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    “Vou dizer aos outros que você me deu uma Poção da Beleza!” Bennett aceitou o fato rapidamente e disse a Abel.

    Ao ver que Abel precisava usar um círculo de isolamento até para beberem a poção, Bennett percebeu o quão preciosa ela era.

    “Obrigado, pai, foi muito bem pensado. Como essa poção nunca foi usada em pessoas comuns, e vocês dois são cavaleiros com corpos mais fortes, vou esperar um tempo. Se não houver problemas, darei para a mãe também!” Disse Abel.

    Na verdade, Abel sabia que a poção não causaria problemas. A única preocupação era a longevidade. Se o efeito durasse pouco, tudo bem. Mas se, daqui a cem anos, algum mago descobrisse que Bennett e Marshall ainda mantinham a aparência jovem, isso seria um problema.

    E isso não era impossível. Se Abel fornecesse a poção regularmente e o efeito fosse sempre esse, eles poderiam viver muito mais que cem anos.

    Abel pensou um pouco: com sua velocidade de evolução, em cem anos ele não deveria temer mago algum. Sendo assim, deixaria as coisas seguirem seu curso natural.

    “Pai, Tio Marshall. Daqui a alguns dias, partirei para a Cidade do Milagre!” Abel disse em voz baixa.

    Embora o tom fosse suave, para os ouvidos de Bennett e Marshall soou como um trovão. Ambos encararam Abel, recusando-se a acreditar.

    “Abel, por que você vai para a Cidade do Milagre?” Marshall perguntou chocado.

    “Sou um mago. Todo mago deve ir para a Cidade do Milagre após tornar-se um Mago Oficial!” Abel explicou sorrindo.

    “Mas você é um Grão-Mestre Ferreiro, não uma classe de combate. Por que precisa ir?” Marshall ainda estava insatisfeito.

    “Abel, você sabe que lugar é a Cidade do Milagre?” Bennett perguntou com voz grave ao lado.

    “Sei, é o campo de batalha entre humanos e orcs!” Abel assentiu. Ele sabia o que a cidade representava através de relatos e livros.

    “Aquele lugar é o inferno. Cavaleiros morrem quase todos os dias. Quando fui para lá com o Marshall, éramos dez cavaleiros e mil soldados. Quando voltamos, restavam apenas eu, Marshall e algumas dezenas de soldados feridos!” A voz de Bennett carregava tristeza ao lembrar da tragédia.

    “Naquela época, eu e Bennett tínhamos acabado de virar cavaleiros, cheios de desejo por glória militar. Mas lá, víamos companheiros caírem todos os dias. Vivíamos num pesadelo constante!” Marshall estremeceu ao recordar.

    “Pai, Tio Marshall, sou um mago. Magos não avançam na linha de frente. Além disso, vocês conhecem alguns dos meus meios de sobrevivência!” Abel sentiu-se tocado pela preocupação deles.

    “De qualquer forma, tenha cuidado. Não seja ganancioso por méritos, não aja sozinho. Sobreviver é a prioridade!” O conselho de Marshall contrariava o código de cavaleiros que ele sempre seguiu, mas ele o disse mesmo assim.

    “Abel, não tente ser herói. Se puder não sair da Cidade do Milagre, tente não sair!” Bennett também aconselhou seriamente.

    “Pai, você poderia assumir o comando do Esquadrão de Elite de cavaleiros de elite para mim? Se tiver problemas, procure a Bartoli no castelo, ela resolverá tudo!” Abel assentiu e fez o pedido formal a Bennett.

    “Sem problema, eu assumo o esquadrão de elite!” Desta vez, Bennett não recusou.

    “Pai, aceite este conjunto de armadura e armas de cavaleiro. O futuro do esquadrão de elite dependerá de você!” Abel tirou de seu bracelete espacial o conjunto completo de equipamentos mágicos feitos sob medida para Bennett.

    O teimoso Bennett nunca usou os equipamentos mágicos dados por Abel, mas agora, para comandar cavaleiros de nível avançado sendo apenas um intermediário, ele precisava da ajuda desses itens.

