ao salão principal e participe de missões. Se quiser viver em Liante, os pontos serão muito importantes.”

    Após se despedir, Abel levou Bartoli para conhecer o prédio da União dos Magos. Logo encontraram o salão de missões.

    O local tinha vários centenas de metros quadrados. No centro, mais de dez colunas brancas sustentavam a estrutura. O chão era de pedras talhadas tão polidas que refletiam, ainda que de forma difusa, a imagem de quem passava.

    Não havia cadeiras. No meio, um enorme painel exibia as missões disponíveis, atualizadas a cada instante por círculos mágicos.

    À frente do painel, um balcão separava os funcionários dos magos que realizavam missões. Todos ali eram magos — não era permitida a entrada de não-magos.

    “Olhe, Mestre!” Bartoli apontou para algumas linhas no painel. Abel seguiu o gesto e viu três missões listadas em sequência, provavelmente postadas ao mesmo tempo:

    Missão: Forjar cajados mágicos

    Descrição: O contratante fornecerá os materiais necessários; um cajado mágico deverá ser forjado conforme solicitado.

    Recompensa: 5.000 pontos

    Missão: Forjar armadura mágica

    Descrição: O contratante fornecerá os materiais necessários; uma armadura mágica deverá ser forjada conforme solicitado.

    Recompensa: 3.000 pontos

    Missão: Forjar espada longa mágica de cavaleiro

    Descrição: O contratante fornecerá os materiais necessários; uma espada longa mágica de cavaleiro deverá ser forjada conforme solicitado.

    Recompensa: 3.000 pontos

    Ao ver a última missão, Abel comentou: “Como é isso? Achei que as missões fossem exclusivamente voltadas para magos. Por que estão pedindo armaduras e espadas de cavaleiro?”

    Um mago próximo também se manifestou: “Pois é. Não deveriam mandar isso para a União dos Ferreiros?”

    “Curioso, não? Pois deixem que eu revele o segredo!”

    Um mago baixo e magro falou, lançando um olhar orgulhoso para os que o observavam. Quando começou a perceber certa impaciência, prosseguiu:

    “Dizem que um ferreiro de elite chegou à Cidade de Liante. Essas missões, meus caros, são especialmente feitas para ele!”

    “E quem seria?” alguns perguntaram. Afinal, não havia muitos ferreiros capazes de criar cajados mágicos, até mesmo magos de nível intermediário ou avançado tinham dificuldade para conseguir um.

    Abel não deu mais atenção. Apenas franziu a testa ao ver as três missões no painel. Forjar armas não era difícil para ele, mas não gostava da ideia de assumir contratos anunciados publicamente em troca de pontos, havia pouca margem para flexibilidade.

    Em vez disso, começou a procurar o que poderia adquirir com pontos: poções, equipamentos, livros de magia… havia muita coisa disponível, mas poucas que realmente lhe interessassem.

    E as que queria eram absurdamente caras. Espíritos de torre, por exemplo, 10.000 pontos por um único. Para isso, teria que forjar dois cajados mágicos.

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