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    Depois de passar toda a manhã tentando encontrar um local ideal, Abel e Bartoli decidiram que não havia um bom lugar para montar o restaurante. Para ser mais específico, todos os pontos estratégicos já estavam ocupados. Não que Abel não pudesse usar suas conexões com a Guilda dos Ferreiros para conseguir um espaço, mas, convenhamos, seria uma ideia bastante estranha se ele, um grande mestre ferreiro, resolvesse abrir um restaurante.

    “E aquele ali, mestre?” Bartoli apontou para uma loja.

    Era um lugar perfeito para um restaurante. Tinha dois andares e não ficava longe da residência de Abel. O mais importante: quando chegaram, viram alguém colocando uma placa na porta.

    A placa dizia “À Venda”.

    Bartoli falou animada: “Tivemos muita sorte desta vez, mestre. Olhe, como aqui já funcionava um restaurante, podemos até economizar bastante com reformas!”

    Abel assentiu satisfeito: “Eu gosto. A localização é boa e há bastante movimento de pessoas.”

    Bartoli ponderou: “Mas é um espaço bem grande. Considerando os pontos que temos, talvez não possamos pagar por ele.”

    Abel respondeu com um sorriso: “Quanto a isso, acredito que a Guilda dos Ferreiros pode ajudar bastante.”

    Quando os dois se aproximaram da porta, viram dois funcionários conversando entre si.

    Um deles disse: “Acho que não podemos ficar aqui, Garen. A maioria dos meus pontos vai para o treinamento básico de cavaleiro. Ainda consigo guardar alguns para sobreviver, mas e depois? Toda a minha identidade nesta cidade está ligada a esta casa. Agora que estamos vendendo, se o novo dono não quiser que eu fique, vou acabar sem-teto, o que significa que não poderei permanecer em Liante.”

    O homem chamado “Garen” suspirou: “Lembra do que diziam? ‘Dez anos em Liante, e sua vida vai mudar.’ Que piada virou isso. Nosso negócio foi forçado a fechar, e o Mestre Michener vai vender sua propriedade, grr!”

    Foi nesse momento que eles perceberam a presença de Abel e Bartoli.

    Garen logo os atendeu: “Dois magos? Oh, me desculpem! Por favor, sentem-se onde quiserem. Posso anotar seus pedidos a qualquer momento.”

    Bartoli o interrompeu com um gesto da mão: “Não, estamos aqui porque vimos a placa de venda na porta. O dono está por aqui?”

    “Sim, aguardem só um instante, vou chamá-lo”, disse Garen, subindo apressado as escadas.

    Pouco depois, um homem gordo, de grande barriga, desceu do andar de cima.

    “Sejam bem-vindos. Eu sou o proprietário desta loja, Johnny.”

    Johnny continuou falando: “Muito esperto da parte de vocês se interessarem pelo meu estabelecimento. Vejam só, a localização é excelente. E se derem uma olhada, praticamente tudo aqui é novo. Herdei do meu tio, e faz apenas três meses que decidi abrir o negócio.”

    “Devido a… alguns assuntos familiares”, disse Johnny em tom emocionado, “preciso vender esta loja para quem estiver disposto a comprá-la. Por isso coloquei a placa lá fora.”

    Bartoli não era do tipo que se deixava levar por histórias pessoais: “A escritura ainda está com você?”

    “Sim, sim, ainda está comigo.” Johnny balançou a cabeça várias vezes, confirmando.

    “Se vendermos, ficamos com tudo o que está aqui? E os funcionários precisam ir embora?”

    Johnny respondeu: “Vou deixar tudo no lugar. Quanto à equipe, temos dois garçons, dois cozinheiros e um gerente. Se não quiserem mantê-los, podem simplesmente mandá-los embora.”

    Abel reparou em algo: havia um homem de meia-idade parado atrás do balcão. Parecia querer dizer algo, mas permaneceu em silêncio o tempo todo.

    Bartoli foi direta: “Então, quantos pontos precisamos pagar?”

    “Não, não pontos. Prefiro moedas de ouro”, Johnny balançou a cabeça. Em sua mente, já estava satisfeito por Bartoli ao menos ter perguntado.

    “Estranho. Veja este cardápio. Vocês aceitam pedras mágicas e pontos como pagamento pelas refeições, então por que quer que paguemos em moedas de ouro?”

    Johnny respondeu: “Porque estou cansado desta cidade, minha amiga. Assim que vender este lugar, não quero mais ter nada a ver com ela.”

    “Diga um preço então”, exigiu Bartoli.

    Johnny pensou um pouco e disse: “Suponho que… um milhão de moedas de ouro, para ser exato. É um preço bem justo aqui.”

    Abel ficou mais do que satisfeito. No momento, tinha muitas moedas de ouro e poucos pontos. Não queria pedir pontos emprestados, então era perfeito poder pagar com o que já tinha em mãos.

    Vendo Abel, Bartoli falou em nome dele: “Muito bem, aceitaremos o preço que ofereceu. Se quiser, podemos pagar imediatamente. Se não houver nenhum problema com sua conta, a transferência deve ser concluída em menos de um minuto.”

    Como não se tratava de uma casa comum, uma parte do pagamento foi enviada para a prefeitura como taxa de transação. Para a sorte de Johnny, como a taxa para deixar Liante era de cerca de 100 pontos, Bartoli transferiu mais 100 mil moedas de ouro para ele.

    Já Abel estava simplesmente feliz por os pontos não estarem envolvidos no negócio. Pontos eram valiosos. Permanecer tempo suficiente em Liante para acumulá-los significava que a riqueza adquirida estava bem protegida. Era a mesma razão pela qual os dois garçons não queriam sair da cidade. Enquanto conseguissem acumular pontos, poderiam garantir uma boa educação para seus descendentes. Cavaleiros, magos, o que quisessem. Seus filhos e netos teriam muitas mais opções do que ficar presos a empregos de baixo nível por toda a vida.

    Falando nisso, a educação em Liante era de altíssimo nível. Aos olhos de Abel, toda a cidade era como uma imensa escola para o cultivo de cavaleiros e magos. Havia algo, no entanto, que lhe parecia estranho. Por mais abundantes que fossem os magos avançados na cidade, muitos deles não possuíam suas próprias torres mágicas.

    Era esquisito. Em quase todos os outros lugares, ter uma torre mágica era essencial para um mago. Uma torre servia para muitas coisas. Não apenas como um santuário seguro para a meditação, mas também como uma fortaleza capaz de protegê-lo de seus inimigos.

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