Capítulo 431 - Contrato
Os cinco se entreolharam. Haviam conseguido chegar à Cidade de Liante cheios de sonhos, alguns por si mesmos, outros por suas famílias, e nenhum deles desistiria de bom grado. Estavam no centro da civilização, e talvez tivessem apenas uma chance de estar ali.
“Lorde, eu sou Mahler. Gostaria de lhe dizer algo.” O gerente original, Mahler, lançou um olhar nervoso para Bartoli.
“Não fique nervoso. Apenas diga.”
Bartoli tinha uma vaga ideia de que deveria haver algum problema com a venda apressada daquela loja, mas acreditava que, se ela mesma não conseguisse resolver como maga intermediária, Abel certamente conseguiria.
Mahler explicou com cautela:
“Lorde Johnny assumiu esta loja há três meses. Depois da reforma, ele descobriu que todos os ingredientes precisavam ser comprados através da organização da Aliança de Restaurantes, e os preços são muito altos. Precisávamos pagar 30% da nossa renda mensal à Aliança, caso contrário, eles interromperam o fornecimento de matérias-primas. Com os impostos mensais, mesmo sendo uma loja recém-inaugurada, os negócios… não iam bem. O Lorde Johnny perdeu dinheiro por três meses seguidos. Ele já não consegue pagar essas despesas, então decidiu vender a loja e deixar este lugar.”
“Mahler, não precisa se preocupar com isso. Temos nosso próprio canal de suprimentos e não ligamos para a Aliança de Restaurantes.” Bartoli acenou com a mão, respondendo com indiferença.
Se fosse uma organização de grande porte, como a União dos Magos, talvez ela considerasse a situação. Mas uma aliança comercial como aquela simplesmente não estava em seus olhos. O ponto de partida era diferente, a posição era diferente, e a forma de encarar os problemas também. Para Mahler, a Aliança de Restaurantes parecia uma organização poderosa. Para Bartoli, sua posição como maga intermediária era elevada demais para se preocupar com isso. Além disso, ela jamais compraria materiais deles. Todos os suprimentos seriam enviados por ferreiros através do círculo de portais.
“Mahler, será bom que você permaneça como gerente da loja. Pode me apresentar os outros primeiro.” Bartoli estava bastante satisfeita com a preocupação que Mahler demonstrava pelos desafios de Abel. Com isso, ele poderia se sentir tranquilo e, com o contrato, não haveria motivo para temer uma traição.
“Sim, Lorde. Estes são os chefs Finkle e Barney. Eles são irmãos. Suas habilidades culinárias são boas, mas o Lorde Johnny parece não ter conseguido captar o gosto dos moradores da Cidade de Liante, e isso também foi uma das razões do mau desempenho nos negócios. Estes são Garen e Mickey, os garçons da loja.” Mahler os apresentou com cuidado.
Bartoli não se importava muito com o quão bons eram os dois chefs anteriormente. Para ela, ainda estavam muito aquém e teriam que aprender do zero.
“Muito bem. Este é o contrato. Apenas coloquem a mão sobre ele!” Bartoli retirou da bolsa do portal um contrato feito de delicada pele animal e o colocou sobre a mesa.
Aquele contrato não era feito de pele comum. Fora confeccionado com a pele mais macia de uma besta espiritual de nível intermediário, e Bartoli havia inscrito runas do Mundo das Trevas, acrescentando mana ao documento.
Os direitos e deveres de ambas as partes estavam escritos no contrato. Tratava-se de um contrato de igualdade, que estabelecia que Bartoli oferecia compensação, e os funcionários não apenas realizariam seu trabalho normal, mas também teriam que guardar os devidos segredos. Caso contrário, seriam punidos.
Ao ver aquele misterioso contrato, Mahler congelou por um instante. Ele hesitou, mas acabou pressionando sua digital sobre ele. Quando os outros o viram assinar, também avançaram e colocaram suas impressões.
Quando Mickey finalmente pressionou sua digital, o contrato foi envolto por uma luz branca que se ergueu lentamente da mesa. Formou seis feixes que conectaram Bartoli aos cinco funcionários.
Uma voz imponente soou na mente dos seis: “O contrato foi estabelecido!”
Os cinco, que jamais haviam presenciado algo assim, ficaram pálidos. O poder dos magos fazia seus corações tremerem. Aquela cena os fez descartar imediatamente quaisquer pensamentos ocultos que poderiam ter surgido.
