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    A avaliação dos dez primeiros magos terminou rapidamente. Apenas dois passaram. Esse resultado já podia ser considerado uma obstrução deliberada.

    “K3516, entre para a avaliação!” A voz do Vice-Instrutor Layard ecoou.

    Abel olhou para Layard. Sua percepção de Comandante-Chefe continuava sem alertar perigo. Ele chegou a pensar que seu sentido poderia estar com problemas, pois antes, ao menor sinal de risco, o alerta disparava.

    Sua percepção não era a de um Comandante-Chefe comum. Com o reforço de sua poderosa força de vontade, ela atingia um estado quase premonitório.

    Ao caminhar em direção ao Círculo de Anulação de Magia, ele entendeu por que aquele círculo, capaz de ameaçar magos, era pouco usado. Ao se aproximar, uma sensação nauseante surgiu e sua mana começou a flutuar violentamente.

    Nessas condições, nenhum mago entraria ali por vontade própria. Mas, para a avaliação, Abel não teve escolha.

    Ao entrar, sentiu a supressão. Sua mana foi aprisionada por uma força estranha. A sensação de perder a mana era muito desagradável. Provavelmente era por isso que apenas dois magos tinham passado.

    Mesmo com o treinamento em dia, naquele ambiente, um mago só conseguiria exercer cerca de setenta por cento de sua capacidade física, sem contar que defesa com escudo não era o ponto forte deles.

    “Grão-Mestre Abel, é você, não é?” O Vice-Instrutor Layard olhou para Abel parado no centro do círculo. Um sorriso histérico surgiu em seu rosto e ele falou em um tom muito baixo, audível apenas para Abel.

    “Como você me reconheceu?” Abel já havia deduzido o resultado. Layard tivera todo aquele trabalho apenas para fazê-lo entrar no Círculo de Anulação de Magia. A única dúvida era como ele descobriu sua identidade.

    “Porque estive te observando o tempo todo. Sabia que troquei quase todos os meus méritos de guerra por informações? Eu sei tudo sobre você. Sua altura, sua postura, seus hábitos!” Layard sussurrou.

    Ele não se preocupava mais. A distância entre eles era curta demais para qualquer resgate. Diante de um Comandante-Chefe, três metros eram apenas um passo e um golpe de espada.

    Desde o primeiro dia de Abel na Cidade do Milagre, Layard desconfiou. Era muito difícil fazer o Espírito do Milagre mudar as regras, e a identidade de Abel era uma das poucas que justificaria tal mudança.

    Além disso, embora Abel usasse máscara, sua altura e corpo não mudaram. Alguém atento notaria as falhas.

    Quando o treinamento começou, Layard teve certeza. Poucos magos possuíam um físico robusto, e Abel, como Grão-Mestre Ferreiro, era um dos poucos com tal constituição.

    “Nós temos alguma inimizade?” Abel franziu a testa e perguntou.

    Pensando que tantos magos perderam a qualificação da missão por sua causa, Abel sentiu um pouco de culpa.

    “Inimizade? Sou um Comandante-Chefe dos Cavaleiros do Ducado de Keyen. Meu filho estava na torre mágica. Foi você quem o matou. Não tente negar, pelas informações que coletei, você usou aquele tipo de explosão mais de uma vez!” Layard disse, rangendo os dentes.

    Sua mão direita apertava o cabo da espada grande com força. Se não quisesse que Abel sofresse e desejasse saborear a vingança, já o teria matado com um único golpe.

    Abel percebeu que se tratava da destruição da torre mágica no Ducado de Keyen. Ele não sentia remorso por aquele evento. Foram os magos do Ducado de Keyen que iniciaram a guerra e, o mais importante, tentaram ferir sua família.

    Esse comportamento era um grande tabu entre os magos. Se os magos de Keyen foram capazes de fazer isso, deveriam ter considerado a possibilidade de retaliação.

    Na época, a força de Abel só permitia usar meios extremos para proteger sua família, o que resultou na explosão que chocou o Continente Sagrado.

    “Fui eu quem destruiu a torre mágica do Ducado de Keyen. Isso eu admito!” Abel disse com naturalidade.

    “Seu demônio, você matou meu filho!” Layard gritou, emocionado.

