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    “Mestre,” Bartoli sussurrou para Abel, “isso deve ser algum tipo de armadilha!”

    “O quê?”

    “Não sei o quão valioso um cajado mágico é neste mundo, mas não deveriam ter preços diferentes? Sabe, dependendo da dificuldade de fazê-los. Aqui não menciona nada disso. Só diz que você deve fazer um.”

    Abel começou a desconfiar também. Até agora, tudo que tinha feito era criar um cajado mágico, mas o contrato não especificava nada sobre a qualidade dele. Quem fez esse contrato provavelmente esqueceu desse detalhe. Quanto ao preço, provavelmente fez uma estimativa grosseira com base no custo dos ingredientes crus.

    Mais importante ainda, estava tentando enganar Abel, que era um novato na cidade Liante. Não sabia muito sobre como as coisas funcionavam ali. E também não tinha muitos pontos, então era natural que aceitasse qualquer missão que lhe parecesse fácil.

    Até agora, o principal objetivo de Abel em Liante era conhecer as redondezas (e dar uma olhada na sua nova casa, claro). Isso mudou. Depois de ver os itens disponíveis para troca, começou a pensar duas vezes. Os itens que queria eram caros. Ele precisava de muitos pontos para conseguir.

    Como mencionado antes, havia o espírito da torre. Também existiam círculos de teletransporte, círculos mágicos defensivos de grande porte, círculos defensivos superdimensionados, círculos de concentração de mana grandes e superdimensionados, e torres mágicas que iam de seis a vinte andares. Nem preciso dizer que todos precisavam de muitos, muitos pontos.

    Dentre todos esses itens, o círculo de teletransporte e os círculos mágicos defensivos de grande porte eram essenciais para Abel. Se ele pudesse tê-los no Castelo Harry, seria muito mais fácil proteger quem estivesse perto dele. O mesmo valia para o Castelo Matthew e o Castelo Bennett. Na verdade, era o mesmo para o Castelo Abel também. Ele talvez tivesse perdido para o príncipe Liandre, mas estava confiante que um dia o recuperaria.

    O custo de uma torre mágica de seis andares era cinquenta mil pontos, sem contar o círculo de teletransporte da torre. Um círculo de teletransporte custaria mais vinte mil pontos. Cada círculo mágico defensivo de grande porte custava trinta mil pontos. Não é à toa que havia magos que trabalhavam na União dos Magos há um século, ou até séculos.

    “Hora de começar a ganhar alguns pontos,” Abel suspirou ao perceber a enorme quantidade de trabalho que teria pela frente.

    Bartoli perguntou: “Então, você vai aceitar essa missão, mestre?”

    “Sim, não preciso me apressar. Parece que ninguém mais está apto para essa missão, então vamos retornar.”

    Abel não estava errado nisso. Dito isso, ele ainda não gostava da ideia de aceitar trabalhos de pessoas que não conhecia. Se fosse o mago Lorenzo pedindo pessoalmente, ele aceitaria de bom grado. Mesmo com desconto. Mas não quando não sabia quem estava contratando.

    Enquanto isso, o mago Lorenzo ria, apontando o dedo para o mago Nigel.

    “Ha, aha! Ha, ha ha ah! Muito bom!” Lorenzo riu. “Seu plano não deu muito certo, hein?”

    Nigel coçou a cabeça envergonhado. “Para com isso! Não foi um fracasso total! Agora que eu chamei a atenção dele, vai que ele volta para fazer o trabalho em alguns dias.”

    “Ah, vou aguardar então! Que azar o seu, viu? Se eu não tivesse esquecido meus materiais, já tinha pedido um cajado novo pro Grão-Mestre Abel.”

    Ao contrário de Lorenzo, Nigel tinha preparado os materiais para fazer um cajado novo para si. Ainda assim, seu orgulho não o deixava pedir favores diretamente para Abel. Havia também outra razão para ele fazer o pedido anonimamente, na forma de uma missão, mas isso era um segredo que ele preferia manter para si.

    Abel obviamente não sabia de nada disso. Preferia fazer tudo às claras. Depois que ele e Bartoli saíram do prédio da União dos Magos, pegaram suas montarias e passearam pela cidade.