Enquanto isso, Abel estava embaraçado com sua próxima tarefa. Montado no Vento Negro, ele seguiu até a União dos Ferreiros.
Diante do círculo de comunicação da União, Abel o ativou e aguardou resposta.
“Mestre Abel, está me procurando?” A voz de Bernie ecoou do outro lado.
“Bernie, nada tão sério. Não precisa ser tão formal.” Abel respondeu com um sorriso.
“Abel, você vai abrir um restaurante? Por que devo enviar tantos ingredientes todos os dias?” A voz de Bernie se tornou mais descontraída ao perguntar.
“Cof!!” Abel não conseguiu evitar uma reação. Afinal, não era exatamente motivo de orgulho para um mestre ferreiro abrir um restaurante.
“Não pode ser… você realmente abriu um restaurante?” Bernie ergueu a voz, surpreso.
“Por causa dos pontos.” Abel disse, sem alternativa.
“O que você estiver precisando, eu posso lhe dar. Por que montar um restaurante por causa de pontos? Quantos pontos você acha que vai conseguir ganhar assim?” Bernie respondeu generosamente.
“Sim. Uma torre mágica de sexto andar, uma torre espiritual, três grandes círculos de defesa e três círculos de portais!” Abel disse num tom indiferente.
Bernie logo percebeu a intenção por trás das palavras e respondeu:
“Abel, essas coisas são materiais estratégicos. Mas, se você construir a torre mágica no Desfiladeiro da Ruptura, nossa família Goff pode bancar isso. Vamos providenciar o melhor para você.”
E acrescentou, em tom de brincadeira:
“Imagino que tudo o que vou precisar é de uma refeição por sua conta. Aliás, quantos pontos custarão os pratos do seu cardápio?” Bernie estava bastante curioso sobre o tipo de restaurante que Abel abriria e confiante de que poderia trocar muitos materiais estratégicos por isso.
“Quanto a isso… acho melhor você não vir experimentar.. A comida que estou preparando…… ela deixa as pessoas viciadas.”
“Vamos lá, o restaurante nem abriu ainda. Não precisa ser tão mesquinho, certo?” Bernie riu.
Abel mudou de assunto:
“Ei, poderia entregar uma caixa de poções para a Grã-Duquesa Edwina, na Cidade Angstrom? Só você pode fazer isso por mim.”
“Tudo bem, sem problema. Estou prestes a viajar mesmo.” Bernie conhecia a identidade do outro mestre de poções de Abel e sabia que era o único capaz de realizar esse tipo de tarefa.
“Aliás, vou lhe dar outro barril do vinho mestre como recompensa. Se tiver vergonha de pedir, guardo um pouco para você.” Abel brincou.
“Quem não quer o vinho mestre? Vou aceitar o que você me der!” Bernie exclamou.
O prestígio de quem bebia o vinho mestre só crescia. Desde que Abel se tornou mestre, o valor do vinho havia aumentado ainda mais. Entre os anões, ele já era símbolo de status nobre.
Mas Bernie havia distribuído mais vinho do que guardado para si, e agora mal tinha o suficiente para beber. Cada gole era tomado como se fosse o último. Receber outro barril poderia, enfim, aliviar sua ansiedade.
O círculo de portais da União dos Ferreiros era exclusivo para eles e não se conectava ao mundo exterior. Servia apenas para interligar todas as sedes da União no Continente Sagrado. Essa era a condição para estabelecer tais círculos, já que, por questões de segurança, nenhuma cidade permitiria que a União criasse portais próprios em seus territórios.
Havia uma sede da União dos Ferreiros na cidade da família Goff. Assim, enviar os itens até lá era praticamente o mesmo que entregá-los diretamente à família. Abel enviou uma caixa de poções e um barril de vinho do mestre através do círculo.
A outra identidade de Abel, Mestre Bennett, era a de alquimista dos elfos. Para manter o prestígio desse nome e preservar uma relação amistosa com o Grã-Duquesa Edwina, ele precisava enviar poções regularmente para a Cidade Angstrom, consolidando sua posição entre os elfos.
Além disso, ele sabia que, se interrompesse o fornecimento de loções e condicionadores, poderia causar um tumulto. Enquanto os elfos estivessem dispostos a negociar com os anões para obtê-los, ele teria que continuar atendendo à demanda. Se o fornecimento parasse, o primeiro lugar a ser afetado seria a Cidade Angstrom, e também a própria Grã-Duquesa Edwina, já que Mestre Bennett era o alquimista oficial do Palácio do Grão-Duque.
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