    “Aquilo foi uma guerra. Os magos do Ducado de Keyen atacaram primeiro os magos do Ducado de Carmel. Você é um cavaleiro experiente, deveria saber que, na guerra, a culpa pela morte deve recair sobre quem a iniciou, não sobre quem a terminou!” Abel retrucou, observando a agitação de Layard.

    “Você matou meu filho e hoje eu vou matar você. Estudei todas as informações sobre você. Você é terrível. Suas invocações podem matar magos de alto nível sem que você precise mover um dedo. Mas onde estamos agora?” Layard riu loucamente, apontando para o Círculo de Anulação de Magia ao redor.

    Abel queria dizer a Layard que, mesmo dentro daquele círculo, ele não era páreo. Sua percepção não emitira nenhum alerta, o que significava que Layard não representava ameaça alguma.

    “Sem feitiços, sem invocações, sem itens mágicos. Por que você não está desesperado?” Layard já não tinha escrúpulos. Ele só estranhava a calma de Abel.

    “Layard, o que você quer fazer?” O Instrutor Cooper, ignorando as regras, correu até a borda do círculo e gritou.

    Cooper viu que Layard não prosseguia com a avaliação e conversava com Abel, ficando cada vez mais agitado. Ao ouvir a ameaça de morte, decidiu intervir.

    “Cooper, isso não é da sua conta. Não se aproxime. Se der mais um passo, eu o mato!” Layard gritou, com os olhos cheios de loucura.

    “Acalme-se. Aqui é a Cidade do Milagre. Você não conseguirá escapar se matar alguém!” Cooper tentou argumentar, dando um passo à frente.

    “Para trás, Cooper! Você sabe o quão rápida é minha espada. Para trás!” Layard apontou para Cooper e berrou.

    “Eu recuo, mas não faça nenhuma besteira!” Cooper recuou alguns passos, impotente.

    “Diga-me, por que você não está desesperado?” Layard perguntou insistentemente a Abel.

    Ele não queria que Abel morresse fácil. Queria que todos vissem Abel implorando, queria expor sua humilhação ao mundo, queria vê-lo chorar e implorar. Mas por que não via nenhum pânico nos olhos dele?

    “Instrutor Layard, deixo você atacar primeiro. Então saberá por que não estou desesperado!” A voz de Abel transbordava uma confiança poderosa, transformando toda a sua aura.

    Antes, ele parecia um mago comum. Agora, todos no campo de treinamento, especialmente os dois Comandantes-Chefes, sentiram a autoconfiança de alguém com grande poder.

    Nesse momento, diante de um Comandante-Chefe, um mago demonstrar tal confiança dentro de um Círculo de Anulação de Magia significava que ou ele era louco, ou realmente tinha meios de revidar. Layard sabia que Abel não era louco; ele era o gênio reconhecido do Continente Sagrado.

    Layard ficou sério. Jogou fora a espada comum e sacou sua espada mágica de fogo das costas.

    Ele não ousava ser descuidado. Estava com medo. Medo de ter planejado tudo e não conseguir sua vingança. O poderoso poder mágico de fogo envolveu instantaneamente a espada mágica. As chamas eram laranja-amareladas, indicando intensidade intermediária.

    A força do Vice-Instrutor Layard era considerada alta entre os Comandantes-Chefes. Com a espada mágica reforçada pelo Qi, ele se acalmou. Confiava totalmente em sua espada.

    Com ela, ele havia eliminado inúmeros orcs e matado secretamente outros Comandantes-Chefes do mesmo nível por méritos de guerra. Sua espada nunca o decepcionará.

    Enquanto a segurasse, seu mundo se resumia ao combate.

    Layard gritou e desferiu um golpe com força total contra Abel. Fora do círculo, Cooper gritou involuntariamente: “Pare!”

    A espada mágica, envolta em chamas alaranjadas, voou em direção ao pescoço de Abel. Nesse instante, a força de vontade no cérebro de Abel vibrou e o mundo inteiro ficou lento. Enquanto a espada varria em direção ao seu pescoço, ele deu um passo à frente. Um passo simples, como se estivesse passeando.

    Esse único passo colocou a mão de Layard, que segurava a espada, bem diante de Abel. Abel estendeu a mão e, com o cabo de sua espada leve, deu uma batida na mão de Layard.

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