    Ao passear, Abel percebeu como era difícil entrar no círculo interno de Liante. Para cada entrada nas áreas internas, teria que pagar uma taxa de dez pontos por dia. A maioria das pessoas não podia pagar, claro, mas havia muitos magos dispostos a isso. De fato, alguns nunca saíam dessa área interna.

    Por enquanto, nada disso interessava a Abel. Ele estava sem dinheiro. Não tinha um ponto sequer.

    “Um prédio da União dos Ferreiros!” Abel exclamou ao se aproximar de um lugar que conhecia bem.

    “Bem-vindo! Bem-vindo, Grão-Mestre Abel!” um servo humano correu até ele e fez uma reverência. Abel não se surpreendeu. Depois de se tornar um grão-mestre ferreiro, era obrigatório que todos os funcionários da União dos Ferreiros soubessem seu nome e aparência.

    “Muito obrigado!” Abel disse, pulando do cavalo junto com Bartoli. “Hum, pode cuidar das nossas montarias por um instante?”

    “É uma grande honra, Grão-Mestre Abel!” o servo respondeu, mesmo surpreso com a humildade inesperada de Abel.

    Quando Abel entrou no prédio da União dos Ferreiros de Liante, todos estavam prontos para recebê-lo com festa. Estavam muito animados para vê-lo. Afinal, alguns nunca tinham saído da cidade. Para eles, ver um grão-mestre pessoalmente era um milagre, uma experiência única na vida.

    Mas isso não durou muito.

    “O que vocês estão fazendo? Voltem ao trabalho!” uma voz séria soou, fazendo todos os ferreiros voltarem às suas funções. O barulho cessou, sobrando apenas o som do ferro sendo martelado.

    Era a primeira vez de Abel ali, mas ele sabia que aquela voz vinha dos fundos do lugar.

    O mestre Joyce veio rapidamente se curvar para Abel. “Peço desculpas, Grão-Mestre Abel. Os trabalhadores aqui não são muito disciplinados. Desculpe se atrapalharam você.”

    Abel nem se importou. Se fosse para ser incomodado, não se importava. Na verdade, estava mais preocupado em parecer destacado demais naquele prédio. Afinal, percebeu o mestre Joyce. Como ambos estiveram no evento de mestres mais cedo, ele sentiu que deveria ter cuidado com a postura diante do seu superior.

    Abel cumprimentou o mestre Joyce da melhor forma possível. “Não, não, está tudo bem, mestre Joyce. Se houve alguma perturbação, fui eu que causei. Como membro da União dos Ferreiros, eu deveria ter avisado antes de vir, mas cometi o erro de chegar sem ser notado.”

    Os dois riram alto, de forma calorosa. O mestre Joyce tinha cinquenta anos e realmente apreciava quando um jovem era educado com ele. Ao saber que era a primeira vez de Abel na cidade, ofereceu até alguns “presentes de boas-vindas”.

    “Venha comigo, Grão-Mestre Abel. Pela regra da nossa associação, todo mestre ou superior que vem para Liante recebe alguns pontos do nosso fundo. Não precisa recusar. Queremos garantir que nossos melhores mestres aproveitem bem a estadia aqui.”

    Abel riu ao ouvir a regra. “Ha! Terei que me desculpar por ser um grande ladrão, então.”

    Mestre Joyce também riu. “São 100 pontos para cada mestre e 1000 para cada grão-mestre. Por favor, se puder me entregar seu cartão de identidade agora, já posso depositar os pontos.”

    Quando viu a rapidez com que Abel pegou o cartão, o mestre Joyce soltou um suspiro aliviado. Na verdade, ele temia que 1000 pontos fossem poucos para Abel. Como único grão-mestre da União dos Ferreiros, muitas pessoas estariam dispostas a ceder pontos para ele. E como não sabia o quão quebrado Abel estava, pensou que ele poderia até se sentir ofendido por receber tão pouco.

    Depois de conversar com o mestre Joyce a tarde toda, Abel saiu e voltou para sua residência.

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