    “Eu aceito este presente!” Bennett entendeu a situação e recebeu o equipamento, que visivelmente era de uma qualidade extraordinária.

    Abel dedicou-se àquele conjunto. Feito de ferro puro, utilizava runas do Continente Sagrado com gemas de mana de nível intermediário, além da técnica de soquetes do Mundo das Trevas. Armadura, elmo, arma e escudo tinham gemas perfeitas incrustadas que, graças à técnica daquele mundo, ficavam ocultas após a inserção.

    Era basicamente uma réplica do equipamento dos seus Cavaleiros Guardiões Espirituais. Não que Abel não quisesse dar algo melhor, mas Bennett só poderia usar aquele nível de equipamento protegido pela reputação formidável de Abel.

    Considerando que eram itens feitos pessoalmente por Abel, só aquele conjunto valeria milhões de moedas de ouro; se fosse a leilão, o preço seria ainda maior.

    “Tio Marshall, cada vez mais pessoas vêm morar no Castelo Harry. Que tal construir uma nova área residencial do lado de fora? Pode pegar o ouro diretamente com a Bartoli!” Abel sabia do apego de Marshall ao castelo e que ele relutaria em alterá-lo, por isso sugeriu a expansão externa.

    “Abel, o Castelo Harry também é seu. Você acha mesmo viável construir outra área residencial fora dele?” Marshall conhecia a situação, mas hesitava. Cada pedra ali lembrava sua esposa; para ele, o castelo era a memória dela.

    “Claro! O Castelo Harry continuará existindo isoladamente. Temos ouro de sobra; podemos construir até outra cidade se quisermos!” Disse Abel com a confiança de quem tem recursos infinitos.

    Nesse momento, a voz de Bartoli surgiu na corrente da alma: “Mestre, os pães estão prontos!”

    “Traga-os aqui!” Abel ordenou mentalmente.

    Logo, Bartoli entrou carregando uma grande bandeja com seis pães, feitos separadamente de trigo, aveia e cevada.

    “Abel, isso é…?” Marshall pensou que fosse um lanche para eles e ia pegar um, mas foi impedido por Abel.

    “Tio Marshall, estes são um pouco especiais. Preciso testar se são comestíveis primeiro!” Abel disse meio sem jeito.

    Ele estava tão ansioso pelos pães que, assim que soube que estavam prontos, pediu para trazê-los sem explicar nada a Marshall, o que pareceu indelicado.

    “Experimento de mago?” Marshall olhou desconfiado para os pães na mesa.

    “Sim!” Abel respondeu. Ele sabia por que Marshall fez aquela cara; os rumores diziam que magos faziam experimentos bizarros e, às vezes, terríveis.

    “Então coma você mesmo!” Marshall perdeu o interesse imediatamente e abanou a mão.

    Abel sorriu, arrancou um pedaço do pão de trigo e colocou na boca. Um aroma fresco invadiu seu paladar. Após mastigar algumas vezes, uma energia emanou do pão e foi rapidamente absorvida pelo seu Qi de Combate, fundindo-se a ele completamente.

    O pão de trigo aumentava o Qi de Combate!

    Abel jamais imaginou tal função. O treinamento de cavaleiro consistia em temperar o corpo para produzir “Qi” e usar técnicas de respiração para convertê-lo em Qi de Combate.

    Para cavaleiros comuns, a única forma de aumentar o Qi era o treino físico exaustivo e repetitivo. Isso não só causava danos ao corpo, como exigia muitos recursos para repor o desgaste. Para acelerar o processo, poções auxiliares eram a única opção até então.

    Agora, aquele pão de trigo aumentava o Qi diretamente. Embora a quantidade parecesse pequena, era um ganho extra além do treino. E o mais importante: era pão, um alimento consumido em todas as refeições.

    Além disso, Abel sentiu que o pão não deixava resíduos tóxicos como as poções, nem acumulava impurezas no corpo. Claro, com seu corpo atual, o teste não era totalmente preciso; seriam necessários mais experimentos para comprovar.

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